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Economia em Destaque: Preço do petróleo recua com possível acordo no Oriente Médio

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

Trump afirmou ter chegado a um “grande acordo” com Teerã, prevendo a reabertura do Estreito de Ormuz em breve. A notícia contribuiu para a queda dos preços do petróleo, que fecharam a semana abaixo de 90 dólares por barril. Os mercados globais reagiram positivamente.

Apesar disso, a inflação global segue pressionada pelo choque de energia. Os índices de preços ao produtor do Japão, China e Estados Unidos aceleraram em maio. Diante desse cenário, alguns bancos centrais já retomaram o ciclo de alta de juros. O Banco Central Europeu, por exemplo, elevou os juros em 0,25 p.p. nesta semana.

No Brasil, os ativos financeiros também mostraram alívio. Por exemplo, a taxa de câmbio recuou de aproximadamente 5,20 para 5,05 reais por dólar. Com relação aos indicadores econômicos, o IPCA de maio reforçou o cenário de pressão inflacionária.

Na seara fiscal, o Congresso avançou em um conjunto de medidas com impacto nas contas públicas estimado em torno de R$ 30 bilhões em 2027.

Gráfico da Semana

Cenário Internacional

Alívio no preço do petróleo com perspectiva de acordo no Oriente Médio…

A semana começou com escalada das tensões entre Israel e Irã após o rompimento do cessar-fogo vigente desde abril. O preço do petróleo Brent chegou a alcançar 97 dólares por barril. O movimento, no entanto, se reverteu quando Trump afirmou ter chegado a um “grande acordo” com Teerã, com previsão de assinatura em poucos dias e reabertura do Estreito de Ormuz — o Brent recuou para abaixo de 90 dólares por barril, queda de cerca de 5% na semana. A incerteza persiste: o Irã não confirmou oficialmente os termos, e Netanyahu sinalizou que Israel não integra o memorando negociado diretamente entre Washington e Teerã.

As bolsas globais responderam tanto ao compasso das negociações quanto às notícias sobre valuations de empresas de inteligência artificial. O alívio contribuiu para a recuperação dos índices, que iniciaram a semana em queda, e para a queda das expectativas de juros globais. No Brasil, o Ibovespa seguiu o movimento externo e a taxa de câmbio, que havia se aproximado de 5,20 reais por dólar, recuou abaixo de 5,05.

… mas inflação global segue pressionada

O choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio continuou a se disseminar pelos índices de preços ao redor do mundo. No Japão, o índice de preços ao produtor (PPI) avançou 6,3% em 12 meses em maio, acima das expectativas de 5,6% e acelerando frente aos 5,3% de abril, pressionado pelos custos elevados de combustíveis e commodities importadas. Na China, o PPI subiu 3,9% em 12 meses, máxima desde julho de 2022 e terceira aceleração consecutiva; o índice ao consumidor avançou apenas 1,2%, sinalizando demanda doméstica ainda fraca.

Diante desse cenário, alguns bancos centrais já retomaram o ciclo de alta de juros. O Banco Central Europeu, por exemplo, elevou a taxa básica de juros em 0,25 p.p. nesta semana, para 2,25%, na primeira alta desde 2023. Além disso, a autoridade revisou para cima a projeção de inflação (para 3,0% em 2026) e sinalizou dependência dos dados para as próximas reuniões.

Inflação dos Estados Unidos acelera, mas pressão é concentrada em combustíveis

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos acelerou para 4,2% em 12 meses em maio – o nível mais alto em três anos –, após registrar 3,8% em abril. O principal vetor de pressão foi a energia: a gasolina avançou 40,5% e, o óleo combustível, 58,9% — reflexo direto do conflito no Oriente Médio. O núcleo da inflação, que exclui itens com preços voláteis, como alimentos e energia, subiu apenas 0,2% no mês e 2,9% em relação ao ano anterior, ficando abaixo das expectativas e sinalizando que o repasse dos custos mais altos de energia para os preços em geral permanece contido.

Na mesma direção, o índice de preços ao produtor (PPI) também veio pressionado. O índice subiu 1,1% em maio, acima do consenso de mercado (0,7%), e acelerou de 5,7% para 6,5% no resultado em 12 meses, a maior alta desde novembro de 2022. Os dados reforçam a postura cautelosa do Fed (banco central americano), que se reúne na semana que vem sob o comando do novo presidente Kevin Warsh. O núcleo de inflação mais baixo reduz a pressão para ajustar a política monetária. A maioria do mercado espera manutenção dos juros de referência.

Enquanto isso, no Brasil…

Congresso avança em pautas com impacto fiscal estimado em torno de R$ 30 bilhões em 2027

O Congresso avançou nesta semana em um conjunto de medidas com impacto fiscal estimado em R$ 30 bilhões em 2027. Entre elas estão a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos ou conflitos geopolíticos, com custo estimado em R$ 25 bilhões no ano que vem; o aumento do piso salarial de médicos e dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662, com impacto de R$ 3,1 bilhões em 2027; e a criação de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, com custo de R$ 2,5 bilhões em 2027.

Nenhuma das propostas indica fonte de financiamento. O governo avalia vetar as medidas ou acionar o STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo os jornais, membros do STF alertaram que projetos sem estudo prévio de impacto fiscal podem ser declarados inconstitucionais.

IPCA de maio reforça cenário de pressão inflacionária

O IPCA avançou 0,58% em maio, acima do esperado. Embora a inflação tenha surpreendido para cima, serviços e algumas medidas de núcleo (exclui itens com preços voláteis) vieram um pouco mais benignas do que o esperado, enquanto preços administrados e bens industriais seguiram pressionados.

Mantemos nossa projeção para o IPCA de 2026 em 5,5% e para 2027 em 4,2%, ambas com viés de alta. Em relação à política monetária, nosso cenário-base ainda assume que o Copom entregará dois cortes adicionais de 0,25 p.p., levando a taxa Selic para 14,00%. No entanto, leituras recentes de inflação ao produtor e ao consumidor, combinadas com um ambiente global mais inflacionário, trazem desafios adicionais para o Banco Central.

Para detalhes, leia “IPCA de maio: algum alívio em serviços, mas inflação segue sem trégua”.

Setor de serviços segue resiliente

A receita real do setor de serviços cresceu 1,2% em abril ante março. O resultado de abril veio acima do esperado, compensando a queda mais intensa da leitura anterior. Todos os grandes grupos avançaram na margem.

Continuamos a prever crescimento do setor terciário no curto prazo. Por um lado, o mercado de trabalho robusto e as medidas de estímulo do governo devem sustentar a demanda doméstica nos próximos meses. Por outro, o aumento do comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida continua sendo um freio relevante, ao restringir a demanda e impedir uma expansão mais consistente dos gastos com serviços. Projetamos que a receita total do setor de serviços crescerá 2,5% em 2026, após alta de 2,9% em 2025. Nossa expectativa para o crescimento do PIB em 2026 permanece em 2,0%, com viés de alta.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, destaque para as decisões de juros nos Estados Unidos, Reino Unido e Japão. O mercado espera manutenção nos dois primeiros casos e alta pelo banco central japonês. Na China, atenções voltadas aos dados de atividade econômica de maio.

No Brasil, amplo destaque para o Copom. Esperamos corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, levando-a para 14,25%. Além disso, a semana contará com a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e do IBC-Br, índice de atividade do Banco Central – ambos referentes a abril. Veja nossas projeções abaixo.

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