Quando você se torna um investidor do mercado de capitais, o objetivo principal costuma ser a multiplicação do patrimônio. Para isso, é importante entender o que são dividendos e como eles podem potencializar os resultados da carteira através da geração de renda passiva.
É possível viver de dividendos se você, como um bom investidor, escolher as empresas certas para investir. Geralmente, empresas que estão mais estabelecidas no mercado conseguem distribuir mais dividendos entre seus acionistas.
Ao investir em ações, o investidor adquire parte de uma empresa de capital aberto. Com isso, caso ela cresça, o lucro do investidor também aumenta. No entanto, essa não é a única rentabilidade que você recebe ao adquirir um papel corporativo.
Quer entender como funcionam os dividendos, como recebê-los e qual o papel deles na sua estratégia de investimentos? Continue a leitura e confira o guia completo.
O que são dividendos?
Dividendos são uma distribuição de parte dos lucros de uma empresa para os acionistas. Eles são, geralmente, expressos como um valor por ação ou uma porcentagem do lucro da empresa.
No Brasil, os dividendos atualmente são isentos de Imposto de Renda para a pessoa física.
Como funcionam os dividendos?
Os dividendos funcionam como uma forma de remuneração aos acionistas. Quando uma empresa fecha o seu balanço financeiro, apura os lucros, após reter a parte necessária para seus próprios investimentos internos, ela realiza a distribuição de dividendos aos seus investidores.
A distribuição pode ser em ações ou dinheiro, sendo proporcional ao número de ações que cada investidor possui. Dependendo da empresa, o pagamento de dividendos pode ser mensal, trimestral, semestral ou anual.
Dessa forma, quem decide investir em ações pode obter retorno tanto pela valorização dos papéis quanto pelo recebimento periódico de dividendos.
Quais são os diferentes tipos de remuneração para acionistas?
Agora que você já sabe o que são dividendos, conheça os principais tipos de remuneração que as empresas de capital aberto podem distribuir aos seus acionistas.
| Tipo de remuneração | O que é | Como o acionista recebe? | Tributação para pessoa física* |
| Dividendo especial | Distribuição adicional fora da política regular | Crédito em dinheiro na conta | Isentos de IR para pessoa física |
| Juros sobre Capital Próprio | Remuneração sobre o patrimônio líquido da empresa | Crédito em dinheiro na conta | Incidência de 15% de IR retido na fonte |
| Bonificação em Ações | Distribuição de novas ações aos acionistas | Creditadas diretamente na carteira do investidor | Isenção no recebimento; tributado na venda |
| Recompra de Ações | Compra de ações próprias pela empresa | Valorização das ações e maior participação relativa | Sem incidência de imposto na recompra |
| Subscrição de ações | Direito de comprar novas ações com prioridade e condições específicas | Direito de subscrição na carteira, podendo optar por exercer ou negociar | Tributação pode ocorrer na venda de direitos ou ações |
* A tributação pode ser alterada por mudanças na legislação vigente. É importante consultar as regras em vigor no momento do investimento.
Dividendos especial
O dividendo especial, também chamado de dividendo extraordinário, é uma distribuição de lucros realizada fora da política regular de pagamentos da empresa. Diferentemente dos dividendos recorrentes, esse dividendo é distribuído com base em acontecimentos inesperados, como a venda de algum ativo ou de uma subsidiária.
Juros sobre Capital Próprio (JCP)
Os juros sobre capital próprio (JCP) são uma forma de remuneração que funciona como uma despesa para a empresa. Isso gera um benefício fiscal, pois esse valor pode ser deduzido da base de cálculo do Imposto de Renda da companhia, reduzindo a carga tributária total. Para o investidor, os valores recebidos estão sujeitos à retenção de Imposto de Renda na fonte, com a alíquota padrão de 15%.
Bonificação em ações
A bonificação ocorre quando o lucro retido em reservas é transformado em novas ações e distribuído aos acionistas de acordo com o número de papéis adquiridos. Nesse caso, o investidor aumenta sua participação na companhia sem precisar realizar novos aportes.
Recompra de ações
Algumas empresas realizam programas de recompra de ações, adquirindo seus próprios papéis no mercado. Essa estratégia pode reduzir a quantidade de ações em circulação, o que pode aumentar a participação relativa dos investidores remanescentes e favorecer a valorização das ações ao longo do tempo.
Subscrição de ações
Direito concedido aos acionistas de adquirir novas ações emitidas pela empresa antes que elas sejam oferecidas ao mercado em geral. Esse mecanismo permite que os investidores mantenham sua participação societária e evita a diluição de sua fatia no capital da companhia.
Principais termos e datas sobre dividendos que todo investidor precisa conhecer
Se você está começando a investir, conhecer as datas e termos relacionados aos dividendos pode ajudar a acompanhar os anúncios das empresas e entender quando os proventos serão pagos:
- Data de anúncio: neste dia, é anunciado o valor, a data de pagamento e a data de registro dos dividendos pelo Conselho de Administração da empresa;
- Data de aprovação: data em que o pagamento é aprovado pelos órgãos competentes da companhia, como o Conselho de Administração ou a Assembleia Geral de Acionistas. Dependendo da empresa e do tipo de provento, essa data pode coincidir com a data de anúncio;
- Data de registro: dia em que as companhias definem quem são seus investidores. Ela precisa estar presente na contabilidade organizacional. Assim, seus acionistas são capazes de receber seus dividendos;
- Data-com: último dia em que a ação pode ser comprada com direito ao recebimento dos dividendos anunciados pela empresa;
- Data ex-dividendo: data a partir da qual a ação passa a ser negociada sem o direito ao dividendo anunciado. Caso um acionista adquira um papel depois desse dia, o vendedor de tal ação é quem recebe a porcentagem dos dividendos;
- Data de pagamento: dia de pagamento dos dividendos aos acionistas elegíveis. O crédito é realizado automaticamente na conta da corretora ou instituição vinculada ao investimento, sem necessidade de solicitação por parte do investidor.
Além das datas, o mercado financeiro utiliza diversos conceitos para avaliar a capacidade de uma empresa de remunerar seus acionistas ao longo do tempo. Conheça os principais:
- Proventos: termo utilizado para se referir a todas as formas de distribuição de valor aos acionistas, incluindo dividendos, JCP, bonificações e direitos de subscrição;
- Índice de Cobertura de Dividendos: resultado da divisão entre o lucro líquido de uma empresa e o valor de dividendos pagos aos acionistas. Assim, é possível indicar a real capacidade que uma empresa tem de pagar os dividendos planejados;
- Plano de reinvestimento dos dividendos: planejamento que permite que investidores reinvistam seus dividendos automaticamente. Esta operação é definida por cada empresa e acontece no dia em que o lucro é dividido;
- Taxa de crescimento dos dividendos: indicador que mede a evolução dos dividendos pagos por uma empresa ao longo do tempo;
- Yield on Cost: relação entre os dividendos recebidos e o preço originalmente pago pela ação, muito utilizado por investidores de longo prazo.
Quais são as características das empresas que pagam dividendos?
As empresas que mais distribuem dividendos costumam estar em setores consolidados e com receitas previsíveis, como os de energia elétrica, saneamento básico e bancos.
Como já possuem infraestrutura robusta, elas não precisam reter todo o capital para crescer de forma acelerada, optando por remunerar bem seus acionistas.
Ao buscar por empresas que pagam bons dividendos, opte por companhias com as seguintes características:
- Histórico sólido de governança e lucros consistentes;
- Fluxo de caixa livre e positivo;
- Dividend yield da companhia;
- Baixa volatilidade frente aos ciclos econômicos adversos.
O que é dividend yield e como calcular?
Dividend yield (DY) é um indicador que mede a rentabilidade dos dividendos de uma empresa em relação ao preço atual de suas ações. O dividend yield é calculado da seguinte forma:
Dividend yield = (Dividendos anuais (pagos por ação) / Cotação atual da ação) * 100
Se você investir em ações de uma companhia negociadas a R$ 80, por exemplo, e os dividendos anuais (pagos por ação) são de R$ 5,00, o dividend yield dessa empresa seria:
R$ 5 / R$ 80 * 100 = 6,25%
Caso o preço da mesma ação subisse para R$ 120,00, mantendo os R$ 5,00 de lucro distribuído, o DY seria menor. Veja o cálculo:
R$ 5 / R$ 120 * 100 = 4,16%
Assim, esse percentual diz mais sobre se a empresa é uma boa pagadora de dividendos do que o valor do dividendo em si.
Confira as recomendações de carteira de ações dos nossos especialistas.
Investimentos que pagam dividendos mensais
Os investimentos que pagam dividendos mensais são ativos que distribuem rendimentos ao investidor de forma recorrente ao longo do ano.
Vale lembrar que nem todos os ativos pagam mensalmente de forma obrigatória. A periodicidade do pagamento de dividendos depende do tipo de investimento e das regras de cada emissor.
Confira a seguir quais investimentos costumam realizar pagamentos mensais:
Fundos imobiliários (FIIs)
Os fundos imobiliários são os principais exemplos de investimentos que pagam dividendos mensais no Brasil. Esses fundos recebem receitas principalmente de aluguéis de imóveis ou operações do setor imobiliário e distribuem grande parte desses resultados aos cotistas, o que geralmente pode resultar em renda mensal.
Ações
As ações de empresas podem pagar dividendos e outros proventos aos acionistas, mas a frequência dos pagamentos varia de acordo com a política de distribuição de cada empresa. Embora a maioria das companhias realize distribuições trimestrais, semestrais ou anuais, algumas empresas — especialmente do bancário — possuem histórico de pagamentos mais recorrentes, inclusive mensais.
Além disso, os pagamentos mensais podem ocorrer por meio de dividendos, JCP ou uma combinação de ambos.
Quais ações pagam dividendos?
Muitas pessoas se perguntam quais ações pagam dividendos. A resposta é que empresas lucrativas podem realizar a distribuição de lucros aos acionistas, respeitando as regras previstas na legislação e em seus estatutos sociais.
Todas as empresas listadas na Bolsa de Valores são obrigadas a pagar dividendos anualmente, caso obtenham lucro, conforme a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76).
É comum ouvir que empresas devem pagar aos acionistas um mínimo de 25% do seu lucro líquido, mas isso não é verdade. A Lei não estabelece um valor fixo, apenas prevê que os acionistas têm direito ao recebimento de dividendos obrigatórios, observadas as regras previstas no estatuto da companhia e na legislação societária brasileira.
O dividendo mínimo obrigatório é definido nos estatutos das empresas, podendo variar de 1% a 100% do lucro líquido. Se os estatutos da empresa não especificam um percentual de lucro para ser distribuído como dividendos, a regra estabelece o pagamento de 50% do lucro líquido anual ajustado.
Se os acionistas decidirem alterar o estatuto para incluir um percentual, esse não pode ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado.
A decisão sobre a destinação do lucro líquido e a distribuição de dividendos é tomada na assembleia geral ordinária.
Em alguns casos, se a administração julgar que o pagamento de dividendos obrigatórios prejudica a situação financeira da empresa, esses dividendos podem ser reduzidos ou não distribuídos, e os recursos são destinados a uma reserva especial.
Como investir em dividendos: passo a passo
Investir em dividendos consiste em comprar ações de empresas que distribuem parte de seus lucros aos acionistas. Para você investir e viver de dividendos, é importante seguir alguns passos.
1. Faça uma análise da empresa
O primeiro passo para montar uma carteira de dividendos lucrativa é analisar os fundamentos da companhia em que se está pensando em investir com bastante atenção.
Ao investir em ações, você se torna um sócio da empresa. Assim, é essencial ter acesso ao potencial de crescimento da empresa, à governança e ao fluxo de caixa, por exemplo.
2. Conheça o histórico de pagamento
É fundamental conhecer o his em questão. Você pode acessar o histórico de pagamento de dividendos das companhias de mercado aberto e analisá-los.
Então, caso uma empresa apresente um histórico inconsistente ao longo dos anos, pode ser um sinal de que ela não deva estar em sua carteira de dividendos.
3. Entenda as datas de pagamento
Para ter direito aos dividendos, o investidor precisa observar as datas anunciadas pela empresa, especialmente a data-com e a data-ex, que definem quem receberá a distribuição.
4. Planeje a longo prazo
Todas as carteiras de dividendos precisam ser planejadas a longo prazo. Isso é importante para que acionistas não se preocupem com variações de preço no curto prazo.
Porém, para isso, é preciso que você analise sempre dois indicadores importantes:
- Dividend yield: mede qual é a rentabilidade do dividendo por ação;
- Dividend payout: indica a porcentagem do lucro que os acionistas receberão.
5. Diversifique suas aplicações
Diversificar suas aplicações é fundamental para reduzir os riscos dos seus investimentos e a dependência dos resultados de uma única companhia. É recomendável estudar as opções escolhidas e entender como elas funcionam.
6. Opte por empresas sólidas
É fundamental escolher empresas com boa solidez financeira e forte capacidade de geração de caixa, já que esse perfil tende a estar associado a uma maior consistência na distribuição de dividendos ao longo do tempo.
7. Abra uma conta na XP Investimentos
Para começar a investir com segurança e inteligência, abra uma conta na XP. É 100% gratuito e digital.
A XP disponibiliza também assessores de investimento para ajudar com as orientações necessárias. O assessor é um profissional altamente capacitado para analisar o mercado financeiro e oferecer as melhores oportunidades de investimento.

Como reinvestir os dividendos?
O reinvestimento dos dividendos pode ser feito de forma simples: após o recebimento dos proventos na conta da corretora, o investidor utiliza os valores para comprar novos ativos.
Além disso, algumas corretoras disponibilizam funcionalidades para o reinvestimento automático de proventos. Nesses casos, os valores recebidos são direcionados automaticamente para novos investimentos, de acordo com as regras definidas pelo investidor.
Reinvestir dividendos por meio da compra de novas ações permite que os investidores aumentem seu patrimônio líquido de maneira mais rápida.
Ao longo do tempo, o reinvestimento recorrente dos proventos pode potencializar os resultados da carteira por meio do efeito dos juros compostos.
Como funcionam os juros compostos em reinvestimento de dividendos?
Os juros compostos representam o efeito de receber juros sobre juros, potencializando os seus ganhos a longo prazo.
Portanto, esses juros serão sempre acrescidos no montante total acumulado com os juros passados. É uma ferramenta extremamente interessante para acumular patrimônio.
No caso dos dividendos, esse efeito acontece quando o investidor reinveste os proventos recebidos na compra de novas ações. Assim, além de aumentar sua posição na empresa, ele passa a receber dividendos sobre uma quantidade maior de papéis, potencializando os resultados da carteira.
Imagine um investimento de R$ 5.000 em ações, comprando 5 lotes-padrão, com 100 ações, e cada ação valendo R$ 10.
Suponha que essa companhia distribua dividendos equivalentes a cerca de 8% ao ano, ou seja, aproximadamente 0,6% ao mês. Ao reinvestir os 0,6% na compra de novas ações, a cada mês o valor dos dividendos aumentaria, pois a quantidade total de ações seria maior. Como consequência, os próximos dividendos passam a incidir sobre uma base maior, criando o efeito dos juros compostos.
Além disso, caso as ações se valorizem ao longo do tempo, o investidor pode se beneficiar tanto do crescimento patrimonial quanto da geração de renda por meio dos dividendos.
Vale lembrar que este é apenas um exemplo hipotético, pois os dividendos podem variar conforme os resultados da empresa e as condições de mercado.
Por isso, antes de investir, é importante avaliar seu perfil de investidor, diversificar a carteira e analisar cuidadosamente os fundamentos de cada companhia.
Conclusão
Agora que você já entendeu o que são dividendos, como funcionam e as melhores estratégias para viver dessa renda ou então aumentá-la, é possível colocar em prática na Bolsa de Valores.
Investir em dividendos pode ser uma ótima opção para alavancar seus rendimentos. Assim, você recebe parte do lucro líquido de uma determinada empresa.
Para escolher as empresas mais rentáveis para se investir, é importante contar com um profissional. Ao investir com a XP, você conta com a ajuda de um assessor na escolha dos melhores investimentos para o seu perfil de investidor.
Dessa maneira, você consegue atingir seus objetivos financeiros mais rapidamente, minimizando seus riscos e maximizando seus rendimentos.
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