A semana na Renda Fixa (03/05 a 07/05)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.


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A curva de juros passou por ajustes após a decisão de política monetária do Copom, com intensificação das apostas de novo aumento de 0,75 ponto percentual em junho, conforme indicado pelo colegiado. Como consequência, as taxas de juros futuros tiveram alta marginal para os vencimentos mais curtos e elevação maios nos vértices longos. O movimento foi contrário nas taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que representam as expectativas para o juro real, indicando elevação na inflação implícita.

Em linha com a decisão de alta na Selic e manutenção do ciclo de aperto monetário, a maior parte dos títulos do Tesouro Direto apresentou desvalorização na semana, com exceção do Tesouro Selic, ativo beneficiado pela elevação das taxas de juros. Os spreads de crédito, por sua vez, também apresentaram fechamento na curva, observado com mais intensidade nos ativos classificados com ratings “AA”.

Elenca-se no primeiro plano para a próxima semana as discussões sobre patentes de vacinas contra a covid-19, assim como questões geopolíticas envolvendo países desenvolvidos e a China. No Brasil, discussões sobre a reforma tributária devem seguir um dos principais destaques no cenário político econômico, assim como as negociações finais do orçamento deste ano entre Executivo e Congresso. Além disso, a semana também contará com a ata da reunião do Copom e o IPCA de abril.

Cenário macroeconômico

Elaborado pelo time de Economia da XP

De acordo com relatório publicado, ressalta-se como destaque na frente de covid-19 o anuncio pelos Estados Unidos do apoio à quebra de patentes para as vacinas, o que deve impulsionar o debate sobre a pauta na Organização Mundial do Comércio (OMC). Após a divulgação da carta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, disse que o bloco estaria disposto a discutir uma proposta para quebrar patentes com intuito de ampliar a oferta de vacinas no mundo. No Brasil, houve recuo na média móvel de novos óbitos para 2.252 óbitos diários (menor patamar desde 20 de março). Entretanto, a média móvel de doses aplicadas está em 742,6 mil ao dia, 27% abaixo do ritmo visto há 7 dias. No lado positivo, o governo federal anunciou a compra de mais 100 milhões de doses da Pfizer.

No cenário internacional, a Comissão Europeia informou que os esforços para concluir o acordo de investimento da União Europeia com a China foram “suspensos” devido à deterioração das relações entre os países. Outro destaque na semana foi a alta no preço das commodities, especialmente minerais, impulsionados pela forte recuperação global e pelo crescimento das exportações na China. Os preços do cobre atingiram níveis históricos. O minério de ferro subiu 22% nos últimos 30 dias.

Nos EUA, a semana começou com discussões sobre inflação, que tem ganhado força após os dados de Renda e Gastos Pessoais, divulgados na semana passada. Na seara de indicadores, a semana contou com dados iniciais de abril, como o ISM de manufatura e o PMI de Serviços, que reforçaram o fortalecimento robusto da economia, mas ainda com preocupações sobre desequilíbrios causados pela pandemia. Por outro lado, apesar do resultado positivo do relatório de emprego privado nos EUA (ADP), o resultado do desemprego em abril no país surpreendeu negativamente – ao registrar alta para 6,1% (de 6% em março) perante expectativas de queda para 5,8% no período.

Os dados do início do segundo trimestre na Zona do Euro também mostram que a recuperação da região já começa a se fortalecer após queda no primeiro trimestre, na esteira do avanço da vacinação, retorno gradual da confiança, e da normalização da atividade. Enquanto isso, o superávit comercial da China foi mais de duas vezes maior do que o esperado em abril (276bi vs 129 bi Yuan), com exportações crescendo 32,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, e importações com alta de 43,1% na mesma métrica. As exportações da China são um bom indicador antecedente para a produção industrial global.

No Brasil, o principal destaque da semana foi a decisão de política monetária do Banco Central: conforme esperado, o Copom elevou a taxa Selic em 0,75 ponto percentual para 3,50%. O Comitê reafirmou o plano de ajuste parcial das condições monetárias, a depender da evolução do cenário econômico. Para a próxima reunião, o Copom antevê outra elevação na taxa da mesma magnitude (0,75 p.p.).

Na seara de indicadores, a semana contou com a divulgação da Pesquisa Mensal de Indústria (PMI) de março, que indicou contração de 2,4% na produção industrial brasileira em relação ao mês anterior (com ajuste sazonal), explicado pela escassez de matérias-primas importantes e o aperto de medidas de mobilidade. Ainda assim, a produção do setor secundário (após ajuste semanal) ficou perto da estabilidade no 1º trimestre ante o 4T20. Já o resultado de varejo no mês surpreendeu positivamente, ao registrar queda de 5,3% entre fevereiro e março no conceito ampliado (com ajuste sazonal) – muito mais leve do que o inicialmente esperado. Olhando adiante, acreditamos que as vendas reais no varejo permanecerão em trajetória de recuperação.

Nesse meio tempo, chama atenção no cenário político-econômico as discussões no Congresso acerca de uma reforma tributária. Após o encerramento da comissão mista que tratava do tema, a Câmara, Senado e governo ainda discutem o melhor caminho para a tramitação da reforma. O governo também negocia com o Congresso uma maneira de chegar a um entendimento que preserve o PLN 4, projeto que recompõe despesas obrigatórias para o Orçamento de 2021. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que antecipa o pagamento do 13º salário a aposentados do INSS, injetando R$ 52,7 bilhões na economia até julho. Finalmente, a semana contou também com depoimentos iniciais na CPI da Pandemia. Por ora, as discussões tem tido repercussão limitada na economia e mercados.

Leia tudo o que aconteceu na semana em economia.

Curva DI e NTN-B

A precificação da curva para a taxa básica de juros passou por ajustes após a decisão de política monetária do Copom, com intensificação das apostas de novo aumento de 0,75 ponto percentual na próxima reunião de junho, conforme indicado pela diretoria. Como consequência, as taxas de juros futuros passaram por alta marginal para os vencimentos mais curtos e elevação nos vértices longos. O movimento de alta foi mitigado pelas quedas nos juros das Treasuries norte-americanas e da cotação do dólar em relação ao real.

O movimento foi contrário nas taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que representam as expectativas para o juro real, indicando expectativas de inflação implícita mais elevada.

Fonte: Bloomberg. Elaboração: XP Investimentos.

Leilões do Tesouro Nacional

Leilão do dia 04/05 – NTN-B

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

No leilão da última terça-feira (04), o Tesouro Nacional (TN) realizou oferta de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), divididas em três vencimentos: 750 mil papéis para 2026, 1,5 milhão de ativos para 2028 e 150 mil para 2055.

Dos 2,4 milhões ofertados (mesmo montante da semana passada), o Tesouro vendeu cerca de 2,35 milhões, devido a venda de 99,5 mil títulos para 2055, ante oferta de 150 mil. Os vencimentos para 2026 e 2030 foram integralmente colocados no mercado.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP Investimentos.

Leilão do dia 06/05 – LTN, NTN-F e LFT

Para o leilão da última quinta-feira (06), o TN ofertou 250 mil de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), ante 800 mil na última semana, e 150 mil Letras Financeiras do Tesouro (LFT), em comparação com os 300 mil no leilão anterior. Já os 20 milhões de lotes de Letras do Tesouro Nacional (LTN) da sessão representaram volume levemente acima dos 19 milhões de lotes da semana passada.

Ressalta-se que as LTNs e NTN-Fs são ofertadas em lotes individuais, enquanto as LFTs são ofertadas em leilão híbrido, com vencimentos em lotes agrupados (ou seja, soma-se o volume colocado nos dois vértices ofertados de LFT). Entenda mais sobre o funcionamento dos leiloes de títulos públicos.

O Tesouro vendeu 5 milhões de LTNs para 2022, 8 milhões de títulos para 2023, e outros 7 milhões de ativos para 2024. A oferta integralmente colocada no mercado somou volume financeiro de R$ 17,5 bilhões.

Quanto às NTN-Fs, foram vendidas 23,4 mil papeis com vencimento em 2027, da oferta de 50 mil e todo o lote de 300 mil ofertado para 2031. O giro financeiro foi de R$ 350,6 milhões.

As LFTs foram vendidas em sua totalidade, das quais 52 mil foram reservadas para o vencimento mais curto (2022) e 98 mil para 2027. O giro financeiro somou R$ 1,6 bilhão.

Em virtude da decisão do Copom ter ficado em primeiro plano na semana, os leilões do TN tiveram impacto limitado na precificação de ativos.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP Investimentos.

Tesouro Direto

Em virtude da decisão de alta na Selic e manutenção do ciclo de aperto monetário, a maior parte dos títulos do Tesouro Direto apresentou desvalorização na semana, com exceção do Tesouro Selic, ativo beneficiado pela elevação das taxas de juros.

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP Investimentos.

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures foi de R$ 975 milhões (vs. R$ 992 milhões na semana anterior), R$ 93 milhões em CRAs (vs. R$ 91 milhões) e R$ 149 milhões em CRIs (vs. R$ 162 milhões). Salienta-se que a média da semana anterior foi distorcida por um fluxo atípico em papeis específicos.

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram debêntures participativas da Vale (CVRDA6), pela quarta semana consecutiva, CRI Prevent Senior e CRA Vamos.

Vale lembrar que, como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados da sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado.

Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP Investimentos.

Spreads de crédito

Os spreads de crédito apresentaram fechamento na curva, observado com mais intensidade nos ativos classificados com ratings “AA”.

Assim como nos dados de fluxo, os números da sexta-feira para os spreads de crédito também não são considerados e podem alterar o apresentado.

As curvas são extraídas a partir de debêntures precificadas diariamente pela ANBIMA (DI Percentual, DI+spread e IPCA+spread) e refletem estruturas de spread zero-cupom sobre a curva soberana para diferentes níveis de risco.

Fonte: Anbima. Elaboração: XP Investimentos.

Ações de rating

Fonte: Fitch Ratings e Moody’s. Elaboração: XP Investimentos.

Para os relatórios publicados durante a semana, dirija-se ao final do relatório.

O que esperar – Semana de 10/05 a 14/05

Agenda econômica

Em relatório publicado pelo time Macro da XP, elenca-se no primeiro plano as discussões sobre patentes de vacinas contra a covid-19, assim como questões geopolíticas envolvendo países desenvolvidos e a China. Na seara de indicadores, a semana terá números de inflação na China (CPI e PPI), além de inflação ao consumidor (CPI) também nos EUA, vendas no varejo de abril, discursos de dirigentes do FED, e resultado da produção industrial na Zona do Euro referente a março.

No Brasil, discussões sobre a reforma tributária devem seguir um dos principais destaques no cenário político econômico, assim como as negociações finais do orçamento deste ano entre Executivo e Congresso. Na seara de indicadores, a semana contará com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços de março, e do indicador de atividade do Banco Central do mesmo mês (IBC-Br), além da ata da reunião do Copom, e do IPCA de abril.

Acesse aqui o Boletim Focus do dia 07/05 (disponível a partir de segunda-feira)

Leilões do Tesouro Nacional

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP Investimentos.

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Fonte: Anbima. Elaboração: XP Investimentos.

Relatórios publicados na semana de 03/05 a 07/05

Renda Fixa

Artigos

FAQ: Debêntures participativas da Vale (CVRDA6)

Mais uma alta de juros se aproxima. O que devemos esperar para a renda fixa?

Investindo em Maio 2021: Renda Fixa

Bancos: Resumo dos principais indicadores

Novos emissores

BRZ

Echoenergia

Atualizações

Atualização 4T20: Paraná Banco

Outros

Ecorodovias e Artesp firmam acordo para extensão da concessão da Imigrantes

Acionistas elegem o novo conselho de administração da Vale

Cade aprova aquisição do Banco Pan pelo BTG

Resumo semanal das assembleias de investidores

Resumo sobre as debêntures da Supervia

Breve resumo sobre as Debêntures TEPE11 a TEPE41

Taesa reporta números estáveis para o 1T21

Engie Brasil apresenta crescimento no EBITDA para R$ 1,7 bilhão

Atualização da segunda etapa do Projeto Puma II

Simpar anuncia números para o 1T21 com extensão de perfil da dívida

Atualizações nos ativos de Renda Fixa

Outras editorias

Boletim Focus – 30/04/2021

Logística Brasil (SIMH3, JSLG3, VAMO3): Simpar – Provedor Integrado de Soluções Logísticas

Data Expert: Monitor de exportações de minério de ferro (26 de abril a 2 de maio)

Investimento Privado em Infraestrutura: Um motor para o Crescimento da Economia

Petróleo: Preços sobem com relaxamento de lockdowns nos Estados Unidos e em partes da Europa

Selic em 3,5%a.a.: Especialistas da XP analisam impacto da decisão do Copom para mercados

Produção industrial fica praticamente estável no 1º trimestre

Copom: parcial, se possível

Mineração: E se os preços de minério continuarem altos?

Papel & Celulose: Alta no preço da celulose de fibra curta na China

Panorama de Crédito Imobiliário no Brasil

Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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