Tudo sobre Renda Fixa no mês (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de março, houve a primeira elevação na taxa Selic dos últimos cerca de cinco anos, em 75bps, levando a taxa de juros para 2,75% ao ano. Além disso, o risco fiscal continuou sendo um dos protagonistas no mercado de juros, mantendo a curva inclinada e indicando prêmios de risco elevados, principalmente no longo prazo. Dado o cenário ainda incerto no país, o que inclui o ainda esperado controle da pandemia, revisamos as projeções dos principais indicadores econômicos. No mês, também passamos a incluir ativos prefixados em nossas carteiras recomendadas, tendo em vista a alta expectativa dos agentes para a inflação no futuro.

Para os próximos meses, esperamos que o risco fiscal continue a ser o principal motor das oscilações de juros. Além disso, no curto prazo, devemos acompanhar as discussões em torno da aprovação do Orçamento 2021 pelo governo, o que deve provocar volatilidade no mercado até que se chegue a uma decisão. Espera-se que, na próxima reunião do Copom, em maio, o Banco Central eleve novamente a Selic em 75bps, assim como foi indicado pela autoridade monetária em sua última decisão.

No Radar

Destaques do mês de março:

  1. Na segunda reunião do ano do Copom, a Selic foi elevada para 2,75%, com indicação do Banco Central de novo aumento de 75 bps em maio.
  2. Risco fiscal, evolução da pandemia e elevação das taxas dos títulos norte-americanos foram destaque para a movimentação dos juros no Brasil.
  3. Diante do cenário atual, esperamos Selic em 5,0% em 2021 e 6,5% em 2022 e IPCA de 4,9% em 2021 e de 3,5% em 2022.

Como agir?

  1. Trazemos indicações em nosso relatório Investindo em Abril 2021: Renda Fixa
  2. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic. Incluímos também pequena parcela de ativos prefixados, que podem se beneficiar de redução na inflação esperada.
  3. No caso de investimentos de prazos mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA).

Alocação recomendada

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor para o mês de abril é a seguinte:

Conforme destacado no relatório 5 anos em 5 minutos, o primeiro trimestre de 2021 foi dificílimo para os mercados brasileiros. As 4 principais classes de ativos de risco sofreram perdas no período: Prefixados, medidos pelo IRF-M 1+, Inflação (IMA-B), Multimercados (IHFA) e Renda Variável (Ibovespa) caíram de forma sincronizada.

Ainda segundo o relatório, a Selic em alta deve nos trazer a um patamar de juros mais próximo de nossos pares emergentes, o que deve aliviar um pouco a pressão no câmbio. A chegada mais forte das vacinas e as restrições à mobilidade sendo aplicadas agora também devem controlar melhor a pandemia no Brasil, melhorando nossas perspectivas econômicas.

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de março, a Poupança apresentou novamente resgates líquidos, da ordem R$ 3,5 bilhões. Em comparação com os últimos dois anos, é a primeira vez que a captação é negativa, com resgates superando depósitos. Atribuímos o movimento, principalmente, ao fim do auxílio emergencial em dezembro de 2020. O benefício foi um dos fatores, em nossa visão, que levou a recordes de captação pela poupança no ano passado.

Apesar de o auxílio ter sido retomado em abril, os valores a serem recebidos serão menores do que no ano passado e o número de beneficiários também é menor. Com isso, esperamos que o impacto sobre a poupança continue sendo negativo nos próximos meses.

Considerando a taxa Selic em 2,75%, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 70% desta taxa, essa aplicação continua pouco atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em fevereiro (último dado disponível) houve resgate líquido de R$ 9 milhões. Vale notar, no entanto, que no mês houve vencimento de R$ 123 milhões de títulos IPCA+. Sem este efeito, o Tesouro Direto teria apresentado R$ 114 milhões de captação líquida.

No mês, o principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado. Por outro lado, foi também o ativo mais resgatado.

O número de investidores cadastrados no programa continua crescendo e atingiu 9,9 milhões em fevereiro, evolução de 60% em relação ao mesmo mês de 2020. O número de mulheres alcançou 33% do total de investidores.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de março, todos os títulos negociados no Tesouro Direto, com exceção do Tesouro Selic 2024 e 2027, apresentaram desvalorização, seguindo a abertura na curva de juros observada ao longo do mês, em resposta à contínua elevação na percepção de risco.

Em nosso relatório mensal de investimentos em renda fixa, destacamos três ativos do Tesouro Direto: Tesouro Selic 2024, Tesouro Prefixado 2024 e Tesouro IPCA+ 2026.

Escolhemos o Tesouro Selic para gestão de caixa e reserva de emergência. O Tesouro IPCA+ é uma alternativa interessante e mais conservadora (em caso de manutenção até o vencimento) para proteção da carteira contra o efeito da inflação. Já o Tesouro Prefixado demonstra ser uma boa opção para investidores que buscam este tipo de remuneração, uma vez que o mercado parece precificar alta de juros mais elevada do que esperamos que ocorra de fato.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

O estoque de emissões bancárias permaneceu, novamente, praticamente inalterado em março, o que pode ser explicado pelo fato de os bancos estarem bem capitalizados após fortes captações em 2020, diminuindo a necessidade de novas emissões.

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

O estoque de ativos de crédito privado permaneceu praticamente estável em março em relação a fevereiro, sem destaques. Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados continuam predominando no estoque e foram maioria também em termos de novas debêntures emitidas.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 8,5 bilhões no mês. O prazo médio das emissões subiu de forma significativa, para 7,1 anos. Apesar de a elevação no prazo parecer a princípio uma indicação de maior apetite a risco dos investidores, é necessário acompanhar os próximos meses antes de apontar uma tendência.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 1,2 bilhão em março, sendo duas emissões do setor de energia (Linhas do Xingu Transmissora e Serra do Mel Holding), uma do setor de saneamento (Sanepar), uma do setor de logística (Tequimar) e uma do setor de telecomunicações (Unifique).

Mercado secundário

Fluxo

No mês de março, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 18,4 bilhões (vs. R$ 14,2 bilhões em janeiro).

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 3,1 bilhões. Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 3,5 bilhões, com destaque novamente para o CRA Vamos.

Em nosso relatório mensal de investimentos em renda fixa, destacamos quatro ativos de crédito privado indexados à inflação (IPCA), que enxergamos ter boa relação risco-retorno: Debênture LTTE Out/2038 (LTTE15), Debênture Vamos Nov/2030 (CRA020003PY), Debênture Eneva Set/2035 (ENEV26) e CRI Mateus Fev/2032 (20B0980166).

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de abril, são esperados R$ 5,2 bilhões em vencimentos de debêntures, sendo que a maior concentração do semestre se dará em junho. O principal vencimento do mês é uma debênture da Invepar (IVPR16).

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

Note que pode ser necessário rolar a tabela para visualizar tudo.

No mês de março, houve apenas um rebaixamento de empresas (Restoque), ao passo em que foram diversas as elevações de ratings e, novamente, os novos ratings de emissões, indicando potencial volume mais elevado de novas emissões no mercado nos próximos meses.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
S&P Global
Fitch Ratings
Moody’s
B3

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