O que é “rating” e para que ele serve

Notas dadas por agências classificadoras de risco vão de ‘AAA’ a ‘D’ e isso pode ter impacto direto nos seus investimentos.

access_time 13/06/2019 - 18:03
format_align_left 5 minutos de leitura

Já reparou que quando você vai escolher um investimento em renda fixa aparece uma coluna com o rating daquele ativo? Muita gente fica em dúvida sobre o significado de rating, e mais ainda sobre a sua função na hora de investir.

Mas e aí, o que é um rating?


O rating nada mais é do que uma nota que uma agência classificadora de risco atribui a um governo, empresa ou emissão. Há também ratings de projetos, bancos, seguradoras, fundos e créditos estruturados. Para simplificar a explicação, utilizaremos exemplos de empresas.

As agências seguem um processo de análise para chegar ao rating das empresas, chamada de análise fundamentalista. O analista começa analisando o ambiente macroeconômico ao qual a empresa está mais exposta (país ou região), a indústria em que atua e, por fim, as características do negócio da empresa, a governança e aspectos financeiros. Após essa análise, chega-se ao rating.

O rating é dado em forma de letras, que compõem uma escala que vai de ‘AAA’ (mais alto) a ‘D’ (mais baixo). E o que essa nota mede é a capacidade e disposição da entidade em questão de honrar com suas obrigações com os credores em sua totalidade e tempestivamente. Funciona assim: quanto maior o risco de não-pagamento, menor o rating e vice-versa.

As três principais agências globais de classificação de risco são a Fitch Ratings, Moody’s e S&P Global Ratings. Todas baseiam suas análises em metodologias próprias, que são disponíveis ao público em geral.

Há diferenças nas escalas de cada agência, que podem ser vistas no quadro seguinte, com a comparação entre os ratings em escala global de cada uma.

Alguns conceitos interessantes são o de “grau de investimento” e “grau especulativo”, o de “escala global” e “escala nacional” e o de “rating corporativo” e “rating de emissão”.

Grau de investimento são os ratings acima de ‘BBB-’ em escala global, o que significa que são menos arriscados. Abaixo disso, são os ratings com grau especulativo, com maior risco de calote. Esses conceitos não são aplicáveis a ratings em escala nacional.

Mas o que são essas escalas?

Escala global é aquela que permite comparação entre entidades de diferentes regiões e indústrias. Ou seja, uma empresa varejista com rating ‘BBB’ em escala global no Brasil deve ter a mesma capacidade de pagamento de suas dívidas que uma empresa de energia elétrica ‘BBB’ em escala global nos Estados Unidos. Sendo assim, os ratings são medidas comparativas, não absolutas. As agências fazem suas análises para definir o rating em escala global (nem sempre publicada).

Em geral, o rating que vemos acompanhando as informações de investimentos no Brasil são aqueles em escala nacional.

Essa escala é apresentada como “brXXX” no caso de entidades brasileiras e compara a capacidade de pagamento somente entre empresas do Brasil. Ou seja, uma empresa ‘brAAA’ não tem, necessariamente, a mesma capacidade de honrar com suas obrigações do que uma empresa ‘AAA’ em outras jurisdições. Lembrando que ratings acima de ‘brBBB-’ não são considerados grau de investimento, uma vez que esse conceito não existe para a escala nacional!

Ainda no universo relacionados a empresas, há ratings corporativos e ratings de emissão. Os ratings corporativos se dão com base em uma análise da empresa que está emitindo a dívida. Ou seja, qual o risco de aquela empresa em questão não honrar com suas obrigações e, no limite, quebrar.

Já o rating de emissão tem como objetivo indicar qual o risco de o credor não receber os pagamentos relacionados àquela dívida específica. Ele deriva do rating corporativo e pode ser até dois degraus abaixo daquele atribuído à empresa emissora, a depender do grau de subordinação daquela dívida.

Quem define quais empresas terão rating?

As empresas contratam as agências classificadoras para que as avaliem e atribuam os ratings. Com isso, conseguem embasar melhor a estruturação de suas dívidas, atingindo um custo de dívida condizente com seu risco. Além disso, diversos fundos de investimentos possuem restrições a investimentos sem rating ou com rating abaixo de um nível determinado. Por fim, o rating ajuda o investidor final a entender o risco do emissor. Sendo assim, as empresas têm incentivo a contratar as agências e divulgar seus ratings.

Por outro lado, vale lembrar que essas contratações de ratings representam uma despesa para as empresas. Por isso, é mais comum que empresas grandes tenham rating do que as pequenas.

E qual o efeito prático disso tudo?

Bom… Um investidor, em geral, requer tanto maior retorno do investimento quanto maior o risco que estiver correndo. Sendo assim, empresas com ratings mais baixos emitirão dívida a taxas mais altas para compensar esse risco mais elevado.

Portanto, na hora de escolher seu investimento, atente-se a essas letras e também à remuneração do investimento. E lembre-se: sempre em termos comparativos.

Em tempo: o rating não é uma recomendação de compra ou venda. Ele apenas indica o quão arriscado um investimento é, na visão de cada agência classificadora. Deve ser usado como mais um elemento para a tomada de decisão de investimento.

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