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Tudo sobre Renda Fixa em Fevereiro 2022 (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.

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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de fevereiro, a curva de juros futuros apresentou abertura em toda a sua extensão. O movimento foi provocado, principalmente, pela escalada na percepção de risco global após a invasão da Ucrânia pela Rússia. O início da guerra marcou a imposição de diversas e durar sanções sobre a economia russa, o que tem reflexos sobre a economia global, elevando as já altas pressões inflacionárias. Essa dinâmica de juros impactou negativamente os títulos prefixados e IPCA+ do Tesouro.

Mais uma vez, os resgates na caderneta de poupança sinalizando uma pressão sobre a renda e poder de compra dos brasileiros, devido ao ambiente de inflação elevada e desemprego. O volume de emissões de debêntures incentivadas se manteve ainda baixo como em janeiro. Adicionalmente, os volumes de negociações de debêntures, CRIs e CRAs aumentou de janeiro para fevereiro. Nas ações de ratings, sinais equilibrados de elevações e rebaixamentos, mas com destaque para a melhora nas classificações de crédito para empresas ligadas ao agronegócio e commodities.

Para os próximos meses, o cenário ainda mais difícil para a economia global, incluindo a brasileira, deve levar a altas de juros por parte dos bancos centrais, em linha com o que já era sinalizado. Aqui no Brasil, esperamos agora que a Selic termine o ano em patamar mais alto do que projetávamos anteriormente, chegando a 12,75% ao final de 2022 e 8,25% em 2023.

No Radar

Destaques do mês de fevereiro:

  1. A curva de juros foi fortemente impactada pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que elevou a já alta pressão inflacionária global.
    • Com isso, os títulos de renda fixa prefixados e atrelados à inflação sofreram novas perdas com marcação a mercado.
  2. Como reflexo destes novos riscos, nosso time de Economia da XP revisou suas projeções para os indicadores em 2022 e 2023. Esperamos:
    • Selic em 12,75% em 2022 e 8,25% 2023.
    • IPCA de de 6,2% em 2022 e 3,8% em 2023.
    • Crescimento do PIB de 0,0% em 2022 e 1,2% em 2023

Como agir?

  1. O momento requer cautela em relação ao prazo do investimento: busque prazos de médio a curto, dada a incerteza à frente.
  2. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic. Mas reduzimos levemente a proporção pelo surgimento de oportunidades em outras classes, como em commodities.
  3. Recomendamos também uma pequena parcela de ativos prefixados, que apresentam hoje taxas atraentes. Esses ativos podem se beneficiar de eventual redução nos juros e inflação esperados em relação à precificação atual na curva. Sugerimos exposição ainda cautelosa a este tipo de remuneração, focando em prazos mais curtos.
  4. No caso de investimentos de prazos um pouco mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA), principalmente frente ao cenário atual de alta dos preços com as tensões geopolíticas.
  5. Trazemos indicações de alocação em nosso relatório Investindo na Renda Fixa: Março 2022.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de fevereiro, a Poupança apresentou captação líquida negativa em R$ 5,3 bilhões. Esse resultado se deu pela soma de depósitos no valor de R$ 260 bilhões (valor igual ao mês passado) contra pedidos de resgates de R$ 265 bilhões, reflexo da contínua pressão sobre a renda e o poder de compra da população, com a inflação ainda alta.

Considerando a taxa Selic em 10,75%, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 0,5% ao mês, essa aplicação é pouco atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em janeiro (último dado disponível) houve captação líquida de R$ 1 bilhão. O principal ativo comprado por investidores continuou sendo o Tesouro Selic, com cerca de 50,5% das vendas, devido à elevação na taxa básica de juros, seguido de Tesouro IPCA+.

O número de investidores cadastrados no programa teve acréscimo de 640 mil novos entrantes e já se aproxima do dobro de investidores cadastrados em janeiro de 2021, com 16,9 milhões de inscritos na plataforma.

Apesar de o número de cadastros estar crescendo, a proporção de investidores que se tornam ativos está decrescendo. No entanto, este fenômeno não tem relação com a atratividade ou não do Tesouro e é uma questão técnica: mais recentemente, corretoras passaram a cadastrar automaticamente seus novos clientes na plataforma do Tesouro, como forma de facilitar o processo. Porém, nem todos os clientes tinham como intenção inicial investir no Tesouro, causando esta distorção nos dados.

Desde janeiro de 2022, a taxa de custódia dos títulos passou de 0,25% para 0,20% ao ano, fator positivo para os investidores.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

Os títulos do Tesouro Direto encerraram em campo negativo, no mês de fevereiro, para as séries prefixadas e indexadas à inflação (IPCA+), em todos os vencimentos a partir de três anos disponíveis para compra na plataforma. O movimento ocorreu devido à elevação das taxas desses títulos após o aumento da percepção de risco global.

Os títulos pós-fixados, Tesouro Selic 2025 e 2027, encerraram com valorização mensal de 0,79% e 1,02%, respectivamente, devido ao ganho com o carrego do título acrescido de um leve fechamento da parcela prefixada.

O Tesouro Direto realizou em fevereiro uma readequação dos títulos disponíveis, alongando alguns dos prazos das séries disponíveis para compra.

Quando ocorrem valorizações nos títulos, enxergamos que podem representar oportunidades de ganhos de capital para quem já possui os ativos, uma vez os preços dos títulos subiram. No entanto, vale ponderar se a realização dos ganhos é necessária neste momento ou quais as alternativas de alocação deste montante.

Por outro lado, desvalorizações podem representar oportunidade de compra de títulos a taxas mais elevadas, desde que faça sentido para a composição da carteira do investidor. Vale reforçar que, neste momento, cautela é a palavra-chave, dado o ambiente de incertezas em que estamos inseridos.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Em fevereiro, continuamos a observar um ritmo de aceleração no estoque de LCIs e LCAs. Com valores menos expressivos, também podemos ver o aumento constante de estoque de Letra Imobiliária Garantida (LIG) dentro da classe das emissões bancárias.

É interessante destacar que o único tipo de emissão que reduziu de estoque de fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2021 foi a Letra de câmbio (LC).

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA) e emissão de debêntures

O estoque de ativos de crédito privado cresceu para os certificados de recebíveis (CRIs e CRAs) de janeiro para fevereiro, porém, com uma queda nas debêntures quando comparado com fevereiro do ano passado.

Vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 7,53 bilhões no mês, quase o dobro do mês de janeiro que teve R$ 3,84 bilhões. O prazo médio das emissões caiu de 6,8 anos para 5,8, no mês contra mês. O encurtamento de prazo de emissões geralmente indica menor apetite a risco pelo mercado, porém a amostragem ainda é pequena para afirmar que este foi o motivo da redução no prazo médio.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 200 milhões em fevereiro. Houve apenas uma emissão, da Usina Santa Adélia (USAS11), do setor de energia.

Mercado secundário

Fluxo

No mês de fevereiro, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 24 bilhões (vs. R$ 22,3 bilhões em janeiro), sendo R$ 15,7 bilhões em não incentivadas e R$ 8,3 bilhões em incentivadas. O principal destaque em debêntures não-incentivadas foi a debênture da Movida (MOVI27) e em incentivadas, a debênture da Holding do Araguaia (HARG11).

No caso dos certificados de recebíveis, o volume foi maior do que o mês passado mesmo com menos dias de negociação em fevereiro. Para os CRIs, o volume de negociação foi de R$ 6,6 bilhões (vs. R$ 6,4 bilhões em janeiro), com destaque para o CRI Estr Bluemacam Catuai 3. Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 4,3 bilhões (vs. R$ 3,4 bilhões em janeiro), sendo o principal ativo negociado um CRA do BTG Pactual Commodities.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.
Leia mais aqui.

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificação de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

No mês de fevereiro, o volume de ações de ratings foi menor do que em janeiro. Destaque para a melhora nas classificações de crédito ligadas ao setor do agronegócio, como BRF, Coruripe, International Meal e Jalles Machado.

Próximos vencimentos de debêntures

Dentro dos próximos seis meses, destacamos o mês de agosto com a maior concentração de volume de debêntures a vencer, com mais de R$ 7 bilhões em estoque atual e sendo mais que o dobro da média dos cinco meses anteriores.

É interessante também observar o volume de emissões a vencer nos próximos três a quatro meses, de cerca de R$ 14 bilhões. As empresas emissoras podem optar por refinanciar suas dívidas, ou seja, realizar novas emissões para pagar as vincendas. Sendo assim, pode-se esperar que parte do volume a vencer nos próximos meses voltará ao mercado na forma de novas emissões.

No mês de março, é esperado R$ 1,6 bilhão em vencimentos de debêntures. O principal vencimento em volume é uma debênture da Odebrecth Transport S.A. (ODPT11), emitida em 2010.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
Fitch Ratings
Moody’s
B3

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Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.

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