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Tudo sobre Renda Fixa em Junho 2022 (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.

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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

No mês de junho, a curva de juros se elevou novamente em todos os vencimentos. No curto prazo, atribuímos ao reflexo das contínuas pressões inflacionárias globais, consequentes indicações de altas de juros tanto nos EUA quanto no Brasil. No longo prazo, está relacionado a preocupações com a política fiscal local, devido principalmente às iniciativas do governo para tentar conter a inflação, como a PEC dos Combustíveis e novos auxílios sociais.

A taxa da NTN-B com vencimento em 2022 apresentou elevação relevante no último mês, refletindo a possibilidade de deflação no período até agosto.

Para os próximos meses, o cenário global permanece desafiador, com inflação alta e expectativas de continuação na elevação de juros por bancos centrais em todo o mundo. Aqui no Brasil, o risco fiscal voltou a ser destaque nas movimentações de juros, principalmente no longo prazo – o que deve continuar. Esperamos que a Selic chegue em 13,75% na próxima reunião do Copom e fique estável até ao final de 2022, e projetamos 8,75% para o fim de 2023.

No Radar

Projeções dos principais indicadores

  1. Esperamos Selic (taxa básica de juros) de 13,75% até o final de 2022 e 9,25% para 2023.
  2. Para inflação, projetamos 7,0% em 2022 e 5,0% em 2023.
  3. Estimamos crescimento de 2,2% para o PIB este ano e de 0,5% para o ano que vem.

Destaques do mês de junho:

  1. A curva de juros se elevou novamente em todos os vencimentos. No curto prazo, atribuímos ao reflexo das contínuas pressões inflacionárias globais, consequentes indicações de altas de juros tanto nos EUA quanto no Brasil. No longo prazo, está relacionado a preocupações com a política fiscal local, devido principalmente às iniciativas do governo para tentar conter a inflação, como a PEC dos Combustíveis e novos auxílios sociais.
  2. A taxa da NTN-B com vencimento em 2022 apresentou elevação relevante no último mês, refletindo a possibilidade de desinflação no período até agosto.
  3. Na segunda quinzena de junho, o Copom decidiu por elevar a Selic em meio ponto percentual, para 13,25%. Houve também indicação de nova indicação de igual magnitude na reunião de agosto, podendo chegar então a 13,75%.

Como agir?

  1. Continuamos enxergando a necessidade de cautela em relação ao prazo do investimento, com cuidado para alongamentos relevantes.
  2. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic. Mantivemos as alocações recomendadas similares ao mês passado.
  3. Recomendamos também uma pequena parcela de ativos prefixados, que apresentam hoje taxas atraentes. Porém, dado o ambiente de incertezas, recomendamos para aplicações curtas (menos de três anos) e que sejam levadas até o vencimento.
  4. No caso de investimentos de prazos um pouco mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA). Esta estratégia é reforçada com aumento de nossa projeção de inflação em 2023.
  5. Trazemos indicações de alocação em nosso relatório Investindo na Renda Fixa: Julho 2022.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

Devido à paralização dos servidores do Banco Central, não há dados atualizados sobre a captação da Poupança no mês de maio. Nos quatro primeiros meses do ano, o balanço havia sido negativo (resgates maiores do que aplicações) em R$ 63 bilhões.

Considerando a taxa Selic em 13,25%, a aplicação em caderneta de poupança se torna cada vez menos atraente em relação a outros investimentos.
Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em maio (último dado disponível) houve captação líquida de R$ 1,8 bilhão. O principal ativo comprado por investidores continuou sendo o Tesouro Selic, com mais de 55% das vendas, devido à elevação na taxa básica de juros, seguido de Tesouro IPCA+ com 32,7%.

O número de investidores cadastrados no programa teve acréscimo de 561 mil novos entrantes, acelerando em relação aos últimos meses.

Nos investidores mais atuantes no Tesouro Direto o destaque são para os mais jovens, cujo percentual dos investidores abaixo de 25 anos é de 37% do total.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

Os títulos do Tesouro Direto tiveram rentabilidade majoritariamente negativa no mês de junho, novamente. Apenas os títulos Tesouro Selic 2025 e 2027, normalmente mais estáveis pela sua remuneração pós-fixada, e o Tesouro IPCA+ 2026, encerraram com valorização no mês.

No caso dos títulos prefixados ou indexados à inflação (IPCA+), houve desvalorização nos preços, principalmente para os vencimentos mais longos. O comportamento foi visto outras vezes nos últimos meses e reflete o aumento de taxas negociadas, devido a fatores externos e internos, como indicados no início do relatório. O Tesouro IPCA+ 2045 (sem juros semestrais), por exemplo, desvalorizou 4,8% no mês de maio e já acumula mais de 22,5% de queda em 12 meses.

Acompanhe os movimentos e as taxas negociadas no Tesouro Direto diariamente.

Quando ocorrem valorizações nos títulos, enxergamos que podem representar oportunidades de ganhos de capital para quem já possui os ativos, uma vez os preços dos títulos subiram. No entanto, vale ponderar se a realização dos ganhos é necessária neste momento ou quais as alternativas de alocação deste montante.

Por outro lado, desvalorizações podem representar oportunidade de compra de títulos a taxas mais elevadas, desde que faça sentido para a composição da carteira do investidor. Vale reforçar que, neste momento, cautela é a palavra-chave, dado o ambiente de incertezas em que estamos inseridos.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Em junho, houve aumento de estoque da maioria das emissões bancárias, o que pode indicar maior volume de emissões pelas instituições financeiras, após período de estabilidade nas captações. Repetindo a tendência dos últimos meses, a exceção foram as Letras de Câmbio (LC).

Os principais destaques positivos em relação ao mês anterior foram nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), com aumento de 7,0% e Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), cujo estoque cresceu 5,5%.

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Secundário

Em junho, tanto debêntures quanto CRAs apresentaram elevação em seu estoque valorizado, o que pode indicar maior volume de emissões e/ou menor volume de vencimentos desses ativos. Já no caso de CRIs, houve redução no estoque valorizado em relação ao pico de R$ 162 bilhões de maio.

Mercado Primário

Fonte: Anbima. Elaboração: XP.

A emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 21 bilhões no mês de junho, queda de 2% ante maio. O prazo médio das emissões caiu novamente, para 5,2 anos, ficando abaixo da média do ano, de 6,6 anos.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 1,7 bilhão em junho. Foram quatro emissões no total, sendo duas do setor de energia (AES Cajuína e Cemig-D), uma do setor de telecom (Mob Participações) e uma de terminais (Ageo Leste).

Mercado secundário

Fluxo

Nesta seção, analisamos os dados da Anbima de negociações definitivas de crédito privado, realizando um filtro cujo spread (diferença) entre os preços máximo e mínimo negociados representam mais do que 0,01% do volume negociado no dia, com o intuito de descartar o que acreditamos serem as operações diretas dentro de instituições.

No mês de junho, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 25,1 bilhões, sendo R$ 15,7 bilhões em não incentivadas e R$ 9,4 bilhões em incentivadas. O principal destaque em não-incentivadas foi a debênture da CBD (CBRDA8) e em incentivadas a debênture da Entrevias (ENTV12).

No caso dos certificados de recebíveis, para os CRIs, o volume de negociação foi de R$ 3,0 bilhões, com destaque para o CRI da General Shopping III. Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 4,2 bilhões, sendo o principal ativo negociado um CRA JBS.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.
Leia mais aqui.

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificação de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

No mês de junho, tivemos uma sinalização positiva nas classificações de crédito, que pode ser vista na diferença de volume de elevações de ratings contra volume de rebaixamentos.

Além disso, mudanças de perspectiva, que indicam a direção das notas nos próximos meses, apresentaram tendência positiva, o que significa que as agências diminuíram as suas prováveis revisões para baixo nas notas de crédito para os emissores e/ou elevaram a probabilidade de elevações.

Fonte: Fitch Ratings, S&P Global Ratings e Moody’s Local | Elaboração XP

Próximos vencimentos de Debêntures

Dentro dos próximos seis meses, destacamos o mês de agosto com a maior concentração de volume de debêntures a vencer, com cerca de R$ 7,5 bilhões em estoque atual e sendo mais que o dobro da média dos cinco meses anteriores.

Nos próximos três meses, considerando vencimentos a partir do dia 7 de julho até 30 de setembro, são aproximadamente R$ 15,1 bilhões de estoque em debêntures para vencer. Pode-se esperar que parte do volume a vencer seja refinanciado, voltando ao mercado na forma de novas emissões de crédito privado.

Veja como funcionam as ofertas públicas de crédito privado.

No mês de julho, são esperados R$ 2,7 bilhões em vencimentos de debêntures. O principal vencimento em volume é uma debênture comum da Ipiranga (IPPT16) emitida em 2017.

Relatórios publicados

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
Fitch Ratings
Moody’s
S&P Global Ratings
B3

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Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.

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