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Estagflação: o que é e como afeta a economia?

Considerada um dos contextos mais desafiadores para a economia, a estagflação afeta investimentos e o poder de compra da população.

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Nos últimos anos, a inflação voltou a ganhar força nas discussões econômicas, especialmente no período pós-pandemia.

O aumento dos preços passou a pesar no orçamento das famílias, enquanto o crescimento econômico desacelerou e as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) se tornaram mais cautelosas.

Esse cenário fez ganhar força um termo bastante utilizado por economistas: estagflação. Afinal, o que significa esse conceito? O Brasil viveu uma estagflação? E quais são os seus impactos na economia?

Continue a leitura para entender o que é estagflação, como o termo surgiu e por que costuma gerar preocupações.

O que é estagflação?

A estagflação é um fenômeno econômico caracterizado pela combinação de:

  • Inflação elevada;
  • Baixo crescimento econômico ou estagnação econômica;
  • Desemprego alto.

Normalmente, períodos de inflação mais alta são acompanhados por momentos de crescimento econômico. Isso ocorre porque, quando a demanda por bens e serviços cresce além da capacidade de oferta da economia, os preços tendem a subir.

Portanto, é mais comum observar processos inflacionários ligados ao aumento da demanda, que, por sua vez, derivam do crescimento da atividade econômica.

No caso da estagflação, a inflação permanece elevada mesmo em um cenário de crescimento fraco e mercado de trabalho enfraquecido.

Como e quando surgiu o termo estagflação?

O termo estagflação surgiu da junção das palavras “estagnação” + “inflação” e ganhou notoriedade após um discurso do político britânico Iain Macleod no Parlamento do Reino Unido, realizado em 1965. Na ocasião, o termo foi utilizado para descrever a economia britânica da época, marcada por baixo crescimento econômico e alta inflação.

O conceito se tornou mundialmente conhecido na década de 1970, especialmente após a crise do petróleo de 1973. Naquele período, países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) passaram a regular o escoamento da produção de petróleo.

A criação da OPEP e o controle da produção levaram a uma elevação no preço do petróleo de quatro vezes em um intervalo de três meses. Entre 1979 e 1980, uma nova crise petrolífera, levada por questões geopolíticas, elevou ainda mais os preços da commodity, cujo barril passou de US$ 13 para US$ 38.

Como o petróleo é matéria-prima e fonte de energia para diferentes atividades de diversos setores da economia, a disparada da commodity acabou pressionando os preços de produtos e serviços em cadeia, provocando um aumento generalizado da inflação.

À época, a inflação aumentou repentinamente, ao mesmo tempo que a produção recuou diante da elevação dos custos ao longo da cadeia produtiva, ocasionando a estagflação.

O que causa a estagflação?

A estagflação geralmente surge a partir de choques de oferta, que elevam custos de produção e reduzem a capacidade produtiva da economia. Entre os principais fatores estão:

  • Alta no preço de commodities;
  • Desvalorização cambial;
  • Rupturas nas cadeias globais de suprimentos;
  • Crises geopolíticas;
  • Baixa produtividade;
  • Desequilíbrios fiscais.

Diferentemente da inflação tradicional, causada principalmente pelo excesso de demanda, a estagflação costuma nascer do lado da oferta da economia.

Estagflação no Brasil: o país já passou por esse processo?

Homem empurrando carrinho de supermercado com uma criança sentada entre as compras, ilustrando o poder de compra das famílias em um cenário de estagflação no Brasil.

O debate sobre estagflação no Brasil ganhou força especialmente após a pandemia. No primeiro momento, a crise teve efeito desinflacionário, refletindo a queda da demanda, a paralisação de atividades econômicas e as medidas de restrição adotadas para conter o avanço do coronavírus.

Com a reabertura gradual da economia, porém, o cenário mudou. A partir da segunda metade de 2020, a inflação passou a ser impulsionada por fatores como:

  • Encarecimento de commodities;
  • Problemas nas cadeias globais de produção;
  • Aumento dos custos de energia elétrica e transporte;
  • Valorização do dólar frente ao real.

Ao mesmo tempo, a recuperação da atividade econômica ocorreu de forma mais lenta e desigual.

Nos anos seguintes, a inflação ganhou ainda mais força, afetando principalmente itens essenciais do consumo das famílias. O avanço dos preços ocorreu ao mesmo tempo que o crescimento econômico perdeu ritmo em diversos momentos, reacendendo discussões sobre um possível cenário de estagflação no país.

Ainda que o Brasil não tenha vivido uma estagflação clássica prolongada, o período trouxe sinais que costumam caracterizar esse tipo de ambiente econômico: pressão inflacionária combinada com desaceleração da atividade.

E por que a inflação subiu tão rápido?

A inflação é um dos fatores principais da estagflação, mas a dúvida é: o que a fez crescer tão rápido, principalmente no Brasil?

Como tudo em economia, o motivo da alta de preços em diferentes ciclos tem por trás uma tempestade perfeita. Do lado da oferta, já tivemos combinações de choques, incluindo:

  • Desequilíbrios causados pela pandemia em cadeias de produção global, encarecendo insumos para produção de bens industriais – fábricas e portos fechados, causando problemas como falta de peças para carros;
  • Commodities em alta e/ou mantendo-se em patamar elevado, apesar da queda recente de certos minerais, como minério de ferro;
  • Real desvalorizado, especialmente por conta de riscos fiscais e políticos domésticos, que encarece o preço final de bens em reais, do pão francês (com farinha importada) à geladeira e ao carro;
  • A pior seca dos últimos 90 anos, que levou ao aumento de preços da energia elétrica, afetando não apenas famílias, mas a cadeia produtiva como um todo.

Ao mesmo tempo, tivemos também pressões pelo lado da demanda – ou seja, que puxaram os preços para cima por conta da maior procura e consumo de bens e serviços. Alguns exemplos desses últimos anos são:

  • O auxílio emergencial, que injetou mais de R$ 350 bilhões na economia;
  • A poupança circunstancial das classes mais ricas (que economizaram com viagens, restaurantes e outros serviços);
  • O fim das medidas de restrição, permitido pelo avanço da vacinação, também ajudou a puxar a inflação para cima, com serviços retomando as margens perdidas ao longo do último ano.

Por conta dos efeitos da pandemia na economia brasileira, o país passou por momentos que lembram a estagflação dos anos 70, com queda de produção e pressão de custos. No entanto, o Brasil também passou por momentos de arrancada de demanda e alta de preços. Uma verdadeira montanha-russa econômica!

Qual a diferença entre inflação, deflação e estagflação?

Embora os termos sejam relacionados, eles representam situações diferentes da economia. Confira os detalhes na tabela abaixo:

InflaçãoAumento generalizado dos preços de bens e serviços ao longo do tempo. Quando ela sobe, o poder de compra da moeda diminui. No Brasil, o principal indicador inflacionário é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
DeflaçãoMovimento que ocorre quando há queda generalizada dos preços. Apesar de parecer positiva à primeira vista, a deflação prolongada pode indicar fraqueza econômica, redução do consumo e menor atividade produtiva.
EstagflaçãoCombinação de uma inflação persistente com atividade econômica enfraquecida. Ou seja, os preços continuam subindo, o crescimento desacelera e o mercado de trabalho perde força.

Como a estagflação afeta a população?

A estagflação tende a gerar consequências relevantes para a economia e para o dia a dia da população. Entre os principais impactos estão:

  • Perda do poder de compra: com a inflação elevada, os preços sobem mais rápido que a renda da população;
  • Juros mais altos: operações de crédito, empréstimos e financiamentos ficam mais caras, afetando o consumo, os investimentos e o ritmo da atividade econômica;
  • Menor geração de empregos: com atividade econômica enfraquecida, empresas tendem a reduzir investimentos e contratações;
  • Queda no consumo: O consumo desacelera diante do aumento do custo de vida e da piora da confiança econômica da população.

Como o Banco Central combate a estagflação?

O principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a estagflação é a política monetária. Quando a inflação sobe acima da meta, o órgão normalmente aumenta a taxa Selic para reduzir a demanda da economia e controlar os preços.

Porém, no caso da estagflação, esse processo é mais complexo. Isso porque políticas que visam conter a inflação podem desacelerar o crescimento econômico e gerar desemprego.

Ao mesmo tempo que os esforços econômicos buscam reduzir a pressão sobre os preços, a economia perde ritmo, podendo tornar o equilíbrio entre inflação e atividade econômica um desafio ainda maior.

Por isso, o combate à estagflação geralmente exige uma combinação de medidas:

  • Política monetária mais restritiva, com elevação dos juros;
  • Controle dos gastos públicos e busca por equilíbrio fiscal;
  • Medidas para estimular a produtividade e os investimentos;
  • Ações para gerar empregos e fortalecer a atividade econômica;
  • Iniciativas para reduzir choques de oferta e custos de produção;
  • Programas de incentivo à indústria e ao setor produtivo.

Como investir em cenários de estagflação?

Períodos de estagflação costumam aumentar a volatilidade dos mercados, fazendo com que investidores busquem por estratégias voltadas à preservação de patrimônio, proteção contra a inflação e diversificação da carteira.

Alguns ativos historicamente observados em cenários inflacionários incluem:

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Conclusão

A estagflação representa um cenário econômico complexo, justamente por reunir inflação elevada e baixo crescimento ao mesmo tempo.

Além de afetar o consumo, os investimentos e o mercado de trabalho, esse contexto também aumenta os desafios para governos, empresas e investidores na busca por equilíbrio econômico.

Para investidores, períodos como esse reforçam a importância da diversificação, do planejamento financeiro e de estratégias voltadas à proteção do patrimônio em cenários de maior instabilidade.

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