Economia em destaque: Compasso de espera por mais estímulos nos EUA, e dados fortes de curto prazo no Brasil

Seu resumo semanal dos principais acontecimentos econômicos no Brasil e no mundo!


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Cenário Internacional

No cenário internacional, a semana começou marcada por preocupações sobre a saúde do presidente norte-americano, Donald Trump, internado em hospital militar para tratar do coronavírus. Com a liberação do presidente anunciada já na própria segunda-feira, após três dias de tratamento, o destaque seguiu para o andamento de um novo pacote de estímulos fiscais. Entre idas e vindas ao longo da semana, incluindo posicionamentos contra e a favor do acordo entre democratas e republicanos por parte de Trump e sua equipe, a sexta-feira encerrou em tom de otimismo em torno de conversas entre o Secretário do Tesouro, Stephen Munchin, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosy.

A importância de uma nova rodada de estímulos foi mais uma vez contextualizada pelo presidente do FED, Jerome Powell, que em discurso essa semana destacou que “a recuperação será mais forte e rápida se as políticas monetária e fiscal seguirem sincronizadas nos estímulos”, apesar de não explicitar a discussão sobre um novo pacote fiscal.

na seara eleitoral, tivemos o debate entre os dois candidatos à vice-presidência dos EUA, Mike Pence (Republicano) e Kamala Harris (Democrata). Os principais temas abordados foram a pandemia, a economia, o racismo e a China. Numa discussão relativamente equilibrada, Harris fez duras críticas à administração da pandemia pelo governo Trump e política econômicas que “favorecem apenas os ricos”, enquanto Pence resistiu ataques com críticas ao histórico de Joe Biden. Não foram discutidos novos temas ou apresentadas novas narrativas, e portanto, não esperamos que o evento altere o cenário eleitoral. Enquanto isso, Trump negou a participação em debate virtual, que seria realizado entre os presidenciáveis na semana que vem.

Ainda no cenário internacional, foi destaque na semana também o aumento de casos de coronavírus no hemisfério norte, e medidas tomadas para conter o avanço de uma segunda onda de contágios. Enquanto a França expandiu restrições para mais cidades, a Espanha decretou estado de emergência em Madri e a cidade de Nova Iorque fechou mais de 50 escolas. Vale destacar que essa nova onda de contágio pelo Covid-19 tem características diferentes e menos alarmantes do que a primeira – pessoas mais jovens, menos mortes e menos hospitalizações. Mas a aproximação do inverno nessas regiões aumenta a cautela.

Finalmente, do lado dos indicadores, dados divulgados ao longo da semana ilustram o contexto de recuperação heterogênea da economia global. Enquanto tivemos fortes resultados nos Índices de Gerentes de Compras do setor de serviços nos EUA e na China, seguem os dados mistos na Zona do Euro. Já na política monetária, o Banco Central Europeu reiterou a intenção de manter a política atual de juros negativos e compra de ativos até que a inflação atinja patamar bem próximo à meta de 2% – reiterando o cenário global de liquidez abundante.

Enquanto isso, no Brasil

O destaque da semana no Brasil ficou novamente para a discussão no âmbito fiscal. Após inúmeras especulações sobre o formato e fontes de financiamento de um novo programa de transferência de renda, a decisão foi de postergar discussões para depois das eleições municipais, cujo segundo turno está marcado para 29 de novembro. Diante do fim das medidas de estímulo fiscal em dezembro desde ano, aumentam as chances de extensão de medidas para além de 2020, como o auxílio emergencial e programas de crédito garantidos pelo Tesouro Nacional.  

Em documento publicado essa semana, o Fundo Monetário Internacional destacou o sucesso das medidas implementadas pelo governo brasileiro para conter o impacto da crise do covid-19 na atividade econômica. Chamando atenção para a potencial necessidade de extensão de medidas de estímulo em caso de piora no quadro de saúde pública no país, o Fundo porém destacou a importância da manutenção do regime do teto de gastos, e as alternativas de flexibilização do orçamento federal por meio de reformas estruturais – em detrimento do aumento irrestrito de gastos, que poderia colocar em risco os ganhos alcançados no combate à pandemia.

Já no lado dos indicadores, a semana trouxe notícias positivas do lado da produção de veículos e vendas no varejo. Dados da Anfavea de setembro mostraram uma forte recuperação do setor automobilístico no terceiro trimestre desse ano, enquanto os dados das vendas no varejo continuaram acelerando em agosto. O recente recorde dos recursos alocados na poupança eleva a probabilidade de que o varejo continue apresentando recuperação acelerada no ano que vem, mesmo com a redução do auxílio emergencial e a possível queda da renda dos indivíduos mais vulneráveis. Ambos indicadores reforçam o viés positivo para o ritmo de recuperação da atividade econômica no curto prazo.

Finalmente, tivemos também a divulgação do IPCA do mês de setembro, que apresentou alta de 0,64% no mês, levando o acumulado em 12 meses para 3,14%. Como esperado, o consumo de alimentos pressionou o índice, mas bebidas e vestuário foram também destaques de alta, com preços de alimentos consumidos em bares e restaurantes acelerando mais do que o esperado. Não obstante, apesar da alta dos núcleos, a inflação segue em patamares historicamente baixos. Portanto, entendemos que o resultado de hoje não deve mudar a avaliação do Banco Central de que os juros devem se manter em patamar estimulativo (projetamos a Selic nos atuais 2,00% ao ano até o terceiro trimestre de 2021).

O que esperar?

A performance do setor de serviços e o índice de atividade econômica referentes a agosto serão os principais destaque da agenda econômica nacional da próxima semana.

Já no cenário internacional, as discussões eleitorais americanas e as discussões relacionadas ao novo pacote de estímulos nos Estados Unidos seguirão no centro das atenções. Também teremos dados de atividade econômica, desemprego e inflação (CPI e PPI) das principais economias.

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