Selic permanece em 2% ao ano: conheça 25 ações que pagam dividendos acima dos juros brasileiros

Selic a 2% ao ano mais uma vez: conheça as ações que pagam dividendos acima da taxa de juros


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Em nova reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, a taxa Selic permaneceu, pela segunda vez seguida, em 2% ao ano. Tanto o consenso de mercado quanto as estimativas da equipe de Economia da XP já apontavam para a manutenção dos juros brasileiros nesse patamar.

Apesar de haver espaço inflacionário para mais cortes, o próprio BC vem sugerindo nos últimos comunicados que é preciso ter “prudência” no contexto atual por causa da instabilidade e das incertezas em relação ao manejo fiscal da economia, principalmente depois de uma pandemia que fez os cofres públicos se abrirem mais do que o esperado. A perspectiva dos economistas da XP é de manter a Selic em 2% ao ano até o final de 2021.

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Bom cenário para dividendos em ações

Diante dessa nova realidade do Brasil, de manutenção de juros baixos, a Bolsa de Valores se torna ainda mais atrativa para os investidores que buscam maiores rentabilidades para os seus investimentos. Além da maior alocação dos investimentos na bolsa, em busca de maior rentabilidade, as taxas de juros mais baixas também têm efeitos positivos diretos para as companhias, como a redução no custo de suas dívidas e incentivo para os investimentos.

Em 2020, o rendimento dos dividendos das empresas do índice Ibovespa já supera a taxa básica de juros brasileira (Selic), o que significa uma atratividade ainda maior da Bolsa, considerando apenas o seu yield atual. Adicionalmente, na situação individual de cada empresa, as oportunidades podem ser ainda maiores.

Nesse sentido, os rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas são vistos como uma boa oportunidade pois os investidores possuem uma “garantia” de retorno, além de seus possíveis ganhos com a performance da ação. Ou seja, além da possibilidade de ganho de capital, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de proventos.

Dessa forma, listamos as 25 ações na nossa cobertura que podem pagar um dividend yield  (rendimento dos dividendos) acima dos 2% ao ano da taxa Selic, no próximo ano. Confira:

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Os setores bons pagadores de dividendos

Elétricas e bancos são setores que se destacam como bons pagadores de dividendos. O setor elétrico destaca-se como um dos principais pagadores de dividendo por definição, tendo em vista que se trata de um setor regulado com um certo grau de previsibilidade.

Os grandes bancos apresentam altos lucros e uma política que proporciona o pagamento de proventos. Apesar disso, esperamos uma remuneração baixa em 2020 devido ao limite regulatório de 25% de payout, mas aumentando, pois acreditamos que os bancos não poderão empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno muito altas durante um período prolongado. Como resultado, esperamos um alto dividend yield já a partir de 2021.

Por fim, há tambem empresas de diferentes setores possuem elevada distribuição de dividendos devido à política de dividendos de cada companhia.

Entenda por que as 10 empresas abaixo pagam elevados dividendos:

Vale (VALE3) – Compra

Setor de atuação: mineração
Somos otimistas com Vale, apesar de reconhecermos que uma eventual queda do minério de ferro possa impactar na performance das ações. Esperamos um retorno com dividendos mínimo de 9,5% em 2021, considerando um preço de minério de ferro médio em US$100/t (vs. US$114/t atualmente). Nós estimamos os dividendos aplicando a política retomada recentemente pela companhia: 30% da diferença entre o EBITDA e os investimentos em manutenção. Em termos de valuation, vemos as ações em patamares atrativos, negociando a 3.4x (vs. média do setor em 5.5x), abaixo de sua média histórica. Temos recomendação de Compra para a Vale, com preço-alvo de R$86/ação.

Engie (EGIE3) – Neutro

Setor de atuação: geração de energia elétrica
A Engie ainda se destaca pela capacidade diferenciada de se proteger dos efeitos de baixa incidência de chuvas, além de ter expandido sua atuação para os setores de transmissão de energia e transporte de gás. Acreditamos que após superar o período de incertezas no exercício de 2019, o qual a empresa reduziu a distribuição de proventos de inicialmente 100% para 56%, a Engie deverá retomar sua prática de distribuição de 100% do Lucro Líquido a acionistas. Estimamos um dividend yield de 8,4% em 2021. Temos recomendação neutra em EGIE3 com preço-alvo de R$ 41/ação.

AES Tietê (TIET11) – Compra

Setor de atuação: geração de energia elétrica
A AES Tietê apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas. A companhia tem a prática de distribuir 100% do lucro líquido a acionistas com periodicidade trimestral. Destacamos como positivo que a empresa tenha mantido sua prática de distribuição de dividendos no patamar máximo no primeiro semestre de 2020 apesar do contexto atual de incertezas, o que reforça nossa visão de que a AES Tietê é uma das nossas preferidas como pagadora de dividendos. Estimamos um dividend yield de 7,9% em 2021-22 para as ações. Temos recomendação de compra em TIET11 com preço-alvo de R$ 17/ação.

Sanepar (SAPR11) – Compra

Setor de atuação: saneamento básico
A elevada distribuição de dividendos da Sanepar se deve à política de dividendos da companhia. A política prevê a distribuição do dividendo mínimo de 25% do lucro, além de 25% adicionais caso a situação financeira da empresa o permita (o que acontece desde 2012, com uma pausa em 2019). Estimamos um dividend yield de 8,2% em 2021-2022. Mantemos nossa recomendação de Compra na Sanepar, com um preço-alvo de R$30/unit.

Banco do Brasil (BBAS3) – Compra

Setor de atuação: Financeiro
O banco combina: i) preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida e pela soma das partes atraente; e ii) uma frente digital competitiva. Desta forma, acreditamos que haja poucas avenidas de crescimento de valor ao banco, tornando a distribuição de dividendos uma alternativa atrativa. Apesar do limite de dividendos imposto pelo Banco Central para 2020, estimamos um payout de 50% em 2021 e vemos um dividend yield de 7,6%. Temos recomendação de Compra para Banco do Brasil e preço-alvo de R$ 43/ação.

Cemig (CMIG4) – Neutro

Setor de atuação: setor elétrico
Apesar de momentos desafiadores para o segmento de distribuição de energia durante 2020 e a volatilidade macroeconômica generalizada provocada pela pandemia COVID-19 a diretoria da companhia afirmou que irá manter sua política atual de distribuição de dividendos de 50% do lucro líquido. Mantemos nossa recomendação Neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 11/ação.

Taesa (TAEE11) – Neutro

Setor de atuação: transmissão de energia elétrica
Vemos a posição da Taesa como confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2020, pois sua posição de caixa de R$ 2,4 bilhões e nossa estimativa de EBITDA para 2020 de R$ 1,0 bilhão são suficientes para fazer frente aos investimentos em 2020 de R$ 1,0-1,1 bilhão e vencimentos de dívida de R$ 734 milhões. Dito isso, assumimos o pagamento mínimo de 50% previsto no estatuto por conservadorismo e, caso a empresa faça um anúncio nesse sentido, consideraríamos perfeitamente razoável. Estimamos um dividend yield de 8,5% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação neutra em TAESA, com preço-alvo de R$ 30/ação.

Santander (SANB11) – Neutro

Setor de Atuação: financeiro
Apesar de o Santander ser o banco com menor diversificação de receita entre os incumbentes, apresenta uma combinação de: i) alta exposição ao crédito de varejo; e ii) níveis de inadimplência relativamente abaixo da média. Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa. Apesar do limite de dividendos imposto pelo Banco Central para 2020, estimamos um payout de 75% em 2021 e vemos um dividend yield de 7,0%.

Itaú (ITUB4) – Neutro

Setor de atuação: financeiro
O banco combina: i) um investimento de qualidade, com boa gestão e governança que se traduzem em menor beta; e ii) um payout historicamente acima da média do setor. Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa. Apesar do limite de dividendos imposto pelo Banco Central para 2020, estimamos um payout de 65% em 2021 e vemos um dividend yield de 6,6%. Temos recomendação Neutra para Itaú e preço-alvo de R$ 29/ação.

ISA CTEEP (TRPL4) – Neutro

Setor de atuação: transmissão de energia elétrica
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos. Além disso, a CTEEP recebe elevados fluxos de caixa como indenizações relacionadas a ativos não amortizados existentes até maio de 2000 (denominados RBSE). Também notamos que a CTEEP tem, desde 2018, uma política de dividendos que prevê a distribuição de, no mínimo, 75% do lucro a acionistas, desde que o endividamento se mantenha sob controle. Dado que a CTEEP é uma companhia com poucas dívidas, não descartamos o pagamento de dividendos extraordinários no futuro. Estimamos um dividend yield de 6,4% em 2021.

Entenda mais sobre os dividendos:

O que são dividendos?

Dividendos são uma parte do lucro de uma determinada empresa que é distribuído aos seus acionistas.

De acordo com a Lei das S.A., as empresas de capital aberto têm que distribuir no mínimo 25% dos seus lucros a acionistas.

Tal lucro também pode ser distribuído na forma de Juros Sobre Capital Próprio (JCP). Esta é uma forma diferente de distribuir os lucros de uma empresa entre os seus acionistas.

Qual é a diferença entre dividendos e Juros sobre Capital Próprio?

O JCP é tributado em 15% pela Receita Federal na data do depósito, enquanto dividendos são isentos de tributação.

Como funciona a distribuição de dividendos?

Primeiro, o Conselho de Administração da companhia verifica se a empresa obteve lucro ao longo do exercício para distribuir uma parte aos acionistas.

Em afirmativo, a empresa deve deliberar sobre os dividendos a distribuir, e informar publicamente os valores e datas de pagamento.

A periodicidade de pagamento de dividendos varia de empresa para empresa, podendo ser mensal, trimestral ou anual.

O que é dividend yield?

O cálculo do dividend yield é feito com base na divisão do valor esperado em dividendos pelo preço das ações.

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