Não perca nenhum resultado: confira o Calendário de Resultados dos emissores cobertos pelo Research de Renda Fixa.
Acompanhe aqui os resultados trimestrais de empresas selecionadas que emitem títulos de crédito privado na plataforma da XP
AÇÚCAR & ETANOL
FS Bio
Overview do trimestre: A FS Bio reportou resultados pressionados no 1T 26’27, porém esperados diante da conjuntura do setor e do momento da Companhia. O EBITDA ajustado somou R$ 634 milhões (-1,5% vs 1T26), com margem de 21,3%, piora de 2,2 p.p A/A. Já o EBITDA menos capex recorrente atingiu R$ 622 milhões, redução de 3,1%, com margem de 20,9%, piora de 2,6 p.p. As reduções refletem principalmente três questões: i) cenário pressionado de etanol, com preço líquido 6,0% menor, ii) custo da biomassa 13,1% maior por m³, e iii) SG&A acima da inflação. Por outro lado, esses fatores foram parcialmente mitigados pelo maior volume vendido (aumento de capacidade de 252 mil m³ por ano) e pela cobertura de custos da nutrição animal, que atingiu 47,1%, ante 45,8%. A dívida líquida atingiu R$ 10,2 bi, alta de 13,4% T/T, com alavancagem de 2,88x, reflexo do ciclo de expansão com dois projetos green field que eleva a dívida sem ainda contribuir para a geração de caixa, o que é esperado que se mantenha até a maturação dos novos ativos, entre 2027 e 2028.
Jalles Machado
Overview do trimestre: A Jalles Machado reportou resultado neutro no 1T27, com EBITDA ajustado pré IFRS16 de R$ 191,7mi (-1,1%A/A). O desempenho abaixo em relação ao ano anterior reflete pressão sobre os preços do açúcar e etanol. Diante disso, a companhia optou por postergar parte de suas vendas para os próximos trimestres com intuito de capturar preços mais atraentes. No entanto, a liquidação dos instrumentos financeiros da companhia somou R$ 112,2 milhões, o que trouxe certo alivio diante de um cenário menos favorável para o setor. O EBITDA menos capex recorrente do período foi negativo somando R$ 27,7 vs R$ 5,6 mi no 1T26, reflexo da menor receita e do aumento do plantio de renovação. Do ponto de vista de crédito seguimos vendo a emissora com um perfil sólido, apesar do aumento da alavancagem de 1,6x no 1T26 para 1,7x no 1T27 (nosso critério) ainda há folga frente ao covenant, 3,25x apurado apenas nas demonstrações anuais de março. Além disso o caixa cobre 9,8x da dívida de curto prazo, garantindo flexibilidade para modular o capex de expansão e comercializar os produtos em condições melhores.
São Martinho
Overview do trimestre: A São Martinho reportou resultados neutros no 1T26/27, com EBITDA ajustado de R$ 582,3 milhões (-27,7% A/A). O resultado foi afetado, principalmente, pelo menor volume de etanol comercializado (-23,2%), estratégia da emissora diante dos baixos preços. Na métrica de EBITDA – CAPEX de manutenção, o trimestre somou R$ 247,5 milhões, com margem de 16,2%, estável em relação aos trimestres recentes. Do ponto de vista de crédito, a alavancagem reportada subiu para 1,59x dívida líquida/EBITDA ajustado (1,41x em 1T/26), com folga frente ao covenant de 3,0x, e para 3,9x pela métrica que exclui o capex de manutenção (3,2x em 1T/26), movimento que reflete a queda do EBITDA LTM e as novas captações para giro e expansão. Seguimos vendo a companhia como um crédito sólido, com liquidez robusta (5,7x a dívida de curto praz
Raízen
Overview do trimestre: A Raízen reportou resultados pressionados no 1T 26’27. O EBITDA ajustado consolidado somou R$ 3,8 bi, mais que o dobro do 1T 25’26, impulsionado pelo desempenho da distribuição de combustíveis, com EBITDA ajustado de R$ 3,5 bi e margem de R$ 493/m³. Por outro lado, o segmento de EAB apresentou EBITDA ajustado de R$ 301 mi (-63% A/A), devido aos menores preços de açúcar e etanol. Ao descontar o capex recorrente de R$ 723 mi, obtém-se R$ -422 mi, mostrando que o segmento segue pressionado. Na perspectiva de crédito a conjuntura da emissora segue preocupante, com alavancagem de 5,2x dívida líquida/EBITDA. Por mais que os resultados tenham sido melhores, ainda não os vemos como recorrentes: a margem compara com R$ 142/m³ na safra 2025’26 e conta com ganhos de suprimento num trimestre de petróleo volátil. Por fim, houve a homologação do Plano de RE em julho, além das vendas da operação de distribuição na Argentina e da usina de Caarapó que simplificam a estrutura e ajudam na alavancagem.
Zilor
Overview do trimestre: A Zilor reportou resultado pressionado no 1T27, mas em linha com o esperado para um trimestre de preços baixos de açúcar e etanol e de chuvas atípicas que atrapalharam a moagem no início da safra. O EBITDA (ex-IFRS 16) somou R$ 176 mi, queda de 39,0% A/A, com margem de 24,6% (menos 9,3 p.p.). Diante do ambiente pouco favorável, a companhia optou por postergar parte das vendas de açúcar, buscando preços mais atrativos ao longo da safra. A performance fraca foi parcialmente compensada pela posição de hedge de açúcar, que garantiu preços de comercialização superiores aos níveis de mercado no período. O EBITDA menos capex recorrente ficou em R$ 11 mi, queda de 91,6% A/A, evidenciando a pressão sobre a geração de caixa. A alavancagem subiu de 1,1x para 1,56x pelo consumo sazonal de caixa e mantém folga ampla frente ao covenant de 2,5x. Esperamos normalização gradual dos resultados com a evolução da moagem e eventual recuperação dos preços. Setorialmente, temos uma preocupação com o terço final da safra, a medida que as chuvas decorrentes do El Niño podem atrasar a moagem.
ALIMENTOS & BEBIDAS
Camil
Overview do trimestre: A Camil segue como uma companhia relevante no setor de alimentos na América Latina, com portfólio diversificado, mas muito exposta à dinâmica do arroz, que tem pressionado resultados e capital de giro no ciclo atual. O ambiente de preços baixos deve continuar limitando margens e geração de caixa no curto prazo, tornando a redução da dívida líquida o principal ponto de monitoramento. Em nossa visão, a sazonalidade do negócio deve favorecer a desalavancagem gradual ao longo do exercício, ao passo que monetiza os estoques formados no 1T26 e a normaliza seu capital de giro. Ainda assim, enxergamos que a alavancagem deve permanecer em patamares mais elevados o que exigirá disciplina na alocação de capital, especialmente em CAPEX e M&A, para recompor a folga em relação ao covenant, que hoje encontra-se apertado. Como mitigantes, destacamos a liquidez adequada, com baixa pressão de vencimentos de mercado de capitais no curto prazo e a demanda relativamente estável por arroz, fatores que, combinados, reduzem pressões curtos-prazistas – essencial para atravessar este momento mais conturbado, à medida que avançam com a conclusão dos principais projetos industriais e que os preços da commodity estão em patamares mais baixos.
EDUCAÇÃO
Cogna
Overview do trimestre: A Cogna reportou um 2T26 positivo, tanto em termos operacionais quanto financeiros, sustentado pelo forte crescimento da Educação Básica e pela resiliência da Educação Superior em um ambiente de adaptação ao Novo Marco Regulatório do setor. O trimestre foi marcado por expansão de receita, crescimento do EBITDA e forte geração de caixa. Apesar da compressão de margens e do aumento da dívida líquida ajustada na comparação anual, a companhia manteve indicadores de alavancagem confortáveis.
ENERGIA
Auren
Overview do trimestre: A Auren reportou resultados neutros no 2T26. A receita líquida cresceu 5,9% A/A, para R$ 3,1 bi, mas o avanço não se converteu em rentabilidade, com a margem líquida recuando 7,5% e o EBITDA caindo 15,4%, para R$ 748,6 mi. O resultado foi pressionado pelo menor recurso eólico, pelo maior curtailment e pelo desempenho mais fraco da comercializadora. Os cortes atingiram 12,9% da geração potencial eólica e 26,0% da solar da companhia, com impacto de R$ 97,8 mi, parcialmente compensado por R$ 70,5 mi em ganhos de modulação, resultando em efeito líquido negativo de R$ 27,3 mi. A dívida líquida caiu R$ 194,2 mi, no entanto a alavancagem reportada pela companhia subiu de 5,2x para 5,3x pela queda do EBITDA dos últimos 12 meses. A Portaria nº 140 regulamentou a compensação dos cortes entre set/23 e nov/25, estimada em cerca de R$ 300 mi, montante que pode contribuir marginalmente para a desalavancagem a partir de 2027. Cortes por razão energética e eventos posteriores seguem sem solução definitiva.
Axia Energia
Overview do trimestre: A AXIA Energia reportou resultados neutros no 2T26, com EBITDA ajustado de R$ 6.683 milhões (+21,5% A/A). A melhora subjacente foi mais moderada: antes das participações societárias, o resultado cresceu 11,9%, pois parte da expansão veio da recuperação do resultado das investidas, e da queda de 64% nas provisões. O principal vetor recorrente foi a geração de energia, com margem de contribuição +17,5%, sustentada pelo processo de descotização, pelo GSF favorável, pelos preços mais altos no Ambiente de Contratação Livre (ACL) capturados e pelo maior resultado de modulação. A dívida líquida somou R$ 45.461 milhões, com alavancagem confortável de 1,7x e caixa de R$ 26,2 bilhões. O FCL atingiu R$ 4.958 milhões, mas foi beneficiado por R$ 3.390 milhões de capital de giro. A leitura de crédito permanece positiva.
Cemig
Overview do trimestre: A Cemig reportou resultado positivo no 2T26. O EBITDA ajustado somou R$ 2.274,9 mi (+10,4% A/A), sendo a subsidiária de distribuição o grande destaque, com EBITDA ajustado de R$ 1.508,3 mi (+21,1% A/A), sustentado pelo reajuste tarifário, pela queda da despesa de pós-emprego e por perdas de energia abaixo do limite regulatório. Por outro lado, o PMSO¹ consolidado cresceu acima da inflação e a comercialização de energia não entregou resultados positivos. Do ponto de vista de crédito o case segue com boa perspectiva, alavancagem fechou em 2,58x, a distribuição e transmissão dão previsibilidade de receita. Os pontos de atenção são: i) o plano de investimento de R$ 44 bi entre 2026 e 2030, financiado majoritariamente por dívidas, o que deve aumentar a alavancagem no curto prazo antes Revisão Tarifária da distribuidora de 2028 e ii) vencimento de concessões que representam parcela relevante da garantia física de geração. Ainda assim, a S&P elevou os ratings da Cemig e das subsidiárias Cemig D e Cemig GT de brAA+ para brAAA, com perspectiva estável, apontando alavancagem controlada mesmo no pico de investimentos.
Copel
Overview do trimestre: A Copel reportou resultados sólidos no 2T26, com EBITDA de R$ 1.612,6 milhões, aumento de 20,8% A/A. O aumento é reflexo do bom desempenho da Distribuição, que gerou um EBITDA de R$ 765,6 milhões (+34,5% A/A), pautado pelo crescimento de 7,2% do mercado fio faturado, pelo reajuste tarifário de junho de 2025 e pela boa disciplina de custos (PMSO -0,4% A/A). A Geração e Transmissão também reportou resultado bastante positivo (EBITDA de R$ 838,2 milhões, +10,1% A/A), reflexo do ganho de R$ 74,6 milhões com modulação e spread entre submercados, do aumento de 6,4% no preço médio de venda e da queda de 6,3% do PMSO. No trimestre, a companhia iniciou os aportes do LRCAP (R$ 317,9 milhões nas UHEs Foz do Areia e Segredo), sendo esperada aceleração do capex para a entrega dos projetos, com reflexo no endividamento. A dívida líquida é de R$ 19.651,2 milhões, resultando em alavancagem de 2,9x, mantendo o nível do 2T25.
Enel São Paulo
Overview do trimestre: A Enel São Paulo, reportou resultados sólidos no 2T26, sustentados pelo reajuste tarifário vigente desde julho de 2025 (+13,94%) e por um bom controle de custos. Entretanto, este resultado positivo do segundo trimestre não afasta as preocupações quanto ao risco de crédito do Emissor. O CAPEX em forte expansão sem contrapartida em geração de caixa elevou a alavancagem no ano e deixou posição de caixa apertada frente aos vencimentos de curto prazo, ampliando a dependência do suporte do controlador. Soma-se a isso o processo de caducidade da concessão em trâmite na ANEEL, cuja reunião para deliberação ficou agendada para 11 de agosto. Dado esse processo a prorrogação antecipada da concessão foi suspensa por decisão judicial. O contrato vence em junho de 2028, o que têm preocupado o mercado e já se refletiu no rebaixamento do rating pela Fitch, para AA+(bra) com perspectiva negativa, e nos spreads dos papéis no mercado secundário.
Energisa
Overview do trimestre: O Grupo Energisa reportou resultado resiliente no 2T26, com EBITDA ajustado de R$ 1.954 milhões (+1% A/A), sustentado pelo crescimento de 4% do mercado das distribuidoras e pelos reajustes tarifários, parcialmente compensados pelo maior custo de energia e pelo avanço de 15% do PMSO, este aumento reflete o compromisso da empresa com a qualidade do serviço em suas concessões. No balanço, o destaque foi o acordo para venda de cinco ativos de transmissão, reforçando a estratégia de reciclagem de capital e redução da alavancagem, apesar do efeito contábil não caixa de -R$ 596 milhões. A alavancagem recuou de 3,5x no 1T26 para 3,1x, frente a covenant de 4,25x, beneficiada pelo aporte de R$ 1,4 bilhão do Itaú na Denerge e pelo Acordo ERO, que encerrou um contencioso de 20 anos e reduziu o estoque judicial de R$ 1,6 bilhão para R$ 646 milhões. A renovação por 30 anos de quatro das principais concessões de distribuição reforça a previsibilidade de longo prazo e reduz o risco de crédito da emissora.
Eneva
Overview do trimestre: Eneva reportou resultados neutros no 2T26. O EBITDA somou R$ 1.239 mi, queda de R$ 430 mi A/A, reflexo do fim dos contratos do PCS das usinas do Espírito Santo, dos efeitos contábeis da venda de Pecém II e das maiores despesas com SOP/ILP (R$ 94,9 mi no trimestre, alta de R$ 68,7 mi A/A), atenuados pelo maior despacho no Parnaíba e pela melhor margem de comercialização de energia. A queda não deve persistir, pois as usinas do ES já têm novos contratos de capacidade desde jul/26 e ago/26, que somados a entrada de Azulão I adicionam R$ 762,6 mi de receita fixa anual a partir do 3T26. A venda da Pecém II (a carvão) à Diamante, por EV de R$ 872,3 mi, é positiva ao concentrar o portfólio em ativos a gás, de maiores margens. Apesar do aumento da alavancagem para 3,2x (2,7x no 2T25) e da agenda intensa de capex com os três hubs contratados no LRCAP 2026, a avaliação de crédito segue suportada pela previsibilidade das receitas fixas de longo prazo, pelo perfil confortável de amortização, concentrado após 2029, e pela folga frente ao covenant de 4,5x.
Engie Brasil
Overview do trimestre: A ENGIE Brasil Energia reportou resultado sólido no 2T26, com EBITDA de R$ 1.809 milhões, alta de 19,3% A/A. O avanço refletiu o maior volume vendido (+14,1%), o GSF de 99,0% (vs. 95,5% no 2T25), o ganho de R$ 15 milhões no mercado de curto prazo (MCP) (vs. -R$ 28 milhões) e o crescimento da receita regulatória de transmissão, compensados pela queda de 4,0% no preço médio e pelo maior curtailment eólico (17% vs. 12%). A dívida líquida somou R$ 25.210 milhões, com alavancagem de 3,6x, ante 3,7x no 1T26, ainda elevada, mas em estabilização, e com covenant cumprido com folga (dívida bruta/EBITDA contratual de ~3,9x vs. limite de 4,5x). Em julho, a companhia realizou um follow-on de R$ 8,36 bilhões para realizar a incorporação de 40% de Jirau e realizar a repactuação do Uso do Bem Público (UBP), quitado por R$ 2,23 bilhões, o que elimina desembolsos anuais de R$ 773 milhões. Além disso, a companhia anunciou R$770,8 milhões em dividendos. Com isso, a desalavancagem deve seguir gradual.
Equatorial
Overview do trimestre: A Equatorial reportou resultados positivos no 2T26. O EBITDA ajustado atingiu R$ 2,7 bi, (+ 4,1% A/A), impulsionado pelas distribuidoras, que apresentaram crescimento de 4,2% do mercado fio-b, enquanto o PMSO¹ ajustado avançou 7%, acima da inflação, refletindo a primarização de equipes e o reforço de manutenção. Na geração, a Echoenergia foi pressionada pelo curtailment (18,4% do portfólio) e pela menor disponibilidade do recurso eólico. No trimestre, a companhia se tornou acionista de referência da Copasa, com a aquisição de 30% do capital por R$ 5,6 bi. Mesmo com a operação, a alavancagem, medida pela dívida líquida/EBITDA na visão covenants, segue saudável, em 3,1x (3,6x ex-ganho da venda da Transmissão), com folga frente ao limite de 4,5x. Do ponto de vista de crédito, a avaliação segue suportada: (i) pelo fato de a maior parte do EBITDA ser oriundo de setores regulados, com previsibilidade garantida pela regulação do segmento de distribuição, (ii) pela liquidez robusta (caixa de R$ 10 bi – 2,5x a dívida de curto prazo) e (iii) pela entrada na Copasa, que diversifica e amplia a base de receitas reguladas.
Light
Overview do trimestre: A Light reportou resultado positivo no 2T26, com EBITDA ajustado de R$ 599 mi, (+82,3% A/A). O avanço é fruto da margem bruta da Distribuidora, que cresceu 49,2% puxada pelo reajuste tarifário anual, combinada a um PMSO¹ de R$ 321 mi, queda de 1,0% A/A. Nas perdas, questão central para a emissora, houve avanço, com recuo de 0,7% na perda não técnica, ainda que o custo pela parcela não reconhecida na tarifa siga em cerca de R$ 1 bi de EBITDA em 12 meses. Do ponto de vista de crédito, questões relevantes ligadas ao case foram resolvidas: i) a concessão da Distribuidora renovada por 30 anos até 2056; ii) aumento de capital privado de R$ 1,5 bi concluído e; iii) pedido de encerramento da recuperação judicial protocolado. A dívida líquida ajustada consolidada somou R$ 5,6 bi e a alavancagem consolidada ficou em 2,85x ante 2,56x no 2T25, frente ao covenant de endividamento de 3,75x dívida líquida/EBITDA. Seguem como pontos a acompanhar a revisão do gap de perdas na RTP² de 2027 e o tratamento regulatório sobre a (ASRO)³ em tramite na ANEEL.
Neoenergia
Overview do trimestre: A Neoenergia reportou um resultado resiliente no 2T26. Apesar de a geração eólica ter vindo abaixo no comparativo anual e de o curtailment ter aumentado, a companhia conseguiu entregar resultados em linha, demonstrando a força da diversificação de seu portfólio. Do ponto de vista de crédito, a Neoenergia segue apresentando perfil operacional sólido, suportado pela previsibilidade do segmento de distribuição e pela diversificação entre geração e transmissão de energia, com o trimestre marcado por dois eventos estruturalmente positivos: a renovação antecipada das concessões de Coelba, Cosern e Elektro por mais 30 anos e a conclusão da OPA pela Iberdrola, que passou a deter a quase totalidade do capital. Por outro lado, a menor geração renovável, o curtailment e a alavancagem ainda elevada, em decorrência do CAPEX intensivo, permanecem como os principais pontos de atenção no curto prazo, embora a alavancagem tenha recuado na comparação trimestral.
Isa Energia
Overview do trimestre: A ISA Energia reportou resultado neutro no 2T26. A receita regulatória atingiu R$ 1.243,4 mi (+20,9% A/A), impulsionada pelo reajuste da RAP pelo IPCA, pelas energizações de novos projetos (Jacarandá e Piraquê), pelo R&M da Concessão Paulista e pela reversão da Parcela de Ajuste (PA). O EBITDA somou R$ 966,9 Mi, um aumento de 22,5% A/A sobre base deprimida do 2T25, e recuou 5,3% T/T, pressionado pelo PMSO (+13,4%) e por custos de desativação de bens em R&M, que vemos como não recorrentes. O principal detrator do resultado foi o resultado financeiro, puxado pela variação monetária da dívida atrelada ao IPCA e pelo maior endividamento, levando o lucro líquido a R$ 173,9 mi (-32,0% A/A). A dívida líquida atingiu R$ 15,9 bi (+13,0% vs. dez/25), refletindo capex, JCP, emissões e variação monetária, com a alavancagem reportada subindo de 3,63x para 3,78x e a cobertura de juros situando-se em 2,1x. O follow-on de R$ 1,2 bi, liquidado em julho, compensa a troca de ativos com a AXIA (IE Madeira 100% desde agosto) e mantém a alavancagem pro forma estável.
Taesa
Overview do trimestre: A Taesa reportou resultados sólidos no 2T26. O EBITDA regulatório somou R$ 577,2 mi (+10,6% A/A), impulsionado
pela receita líquida de R$ 679,2 mi (+9,3% A/A), refletindo as energizações de novos projetos e o reajuste do ciclo
RAP 2025-2026. O PMSO¹ atingiu R$ 102,0 mi (+2,5%), abaixo da inflação do período, mostrando boa disciplina de
custos da emissora. O principal detrator foi o resultado financeiro negativo de R$ 366,5 mi (+51,0% A/A), levando o
lucro líquido regulatório a R$ 206,8 mi (-28,5% A/A). Apesar de a alavancagem permanecer elevada, em torno de
4,2x, e de a manutenção do payout integral limitar uma desalavancagem mais acelerada, a avaliação de crédito
segue suportada pela elevada previsibilidade da RAP, longo prazo remanescente dos ativos, execução consistente
dos projetos greenfield e perfil confortável de amortização da dívida, além de não possuir covenant financeiro de
dívida líquida/EBITDA a monitorar. Por fim, aquisição dos ativos da Energisa adiciona pressão temporária sobre a
alavancagem, mas também amplia a base de receitas reguladas e aumenta a vida média do portfólio.
IMOBILIÁRIO & SHOPPINGS
Allos
Overview do trimestre: A Allos reportou um 2T26 positivo, com crescimento de receitas, manutenção da elevada ocupação dos ativos e estrutura de capital conservadora. O trimestre evidenciou a capacidade da companhia de expandir resultados mesmo em um cenário de juros elevados, apoiada tanto pela operação de shopping centers quanto pela crescente contribuição das verticais de mídia, desenvolvimento imobiliário e plataforma digital. Como ponto de acompanhamento, observa-se alguma desaceleração dos indicadores de vendas mesmas lojas e aluguel mesmas lojas em relação aos níveis observados no ano anterior, influenciada pelo cenário macroeconômico e efeitos de calendário da Páscoa e da Copa do Mundo, embora os indicadores permaneçam positivos.
Cury
Overview do trimestre: A Cury reportou um 2T26 positivo, com crescimento de receita, manutenção de margens, geração de caixa operacional e preservação de uma posição de caixa líquido. Apesar da desaceleração observada nos indicadores comerciais, refletida pelo menor volume de vendas e redução da VSO em relação ao 2T25, a Companhia preservou a rentabilidade e a solidez da estrutura de capital, mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador. Nesse contexto, a Companhia tem reforçado uma estratégia pautada pela disciplina operacional e foco na preservação de margens.
Cyrela
Overview do trimestre: No 2T26, a Cyrela reportou resultados positivos, com forte desempenho operacional e financeiro, sustentado pelo avanço dos lançamentos, vendas contratadas e receita, acompanhado de expansão das margens. A Companhia também apresentou geração de caixa no trimestre, revertendo o consumo do trimestre anterior, reforçando a liquidez e contribuindo para a manutenção de uma estrutura de capital conservadora, com alavancagem confortável, ampla folga frente aos covenants e perfil de amortização alongado.
Direcional
Overview do trimestre: A Direcional reportou um 2T26 positivo, com crescimento da receita e da rentabilidade, geração de caixa e manutenção de baixos níveis de alavancagem, apesar da elevação da dívida líquida na comparação anual. O trimestre também foi marcado por lançamentos em patamares elevados, sustentando a expansão
operacional da companhia. Como pontos de acompanhamento, a empresa seguiu apresentando volume de
distratos acima da média histórica e menor velocidade de vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.
Even
Overview do trimestre: A Even reportou um 2T26 neutro. Apesar da retomada dos lançamentos, o ambiente de vendas mais seletivo, em meio a um cenário macroeconômico desafiador, continuou pressionando os resultados da Companhia, refletindo-se na queda de receitas e margens, no aumento dos distratos e na elevação da alavancagem. Por outro lado, a Companhia manteve posição de liquidez robusta e ampla folga em relação aos limites financeiros estabelecidos em seus covenants.
Eztec
Overview do trimestre: A Eztec reportou um 2T26 positivo, com desempenho operacional e financeiro sólido, sustentado pelo forte ritmo comercial e pela elevada rentabilidade dos empreendimentos. O semestre consolidou o melhor desempenho de lançamentos e vendas da história da companhia, mesmo em um ambiente marcado por juros elevados. Como ponto de atenção, parte do desempenho do trimestre foi beneficiada por eventos não recorrentes, além de a companhia ter apresentado leve consumo de caixa e aumento gradual das despesas administrativas, ainda que sem impacto relevante sobre a qualidade de crédito neste momento.
Iguatemi
Overview do trimestre: No 2T26, a Iguatemi reportou um trimestre marcado por crescimento operacional moderado e manutenção de indicadores de crédito sólidos. A companhia continua beneficiada pela qualidade de seu portfólio, refletida na elevada ocupação, baixa inadimplência e alavancagem conservadora, mesmo em um ambiente de consumo mais desafiador e impactado por efeitos de calendário.
JHSF
Overview do trimestre: A JHSF apresentou resultados positivos no 2T26, sustentados pelo crescimento dos negócios de renda recorrente, pela baixa alavancagem e pelos efeitos da monetização dos estoques. Realizada por meio do JHSF Capital Desenvolvimento Imobiliário FII, a operação ampliou a flexibilidade financeira da companhia, embora parte dos recursos recebidos permaneça economicamente vinculada à execução dos empreendimentos e à entrega das unidades comercializadas. A preservação dos indicadores de crédito dependerá, portanto, da disciplina na alocação de capital e da conversão da liquidez, dos recebíveis e do pipeline remanescente em geração recorrente de caixa. O landbank remanescente, estimado em aproximadamente R$ 28 bilhões de VGV potencial, preserva alternativas de crescimento, mas também amplia a exposição a riscos de execução.
Lavvi
Overview do trimestre: No 2T26, a Lavvi apresentou resultados positivos. O forte volume de vendas dos lançamentos, especialmente do Jardim da Hípica, contribuiu para o crescimento do backlog e para a expansão das margens. Embora o lucro líquido tenha sido pressionado pelo aumento das despesas comerciais e financeiras, os indicadores operacionais permaneceram saudáveis. O aumento da dívida líquida e dos distratos merece acompanhamento, mas, neste momento, mostra-se compatível com a fase de expansão da Companhia.
MRV
Overview do trimestre: No 2T26, a MRV apresentou resultado neutro, com a continuidade da recuperação operacional da incorporação no Brasil, com crescimento de receita, expansão de margens, geração de caixa positiva e melhora dos indicadores de alavancagem. Em contrapartida, os resultados consolidados permaneceram pressionados pela operação da Resia nos EUA, em função do reconhecimento de US$ 110 milhões em impairments relacionados ao plano de venda de ativos. Ainda assim, a Companhia avançou em sua estratégia de desalavancagem por meio de desinvestimentos ao longo do trimestre, reforçando comprometimento com esta agenda, que visa reduzir o endividamento e simplificar a estrutura corporativa.
Multiplan
Overview do trimestre: A Multiplan reportou um 2T26 com forte desempenho operacional e financeiro, sustentado pelo crescimento das vendas dos lojistas, elevada ocupação dos ativos, expansão da receita recorrente e expressiva geração de caixa. O trimestre também foi beneficiado pelo reconhecimento de créditos tributários de PIS/COFINS, mas mesmo desconsiderando esse efeito, os indicadores operacionais permaneceram sólidos, refletindo a qualidade do portfólio e a elevada demanda pelos ativos da companhia.
Patrimar
Overview do trimestre: No 2T26, a Patrimar apresentou resultados pressionados, com queda da margem bruta e prejuízo líquido. A rentabilidade foi afetada pelo deságio na monetização de estoques ao FII Belvedere e pela aceleração de distratos em empreendimentos próximos da conclusão, enquanto o maior esforço comercial e a estrutura de despesas dimensionada durante o ciclo de expansão também pressionaram o resultado. Apesar da geração de caixa positiva, impulsionada por maiores repasses e, principalmente, pela operação com o FII, a alavancagem permaneceu elevada e sem folga em relação ao covenant anual. O principal desafio segue sendo converter estoques e recebíveis em geração recorrente de caixa, diante das condições de crédito mais restritivas para os clientes e do consequente alongamento do ciclo de recebimento. Como mitigantes, a Patrimar vem monetizando ativos, cedendo recebíveis e priorizando a aquisição de terrenos via permutas.
INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA
Ecorodovias
Overview do trimestre: O 2T26 registrou performance operacional positiva em bases ajustadas, porém com maior consumo de caixa na comparação anual, reflexo das mudanças no portfólio de ativos rodoviários. Trata-se de uma conjectura desfavorável, mas com potencial de reversão à medida que as concessões adicionadas e reequilibradas amadurecem. No trimestre, a Ecovias Sul encerrou seu contrato, enquanto a Rota das Gerais (Ecovias das Gerais) passou a ser consolidada no balanço da Ecorodovias. Destaca-se também a captação do empréstimo-ponte de R$ 2,4 bilhões, contratado pela Companhia para realizar os investimentos iniciais na Ecovias Capixaba.
Rumo
Overview do trimestre: A Rumo reportou um resultado neutro neste trimestre. Por um lado, a estratégia comercial de volume over value refletiu-se em um crescimento anual de 9,1% no volume total transportado, favorecido sobretudo pelo maior transporte de soja e farelo de soja, tanto na Operação Norte quanto na Operação Sul, e de fertilizantes na Operação Norte, o que se converteu em um crescimento de 6,2% A/A na receita líquida. Por outro lado, a continuidade do forte ritmo de investimentos, em projetos como a Ferrovia do Mato Grosso, e o alto custo financeiro da operação penalizaram a alavancagem: a relação dívida líquida/EBITDA, apurada conforme os covenants da Companhia, encerrou em 2,1x (+0,3x A/A).
Santos Brasil
Overview do trimestre: A Santos Brasil reportou um resultado positivo neste trimestre. A Companhia segue apresentando consistência em seus resultados financeiros e operacionais, com geração de caixa operacional após pagamento de juros e investimentos positiva, mesmo diante de um cenário adverso em seu ambiente competitivo, impactado pelos conflitos no Oriente Médio e pelas tarifas impostas pelos EUA sobre produtos exportados pelo Brasil. Neste trimestre, a relação dívida líquida/EBITDA reportada pela empresa encerrou em 0,9x (-0,4x A/A), enquanto a dívida líquida ajustada pós-IFRS 16 caiu de R$ 3,7 bilhões no 2T25 para R$ 3,4 bilhões no 2T26.
Hidrovias do Brasil
Overview do trimestre: A Hidrovias do Brasil reportou um resultado neutro neste trimestre. Por um lado, tanto a operação no Brasil quanto a operação no Paraguai apresentaram perda de margem EBITDA na comparação anual, em razão de fatores desfavoráveis no desempenho operacional. Por outro lado, a manutenção do fluxo de caixa operacional em patamar suficiente para cobrir os pagamentos de juros e investimentos permitiu que a empresa apresentasse geração de caixa livre no período e mantivesse sua trajetória de redução da dívida líquida ajustada pós IFRS-16, que caiu de R$ 2,6 bilhões no 2T25 para R$ 2,2 bilhões no 2T26, reflexo dos resultados da simplificação do portfólio de operações realizada pela Companhia.
Entrevias
Overview do trimestre: A Entrevias reportou um resultado fraco neste trimestre. Por um lado, a geração de caixa operacional após o resultado financeiro apresentou saldo negativo de R$ 49,1 milhões que, somado aos investimentos de R$ 133,9 milhões, resultou em um consumo de caixa livre de R$ 183,1 milhões. Com isso, a dívida líquida ajustada pós IFRS-16 seguiu a trajetória de alta observada desde a realização da 3ª emissão de debêntures, encerrando em R$ 4,8 bilhões. Por outro lado, o tráfego pedagiado apresentou leve aumento, de 17,8 mil para 18,2 mil VEQ1, e a tarifa média avançou 6,7% A/A, para R$ 15,5/VEQ1, ligeiramente acima da inflação acumulada no período.
Litoral Sul
Overview do trimestre: A Litoral Sul reportou um resultado neutro neste trimestre. Por um lado, o desempenho operacional foi positivo. A tarifa média refletiu o reajuste anual da concessão, que ocorreu em fevereiro de 2026, combinado à efetivação de reequilíbrio econômico-financeiro, e apresentou crescimento anual de 9,5%, variando de R$ 5,20/VEQ1 para R$ 5,70/VEQ1. O tráfego pedagiado evoluiu de 39,9 mil para 41,2 mil VEQ1 na comparação anual. Por outro lado, a geração de caixa livre apresentou leve consumo, com os investimentos superando a geração de caixa operacional após pagamento de juros. Por fim, em relação à renegociação do contrato da concessão, por hora não vemos mudanças que impactem o risco de crédito.
Via Rondon
Overview do trimestre: A Via Rondon reportou um resultado positivo neste trimestre. A geração de caixa livre apresentou saldo positivo de R$ 6,3 milhões no período, resultado de uma geração de caixa operacional após resultado financeiro de R$ 67,8 milhões, suficiente para cobrir os R$ 61,4 milhões em investimentos realizados. O tráfego pedagiado expandiu 4,3% A/A, de 23,6 mil para 24,6 mil VEQ1, e a tarifa média apresentou alta de 5,3% A/A, de R$ 7,74/VEQ1 para R$ 8,15/VEQ1. A dívida líquida ajustada pós IFRS-16 encerrou estável em R$ 1 bilhão na comparação anual. Vale destacar que, em nossa dívida líquida, incluímos os seguintes ajustes: arrendamentos, risco sacado, derivativos, mútuo e parcelamento de impostos.
Rota das Bandeiras
Overview do trimestre: A Rota das Bandeiras reportou um resultado positivo neste trimestre. Por um lado, houve geração de caixa livre de R$ 155,4 milhões, e a relação dívida líquida/EBITDA ajustada pós IFRS-16 manteve-se estável em 2,5x na comparação anual. Além disso, com a quitação integral de ODTR11, os vencimentos de dívida no curto prazo recuaram de 20,0% no 2T25 para 4,4% no 2T26. Por outro lado, o desempenho operacional foi levemente abaixo do esperado, com o tráfego pedagiado contraindo 0,4% na variação anual, de 27,9 mil para 27,8 mil VEQ1, e a tarifa média acompanhando a inflação acumulada no período medida pelo IPCA, variando de R$ 11,2/VEQ1 para R$ 11,7/VEQ1.
MINERAÇÃO & SIDERURGIA
CSN
Overview do trimestre: A CSN apresentou um resultado neutro, com melhora operacional no 2T26, reflexo da recuperação da siderurgia, desempenho recorde em cimentos e crescimento do EBITDA consolidado. Apesar disso, seguimos cautelosos com o crédito, pois a principal discussão permanece sendo a capacidade de converter essa melhora operacional em desalavancagem e geração consistente de caixa. Para o 2S26, entendemos que o foco deve permanecer na redução do endividamento, já que o elevado custo da dívida continua consumindo parcela relevante da geração operacional de caixa. Nesse sentido, acompanharemos principalmente os potenciais desinvestimentos em cimentos e infraestrutura, que podem acelerar a desalavancagem caso os recursos sejam direcionados para amortização de dívida. Também seguiremos monitorando a evolução dos efeitos das medidas antidumping na siderurgia. A penetração do aço importado no mercado interno recuou dos 25% no final de 2025, e a companhia espera estabilidade em torno de 15%-17%, o que seria importante para sustentar a recuperação de volumes e margens do segmento. Além disso, eventuais novas medidas de proteção comercial podem reforçar essa tendência e contribuir para uma geração de caixa mais robusta. Por fim, a estratégia de redução de estoques e liberação de capital de giro, contribuiu positivamente para o caixa no trimestre e foi destacada pela administração como um importante vetor de suporte à liquidez.
CSN Mineração
Overview do trimestre: A CSN Mineração apresentou resultado neutro no 2T26, combinando uma forte performance operacional mesmo diante da parada programada de manutenção, com uma deterioração relevante da rentabilidade. A queda do EBITDA Ajustado para R$ 1,0 bilhão (-28,3% t/t) refletiu principalmente a redução da receita líquida unitária, pressionada pela valorização do real e pela expressiva alta dos custos de frete marítimo, além do aumento do C1 cash cost. Adicionalmente, embora a companhia tenha se beneficiado da liberação de capital de giro, a amortização de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em pré-pagamentos de minério, o elevado nível de investimentos e a remuneração aos acionistas contribuíram para um consumo de caixa no trimestre, contudo, praticamente neutro em termos de alavancagem nas nossas métricas. A CSN Mineração segue apresentando uma adequada estrutura de capital, sustentada pela forte geração operacional. Em nossas métricas, que consideram os pré-pagamentos de minério como dívida financeira, a alavancagem permaneceu estável em 2,1x t/t, ainda que acima dos 1,2x observados no 2T25. Além disso, a companhia encerrou o trimestre com R$ 7,9 bilhões em caixa e um cronograma de amortização com pouca concentração no curto prazo, preservando uma confortável posição de liquidez.
Usiminas
Overview do trimestre: O 2T26 foi positivo para a Usiminas: embora a Mineração tenha sido impactada por menores preços realizados e custos mais elevados, a evolução da Siderurgia foi suficiente para sustentar a expansão do EBITDA consolidado e a manutenção da baixa alavancagem. A companhia reportou receita líquida de R$ 6,1 bilhões (+4,0% t/t), EBITDA ajustado consolidado de R$ 761 milhões (+16,6% t/t) e margem EBITDA ajustada de 12,4%, ante 11,1% no trimestre anterior. O desempenho foi impulsionado pela Siderurgia, que apresentou melhora de rentabilidade mesmo com vendas de aço levemente menores, refletindo um ambiente mais favorável de preços e mix comercial. Em contrapartida, a Mineração registrou queda no EBITDA t/t, apesar do forte crescimento dos volumes vendidos, impactada principalmente por menores preços realizados e um mix de vendas menos favorável. Ainda assim, a expansão da rentabilidade da Siderurgia mais do que compensou essa pressão. Do lado financeiro, a Usiminas segue com uma estrutura de capital bastante sólida, encerrando o trimestre com dívida líquida ajustada de R$ 173 milhões e alavancagem de apenas 0,1x.
Vale
Overview do trimestre: A Vale reportou um trimestre positivo, sustentado pela forte recuperação operacional do negócio de minério de ferro e pela contínua expansão da rentabilidade em Metais Básicos. Em Minério de Ferro, o aumento dos volumes produzidos e comercializados mais do que compensou a pressão observada nos custos, permitindo avanço do EBITDA mesmo com preços realizados praticamente estáveis. Já em Metais Básicos, a combinação de preços mais elevados de cobre e níquel e maiores vendas de cobre resultou em nova expansão dos resultados, com destaque para o expressivo crescimento anual do EBITDA da divisão. Do lado financeiro, a companhia manteve sólida geração de caixa, com fluxo de caixa livre de US$1,5 bilhão e aumento da posição de caixa para US$5,8 bilhões ao final do trimestre. Em nossa visão, o resultado reforça a resiliência operacional da Vale e a elevada qualidade de seu perfil de crédito, refletidas na redução da alavancagem para 1,0x dívida líquida expandida/EBITDA LTM, na queda do endividamento expandido e em um cronograma de amortização bastante confortável. A combinação de forte geração operacional, liquidez elevada e perfil de vencimentos alongado segue proporcionando ampla flexibilidade financeira à companhia.
Votorantim Cimentos
Overview do trimestre: A Votorantim Cimentos apresentou um trimestre positivo, com crescimento de volumes, receita e EBITDA, impulsionado pelo forte desempenho do Brasil e pela recuperação das operações de Europa & Ásia. O volume de cimento atingiu 9,9 milhões de toneladas (+6% a/a) e o EBITDA ajustado somou R$ 1,9 bilhão (+9% a/a), com a pressão de custos sendo compensada por maiores volumes e preços, permitindo a manutenção da margem EBITDA em 24%. Esse desempenho operacional se refletiu no fluxo de caixa operacional de R$ 670 milhões (+32% a/a), mesmo após absorver maiores necessidades de capital de giro e um CAPEX de R$ 803 milhões voltado à expansão, modernização e descarbonização. Como resultado, a companhia encerrou o trimestre com fluxo de caixa livre positivo de R$ 199 milhões. A melhora operacional também contribuiu para a manutenção de uma estrutura de capital conservadora, com alavancagem reportada de 1,83x Dívida Líquida/EBITDA, enquanto, pela nossa metodologia ajustada pela inclusão de risco sacado, a alavancagem ficou em 2,0x, ante 2,1x no trimestre anterior e estável na comparação anual.
ÓLEO & GÁS E PETROQUÍMICOS
Braskem
Overview do trimestre: A Braskem apresentou um resultado pressionado no 2T26, apesar da melhora operacional, beneficiada pela expansão dos spreads petroquímicos após o conflito no Oriente Médio. Como resultado, o EBITDA recorrente alcançou US$ 1.043 milhões (R$ 5.253 milhões). Ainda assim, entendemos que essa recuperação está relacionada a um ambiente temporariamente favorável para a indústria do que a uma mudança estrutural dos fundamentos da companhia, especialmente considerando que parte dessa melhora dos spreads já começou a se reverter ao final do trimestre. Além disso, a recuperação do EBITDA não foi suficiente para reverter a pressão sobre a liquidez. A companhia reportou geração recorrente de caixa de R$ 1,0 bilhão, mas encerrou o trimestre com consumo líquido de caixa de R$ 748 milhões, evidenciando que a estrutura financeira segue pressionada mesmo em um período de rentabilidade significativamente superior à observada nos últimos trimestres. Dessa forma, reiteramos que a principal discussão da tese permanece centrada na estrutura de capital e na necessidade de reestruturação financeira. A companhia segue negociando com credores uma solução para seu endividamento e esperamos que em breve sejam definidos os termos da reestruturação, considerada fundamental para adequar a estrutura de capital da companhia
Brava Energia
Overview do trimestre: A Brava reportou um trimestre operacionalmente forte, marcado pela recuperação dos ativos offshore, maiores preços realizados e expansão da rentabilidade. A produção cresceu 8% t/t, impulsionada principalmente por Parque das Conchas, Atlanta e Manati, enquanto a alta do Brent e dos preços realizados de óleo e gás sustentou o avanço da receita líquida para R$ 3,6 bilhões e do EBITDA Ajustado pós-IFRS 16 para R$ 1,94 bilhão. Do ponto de vista de crédito, estimamos alavancagem de aproximadamente 2,3x ao final do trimestre, enquanto a companhia reportou 1,97x. A diferença decorre principalmente de nossa metodologia, que exclui os efeitos da liquidação dos hedges de petróleo do EBITDA, mas incorpora os derivativos passivos à dívida líquida ajustada. Embora o hedge de petróleo tenha contribuído para reduzir a dívida líquida reportada por meio de um ganho contábil de R$ 462 milhões, ele continua limitando parte da captura de cenários mais favoráveis para o petróleo e consumiu R$ 864 milhões de caixa no trimestre.
Origem
Overview do trimestre: A Origem reportou um forte resultado operacional no 2T26, com produção recorde de 16,9 mil boe/d e EBITDA de R$ 290 milhões, beneficiados pela retomada do crescimento do Polo Alagoas e pela maior monetização do petróleo, que impacta também os contratos de venda de gás da companhia. Pela nossa metodologia, a alavancagem recuou para 3,9x, ante 4,5x no trimestre anterior, refletindo principalmente o crescimento do EBITDA dos últimos 12 meses. Por outro lado, a companhia segue atravessando um ciclo intensivo de investimentos, o que continua pressionando o fluxo de caixa. Apesar da evolução da geração operacional, observamos consumo de caixa decorrente principalmente de capex, dinâmica que deve persistir nos próximos anos diante dos investimentos necessários para a implementação da UTE Pilar. Para o 3T26, esperamos a manutenção de uma forte performance operacional, com captura dos preços mais elevados do petróleo na precificação dos contratos de gás, que possuem defasagem e utilizam como referência o Brent do trimestre anterior. Ainda assim, o potencial de alta é parcialmente limitado pelos mecanismos de floor e cap presentes nos contratos, reduzindo a sensibilidade às oscilações do petróleo.
PRIO
Overview do trimestre: A PRIO entregou um resultado forte no 2T26, com recordes de produção e EBITDA, sustentados pela conclusão do desenvolvimento de Wahoo e pela consolidação de Peregrino. O aumento da produção veio acompanhado de redução do lifting cost para US$ 8,9/bbl, refletindo ganhos de eficiência operacional e diluição de custos. Do lado financeiro, a combinação de maior volume vendido, melhora dos preços realizados e menores custos unitários sustentou um EBITDA Ajustado de US$ 886 milhões, mesmo diante da pressão de maiores royalties, participação especial e imposto de exportação (vigente desde 12 de março de 2026). A forte geração de caixa permitiu financiar os investimentos de crescimento, aumentar a posição de caixa e reduzir a alavancagem para 1,7x em nossa metodologia (1,5x na metodologia reportada pela companhia), reforçando a trajetória de desalavancagem e a flexibilidade financeira da PRIO.
Ultra
Overview do trimestre: A Ultrapar reportou um trimestre forte, com evolução operacional em praticamente todos os negócios, especialmente na Ipiranga, que continuou capturando os benefícios de um ambiente competitivo mais racional e de sua relevante capacidade logística e de importação. Como resultado, o EBITDA ajustado recorrente consolidado atingiu R$ 3,7 bilhões, enquanto a geração operacional de caixa alcançou R$ 4,0 bilhões, reforçando a capacidade de conversão de resultados em liquidez. Temos visão positiva de crédito para a companhia. A forte geração de caixa impulsionou a desalavancagem, levando o indicador para 1,1x Dívida Líquida/EBITDA LTM Ajustado, ante 1,9x t/t e 2,3 a/a. Adicionalmente, a Ultrapar encerrou o trimestre com R$ 10,7 bilhões de caixa, frente a R$ 4,4 bilhões de dívida de curto prazo, proporcionando elevada flexibilidade financeira.
Vibra
Overview do trimestre: A Vibra reportou um forte resultado no 2T26, impulsionado principalmente pelos segmentos de Rede de Postos e B2B. A expansão de volumes, o avanço do embandeiramento, a melhora do mix comercial e os benefícios do combate às irregularidades no setor sustentaram uma forte evolução de rentabilidade nas operações de distribuição, mais do que compensando o desempenho mais fraco da Comerc, pressionada pelo resultado da comercializadora de energia e pelos elevados níveis de curtailment. Como resultado, o EBITDA Ajustado Recorrente consolidado atingiu R$ 4,3 bilhões (+79% t/t e +257% a/a), além de forte geração de caixa, com Fluxo de Caixa Operacional de R$ 3,8 bilhões e Fluxo de Caixa Livre de R$ 3,7 bilhões, recursos direcionados principalmente para amortização de dívidas. Pela nossa metodologia, a alavancagem caiu para 1,7x, ante 2,8x no trimestre anterior e 3,6x há um ano, beneficiada tanto pela redução da dívida líquida ajustada quanto pela expansão do EBITDA dos últimos doze meses. A liquidez segue confortável, com R$ 6,3 bilhões em caixa e apenas R$ 365 milhões de vencimentos financeiros remanescentes em 2026.
PAPEL & CELULOSE
Irani
Overview do trimestre: A Irani reportou um trimestre operacionalmente positivo, com crescimento de volumes nos segmentos de Papelão Ondulado e Papel, refletindo a normalização das operações após as paradas do 1T26 e a continuidade da captura de ganhos dos investimentos recentes. Na frente financeira, a companhia manteve forte geração de caixa e alavancagem ajustada controlada em 2,3x, reforçando a solidez do perfil de crédito. Por outro lado, seguimos atentos à concentração de aproximadamente R$ 837 milhões em vencimentos ao longo de 2027, o que torna o refinanciamento dessa obrigação um tema relevante para os próximos trimestres. Nesse sentido, a estratégia de liability management anunciada pela administração ganha importância, especialmente pelo potencial de alongar o cronograma de amortizações e reduzir a concentração de vencimentos. Apesar desse ponto de atenção, mantemos viés positivo para o crédito da Irani, sustentado pela consistente geração de caixa, boa liquidez, alavancagem controlada e histórico de acesso a fontes de financiamento, fatores que devem favorecer a execução das iniciativas de gestão do passivo atualmente em discussão.
Klabin
Overview do trimestre: A Klabin apresentou um resultado positivo no 2T26, com recuperação dos preços internacionais de celulose, bom desempenho dos negócios de papel e embalagens e EBITDA Ajustado de R$ 2,0 bilhões, com melhora de 17,5% t/t, mas ainda -4% a/a. Do ponto de vista de crédito, a companhia continua avançando em sua desalavancagem, mas nossa métrica ainda permanece relativamente elevada em 3,8x, apesar da melhora frente aos 4,2x do 2T25. Acreditamos que a continuidade dessa trajetória dependerá da manutenção da forte geração operacional, especialmente em um contexto de investimentos ainda elevados, com R$ 657 milhões de capex no trimestre e guidance de R$ 3,3 bilhões para 2026. Por outro lado, o perfil de liquidez segue como um importante ponto positivo. A companhia possui apenas R$ 734 milhões de vencimentos financeiros remanescentes em 2026, frente a R$ 10,1 bilhões de caixa e aplicações e R$ 2,6 bilhões em linhas de crédito disponíveis, além de prazo médio da dívida de 84 meses, o que reduz significativamente o risco de refinanciamento no curto prazo.
Suzano
Overview do trimestre: A Suzano apresentou um 2T26 neutro, combinando uma melhora operacional na comparação trimestral com indicadores ainda inferiores aos observados há um ano. Por um lado, os maiores volumes de celulose e papel, aliados à recuperação dos preços da celulose em dólar, sustentaram um EBITDA ajustado consolidado de R$ 4,7 bilhões (+3% t/t) e uma sólida geração de caixa operacional. Por outro, o menor volume de celulose comercializado em relação ao 2T25 e a maior pressão de custos limitaram a evolução dos resultados, levando a uma queda de 23% do EBITDA a/a. A menor geração operacional acumulada nos últimos doze meses pressionou as métricas de crédito, com a alavancagem avançando para 3,3x na metodologia da companhia e 3,7x em nossa metodologia, apesar da redução da dívida líquida nos comparativos trimestral e anual. Ainda assim, o perfil de crédito segue suportado por uma forte posição de liquidez, com R$ 26,6 bilhões em caixa, R$ 9,2 bilhões em RCFs e apenas R$ 2,5 bilhões de vencimentos financeiros remanescentes em 2026, proporcionando elevada flexibilidade financeira e baixo risco de refinanciamento no curto prazo.
PROTEÍNAS ANIMAIS
JBS
Overview do trimestre: A JBS reportou resultados pressionados no 2T26, em linha com o esperado, com retração anual do EBITDA ajustado e prejuízo líquido, em um ambiente operacional mais desafiador para parte relevante do portfólio. O desempenho refletiu principalmente a normalização das margens de aves, a continuidade do ciclo desfavorável de bovinos nos Estados Unidos e o aumento das despesas financeiras, parcialmente compensados pela melhora de JBS Brasil e pela redução das perdas em US Beef. Apesar da compressão sobre os resultados e a alavancagem acima do intervalo perseguido pela administração (cia não possui covenants financeiros), o perfil de crédito da JBS permanece sólido e sustentado pela diversificação entre proteínas e geografias, pela liquidez elevada, pelo amplo acesso aos mercados de capitais e pelo perfil alongado de amortizações. Para o segundo semestre, o foco deve permanecer na gestão do capital de giro e na disciplina de alocação de capital.
MBRF
Overview do trimestre: A MBRF apresentou resultado positivo no 2T26, sustentado pelo desempenho da BRF e pela diversificação
entre proteínas e geografias, que compensaram o ambiente ainda desfavorável para o negócio de carne
bovina nos Estados Unidos. O principal ponto de atenção foi o consumo de caixa no trimestre,
principalmente associado à sazonalidade dos estoques. Nesse contexto, a alavancagem para fins de
covenant aumentou para 3,3x, ante 2,5x no 2T25, mas permaneceu abaixo do limite de 4,75x. A liquidez
continuou suficiente para cobrir os vencimentos de curto prazo e, apesar das amortizações previstas para
os próximos anos, avaliamos que a companhia deverá manter capacidade de refinanciamento, sustentada
por seu acesso recorrente aos mercados de crédito e capitais. Olhando à frente, a redução da alavancagem
dependerá da recuperação da geração de caixa em um cenário ainda pressionado pelo ciclo desfavorável
da operação bovina nos Estados Unidos e por condições menos favoráveis para aves, diante da queda dos
preços do frango e da elevação dos custos dos grãos.
Minerva
Overview do trimestre: A Minerva apresentou resultados neutros no 2T26, em linha com o esperado, com recuperação sequencial dos resultados no 2T26, embora a rentabilidade tenha permanecido pressionada pelo aumento do custo do gado no Brasil no comparativo anual. O principal ponto do resultado foi o maior consumo de capital de giro, associada à dinâmica comercial com a China, que limitou a geração de caixa e elevou a alavancagem no trimestre. Em contrapartida, a posição de liquidez, o alongamento da dívida e a diversificação geográfica conferem flexibilidade para atravessar o momento mais desafiador do ciclo pecuário brasileiro. Para o segundo semestre, a conversão do capital de giro em caixa, a evolução das margen
SANEAMENTO
Aegea
Overview do trimestre: A Aegea apresentou resultado neutro no trimestre. De um lado, observa-se a continuidade do consumo de caixa, reflexo do ciclo intenso de investimentos nas concessões que estão na etapa mais sensível da curva de universalização. De outro, esse Capex tem se convertido em maior EBITDA Societário Ajustado, que saltou de R$ 978,9 milhões no 2T25 para R$ 1,4 bilhão no 2T26 (+47,2% A/A). Destaca-se também a aprovação do aporte de capital de R$ 2,1 bilhões na holding, a ser efetivado ao longo do 3T26. A medida afasta a Companhia de um rompimento de covenant no curto prazo, uma vez que a relação Dívida Líquida/EBITDA potencialmente apresentará redução de cerca de 0,2x.
Iguá
Overview do trimestre: A Iguá Saneamento reportou um resultado fraco neste trimestre. A geração de caixa operacional após o pagamento de juros foi negativa em R$ 146,8 milhões, com o EBITDA Ajustado pós-IFRS 16 de R$ 335,6 milhões sendo insuficiente para cobrir o resultado financeiro ajustado de R$ 341,8 milhões. Como contraponto a esse desempenho financeiro pouco inspirador, destacamos o aporte de capital de R$ 700 milhões, acompanhado por todos os acionistas, para dar suporte à estrutura de capital da Companhia neste momento de maior demanda por investimentos e expansão das atividades no Rio de Janeiro e em Sergipe.
Sabesp
Overview do trimestre: A Sabesp reportou um resultado neutro neste trimestre. O EBITDA ajustado pós-IFRS 16 apresentou queda anual de 5,5%, de R$ 3,6 bilhões para R$ 3,4 bilhões, com a margem contraindo 6,9 p.p. A/A, para 33,3%. O resultado operacional foi impactado por maiores custos e despesas com serviços de terceiros, reflexo da implementação de uma estratégia comercial com maior foco no cliente final, e pela compra de materiais de tratamento, que se elevaram devido à inflação de preços. Por outro lado, na perspectiva de crédito, a Companhia segue com métricas robustas: a geração de caixa livre antes de dividendos e JCP somou R$ 1,4 bilhão.
BRK
Overview do trimestre: A BRK Ambiental reportou um resultado neutro neste trimestre. Por um lado, o resultado operacional continua a apresentar desempenho saudável, com a tarifa média registrando ganho real na comparação anual e o PMSO ajustado crescendo de forma controlada (+3,0% A/A). Por outro lado, a continuidade do cenário em que os investimentos superam a geração de caixa operacional após pagamento de juros segue elevando a dívida líquida e pressionando a alavancagem. Seguindo a metodologia adotada nos covenants da Companhia, a métrica dívida líquida/EBITDA encerrou em 6,0x (-0,3x A/A), ante um limite permitido de 6,5x.
Rio+
Overview do trimestre: A Rio+ Saneamento reportou um resultado fraco neste trimestre. A geração de caixa operacional após o pagamento de juros foi negativa em R$ 102,5 milhões, com o EBITDA Ajustado pós-IFRS 16 de R$ 28,5 milhões sendo insuficiente para cobrir o resultado financeiro ajustado de R$ 74,9 milhões. Como alento a esse cenário financeiro mais desafiador, a evolução do faturamento líquido, por meio de reajustes da tarifa média e adições de novas economias ativas, combinada a uma disciplina de custos, permitiu que o EBITDA ajustado pós-IFRS 16 multiplicasse por quase sete vezes na comparação anual, de R$ 3,7 milhões para R$ 28,5 milhões.
SAÚDE
Dasa
Overview do trimestre: No 2T26, a Dasa seguiu apresentando indicadores financeiros pressionados, com queda do EBITDA pré-IFRS16, margens comprimidas e aumento da alavancagem, apesar de uma base de comparação forte impulsionada por desinvestimentos no 2T25. Embora a Companhia tenha retomado a geração de caixa operacional, a redução da cobertura de juros e da posição de caixa indicam menor flexibilidade. As operações de refinanciamento realizadas após o período aliviaram a pressão de curto prazo, mas a recuperação da rentabilidade e a manutenção da geração de caixa seguem sendo os principais desafios para a melhora dos resultados.
Hapvida
Overview do trimestre: A Hapvida divulgou resultados negativos no 2T26. Apesar da continuidade do crescimento da receita e da manutenção de liquidez ainda robusta, o trimestre foi marcado por uma deterioração operacional relevante, com aumento da sinistralidade e de sinistros judiciais, sendo refletida em forte compressão das margens e redução do EBITDA. Como consequência, observa-se um novo avanço da alavancagem, especialmente sob a ótica pré-IFRS16, ainda que o indicador para fins de covenant esteja abaixo do limites estabelecido. Como pontos de monitoramento, destacam-se a evolução da sinistralidade, do número de beneficiários e implementação da reestruturação operacional anunciada no início do ano pela Companhia.
Rede D’Or
Overview do trimestre: A Rede D’Or reportou um 2T26 positivo, com crescimento operacional consistente, expansão de margens, forte geração de caixa e manutenção de uma alavancagem confortável. O trimestre foi marcado pela combinação de crescimento das operações hospitalares, evolução da base de beneficiários da seguradora e redução da sinistralidade, fatores que contribuíram para o avanço da rentabilidade e da geração de caixa. Como contraponto, o endividamento bruto continuou crescendo para suportar o plano de expansão orgânica da Companhia, embora ainda permaneça confortável.
Oncoclínicas
Overview do trimestre: A Oncoclínicas reportou um 2T26 bastante desafiador, ainda refletindo os impactos das restrições de liquidez enfrentadas pela Companhia ao longo do semestre. O período foi marcado pela continuidade dos efeitos do desabastecimento de medicamentos iniciado em março, que comprometeu o volume de tratamentos realizados e pressionou a receita. Apesar dos esforços de reestruturação operacional, redução de custos e renegociação, os indicadores operacionais e financeiros permaneceram fragilizados, enquanto a estrutura de capital segue bastante pressionada. Após o fechamento do trimestre, a Companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial, cujo processamento foi deferido pela Justiça em agosto.
TRANSPORTES
Localiza
Overview do trimestre: Em linhas gerais, a Localiza apresentou um trimestre positivo. A agenda de aumento de tarifas, combinada à expansão da eficiência operacional, continuou entregando resultados no segundo trimestre de 2026. A taxa de utilização em RAC (Locação de Veículos) encerrou em 81,9% (+3,3 p.p A/A.), enquanto a vertical de GTF (Gestão de Frotas) registrou 96,7% (+0,9% p.p A/A). Destaca-se também a oferta de troca de dívidas no mercado de capitais realizada em junho de 2026, que movimentou aproximadamente R$ 7 bilhões e permitiu à empresa ajustar seu cronograma de amortização de modo a cobrir todos os vencimentos de principal até 2028.
Movida
Overview do trimestre: A Movida segue em trajetória de recuperação operacional, que tem se refletido em uma melhora pontual nas métricas de crédito. O LTV, métrica que compara o Endividamento Líquido, com o Valor da Frota, apresentou melhora, com redução de 6,9 p.p. na comparação anual, atingindo 83,8%, atrelado a esta melhora, houve uma expansão do EBIT Ajustado, que passou de R$ 569,1 milhões no 2T25 para R$ 802,6 milhões no 2T26. Cabe destacar que, neste trimestre, a Companhia recebeu o aporte de R$ 750 milhões decorrente da subscrição de ações com participação do BNDESPAR. Com isso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA, conforme covenants, encerrou em 2,5x (-0,4x A/A).
Unidas
Overview do trimestre: A Unidas reportou um resultado neutro neste trimestre. Por um lado, as métricas de crédito apresentaram melhora na comparação anual: o LTV ajustado recuou 2 p.p. A/A, encerrando em 90,2%, e a relação dívida líquida/EBITDA ajustado pré-IFRS 16 caiu 0,4x, de 4,6x no 2T25 para 4,2x no 2T26. Por outro lado, o desempenho operacional foi impactado pela redução da frota locada média na vertical de Gestão de Frotas de Leves, descontinuidade de uma modalidade de serviço na unidade de negócio de Gestão de Frotas de Pesados e pelo crescimento da diária média por carro abaixo da inflação no segmento de Locação de Veículos.
JSL
Overview do trimestre: A JSL apresentou um resultado neutro neste trimestre. As verticais de Serviços Dedicados e Intralog mantiveram o lucro operacional ajustado estável, sendo a primeira favorecida por uma revisão de base de contratos e a segunda impactada por um efeito pontual e não recorrente, enquanto o segmento JSL Digital, que representou 7% do faturamento líquido, apresentou enfraquecimento de margem tanto na comparação anual quanto trimestral, reflexo de um mix de serviços de menor margem devido maior percentual de repasse a parceiros. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA, conforme covenants, encerrou em 2,5x (-0,1x A/A).
Vamos
Overview do trimestre: A Vamos apresentou mais um trimestre positivo, marcado pela continuidade da evolução operacional e pela melhora das métricas de crédito. A ocupação da frota atingiu 89%, a maior desde 2020, acompanhada por uma otimização dos estoques de ativos, que resultou em prazos médios de 1,6 meses para bens novos e 8,0 meses para bens usados. Além disso, a Companhia recebeu o aporte de capital de R$ 600 milhões decorrente da subscrição de ações com participação do BNDESPAR. Com isso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA, conforme covenants, encerrou em 3,0x (-0,4x A/A). Enquanto, a dívida líquida ajusta pré IFRS-16 reduziu em R$ 1 bilhão no comparativo anual.
Simpar
Overview do trimestre: O trimestre foi marcado por avanços operacionais e financeiros no consolidado da Simpar, mas favorecido pelo evento não recorrente do aporte de capital de R$ 2,9 bilhões feito pelo controlador, família Simões, em conjunto com o braço de investimentos do BNDES, o BNDESPAR. Em resumo, um resultado neutro. A dívida líquida ajustada pré-IFRS 16 apresentou uma queda anual de 8,0%, de R$ 51,0 bilhões para R$ 46,9 bilhões. Essa melhora na estrutura de capital, somada à manutenção do EBITDA UDM ajustado pré-IFRS 16 em R$ 15,8 bilhões, fez com que a relação dívida líquida/EBITDA ajustado pré-IFRS 16 encerrasse em 3,0x (-0,2x A/A).
VAREJO
Assaí
Overview do trimestre: No 2T26, o Assaí apresentou um trimestre neutro, sem mudanças relevantes na tese. O Assaí manteve crescimento moderado das vendas, sustentado pelo aumento do fluxo de clientes, desempenho positivo das lojas mais recentes e ganho de participação de mercado, embora ainda refletindo um ambiente de consumo mais desafiador, com pressão sobre o ticket médio. Na rentabilidade, a melhora reportada foi impulsionada por efeitos tributários não recorrentes, enquanto o desempenho operacional ajustado permaneceu praticamente estável. A Companhia continuou apresentando forte geração de caixa sustentada pela evolução operacional, pelo menor nível de investimentos e pela gestão do capital de giro.
GPA
Overview do trimestre: O trimestre foi marcado pelos efeitos da recuperação extrajudicial sobre as operações e por um ambiente de consumo desafiador, refletidos na retração de vendas e na pressão sobre o capital de giro. Em contrapartida, a companhia apresentou evolução de rentabilidade, com melhora das margens e do EBITDA, sustentada pela priorização de canais mais rentáveis, captura de eficiências operacionais e menor nível de investimentos. A expansão de margem também foi beneficiada por efeitos tributários relacionados à alteração do regime de incidência de ICMS em determinadas categorias de produtos.
Grupo Mateus
Overview do trimestre: O Grupo Mateus reportou um 2T26 de desempenho operacional pressionado, refletindo um ambiente macroeconômico mais desafiador para o consumo. Embora a Companhia tenha mantido o crescimento da receita, impulsionado pela consolidação do Novo Atacarejo, o cenário se traduziu em SSS negativo, redução do EBITDA pré-IFRS16 e compressão da margem operacional na comparação anual. Diante desse contexto, a Companhia anunciou medidas voltadas à preservação da rentabilidade e à disciplina na alocação de capital, incluindo uma estratégia mais conservadora de expansão. Apesar das pressões, a Companhia manteve baixa alavancagem e ampla distância em relação aos covenants financeiros.
RD Saúde
Overview do trimestre: A RD Saúde reportou um 2T26 com forte desempenho operacional, sustentado pela continuidade da expansão orgânica da rede, ganhos consistentes de participação de mercado e avanço relevante da estratégia digital. O trimestre também foi marcado por robusta geração de caixa, redução da alavancagem e monetização parcial da venda da 4Bio.
OUTROS
Vero
Overview do trimestre: A Vero reportou um resultado neutro neste trimestre. Por um lado, o fluxo de caixa operacional após pagamento de juros retomou o patamar positivo após um dado fraco no período anterior, de R$ -31,8 milhões no 1T26 para R$ 53,5 milhões no 2T26. Por outro lado, o desempenho operacional segue em trajetória de redução da base de acessos, e a liquidez da empresa continua caminhando para um patamar que desperta atenção: a liquidez corrente permanece em 0,9x. A redução da base de usuários, no entanto, sinaliza uma postura de racionalidade que tem se convertido em ganho de margem, caberá observar as próximas divulgações para avaliar como a Vero reverterá a adversidade financeira em que se encontra.
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