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Ata do Copom: Suavizando o ciclo

Nosso cenário-base atual para a taxa Selic contempla um corte final de 0,25 p.p. para 14,00% na próxima reunião, antes de uma pausa para avaliação. Dito isso, nossa interpretação do plano de voo do Copom sugere que isso pode não acontecer.

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O Banco Central do Brasil publicou, nesta manhã, a ata da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento descreveu um cenário mais desfavorável para a inflação, mencionando a “aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano” e expectativas que permanecem “acima da meta” de 3% (parágrafos 2 e 3).

Ademais, a descrição do Comitê para o cenário internacional conta com níveis elevados de incerteza e “indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas” (p. 4), o que não garante uma visão clara sobre a política econômica dos Estados Unidos. Segundo a ata, esse “cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities” (p. 1).

Ao analisar os riscos para a inflação, o Copom afirmou haver “assimetria altista” (p. 13) – algo que não havia dito explicitamente no comunicado pós-reunião.

Entre os riscos altistas encontram-se “(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária” (p. 13)

Quanto aos riscos de baixa, a autoridade destacou “(i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários” (p. 13).

Nesse contexto, o Comitê considerou diferentes trajetórias para a taxa Selic. A conclusão é que a trajetória que levaria a inflação à meta de 3% no horizonte relevante atual seria volátil demais, induzindo “volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos” (p. 18 e 19).

Assim, o Copom argumentou que seria preferível escolher uma trajetória mais próxima das expectativas de mercado, suavizando o ciclo e levando a inflação à meta com alguma defasagem – no 1º trimestre de 2028. Essa trajetória combina “diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração” (grifo nosso; p. 20).

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Nosso cenário

A combinação de uma descrição dura do cenário com a preferência revelada por uma trajetória que envolve pausas sugere, em nossa visão, que o plano de voo atual do Copom inclui a manutenção da taxa Selic em 14,25% na próxima reunião de política monetária (agosto).

As portas não estão fechadas para um corte adicional, já que a ata ainda diz que “a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário” (p. 22).

Nosso cenário-base atual para a taxa Selic contempla um corte final de 0,25 p.p. para 14,00% na próxima reunião, antes de uma pausa para avaliação. Dito isso, nossa interpretação do plano de voo do Copom sugere que isso pode não acontecer.

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