Resumo dos resultados das empresas do 2º trimestre de 2020 (2T20)

Veja a retrospectiva dos resultados divulgados, com uma análise consolidada do nosso universo de cobertura de ações. Aqui você também poderá acessar os links para os comentários mais detalhados de cada empresa, que organizamos por destaques negativos, positivos e em linha.


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A divulgação dos resultados do 2º trimestre de 2020 (2T20) das empresas listadas na Bolsa começou no fim de julho e 100% das empresas do Ibovespa já reportaram seus resultados (atualizado em 14/08/2020).

43% deles foram em linha com o que o consenso esperava e 29% acima da expectativa. Já em relação aos parâmetros XP, 50% dos resultados foram acima do esperado e 25% em linha com as expectativas. O que isso nos mostra?

Com o início da disseminação do novo coronavírus no Brasil e o forte impacto da pandemia na economia, como visto com a contração de 1,5% do PIB no primeiro trimestre de 2020, o mercado já espera resultados fracos da maioria das empresas no segundo trimestre.

Em números, a expectativa é de uma queda de 73% de lucros operacionais (EBITDA) para o Ibovespa no 2T20 em relação ao segundo trimestre de 2019 (2T19). A projeção de lucro por ação do Ibov projetada pelo consenso para o segundo tri 2020 é -1,811 em comparação à 1,908 no segundo tri 2019, uma queda de 194%. Além disso, o mercado espera uma queda nos lucros do Ibovespa de 57% para o ano de 2020.

Devido à atipicidade da conjuntura atual, os investidores devem estar mais atentos à comparação dos resultados vs. as expectativas do consenso do que à comparação dos números do segundo trimestre 2020 vs. segundo trimestre 2019, além de se atentarem para a alavancagem (endividamento) e liquidez das empresas e analisar a capacidade de passarem pelos meses difíceis à frente.

Um ponto positivo é que a abertura dos mercados de capitais e de dívidas, acompanhada por grandes ofertas na Bolsa (IPOs e follow on), faz com que as empresas consigam ter um maior caixa, melhorando seu balanço e ficando mais confortáveis para passar pela crise, além de conseguirem aumentar o nível de investimentos nos próximos meses.

Outros indicadores para os quais os investidores devem estar mais atentos são as expectativas das companhias para os próximos meses, para entender se haverá uma recuperação mais rápida ou mais lenta, além de planos de digitalização das empresas, diferenciando as mais preparadas para o mundo pós pandemia das menos preparadas, e fatores ESG (da sigla em inglês, Ambiente, Social e Governança), como ficou claro na EXPERT.

Os resultados vêm surpreendendo positivamente o mercado, assim como indicadores de atividade referentes ao segundo trimestre, que foram levemente menos negativos do que o esperado. As medidas de estímulos fiscais e monetários para famílias e empresas adotadas pelo governo começaram a mostrar resultados e conseguiram amenizar o efeito da crise em diversos setores, de forma que o mercado vem melhorando gradativamente as expectativas para o PIB. Revisamos nossa projeção para o PIB de -6,0% para -4,8% em 2020 e de +2,5% para +3,0% em 2021, além de revisarmos o target do Ibovespa para 115.000 pontos de 112.000 pontos.

Veja abaixo os destaques dos resultados já divulgados.

Destaques por Setor

Nesse segundo trimestre, o setor que mais se destacou positivamente foi o Varejo, com 78% das empresas que cobrimos com resultados acima do esperado. Apesar do impacto negativo com o fechamento das lojas físicas, o e-commerce impulsionou o desempenho das companhias, sendo destaques justamente as que possuem esse canal mais desenvolvido: Locaweb, Magazine Luiza, B2W e Via Varejo.

Destacaram-se positivamente também as empresas de commodities em que boa parte de suas receitas vem de exportações, pertencentes principalmente aos setores Papel & Celulose, Mineração & Siderurgia, Bens de capital e Proteínas, sendo beneficiadas pela alta do dólar e também forte demanda na China. Seus resultados foram majoritariamente acima ou em linha com o esperado.

Setores ligados à atividade doméstica, como Transportes, Imobiliário e Bens de capital (este último representado pela WEG, em que o mercado doméstico representa aproximadamente 40% de sua receita), assim como Shoppings, apresentaram resultados melhores ou em linha com o esperado, mostrando que o impacto negativo devido à pandemia já estava incorporado na nossa análise.

Outro ponto de destaque é o setor de Energia e Saneamento, mais resiliente a crises, como mostrado por seus resultados, por oferecer serviços essenciais e por ser um setor regulado. A suspensão de corte por falta de pagamento levou a uma maior inadimplência, porém esse cenário já era esperado e estava incorporado.

Destaques dos Resultados Divulgados

Tenda (TEND3): A Tenda divulgou resultados robustos referente ao 2T20, impulsionados pela receita líquida maior do que o esperado, devido ao melhor desempenho de vendas e um mix de vendas mais favorável. Como esperado, a margem bruta permaneceu pressionado no segundo trimestre e limitou a melhora na margem líquida (em comparação ao trimestre passado). No balanço patrimonial, a Tenda registrou uma geração de caixa de R$55,9 milhões no período, reforçando sua forte posição de caixa de R$188 milhões. Apesar dos resultados acima do esperado no trimestre, mantemos nossa visão conservadora sobre a performance das ações dado que acreditamos que sua performance positiva já precificado.

AES Tietê (TIET11): A AES Tietê reportou EBITDA ajustado no 2T20 de R$ 284,0 milhões acima da nossa estimativa de R$ 263,7 milhões (+7,7%), devido principalmente ao efeito de dois não recorrentes: (i) despesa de R$ 31,0 milhões, referente à contratação de assessores financeiros e legais para análise da proposta da Eneva e (ii) reversão de uma provisão em R$ 22,6 milhões, devido à reavaliação do processo de repasse de energia de Itaipu.

SulAmérica (SULA11): A SulAmérica apresentou fortes resultados, superando até as já altas expectativas para o trimestre. O lucro cresceu 91% A/A e 524% T/T para R$ 498 milhões (vs. R$ 441 milhões das estimativas coletadas pela Bloomberg), implicando um ROE de 27% no trimestre. O resultado foi impulsionado principalmente por uma menor taxa de perda, que caiu 12pps A/A devido à falta de uso dos clientes durante o bloqueio e também por receitas mais altas, que cresceram 5% A/A impulsionadas pelo segmento de saúde. No entanto, a base de clientes também surpreendeu positivamente, assim como os prêmios. Embora esse resultado não seja sustentável, acreditamos que investidores devem receber bem o desempenho no trimestre.

Gerdau (GGBR4): A Gerdau reportou EBITDA em R$1,32 bilhões – considerando R$119 milhões de itens não recorrentes referentes à parada das fábricas – foi +44% e +38% acima das nossas estimativas e as do consenso, respectivamente. Os principais destaques foram os volumes mais fortes nas unidades do Brasil, seguindo o aumento das exportações, e margens saudáveis em todas as linhas. O Fluxo de Caixa Livre foi de R$205 milhões no período devido aos esforços da companhia em garantir liquidez. A Dívida Líquida atingiu R$14,4 bilhões (de R$14,1 bilhões no 1T), enquanto a alavancagem, medida pela razão Dívida Líquida/EBITDA, aumentou para 2,78x, contra 2,55x no 1T20, dada a alta do dólar.

Klabin (KLBN11): A Klabin reportou números operacionais melhores que o esperado no segundo trimestre, com EBITDA de R$1.333 milhões, 7% acima do nosso e 10% acima do consenso (+30% T/T, +39% A/A). O principal destaque foi o volume de papel sinalizando poucos impactos do Covid-19. Além disso, volumes de celulose vieram em linha com a nossa previsão e os preços foram beneficiados pelo aumento no câmbio.

Iguatemi (IGTA3): A Iguatemi reportou resultados fracos no 2T20, mas ainda assim acima das nossas estimativas e do consenso de forma geral. A receita líquida, excluindo o efeito da linearização das concessões dadas aos lojistas, foi de R$ 85 milhões (-55% a/a) e o FFO (fluxo de caixa das operações) atingiu R$ 29 milhões (-68% a/a), acima do estimado apesar de ainda se tratar de um cenário altamente desafiador. A diferença para as nossas estimativas reflete, do lado positivo, descontos mais baixos que o previsto, uma taxa de ocupação um pouco melhor e despesas financeiras menores, mas esses impactos foram parcialmente compensados ​​por receitas mais fracas que o esperado de estacionamento/administração e custos e despesas mais pressionados. As Vendas Mesmas Lojas (SSS) caíram 71% no 2T20, enquanto as vendas dos shoppings apresentaram queda de ~83% a/a e os Aluguéis Mesmas Lojas (SSR) cairam 79% (líquido de descontos e provisões), refletindo impacto direto das restrições impostas às operações dos shoppings.

Porto Seguro (PSSA3): Porto Seguro reportou bons resultados no 2T20, acima das expectativas que já eram elevadas. O lucro veio acima das estimativas, crescendo 72% A/A atingindo R$ 657 milhões (vs. R$ 502 milhões estimado pelo consenso da Bloomberg), implicando em um ROE de 35% (vs. 22% no 2T19). No entanto, a empresa também efetuou provisões técnicas em R$ 227 milhões e outros R$ 188 milhões em provisões para perdas com operações de crédito.

CESP (CESP6): Temos uma avaliação positiva dos resultados do 2T20 da CESP, que em nossa opinião, reforçam nossa visão de que a companhia é uma das mais resilientes no setor elétrico. Primeiramente, elogiamos o contínuo esforço de controle de custos da CESP, ilustrado nas menores despesas gerenciáveis ​​(pessoal, fundo de pensão, materiais e serviços) em relação às nossas estimativas.

Vale (VALE3): A Vale reportou outro conjunto de fortes resultados e esperamos uma reação positiva do mercado com a retomada dos dividendos. O EBITDA ajustado em US$3,6 bilhões, + 18% no trimestre, -3% vs. XPe e +1% vs. consenso. O fluxo de caixa livre das operações foi de US$277 milhões, devido a um impacto negativo no capital de giro de US$922 milhões.

Ecorodovias (ECOR3): A Ecorodovias reportou números acima do esperado de forma geral, apesar do cenário desafiador. O EBITDA Proforma, excluindo a contabilização do acordo de não persecução civil (ANPC) no valor de R$ 46,8 milhões, foi de ~R$ 430 milhões, ~12% acima da nossa projeção (mas com queda de 10% a/a), enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$ 84 milhões, acima da nossa expectativa de R$ 20 milhões. A diferença para nossas estimativas resultou (i) de um EBITDA de rodovias mais forte que o esperado, que atingiu R$ 414 milhões e uma margem de 68,8% (8% e 400 bps acima de nós, respectivamente), (ii) resultados melhores que o esperado no Ecoporto, apesar do cenário desafiador, e (iii) depreciação menor que a esperada. O tráfego comparável apresentou queda de 23,5% a/a (ex-Eco135 e Eco50), enquanto o tráfego consolidado caiu ~13%, ambos em linha com as expectativas.

Grupo Pão de Açúcar (PCAR3): Resultado acima do esperado, com EBITDA ajustado 18% acima da nossa estimativa. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) reportou resultados sólidos no 2T20. As vendas cresceram +20% na comparação anual, em linha com as nossas estimativas. Entretanto, observamos uma melhora significativa da rentabilidade da companhia.

Localiza (RENT3): Apesar do cenário desafiador, a Localiza reportou resultados acima das expectativas de forma geral. Excluindo os R$ 126,3 milhões referentes à reversão da provisão para créditos de PIS e COFINS, o EBITDA ajustado foi de R$ 309 milhões (o que se compara com nossa expectativa de R$ 284 milhões), e o prejuízo líquido foi de R$ 36 milhões (ante expectativa de R$ 32 milhões). Os números também ficaram acima do consenso da Bloomberg. A diferença para nossos números se deu por (i) dados melhores que o esperado tanto no segmento de RAC (aluguel de carros) quanto Fleet (gestão de frotas), em termos de volume e também de margens ajustadas, (ii) vendas de Seminovos superiores ao esperado (19,7 mil vs. uma expectativa de 17,2 mil), mas que foram parcialmente compensadas por (i) uma margem em Seminovos ligeiramente abaixo da nossa estimativa (-4% vs. expectativa de -3,2%) e (ii) resultados financeiros mais pressionados que o projetado (~9% acima da nossa expectativa de R$ 117 milhões).

CSN (CSNA3): A CSN apresentou números mais fortes no segundo trimestre, com EBITDA consolidado em R$1.925 milhões, 11% acima do nosso e 3% acima do consenso (+45% T/T e -11% no comparativo anual). Os principais destaques foram o maior volume de minério de ferro no período (7,7 milhões de toneladas, +38% T/T) e os melhores preços realizados no segmento de aço (+10,4% T/T). O fluxo de caixa livre mais forte de +R$1.413 milhões foi impulsionado por itens pontuais: (1) R$508 milhões de uma decisão legal favorável e (2) R$72 milhões de créditos de PIS/COFINS. A Dívida Líquida/EBITDA aumentou para 5,17x (de 4,78x no 1T) com o aumento do dólar. A empresa lançou seu novo guidance para alavancagem: 3,75x e 3,00x para o final de 2020 e 2021, respectivamente. Vemos o perfil atual da dívida como o principal fator de risco para a empresa, aguardando desinvestimentos para uma melhora do balanço patrimonial.

Carrefour (CRFB3): Resultados positivos, acima do esperado. O EBITDA da operação alimentar (~85% do EBITDA total da companhia) veio 11% acima das nossas expectativas, impulsionado pelo forte crescimento da operação de varejo. Por outro lado, o Banco Carrefour reportou resultados abaixo do esperado, negativamente impactados por maiores provisões frente ao potencial aumento da inadimplência em meio à pandemia. 

WEG (WEGE3): Os resultados do 2T20 da WEG vieram acima das nossas expectativas, e consideravelmente acima do consenso de mercado (lucro veio ~33% acima). O resultado foi impulsionado pela valorização de ~37% do Dólar em relação ao Real, pela sólida performance no mercado doméstico e pelas aquisições feitas nos trimestres passados. O principal destaque positivo foi o desempenho no mercado doméstico, tanto na parte Industrial quanto no segmento de Energia (Geração, Transmissão e Distribuição), que por sua vez foram impulsionados pela entrega de projetos que já estavam contratados, no backlog da companhia. Apesar de vermos a companhia bem posicionada para navegar pelo cenário desafiador, com um balanço sólido e um posicionamento de mercado forte, acreditamos que o valuation atual das ações mais que reflita esses fatores.

Via Varejo (VVAR3): Os resultados referentes ao segundo trimestre de 2020 (2T20) da Via Varejo mostraram um progresso importante do processo de digitalização da companhia. Em especial, destacamos (i) a forte aceleração da operação de e-commerce, com um crescimento de +280% A/A das vendas online, e (ii) a melhora substancial da rentabilidade, com expansão de 3,4 p.p da margem bruta na comparação anual, apesar da maior participação do canal digital. Com isso, as vendas online da companhia alcançaram 70% do total (vs. 18.5% no 2T19), tendo compensado a queda do varejo físico.

Locaweb (LWSA3): A Locaweb reportou fortes resultados referentes ao segundo trimestre de 2020 (2T20), acima das nossas estimativas e do consenso de mercado. O destaque positivo foi a operação de Commerce (45% do EBITDA), que mostrou a maior expansão trimestral de novas lojas virtuais da história da companhia, tendo inclusive acelerado em julho (+347% vs. a média do 4T19). A receita líquida de R$ 117 milhões veio 5% acima da nossa estimativa e O EBITDA ajustado atingiu R$ 32 milhões, apenas levemente acima das nossas estimativas.

Marfrig (MRFG3): A Marfrig apresentou excelentes resultados no 2T20, superando as expectativas do mercado em todos os principais indicadores. O EBITDA ajustado veio 21% acima das nossas expectativas, atingindo R$ 4 bilhões (+233% A/A), com a América do Norte sendo o principal destaque positivo (o EBITDA ajustado do segmento veio 24% acima da nossa previsão). A margem EBITDA ajustada de 21,5% ficou acima da nossa previsão de 18,6% e aumentou significativamente versus a margem de 9,1% registrada tanto no 2T19 e no 1T20. Esse aumento ocorreu principalmente devido a: (i) menores volumes de abate e menores preços de gado; (ii) aumento gradual das exportações para a China; (iii) demanda resiliente no mercado doméstico; (iv) depreciação cambial. A receita líquida consolidada da Marfrig foi de R$ 18,8 bilhões, 5% acima da nossa expectativa.

MRV Engenharia (MRVE3): A MRV Engenharia (MRVE3) reportou fortes resultados referente ao 2T20, impulsionados pela linha de receita maior do que esperado devido ao melhor desempenho de vendas durante o período. Entretanto, a concessão de descontos e despesas comerciais, gerais e administrativas mais altas do que o esperado resultaram em uma recuperação mais fraca do lucro líquido, que atingiu R$124 milhões. No balanço patrimonial, a companhia reportou geração de caixa de R$213,9 milhões, que melhorou seu covenant de dívida e levou a companhia para uma relação dívida líquida/patrimônio líquido de 19,3%, que consideramos saudável para a MRV.

Movida (MOVI3): Os números reportados pela Movida no 2T20 vieram acima das expectativas, apesar de todos os desafios impostos pelo surto da Covid-19. O EBITDA consolidado ficou em R$ 151 milhões, ~30% acima da nossa estimativa e mais de 40% acima do consenso, enquanto o lucro líquido foi de R$ 2,6 milhões (o que se compara com prejuízo líquido esperado de R$ 15 milhões). A diferença em relação aos nossos números foi resultado de margens melhores em todos os segmentos, o que por sua vez reflete o sólido controle de custos realizado no trimestre, aliado ao impacto positivo do impairment realizado no 1T20 sobre a operação Seminovos.

TAESA (TAEE11): A Taesa reportou um Ebitda Ajustado (incluindo resultado de participações por equivalência patrimonial) de R$ 374,4 milhões, acima da nossa estimativa de R$ 352,8 milhões. Além disso, a Taesa reportou Lucro Líquido de R$ 257,6 milhões, acima da nossa expectativa de R$206,5 milhões devido à combinação de um resultado operacional melhor do que o esperado e menores despesas financeiras líquidas do que o esperado.

Lojas Americanas e B2W (LAME4 / BTOW3): Lojas Americanas e B2W reportaram fortes resultados referentes ao segundo trimestre de 2020 (2T20). As vendas do Universo Americanas (faturamento combinado da Lojas Americanas e da B2W) apresentaram um aumento de +25% na comparação anual (vs. +17% no 1T20). Os principais destaques na nossa visão foram (i) o avanço da integração entre as operações de varejo físico e digital, (ii) a aceleração importante das vendas e da base de usuários no canal digital, e (iii) a melhora contínua na dinâmica de capital de giro.

JBS (JBSS3): JBS reportou resultados mais fortes do que o esperado no 2T20. O EBITDA ajustado atingiu R$ 10,5 bi e ficou 32,2% acima da nossa expectativa, além de ter praticamente dobrado na comparação anual (+105,9% A/A). Todas as unidades de negócio apresentaram bons resultados, mas aquelas focadas em carne bovina se sobressaíram. A empresa registrou lucro de R$ 3,4 bilhões, 173,9% acima das nossas estimativas. Geração de fluxo de caixa livre de R$ 9,5 bi (+176,5% A/A) e a alavancagem em R$ caiu para de 2,8x no 2T19 para 2,1x agora. A empresa segue contando com um balanço forte, com quase R$ 31,3 bilhões em caixa e equivalentes.

CCR (CCRO3): A CCR reportou resultados levemente acima do esperado no 2T20. O EBITDA foi de R$ 894 milhões, 6% acima da nossa projeção e ~16% acima do consenso da Bloomberg. A diferença foi reflexo principalmente da receita líquida consolidada de R$ 1,8 bilhão, ~13% acima das nossas estimativas. O resultado financeiro também veio melhor que o esperado, mas os impactos em questão foram parcialmente compensados por uma margem EBITDA mais baixa que a projetada, o que por sua vez reflete custos caixa mais pressionados. O tráfego consolidado teve queda de -18,2% a/a, em linha com nossas estimativas.

Copel (CPLE6): A Copel reportou EBITDA Ajustado de R$ 979,7 milhões no 2T20 acima de nossa estimativa de R$ 917,2 milhões (+ 6,8%), mas abaixo das estimativas de consenso de R$ 1.120,0 milhões (-13%). O Lucro Líquido foi de R$ 1.608,1 milhões, muito acima da nossa estimativa de R$ 403,7 milhões e do consenso da Bloomberg de R$ 496,0 milhões. A diferença com relação às nossas estimativas pode ser explicada principalmente por um ganho não recorrente de R$ 809,154 milhões com créditos tributários em função de decisão favorável à Copel Dis, que reconhece o direito de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS.

Suzano (SUZB3): No dia 13 de agosto, a Suzano reportou resultados operacionais acima do esperado no segundo trimestre. O EBITDA de R$4,2 bilhões, aumento de +38% no trimestre veio 27% acima da nossa estimativa, com (1) volumes mais altos de celulose seguindo o movimento de desestocagem da Suzano e demanda saudável de tissue e (2) preços realizados mais fortes (+22% T/T) devido a um dólar mais alto. No lado da dívida, a alavancagem segue sendo uma preocupação com a Dívida Líquida/EBITDA caindo para 5,6x, contra 6,0x no 1T. Em dólar, a Dívida Líquida/EBITDA diminuiu para 4,7x (de 4,8x no primeiro trimestre). Contudo, é importante destacar que a empresa não tem risco de refinanciamento até 2022.

Unidas (LCAM3): A Unidas divulgou resultados consolidados levemente acima das nossas estimativas e do consenso, com um EBITDA recorrente de R$ 209 milhões (7% acima da nossa estimativa e ~9% acima do consenso), e com um lucro líquido recorrente de R$ 4 milhões (ante nossa projeção de um prejuízo líquido de R$ 10 milhões). Seminovos foi um destaque positivo em nossa visão, com volumes e margens ajustadas acima do esperado (margem EBITDA de +2%, ajustada pelo impairment de R$ 24,5 milhões da frota). No segmento de RAC (aluguel de veículos), por outro lado, apesar de a receita ter superado a estimativa, as margens vieram mais pressionadas que o previsto (margem EBITDA de 3,7%, -45 p.p. a/a), refletindo algumas decisões estratégicas adotadas no trimestre. Ademais, a Unidas também reportou dados preliminares referentes ao mês de julho, que apontam para melhora sequencial na maioria dos indicadores operacionais.

Cemig (CMIG4): Em 14 de agosto após o fechamento do mercado, a Cemig divulgou o resultado do 2T20, com EBITDA Ajustado (incluindo Equivalência Patrimonial) de R$ 921,4 milhões, acima de nossa estimativa de R$ 855,2 milhões (+ 7,7%), mas abaixo do consenso da Bloomberg de R$ 1.156,0 milhões. O melhor desempenho que o esperado refletiu uma melhor performance de custos gerenciáveis (PMSO, sigla para Pessoal, Materiais, Serviços e Outros) , que vieram -6,9% abaixo de nossas estimativas e -8,3% abaixo na comparação anual, o que consideramos como positivo. Passando para a linha de lucro, o Lucro Líquido da Cemig no triestre foi de R$ 1.403,8 milhões, muito acima de nossa estimativa de R$ 375,7 milhões e do consenso da Bloomberg de R$ 356 milhões.

Magazine Luiza (MGLU3): O Magalu reportou resultados do 2T20 acima das nossas estimativas, apesar de negativamente impactados pelo fechamento temporário das lojas no trimestre, conforme esperado. A receita no período veio 8,6% acima das nossas expectativas, com a operação de varejo físico apresentando uma queda de vendas no conceito mesmas lojas de -50,9% A/A (vs. XPIe -61%). O e-commerce foi novamente o principal destaque positivo, tendo apresentado um sólido crescimento de vendas de +181,9% na comparação anual (vs. +72,6% no 1T20), incluindo a aquisição da Netshoes.

Vivara (VIVA3): Conforme antecipado, os resultados da Vivara no segundo trimestre de 2020 (2T20) foram pressionados pela crise desencadeada pelo COVID-19. As vendas no conceito mesmas lojas caíram -55,0% A/A, apesar de parcialmente suportadas pelo crescimento de 387% A/A no e-commerce da companhia, que representou 63,9% das vendas no trimestre (vs. 5,8% no 2T19). Apesar dos números fracos, conforme esperado, o resultado veio acima das nossas expectativas e do consenso de mercado.

Azul (AZUL4): A Azul reportou resultados referentes ao 2T20 abaixo das nossas expectativas e do consenso. A diferença para nossas estimativas se deu principalmente por uma Receita Unitária (PRASK) ~17% abaixo do esperado, resultando em uma receita líquida consolidada 13% abaixo das expectativas (de R$ 402 milhões, -85% a/a). O resultado operacional e o lucro líquido foram pressionados por custos acima do esperado e um resultado financeiro pior que o esperado, reflexo da forte depreciação do Real em relação ao Dólar no trimestre. Por outro lado, os acordos fechados com os arrendadores (durante e após o 2T20) resultaram em uma situação de alavancagem mais saudável que o que prevíamos inicialmente.

Banco do Brasil (BBAS3): O Banco do Brasil reportou resultados fracos no 2T20, com lucro 12% abaixo da nossa estimativa e 9% abaixo do consenso em R$ 3,3 bilhões, implicando um ROE de 11,4%. O resultado abaixo do esperado foi impulsionado principalmente por um grande impairment no valor de R$ 1,3 bilhão no trimestre (vs. R$ 378 milhões no 1T20 e R$ 373 milhões no 2T19), pois o banco decidiu contabilizar o impairment de operações de grandes empresas que já eram classificadas como ativos problemáticos. Sr. Brandão foi confirmado como sucessor do Sr. Novaes na posição de CEO do banco, o que vemos como um cenário positivo.

Omega geração (OMGE3): Temos uma avaliação ligeiramente negativa dos resultados da Omega no 2T20, dado que o EBITDA ajustado veio abaixo das nossas expectativas. De acordo com a empresa, enquanto a geração potencial do Complexo Delta melhorou sequencialmente em uma base trimestral (mais próxima da média histórica do que no 1T20), o grupo eólico continua enfrentando os impactos de efeitos climáticos, como alta umidade, resultado das temperaturas mais elevadas no Atlântico Norte. No entanto, acreditamos que qualquer desapontamento potencial do mercado com os resultados do 2T20 da Omega já está mais do que compensado pelo recente anúncio de uma aquisição de dois ativos de geração eólica da Eletrobras, para os quais estimamos taxas de retorno muito atrativos.

Cielo (CIEL3): A Cielo reportou resultados negativos com um prejuízo líquido de R$ 76 milhões (vs. lucro líquido do consenso da Bloomberg de R$ 40 milhões; R$ 429 milhões no 2T19 e R$ 167 milhões no 1T20). O prejuízo foi causada principalmente por: i) desalavancagem operacional, uma vez que o volume financeiro (TPV) despencou 22% A/A para R$ 128 bilhões, enquanto os custos aumentaram 2% A/A para R$ 1,1 bilhão; ii) menor resultado financeiro, 71% inferior ao mesmo período do ano anterior, para R$ 40 milhões, pressionado pelos menores volumes e a taxa de juros mais baixa da história; e iii) impostos, que chegaram a R$ 20 milhões, mesmo a empresa não reportando lucro antes dos impostos. Acreditamos que o mercado deve reagir negativamente aos resultados no próximo pregão.

Raia Drogasil (RADL3): A RD reportou resultados fracos no 2T20, com EBITDA 29% abaixo da nossa expectativa. O desempenho foi impactado tanto pela pressão de margem bruta de -1,0 p.p. quanto pela desalavancagem operacional, em função da desaceleração do ritmo de vendas. Entretanto, de acordo com a companhia, houve um crescimento total consolidado de 13,8% no mês de julho, com um crescimento de receita das lojas maduras no conceito mesmas lojas de 0,8%, sinalizando uma recuperação de vendas para os próximos meses.

BRF (BRFS3): A BRF reportou resultados sólidos, mas mais fracos do que o esperado no 2T20, com um EBITDA ajustado de R$ 1 bilhão 7,7% abaixo do nosso e 3,5% abaixo do consenso. A margem EBITDA consolidada de 11,3% também ficou abaixo da nossa estimativa de 12,2% e abaixo dos 14,6% do 2T19. Isso aconteceu, em grande parte, porque os custos continuam pressionados – o CPV cresceu +14% A/A.

Ultrapar (UGPA3): A Ultrapar divulgou os resultados do 2T20 em 12 de agosto, após o fechamento do mercado. O Lucro Líquido de R$41,1 milhões veio significativamente abaixo da nossa estimativa de R$143,1 milhões e do consenso de mercado compilado pela Bloomberg de R$85,8 milhões. O EBITDA ajustado de R$598 milhões ficou abaixo da nossa estimativa de R$676,8 milhões (-11,6%) e do consenso de mercado de R$684,2 milhões (-12,5%), refletindo uma combinação de (1) significativa deterioração nos resultados da Ipiranga no 2T20 devido aos impactos da pandemia do COVID-19, (2) resultados acima do esperado na Oxiteno e Ultragaz e (3) resultados em linha com o esperado na Ultracargo e Extrafarma.

Banrisul (BRSR6): O Banrisul apresentou resultados negativos, com lucro líquido 20% abaixo da nossa estimativa e 28% abaixo do mercado em R$ 120 milhões, implicando um ROE de 6% (vs. 13% no 1T20 e 16% no 2T19). O resultado foi impulsionado principalmente por maiores provisões, que vieram 30% acima de nossas expectativas em R$ 484 milhões (já considerávamos uma provisão elevada, pois o banco postergou provisões no 1T). No entanto, a qualidade dos ativos não melhorou e o índice de inadimplência acima de 90 dias aumentou 17bps no trimestre para 3,54%, ao passo que os concorrentes apresentaram melhor no índice de inadimplência devido ao período de carência. Como resultado, o índice de cobertura do banco permaneceu estável em 234%.

B3 (B3SA3): B3 reportou resultados abaixo do esperado, com o lucro 9% abaixo das expectativas do mercado, atingindo R$ 1 bilhão. Embora a receita tenha vindo alta como o esperado, o resultado foi afetado negativamente por maiores provisões operacionais. No entanto, ainda gostamos dos volumes da bolsa e acreditamos que as perspectivas de longo prazo são melhores do que o previsto, dada a evolução do mercado financeiro no Brasil que melhora em ritmo acelerado, a taxa básica de juros que está ainda mais baixa e as ofertas do mercado de capitais que estão de volta.

Equatorial Energia (EQTL3): O Lucro Líquido foi de R$ 405,7 milhões, acima de nossa estimativa de R$ 269,2 milhões. O EBITDA ajustado (cálculos da empresa, refletindo principalmente a remoção de efeitos contábeis não-caixa do segmento de transmissão, linha com nossa metodologia) ficou em R$ 631 milhões, significativamente abaixo de nossa estimativa de R$ 798,2 milhões (-21%). Outros destaques operacionais incluem: provisões para despesas com inadimplência como percentual da Receita Bruta de 3,5% / 6,8% / 3,9% / 3,9% para Equatorial Maranhão / Pará / Piauí / Alagoas, respectivamente.

brMalls (BRML3): A brMalls reportou resultados mais fracos que o esperado em geral, abaixo de nossas estimativas e também abaixo do consenso da Bloomberg (se ajustarmos para o impacto da linearização). A receita líquida foi de R$ 186 milhões (-44% a/a, ~20% abaixo de nós e ~11% abaixo do consenso, retirando a linearização), enquanto o EBITDA ajustado foi de R$ 49 milhões (-80% a/a e também abaixo de nós). A diferença em relação aos nossos números reflete (i) receitas de aluguel e estacionamento mais fracas que o previsto, (ii) custos mais pressionados, como reflexo do crescimento de 114% nos custos condominiais e (iii) maiores despesas com vendas, o que reflete a abordagem mais conservadora da brMalls com relação às provisões. Por outro lado, esses efeitos foram parcialmente compensados ​​por um forte controle nos custos com pessoal e serviços.

IRB Re (IRBR3): O IRB reportou um prejuízo de R$ 685 milhões referente ao segundo trimestre de 2020 (vs. expectativa de mercado de R$ 173 milhões). O prejuízo reflete principalmente a desvalorização cambial e ao aumento do volume de sinistros, que deu um salto de 193% anualmente e de 103% no trimestre para R$ 2,3 bilhões. A resseguradora ainda declarou que a insuficiência de liquidez apontada pela SUSEP aumentou em R$ 1,3 bilhão, montante não coberto pelo recente aumento de capital via emissão primária.

Lojas Renner (LREN3): A Renner reportou resultados fracos no 2T20, severamente impactados pelo fechamento temporário das lojas em meio à pandemia. O prejuízo líquido estimado de R$ 227 milhões (excluindo crédito fiscal não-recorrente de R$ 1,2 bilhão) veio abaixo das nossas estimativas e do consenso de mercado. Por outro lado, vale ressaltar o progresso importante da companhia no canal online. A empresa reportou um crescimento de receita líquida online de 122% A/A. Com isso, as vendas líquidas no canal online representaram 36% das vendas totais de mercadorias no trimestre. Segundo a administração da Renner, a aceleração do canal foi principalmente suportada pelo (i) aumento de 95% A/A em fluxo, e (ii) crescimento de 251% A/A em novos clientes.

CCP (CCPR3): A CCP reportou resultados mistos no 2T20, com um desempenho acima do esperado no segmento de escritórios, mas que foi parcialmente compensado por números mais fracos no segmento de shoppings. Do lado positivo, as receitas de aluguel dos escritórios e o NOI do segmento ficaram 4% e 5% acima das nossas estimativas, respectivamente. Apesar do cenário desafiador, o leasing spread nominal nas revisões de contratos foi de 21%, o que reforça nossa visão de que o segmento oferece resiliência superior. Por outro lado, custos mais pressionados que o esperado, aliados a um desempenho mais modesto nos shoppings, refletiram em um EBITDA e lucro líquido inferiores ao esperado. Apesar disso, o FFO proforma foi positivo em R$ 11 milhões. As vendas mesmas lojas (SSS) caíram 79% no 2T20, enquanto as vendas totais dos shoppings caíram ~89% a/a e o fluxo de veículos nos estacionamentos caiu 90% a/a. A vacância nos shoppings, entretanto, aumentou menos que o esperado: ~110 bps na comparação trimestral.

Multiplan (MULT3): A Multiplan reportou resultados mistos em nossa visão, levemente abaixo das nossas estimativas e do consenso da Bloomberg (se ajustarmos pelo impacto da linearização para o último). A Receita Bruta foi de R$ 248 milhões (-31% a/a e ~14% das nossas estimativas), enquanto o EBITDA foi de R$ 181 milhões, queda de 16% em comparação com o 2T19 e ~3,7% abaixo do nosso esperado, com FFO de R$ 15 milhões (-90% a/a). A diferença para as nossas estimativas reflete principalmente, do lado negativo, (i) receitas de aluguel e estacionamento abaixo do esperado, (ii) despesas de propriedades mais pressionadas, refletindo o aumento no nível de provisionamento, e (iii) maiores despesas financeiras. Por outro lado, esses efeitos foram parcialmente compensados por despesas de sede muito mais baixas que nossa projeção. As vendas nos shoppings caíram ~85% a/a no 2T20, enquanto as o período de funcionamento dos estabelecimentos foi ~91,6%, menor a/a segundo a companhia. Em 02 de agosto de 2020, ~58% da ABL própria de shoppings da Multiplan estava operando (ainda com restrições), o que se compara a ~73% da Iguatemi.

Itaú (ITUB4): publicou um resultado em linha com as nossas estimativas e as de mercado, com lucro de R$ 4,2 bilhões (vs. R$ 4,3 bilhões em nossas e estimativas de mercado), implicando 13,9% de retorno sob patrimônio líquido. Embora os resultados gerais tenham chegado como esperávamos, a combinação de uma queda de NIM dos clientes, taxas/seguros mais baixos e uma queda abaixo da média nas inadimplências e nos custos pode estar abaixo das expectativas dos investidores.

BB Seguridade (BBSE3): A BB Seguridade reportou um resultado em linha neste segundo trimestre de 2020 (2T20), com o lucro líquido ajustado de R$ 982 milhões (vs. R$967 das estimativas colhidas pelo Bloomberg). Porém os volumes desapontaram um pouco, bem como a margem financeira. Anualmente o resultado caiu 9%, mas lembre-se de que R$ 69 milhões do resultado do 2T19 veio do IRB, que foi vendido ainda em 2019.

Ambev (ABEV3): A Ambev apresentou uma recuperação gradual dos resultados ao longo do trimestre, com um EBITDA Ajustado de R$ 3,3 bilhões, 4,6% abaixo do nosso (-28,6% A/A) mas em linha com o consenso, chegando em uma margem EBITDA de 28,8%, abaixo da nossa expectativa de 32,4% e 980 pontos base abaixo da margem do 2T19 de 38,6%. A principal surpresa positiva veio do volume de cerveja no Brasil, que caiu apenas -1,6% A/A, significativamente abaixo da nossa estimativa de -14,4% e das expectativas do mercado, que variaram entre -15% e -25% A/A. Os maiores impactos sobre os volumes vieram de América Central (-39,4% A/A) e LAS (-16,5% A/A), enquanto o Canadá surpreendeu com +2,9% A/A.

Santander (SANB11): O Santander reportou resultados fracos, em linha com as nossas expectativas, mas com melhora na qualidade dos ativos. O lucro foi de R$ 2,1 bilhões, em linha com nossas expectativas, mas abaixo do consenso de mercado (R$ 2.455 coletado pelo Santander; R$ 2.252 pela Bloomberg; R$ 2.255 pela Broadcast), implicando em um Retorno sob Patrimônio Líquido (ROE) de 12%. As maiores diferenças em relação às nossas estimativas foram no custo do crédito, 27% acima da expectativa, mas parcialmente compensadas por impostos mais baixos e maior margem financeira.

Usiminas (USIM5): A Usiminas apresentou resultados em linha no 2T20, com mercado doméstico de aço ainda desafiador. O EBITDA ajustado foi de R$281 milhões, excluindo R$89 milhões negativos de itens não recorrentes, -44% T/T e -51% A/A. A maior Dívida Líquida/EBITDA de 2,2x (de 1,7x no 1T20) foi conseqüência do dólar mais alto. Em relação aos créditos da Eletrobras (R$312 milhões), a empresa está tomando as medidas legais necessárias para receber esse valor, já decidido judicialmente.

Bradesco (BBDC4): O Bradesco reportou fortes resultados no trimestre. Embora o lucro tenha sido exatamente como o esperado em R$ 3,9 bilhões (vs. R$ 4 bilhões pelo consenso da Bloomberg) e um ROE de 12%, provisões vieram acima do esperado e fortaleceram o balanço do banco. O banco também melhorou consideravelmente seu nível de capitalização e atingiu um capital de nível I de 12,5%. Conforme esperado, tesouraria e seguros melhoraram os resultados como esperávamos.

Engie Brasil (EGIE3): A Engie Brasil reportou um EBITDA Ajustado (Pro-forma) do 2T20 de R$ 1.341,6 milhões, em linha (-2,7%), com nossa estimativa de R$ 1.378,6 milhões. O Lucro Líquido foi de R$ 765,7 milhões, acima da nossa estimativa de R$ 601,9 milhões, principalmente devido a um ganho não recorrente de R$ 79,9 milhões em ações judiciais bem-sucedidas, juntamente com pagamentos de indenizações por atrasos na conclusão das obras.

Copasa (CSMG3): O EBITDA ajustado de R$ 380,0 milhões veio exatamente linha com nossa estimativa de R$ 381,6 milhões (-0,4%). Tal performance reflete uma combinação de (i) uma maior tarifa média em relação às nossas expectativas em função da maior migração de clientes da tarifa social para residencial devido à revisão na base do CadÚnico na esfera federal e (ii) a redução de R$9,9 milhões na receita indireta de água e esgoto, em função, principalmente, das medidas tomadas para minimizar os impactos à população ocasionados pela pandemia do coronavírus, compensados parcialmente por um aumento do número de dias de consumo contabilizados pela companhia em 1,3%, sendo 92,1 dias no 2T20, contra 90,9 dias no 2T19.

ISA CTEEP (TRPL4): reportou EBITDA ajustado de R$ 566,7 mi vindo em linha (-3,0%) com nossa estimativa de R$ 584,4mi. Vale destacar, que a empresa apresentou custos e despesas operacionais menores do que o esperado, o que é visto com positivo.

Gol (GOLL4): Conforme o esperado, a Gol reportou resultados fracos no segundo trimestre de 2020, com números que refletem diretamente o impacto da pandemia sobre a demanda e sobre o câmbio. A receita líquida veio levemente acima das expectativas, em R$ 358 milhões (-89% a/a), mas com custos operacionais de R$ 1,26 bilhão (custo unitário ~4x maior na comparação anual). A queda na receita foi impulsionada pela redução em ~92% a/a da receita com passageiros (em R$ 243 milhões).

Sanepar (SAPR11): Em 7 de agosto, a Sanepar divulgou os resultados do 2T20, com um EBITDA ajustado de R$472,9 milhões exatamente em linha com nossa estimativa de R$470,4 milhões (+0,5%), refletindo uma combinação dos seguintes fatores: (i) volumes de água e esgoto de 128,1 mi m3 e 98,8 mi m3, +1,2% acima e -1,5% abaixo de nossas projeções, respectivamente, e (ii) provisões para contas a receber de R$ 5,9 milhões abaixo da nossa estimativa de R$ 49,0 milhões (elevamos as despesas com provisões em toda a nossa cobertura dos setores de saneamento básico e elétrico tendo em vista potenciais impactos da pandemia da COVID-19). Indo para a linha do lucro, o lucro líquido de R$284,4 milhões veio acima da nossa estimativa de R$ 220,1 milhões, diferença que reflete principalmente despesas financeiras menores do que o esperado.

Sabesp (SBSP3): A Sabesp divulgou seus resultados do 2T20, com Lucro Líquido de R$ 378,2 milhões acima de nossa estimativa de R$ 169,4 milhões, mas ligeiramente abaixo do consenso da Bloomberg de R$ 431,1 milhões. O EBITDA ajustado de R$ 1.385,8 milhões ficou praticamente em linha com nossa estimativa de R$ 1.344,2 milhões (+ 3,1%), mas um pouco abaixo do consenso de R$ 1.439,5 milhões (-3,7%).

EZTec (EZTC3): No dia 13 de agosto, a EZTec (EZTC3) reportou resultados mistos referente ao 2T20, impactado negativamente pelo fraco desempenho operacional (nenhum lançamento e vendas líquidas fracas). A companhia reportou receita líquida baixa em função dos impactos da COVID-19, mas margens brutas e líquidas fortes devido ao melhor mix de vendas, baixo impacto no processo construtivo (e do reconhecimento de receita), queda das despesas comerciais e iniciativas de redução de despesas com marketing. Por fim, o lucro líquido totalizou R$68,1 milhões (-24% a/a e -12% t/t). No balanço patrimonial, a companhia reportou geração de caixa de R$29,2 milhões, o que reforçará sua sólida posição de caixa líquido de R$1.296 milhões.

C&A (CEAB3): Conforme antecipado, os resultados da C&A no segundo trimestre de 2020 (2T20) foram pressionados pela crise desencadeada pelo COVID-19. A receita e o EBITDA reportados vieram abaixo da nossa expectativa, negativamente impactados pela forte queda de vendas de -77,0% A/A no conceito mesmas lojas. Por outro lado, vimos um progresso importante da companhia no canal online.  A empresa reportou um crescimento de receita líquida online de 356% A/A, atingindo R$139 milhões. Com isso, as vendas líquidas no canal online representaram 50% das vendas totais de mercadorias no trimestre.

EDP Energias do Brasil (ENBR3): Em 28 de agosto, após o fechamento do mercado, a EdP Energias do Brasil reportou um EBITDA Ajustado do 2T20 de R$ 501,5 milhões, praticamente em linha com nossa estimativa de R$ 508,3 milhões (-1,3%), mas abaixo do consenso da Bloomberg de R$526,0 milhões (-4,6%). Esse desempenho reflete uma combinação de (1) uma margem de contribuição (diferença entre receitas e custos de compra de energia) de R$ 866,5 milhões em linha com nossos R$ 896,1 milhões (-3,3%), (2) custos gerenciáveis (pessoal, material, serviços e outros) de R$ 305,1 milhões +4,6% acima da nossa estimativa de R$ 291,6 milhões e (3) provisões de R$ (48,4) milhões abaixo da nossa estimativa de R$ (86,0) milhões. O lucro líquido reportado no 2T20 foi de R$ 237,2 milhões, acima do nossos R$ 184,3 milhões (+28,7%) e do consenso de R$ 188,0 milhões (+ 26,2%).

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