Economia em Destaque: Mudança no regime fiscal causa volatilidade nos mercados, alteramos nossas projeções econômicas

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo


Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Resumo

No cenário internacional, destaque para melhora no mercado de trabalho americano, desaceleração da atividade chinesa e volta de preocupações com a incorporadora Evergrande.

No Brasil, a flexibilização do teto de gastos para acomodar mais gastos sociais parece representar uma mudança de direção na política fiscal brasileira. O mercado reagiu com volatilidade. A taxa de câmbio se aproximou de 5,7 reais por dólar e o Ibovespa teve sua pior semana no ano (queda de 7,3%).

Para a próxima semana, os destaques serão a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), o IPCA-15 e o IGP-M de outubro, dados fiscais e de mercado de trabalho. Na política, o mercado acompanhará a tramitação da PEC dos Precatórios.

Atualizações Covid-19

No Brasil, o número de novos diagnósticos e óbitos voltou a subir, quebrando a tendência de queda de semanas. Houve alta de 6,8% nos novos casos confirmados, chegando a 12.158 frente aos 11.383 da semana anterior, e alta de 12,7% nos óbitos, com 369 contra 327 de semana passada.

72,1% da população brasileira já está vacinada com ao menos a primeira dose, enquanto 51,1% já tomou 2 doses ou dose única da vacina.

Clique aqui para receber por email os conteúdos de economia da XP

Semana agitada no Brasil: novas regras fiscais sugerem cenário mais complexo adiante

Mercado reage a mudança nas regras fiscais. O que vem pela frente?

O governo buscava uma solução para possibilitar a criação do Auxílio Brasil dado orçamento apertado. Após algumas idas e vindas, a opção foi por alterar a regra do teto de gastos, para permitir despesas adicionais no ano que vem. A decisão desagradou parte da equipe econômica, e culminou no pedido de demissão de quatro secretários, entre eles Bruno Funchal, secretário especial do Tesouro e Orçamento e Jefferson Bittencourt, secretário do Tesouro Nacional.

A equipe preferia reduzir outras despesas, ao invés de mudar a regra para permitir o gasto adicional. Faz sentido, uma vez que o país segue com dívida elevada e déficit nas contas públicas. O mercado reagiu mal, com a bolsa acumulando perdas de 7,3%, o câmbio se aproximando de 5,7 reais por dólar e as taxas de juros longas superando 12%. Alguns contratos de juros futuros chegaram a atingir o limite de oscilação no dia.

A proposta de mudança das regras fiscais veio no parecer do deputado federal Hugo Motta, relator da PEC dos Precatórios. Além de restringir o pagamento das sentenças judiciais, o que já era esperado, a proposta altera a regra de correção anual do teto de gastos. Atualmente, a fórmula considera o IPCA acumulado em 12 meses até junho do ano anterior para reajustar o valor do limite. Com a mudança proposta, haveria utilização do IPCA acumulado até dezembro. Segundo estimativas apresentadas pelo relator, a modificação da fórmula de correção do teto de gastos combinada ao limite de pagamento dos precatórios libera R$ 83 bilhões para despesas públicas em 2022.

Este espaço acomodará a extensão do programa de transferência de renda, e um novo auxílio de R$ 400,00 a cerca de 750 mil caminhoneiros autônomos para compensar a elevação do preço do diesel.

A tramitação desta PEC será monitorada de perto pelos mercados.

No final da tarde foram anunciados Esteves Colnago para a secretaria do orçamento e Paulo Valle para o Tesouro Nacional. Dois nomes experientes, que podem ajudar a conter deterioração das expectativas.

Diante da mudança de regras fiscais, mudamos nossas projeções econômicas

Eventos recentes indicam enfraquecimento do arcabouço fiscal vigente no Brasil. Isso significa que os prêmios de risco devem permanecer elevados por mais tempo, sugerindo uma taxa de câmbio mais depreciado, juros e inflação mais elevados.

Publicamos uma nota detalhando nossas novas projeções ( Acesse o relatório completo aqui). A tabela abaixo resume os novos números.

CPI da Pandemia

O relatório final da CPI da Pandemia foi apresentado na segunda-feira e inclui indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por 9 crimes e de mais 65 pessoas. A votação do relatório será feita na próxima semana, e o texto ainda pode receber alterações.

Setor externo: piora da conta corrente em outubro, dinâmica segue positiva em 2021

A conta corrente brasileira registrou um déficit de US$ 1,7 bilhão em setembro (consenso: US$ 1,5 bi). A balança comercial desacelerou para superávit de US$ 2,5 bi, devido ao aumento das importações e de US$ 1,0 bi em operações do Repetro. Na conta de Serviços, as Viagens seguiram com déficit baixo (US$ 0,2 bi), mas devem ver piora a partir de novembro, quando as viagens internacionais serão quase totalmente retomadas. Acreditamos que a demanda será alta mesmo em cenário de Real depreciado como agora (~5,70 por dólar).

Para este mês, o BCB espera déficit de conta corrente de US$ 4,2 bi. Para o IDP, é esperada entrada líquida de US$ 4,0 bi.

Clique aqui para receber por email os conteúdos de economia da XP

Cenário Internacional

Estados Unidos: continua a busca por consenso para dar prosseguimento à agenda econômica de Biden e mercado de trabalho na rota da normalização

Os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos atingiram na semana passada o menor nível desde o início da pandemia, possivelmente refletindo o fim de benefícios governamentais (transferências de renda) instituídos após a eclosão da crise sanitária. As solicitações totalizaram 290 mil, 6 mil a menos em relação à semana anterior e abaixo da média de projeções do mercado (300 mil).

Os dados sugerem que o mercado de trabalho americano tem caminhado gradualmente em direção à normalidade, o que dá mais confiança ao banco central para reduzir os estímulos monetários

No Congresso, democratas continuam procurando alternativas para financiar o Plano das Famílias Americanas em meio a resistência da senadora Krysten Sinema aos aumentos ao imposto de renda para pessoa física, pessoa jurídica e ganhos de capitais. Com calendário apertado antes de que pautas orçamentárias precisem ser retomadas, o embate eleva as tensões no partido democrata. Entre as alternativas estudadas, o noticiário destaca um possível imposto sobre lucro não realizado para bilionários e imposto sobre a recompra de ações.

Do lado da diplomacia, tensões sino-americanas continuam, agora com declaração de Joe Biden de que os EUA sairiam em defesa de Taiwan em caso de um ataque chinês.

Europa: indicadores apontam estabilidade

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto da Zona do Euro recuou no mês de outubro, de 56,2 para 54,3 entre setembro e outubro, (consenso: 55,2). Apesar da queda na comparação mensal, o PMI da região ainda está confortavelmente acima da marca de 50 pontos, que separa crescimento de contração.

A inflação ao consumidor (CPI) de setembro do Reino Unido e da Zona do Euro ficaram em linha com as expectativas, em 2,9% e 3,4%, respectivamente. Os resultados ajudam a reduzir as preocupações de uma reversão iminente dos estímulos monetários na Europa.

Por fim, especialistas em saúde pública pedem restrições imediatas da Covid na Inglaterra, já que o número diário de mortes causadas pela doença atingiu o nível mais elevado desde março. A notícia vem para lembrar que a economia global ainda não está fora de perigo no que diz respeito à pandemia.

China: desaceleração do crescimento no terceiro trimestre e novas preocupações com o setor imobiliário

O crescimento econômico da China no terceiro trimestre recuou para seu ritmo mais lento em um ano, devido à desaceleração do setor imobiliário e à escassez de energia. O PIB cresceu apenas 0,2% em relação ao trimestre anterior, ainda mais baixo do que os (já baixos) 0,4% esperados por analistas de mercado. As vendas no varejo e a produção industrial de setembro também mostraram sinais de fraqueza.

A Evergrande, gigante do setor imobiliário chinês, informou que não conseguiu fechar venda de 50,1% de sua unidade Evergrande Property Services, num acordo que renderia cerca de US$ 2,6 bilhões e ajudaria a empresa a evitar um calote. Sobre o tema, o presidente do banco central, Yi Gang, sinalizou que as autoridades locais podem tomar medidas para conter os riscos impostos pelas lutas da companhia.

Clique aqui para receber por email os conteúdos de economia da XP

O que esperar para semana que vem?

Para a próxima semana, os destaques internacionais serão a reunião do Banco Central Europeu (BCE), que irá decidir sobre a taxa de juros da União Europeia, além da prévia da inflação ao consumidor de outubro e dados do PIB do terceiro trimestre. Nos EUA, divulgação do PIB do terceiro trimestre e deflator do consumo pessoal (PCE) referente a setembro, medida de inflação preferida pelo Fed.

No Brasil, o mercado vai monitorar de perto a tramitação da PEC dos Precatórios, que traz as propostas de mudanças do regime fiscal.

O Comitê de Política Monetária (Copom) irá se reunir na próxima, e nossa expectativa agora é de aumento no ritmo de contração monetária, com alta de juros mais acentuada (de 1,5%, o que resultará em Selic de 7,75%).

Entre os indicadores, destaque para o IPCA-15 e IGP-M de outubro em indicadores de inflação, taxa de desemprego (PNAD) de agosto e geração de empregos formais (Caged) de setembro, além da arrecadação federal do mês de setembro.

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua aqui.
Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Leia também
Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

BM&F Bovespa Autorregulação Anbima - Gestão de patrimônio Autorregulação Anbima - Gestão de recursos Autorregulação Anbima - Private Autorregulação Anbima - Distribuição de Produtos de Investimentos

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

B3 Certifica B3 Agro Broker B3 Execution Broker B3 Retail Broker B3 Nonresident Investor Broker

BMF&BOVESPA

BSM

CVM

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.