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IPCA + 12%? Os riscos e oportunidades da NTN-B 2022

Os títulos de renda fixa IPCA+ despertam o interesse dos investidores quando a inflação está elevada. Vale entender como decidir pelo investimento em títulos curtos.

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  • Em momentos de inflação elevada, títulos de renda fixa IPCA+ chamam a atenção de investidores.
  • Devido ao cenário incerto e de alta volatilidade no curto prazo, os títulos públicos atrelados à inflação apresentaram forte elevação em suas taxas recentemente, chegando a IPCA + 12%, e atraindo ainda mais novas aplicações.
  • A oportunidade parece clara, porém mesmo títulos de curta duração apresentam riscos, como aqueles relacionados ao custo de oportunidade, à necessidade de reinvestimento quando do seu vencimento, além de terem alíquota de imposto de renda mais alta.
  • A decisão por investir ou não dependerá de cada investidor, e pode ser uma boa alternativa, desde que considerados seus riscos e contexto de cada carteira.

Os investimentos em renda fixa, assim como todos os outros, apresentam riscos (embora muitos pensem o contrário). Estes riscos podem variar de acordo com o prazo do ativo, o emissor, o tipo de remuneração e assim por diante.

Recentemente, destacamos em artigo o prazo como um fator de risco importante – naquele caso, o longo prazo. Os holofotes dos investidores seguem voltados para opções de investimentos que protejam suas carteiras da inflação, que segue alta e pressionada. Os títulos Tesouro IPCA+ ou NTN-B (título do Tesouro Nacional indexado à inflação) costumam ser os títulos de renda fixa mais procurados para cumprir esse papel de proteção, assim como os títulos privados e emissões bancárias também indexadas ao IPCA.

No entanto, se antes os títulos de prazos muito longos geraram a necessidade de destacar seu funcionamento, a rápida elevação nas taxas de papeis curtos – e sua consequente atratividade por parte dos investidores – também traz à tona a importância de se ressaltar os riscos de investimentos em ativos de curto prazo – além da clara oportunidade.

Leia aqui nosso artigo: Títulos longos de inflação (IPCA+): vale a pena investir?

As taxas curtas estão altas – mas vale entender o porquê

Há alguns meses, tem sido possível observar taxas de juros de curto prazo mais elevadas do que taxas de longo prazo – fenômeno conhecido como “curva de juros invertida“. A alta tem relação com as expectativas do mercado para a inflação, que continuam altas, e a consequente necessidade de atuação do Banco Central para controlá-la, o que envolve elevação de juros. Ao mesmo tempo, temos visto também a alta do juro real (prêmio pago nos títulos atrelados à inflação – NTN-B), que fica ainda mais evidente ao se comparar o cenário atual com seis meses atrás:

Pode-se notar, portanto, que atualmente os títulos soberanos brasileiros indexados ao IPCA de vencimento ainda em 2022 pagam remunerações em torno de IPCA + 12%, ao passo em que títulos mais longos, como a NTN-B 2035, pagam cerca de IPCA + 5,5%. Para muitos investidores, a escolha pela NTN-B 2022 parece óbvia, dada a elevada taxa. Porém, os riscos não podem ser desconsiderados.

Do IPCA + 5% ao IPCA + 12% em um mês

A evolução do prêmio pago pela NTN-B 2022 foi relativamente rápida: há seis meses, este mesmo título oferecia remuneração de IPCA + 5,7% para os investidores. E a regra dos investimentos é simples: se há maior retorno, necessariamente o risco é maior.

Neste período, a guerra na Ucrânia e o lockdown na China vieram na esteira de uma inflação global já alta após dois anos de pandemia e a pressionaram ainda mais, com elevação nos preços de commodities (incluindo, claro, combustíveis) e problemas na cadeia de suprimento mundial. O IPCA, aqui no Brasil, chegou a 11,7% nos últimos 12 meses encerrados em maio e o CPI, índice de inflação norte-americano, atingiu 8,6% no mesmo período, a maior desde 1981.

Aqui no Brasil, a dinâmica inflacionária continua a preocupar, particularmente em ano de eleição presidencial, o que passou a gerar discussões no governo sobre como controlá-la. Algumas das propostas foram:

  • PLP 18/22: considera, para fins de tributação, que os combustíveis, a energia elétrica, as comunicações e o transporte coletivo são itens essenciais e, portanto, devem ter ICMS máximo de 17% ou 18%.
    • Aprovado pelo Congresso no dia 15 de junho
  • Zeragem de impostos federais (PIS/Cofins/Cide) sobre gasolina e etanol até 31 de dezembro (o diesel já havia sido zerado em março).
    • Aprovado pelo Congresso no dia 15 de junho
  • Compensação para estados que zerarem o ICMS sobre o diesel e gás de cozinha (apenas do 18% ao zero).
    • Aprovada, quando a perda de arrecadação passar de 5% em relação à de 2021.

Pacote dos combustíveis avança no Congresso

As iniciativas levarão, possivelmente, a uma queda temporária na inflação, porém de duração muito curta na visão do mercado, que passou a refletir a expectativa de que já em 2023 este alívio deixaria de existir, o que levaria o Banco Central a continuar buscando o controle do IPCA no próximo ano. Além disso, trouxe à tona outro risco: o de aumento de gastos públicos no futuro (o conhecido “risco fiscal”).

Por este motivo, inclusive, a curva de juros em alguns momentos das últimas semanas se movimentou no sentido de reduzir as expectativas de juros para o curto prazo, porém elevando as perspectivas para prazos mais longos.

A oportunidade existe, porém a volatilidade continua

Quando falamos de um título que vai vencer em 40 dias úteis, o tipo de risco que encontramos é diferente de um título que vai vencer em 40 anos. Enquanto o ativo de prazo mais longo pode ficar significativamente negativo devido à marcação a mercado e tem risco de calote mais alto (afinal, em um prazo tão longo, é difícil prever o que vai acontecer), o mais curto tem como principal risco ter uma rentabilidade menor do que o CDI do período (que seria a opção mais conservadora disponível).

Até a tramitação do pacote que inclui o PLP 18/22 e a PEC dos Combustíveis, o IPCA estimado até o vencimento deste título era de cerca de 8% (anualizado). Essas medidas têm forte impacto deflacionário (ou seja, de reduzir a inflação), podendo tornar o IPCA do período inclusive negativo, o que tornaria a rentabilidade do título analisado mais baixa do que o CDI do período.

Acreditamos que no período de dois meses entre hoje e o vencimento da NTN-B 2022, o CDI deva ser de 2,0% (equivalente a uma taxa anualizada de 13,2%). A taxa negociada deste título atualmente é de IPCA+12% ao ano. Caso o IPCA anualizado do período seja 1,2%, a NTN-B 2022 vai render exatamente igual ao CDI estimado do período (ou seja, 1,2% + 12% = 13,2%). Caso o IPCA seja maior do que esta taxa, a NTN-B 2022 vai “ganhar” do CDI, e vice-versa.

Portanto, a rentabilidade da NTN-B 2022 vai depender do IPCA do período para superar ou não o CDI, e esse IPCA depende, além dos fatores usuais que impactam a inflação, do tamanho do repasse das medidas para o consumidor final. Em outras palavras, é difícil estimar se toda a desoneração fiscal vai chegar ao consumidor final na forma de redução de preços e, devido a esta incerteza, a NTN-B 2022 ganha caráter especulativo nessa sua reta final.

Não esqueça do risco de reinvestimento e do IR!

Além do efeito que o cenário macroeconômico impõe sobre as taxas, é preciso estarmos atentos a duas questões adicionais: o risco de reinvestimento e a alíquota de imposto de renda.

O risco de reinvestimento é o risco de o investidor não conseguir reinvestir seus recursos em uma aplicação com condições iguais ou melhores que a aplicação inicial em caso de resgate, vencimento, venda ou pagamento de juros daquele ativo. Quando há concentração grande de títulos curtos na carteira do investidor, há a constante necessidade de realocação destes recursos, o que não é recomendável.

Por isso, é importante ter o próximo passo muito bem planejado, ou seja, o que será feito com o recurso logo na sequência desse investimento. Então é preciso ter segurança sobre a oportunidade, que pode ser pontual e única, e entender que nem sempre conseguirá fazer vários desses “tiros curtos” ao longo do tempo.

Já a alíquota de imposto de renda para prazos muito curtos é a mais alta da tabela regressiva de imposto de renda – quanto menos tempo o investidor mantém o ativo, maior o percentual de imposto que paga.

Ou seja, para realizar a comparação correta de rendimento dos ativos, o ideal é subtrair o imposto a ser pago e comparar rentabilidades esperadas em termos líquidos. Sendo assim, vemos o custo tributário como algo que pode mascarar uma rentabilidade aparentemente atrativa.

Por fim, há ainda o próprio risco de mercado, que pode fazer com que o retorno da parcela pós fixada (IPCA) do título, corroa a alta taxa prefixada que está sendo ofertada – mas este risco é significativamente mais baixo para títulos de curto prazo.

Devo investir em um título curto neste momento?

Sabemos que investir, para a grande maioria das pessoas, é uma jornada de longo prazo. Os investidores deveriam definir suas alocações nas diferentes classes de ativos e indexadores, no caso da renda fixa, seguindo as políticas de investimentos que mais se adequem aos seus objetivos de retorno e risco, além do horizonte de investimento. Em nossas carteiras recomendadas, por exemplo, temos sugerido uma alocação relevante em renda fixa indexada à inflação (IPCA+), porém com uma preferência por títulos com vencimento entre 2026 e 2035. O que não quer dizer que não devemos olhar para oportunidades pontuais de curto prazo.

Movimentos táticos, para capturar oportunidades pontuais de curto prazo que o mercado apresente, seja no mercado de ações ou até mesmo em renda fixa, são importantes e devem sim ser analisadas para, quem sabe, turbinar o retorno da sua carteira. Entretanto, quanto mais curto for “o tiro”, maior deve ser o cuidado com os riscos, pois em prazos mais curtos, na maioria das vezes não há muito tempo de reação, ou seja, de você fugir de grandes oscilações de preços e/ou de outros riscos. Ainda mais em um cenário macroeconômico difícil, principalmente em assuntos que afetam a curva de juros brasileira, tais como os comentados neste relatório.

Em linhas gerais, sem euforia e com estratégia, consideramos que todas as opções de investimentos mais oportunísticas, de curto prazo, devem ser analisadas se podem trazer ganhos adicionais para o portfólio dos investidores. A renda fixa, com movimentos táticos, pode até trazer retornos superiores à renda variável em alguns casos. Só é preciso fazer contas e sempre se questionar sobre a real relevância desse investimento na sua carteira.

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Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.

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