Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

Semana marcada por detalhes do Plano das Famílias Americanas, reunião de política monetária nos EUA, PIB de economias desenvolvidas, e uma bateria de dados no Brasil - indicando m cenário de recuperação gradual da atividade, contas externas fortalecidas, inflação ainda pressionada e resultados fiscais relativamente positivos.


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Atualizações Covid-19

Nos EUA, a Casa Branca anunciou que irá compartilhar cerca de 60 milhões de doses da vacina AstraZeneca – que não recebeu aval para uso nos EUA – com outros países. O anúncio é parte de uma estratégia do governo americano de retomar liderança na comunidade internacional em meio ao crescimento da influência de outros países.

No Brasil, ao lado dos ainda preocupantes dados de casos e óbitos, o ritmo de vacinação tem surpreendido positivamente, com a média móvel semanal de novas doses superando a marca de 1 milhão pela primeira vez. Até agora, temos 7,17% da população imunizados com duas doses de vacina.

Ainda no Brasil, a Anvisa decidiu por não permitir a importação da vacina russa Sputnik V, alegando falta de documentações detalhadas que atentem a segurança e a eficácia da vacina. Por outro lado, enquanto a Anvisa aguarda as documentações necessárias para a testagem em humanos, o Instituto Butantan começou a produzir doses da vacina Butanvac. O governador João Doria diz que a expectativa é de produzir 18 milhões de vacinas até a primeira quinzena de junho, mas a aplicação deve vir apenas ao fim dos testes e com o aval da Anvisa, possivelmente ao final do ano.

Cenário Internacional

Estados Unidos

No cenário internacional, o principal destaque da semana foi o detalhamento dos planos econômicos do democrata Joe Biden, que reiterou que os projetos são chave não somente para reduzir injustiças sociais no país, como também para combater a “ameaça” representada pela China. A Casa Branca apresentou o Plano das Famílias Americanas, com impacto de USD 1.8 trilhão em dez anos. As medidas de “infraestrutura social” são propostas a serem financiadas por meio de USD 1.5 trilhão em aumento de impostos para os mais ricos e eliminação de benefícios fiscais, como alguns usufruídos por veículos de investimento. O projeto é a segunda etapa do plano econômico de Joe Biden, que já apresentou sua proposta de pacote de infraestrutura, no valor de USD 2.3 trilhões também ao longo de 10 anos.  

A proposta deve enfrentar uma série de desafios no Legislativo. Republicanos, que se opõe a gastos tão significativos, devem resistir ao projeto. Na mesma linha, a ala moderada deve resistir a parte dos aumentos tributários – especialmente àqueles para pessoa física – e a alguns gastos contemplados no projeto.

A semana contou também com a reunião do Comitê de Política Monetária do FED, o FOMC. Como largamente esperado, o FOMC manteve as taxas de juros e programa de compra de ativos inalterados. No comunicado e pronunciamento após a decisão, a autoridade monetária destacou a natureza transitória da alta de preços recente, puxada por desequilíbrios nas cadeias produtivas e pelo efeito base. Apesar de um discurso levemente mais positivo em relação a recuperação econômica em andamento, o Comitê segue frisando os riscos trazidos pela pandemia. Mantemos nossa visão de início de redução da compra de ativos apenas no terceiro trimestre de 2022, e de alta de juros no início de 2024.

Na seara de indicadores, o destaque ficou para a divulgação do PIB do primeiro trimestre nos EUA, que registrou crescimento de 6,4% no primeiro trimestre de 2021, na comparação com o quarto trimestre do ano passado, em termos anualizados. O resultado ficou um pouco abaixo das expectativas do mercado (6,7%), mas ainda sugere que a economia dos EUA continua se recuperando em ritmo sólido. A principal fonte de crescimento durante o primeiro trimestre foi o consumo pessoal, que disparou 10,7%, ante 2,3% no quarto trimestre do ano passado. O principal fator por trás da expansão do consumo foi o estímulo fiscal ocorrido durante o trimestre, que aumentou a renda pessoal disponível em US $ 2,36 trilhões – cerca de 11% do PIB. Projetamos um crescimento do PIB dos EUA em 5,5% este ano.

Finalmente, o dado de inflação ao consumidor medido pelo PCE registrou alta em linha com as expectativas, levando o acumulado em 12 meses para 2,3% (de 1,5% no mês anterior).

Zona do Euro

Na Zona do Euro, em contraste com os EUA, o PIB caiu 0,6%, devido aos efeitos da segunda onda da Covid. O PIB na Alemanha caiu 1,7% no comparativo trimestral no primeiro trimestre, um pouco pior do que o consenso (-1,5). Na Itália, o PIB caiu 0,4%. As restrições da pandemia foram um obstáculo sustentado em ambos os países. Na França, o PIB real subiu 0,4% em relação ao trimestre anterior, acima do consenso (0%). O resultado foi impulsionado pelos gastos e investimentos do consumidor.

Não obstante, a economia europeia deve ganhar velocidade no segundo trimestre com o progresso da vacinação, como já ilustram os dados antecedentes de abril. Em abril, o Índice de Confiança Econômica superou o nível pré pandemia, puxado especialmente pela confiança no setor de serviços, que saltou de -9,6 pontos para 2,1 pontos no mês.

Na inflação, o CPI da zona do euro ficou em 0,6% em março (0,5% esperado). O resultado em 12 meses subiu para 1,6% (1,3% em fevereiro). O principal fator foram os preços voláteis de energia. O núcleo da inflação segue bem comportado, em 0,8% ao ano, bem abaixo da meta do Banco Central Europeu de 2%.

Ásia

No Japão, a reunião do Bank of Japan (Banco Central Japonês) não teve surpresas, e foram mantidos os patamares de juros de curto prazo e de 10 anos, bem como o nível de compras de ativos. Já a projeção de inflação foi revisada para baixo para esse ano e para cima no ano que vem, mas seguem abaixo da meta de 2%.

Enquanto isso, no Brasil

No cenário doméstico, a semana foi recheada de indicadores macroeconômicos, que apontam para um cenário de recuperação gradual da atividade, contas externas fortalecidas, inflação ainda pressionada e resultados fiscais relativamente positivos.

Os dados das contas externas para março reforçaram que o setor segue sendo uma importante âncora para as contas do país. Em março, o déficit em conta corrente atingiu US$ 4 bilhões. Já o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 6,9 bilhões (dos quais 46% referem-se a empréstimos intercompanhia), enquanto o investimento em portfolio registraram o pior resultado desde o início da pandemia (em R$ -3 bilhões). Não obstante, o nível de IDP segue mais do que o suficiente para cobrir o déficit em conta corrente – registrando, no acumulado em 12 meses, déficit de 2,73% do PIB, frente déficit de 1,3% do PIB na conta corrente, após revisão metodológica.

Em inflação, a inflação medida pelo IPCA-15 subiu 0,60% em abril, um pouco abaixo das expectativas. Apesar disso, avaliamos que o balanço de riscos para inflação permanece assimétrico para cima, com as medidas de núcleo ainda pressionadas. Mantemos nossa projeção de 4,9% para o fim do ano.  Já o IGP-M variou 1,51% em abril, depois de alta de 2,94% em março, levando o acumulado em 12 meses para 32,02%. No entanto, todos os índices componentes do IGP-M recuaram em abril, desaceleração orientada principalmente por combustíveis na inflação ao produtor e ao consumidor.

No tocando ao mercado de trabalho, o resultado do CAGED (mercado de trabalho formal) voltou a mostrar expansão de vagas em março, embora a um ritmo mais suave em relação à divulgação anterior. A contração da atividade doméstica no período recente, devido aos impactos econômicos da pandemia, deverá manter esta tendência de arrefecimento ao longo do 2º trimestre. Enquanto isso, o desemprego medido pela PNAD Contínua atingiu 14,4% no trimestre encerrado em março, indicando queda na força de trabalho e leve aumento na população ocupada de trabalhadores formais e informais na margem, além de deterioração na renda salarial média (queda de 0,6% no mês). Para a segunda metade do ano, entretanto, acreditamos que o mercado de trabalho passe a se recuperar gradualmente, na esteira da normalização de um conjunto mais amplo de atividades – incluindo serviços, a que mais cortou vagas durante o último ano.

Finalmente, os dados fiscais referentes a março ilustraram forte arrecadação (ainda na esteira da atividade do primeiro bimestre) e baixo patamar de gastos devido a não aprovação do orçamento, que contribuíram para resultados melhores do que o esperado para o mês. O resultado primário do setor público consolidado (acumulado em doze meses) caiu para 8,79% do PIB (de 9,23% em fevereiro), enquanto a dívida bruta caiu para 89,1% do PIB. Embora a normalização dos gastos após a aprovação do orçamento de 2021 deva enfraquecer o resultado primário nos próximos meses, trazendo ligeiro aumento da dívida bruta, esperamos que a dívida encerre o ano abaixo do território de 89% do PIB, principalmente graças a devolução do BNDES, impactos da inflação sobre o PIB nominal e gastos abaixo do esperado diante de provável empossamento conforme avançamos no ano.

Cenário político-econômico

Em política, o Senado Federal instalou a CPI da Covid, com o senador Renan Calheiros na relatoria, apesar das tentativas do governo de impedir o movimento. A composição da CPI é desfavorável ao Palácio do Planalto, e o tema deve manter protagonismo em Brasília nas próximas semanas.

Também foram destaque as trocas realizadas no Ministério da Economia, com substituições na Secretaria de Fazenda, em que sai Waldery Rodrigues e assume Bruno Funchal, e na Secretaria do Tesouro, em que Jefferson Bittencourt vai para o lugar de Funchal. As mudanças acontecem depois de desgaste entre o ministério e o Congresso na negociação do Orçamento, e o ministro disse ter expectativa de que elas auxiliem no avanço da agenda da pasta.

Ainda no cenário político-econômico, foi alvo de atenção a decisão esperada pelo STF sobre a cobrança de PIS/Cofins sobre a base do ICMS. O ministro Paulo Guedes se reuniu com o Ministro Luiz Fux para defender que regra seja válida apenas futuramente, para evitar que União arque com mais de R$ 220 bilhões ao devolver o valor arrecadado, se aplicado retroativamente. A questão deve ser concluída pela Corte na semana que vem.

O governo também publicou medidas provisórias para reeditar o BEm, programa para manutenção de emprego formal mediante redução de salário e jornada – que terá custo de R$ 9,98 bilhões.

Finalmente, o líder do governo na Câmara Gustavo Barros, anunciou um acordo para a votação da reforma tributária em quatro etapas. A primeira seria a criação de um ICMS Federal, em substituição ao PIS e à Cofins (contribuições sociais).

O que esperar?

No Brasil, o início dos depoimentos da CPI da pandemia devem checar atenção para o cenário político. Na seara de indicadores, a semana contará com a divulgação da produção industrial e da pesquisa mensal de comércio de março, porém, o principal destaque fica para a reunião de política monetária do Banco Central. Esperamos uma alta de 75p.p. na Selic, elevando a taxa básica de juros para 3,5% ao ano.

No cenário internacional, os EUA contarão com mais uma bateria de indicadores que deverão reforçar a retomada da atividade no país, com PMIs de abril e taxa de desemprego de março. Na Zona do Euro, também teremos divulgação de PMIs, além de vendas no varejo para o mês de março.  

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