A semana na Renda Fixa (18/10 a 22/10)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.


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Resumo: A deterioração do cenário fiscal, e, por consequência, as apostas de que a política monetária deverá ser ainda mais agressiva para conter a inflação, foram responsáveis pela forte alta das taxas futuras de juros em relação ao fechamento da semana anterior. As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que representam as expectativas para o juro real, também encerraram a sessão de sexta em forte alta comparado ao fechamento da sexta-feira anterior.

O stress no mercado também atingiu os títulos do Tesouro Direto, que encerraram a semana em forte baixa. A exceção foi o Tesouro Selic, que sofre menos os efeitos da volatilidade.

Para a próxima semana, os destaques serão a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), o IPCA-15 e o IGP-M de outubro, dados fiscais e de mercado de trabalho. Na política, o mercado acompanhará a tramitação da PEC dos Precatórios.

Cenário macroeconômico

No cenário internacional, destaque para melhora no mercado de trabalho americano, desaceleração da atividade chinesa e volta de preocupações com a incorporadora Evergrande.

No Brasil, a flexibilização do teto de gastos para acomodar mais gastos sociais parece representar uma mudança de direção na política fiscal brasileira. O mercado reagiu com volatilidade. A taxa de câmbio se aproximou de 5,7 reais por dólar e o Ibovespa teve sua pior semana no ano (queda de 7,3%).

Leia tudo o que aconteceu na semana em economia.

Juros

A deterioração do cenário fiscal, e, por consequência, as apostas de que a política monetária deverá ser ainda mais agressiva para conter a inflação, foram responsáveis pela forte alta das taxas futuras de juros sexta em relação ao fechamento da semana anterior. Com os contratos até o trecho intermediário subindo bem mais que os longos, a curva terminou a semana com forte desinclinação. Aponta-se que na manhã de sexta as taxas de alguns contratos atingiram os limites máximos de oscilação diária.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que representam as expectativas para o juro real, também encerraram a semana em forte alta comparado ao fechamento da sexta-feira anterior.

Os analistas de Economia da XP revisaram as projeções de Selic de 8,25% para 9,25% para o fim de 2021 e de 9,25% para 11,0% para 2022. As projeções de IPCA foram elevadas de 9,0% para 9,1% para 2021 e de 3,9% para 5,2% para 2022.

Leia aqui o relatório de revisão do cenário macro.

O mercado espera Selic de 9,37% ao fim de 2021 (ante 8,36% na última sexta-feira), 12,97% em 2022 (vs. 10,43%), 12,53% em 2023 (vs. 10,97%) e 11,64% (vs. 11,06%) em 2024. Quanto à inflação, é esperado 9,14% em 2021 (contra 8,94% na última semana), 5,28% em 2022 (vs. 4,88%), 6,24% em 2023 (vs. 5,67%) e 6,59% em 2024 (vs. 5,68%).

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Fonte: Bloomberg, XP.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 19/10 – NTN-B

Diante da maior cautela local com incertezas fiscais, o Tesouro Nacional (TN) reduziu o lote de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs) no leilão da última terça-feira de 800 mil títulos na semana anterior para 150 mil na sessão. Todos os títulos ofertados foram colocados no mercado, com giro financeiro de R$ 601,5 milhões, ante R$ 2,2 bilhões no leilão anterior.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Leilão do dia 21/10 – LTN, NTN-F e LFT

No leilão da última quinta-feira (21), o Tesouro voltou a divulgar as portarias com os lotes ofertados antes do início da sessão, em razão do ambiente de aversão a risco. Assim como na quinta-feira, a oferta foi significativamente inferior à da última semana: os lotes de Letras do Tesouro Nacional (LTN) foram de 19 milhões de títulos para 450 mil enquanto os de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) passaram de 1,5 milhão para 100 mil. Enquanto isso, o volume de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) permaneceu estável em 1,5 milhão de títulos.

O TN vendeu a totalidade dos ativos ofertados. O giro financeiro somou R$ 17,0 bilhões, significativamente inferior aos R$ 33,2 bilhões da última sessão.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

As LTNs e NTN-Fs são ofertadas em lotes individuais, enquanto as LFTs são ofertadas em leilão híbrido, com vencimentos em lotes agrupados (ou seja, soma-se o volume colocado nos dois vértices ofertados de LFT). Entenda mais sobre o funcionamento dos leiloes de títulos públicos.

Mercado Secundário

Destaca-se na semana a demanda mais forte por investidores locais nos títulos prefixados com vencimentos em 2023, 2024 e 2025 e estrangeiros nas LTNs com vencimento em 2022 e NTN-Fs com vencimento em 2025. A abertura na curva de juros diminuiu a demanda por operações casadas e fez com que as NTN-Fs longas fossem negociadas com prêmio negativo. Também foi observado o encurtamento do prazo das carteiras por alguns investidores.

O mercado de NTN-Bs apresentou menor liquidez na semana, porém ainda houve demanda por títulos com vencimentos mais longos, além de zeragem de posições.

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Fonte: Anbima. Elaboração: XP.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

O stress no mercado também atingiu os títulos do Tesouro Direto, que encerraram a semana em forte baixa. A exceção foi o Tesouro Selic, que sofre menos os efeitos da volatilidade.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 896 milhões (ante R$ 561 milhões na semana anterior), R$ 476 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 367 milhões), R$ 179 milhões em CRAs (vs. R$ 146 milhões) e R$ 243 milhões em CRIs (vs. R$ 215 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram debêntures participativas da Vale e Eletrobras, CRI Clariant e CRA BRF.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para trazer uma aproximação do resultado em cinco dias, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Fonte: Fitch Ratings e Moody’s. Elaboração: XP.

Para os relatórios publicados durante a semana, dirija-se ao final do relatório.

O que esperar – Semana de 25/10 a 29/10

Agenda econômica

Para a próxima semana, os destaques serão a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), o IPCA-15 e o IGP-M de outubro, dados fiscais e de mercado de trabalho. Na política, o mercado acompanhará a tramitação da PEC dos Precatórios.

Acesse aqui o Boletim Focus do dia 22/10 (disponível a partir de segunda-feira)

Leilões do Tesouro Nacional

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Sem vencimentos agendados para a próxima semana.

Relatórios publicados na semana de 18/10 a 22/10

Renda Fixa

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