Tudo sobre Renda Fixa no mês (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.

access_time 05/11/2019 - 22:27
format_align_left 7 minutos de leitura

Esse relatório foi editado no dia 06/11 às 17h27.

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

Em outubro, tivemos o mais recente corte da taxa básica de juros, a Selic, em 50bps (pontos-base), para 5,0% ao ano. Vale destacar o tom cauteloso do Comitê de Política Monetária (Copom) ao considerar potenciais novos cortes. No mês, houve ainda a aprovação em segundo turno no Senado da reforma da Previdência, o que colabora para o otimismo em relação ao cenário econômico brasileiro. No mês, um destaque relevante foi a abertura dos spreads de crédito dos ativos de crédito privado. No entanto, esse movimento não foi resultado de deterioração na qualidade de crédito dos emissores e sim de ajuste técnico do mercado.

Para os últimos meses do ano, a nossa expectativa é de que ocorra novo corte da Selic, para 4,5% ao ano na última reunião do Copom de 2019. A inflação deverá fechar o ano em 3,5%, exigindo mudanças no comportamentos dos investidores que buscam retornos reais interessantes. Vemos a abertura dos spreads de crédito como oportunidade para a compra de ativos de crédito privado, com negociações a preços atraentes aos investidores.

Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado.

Para o mês de novembro, a alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir – Novembro 2019 é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês

  1. Continuidade do fechamento de curva DI, com aprovação da reforma da Previdência e novo corte da Selic.

Como agir?

  1. Para melhorar a rentabilidade da carteira, o cenário exige que o investidor busque diversificação e ativos mais arriscados.
  2. Ainda vemos oportunidades em títulos prefixados, pois acreditamos que cortes maiores na taxa Selic ainda não estão precificados na curva (esperamos Selic de 4,5% ao final de 2019).
    • Para novembro, recomendamos o Tesouro Prefixado 2022 para perfis Moderado e Agressivo.
    • Escolha sempre de acordo com o seu perfil

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de outubro, a captação líquida da Poupança ficou negativa em R$247 milhões. No acumulado do ano, a captação é negativa em cerca de R$6,3 bilhões.

A captação líquida negativa pode indicar movimento de investidores para ativos com melhores rentabilidades. Considerando a queda na taxa Selic para 5,0% e o rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic (aqui) e emissões bancárias (aqui).

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em setembro (último dado disponível) foi possível observar captação líquida positiva.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic 2025, principal alternativa à poupança.

Um dado muito relevante é que os investidores buscaram principalmente ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, alongando o perfil de seus investimentos.

Esse movimento pôde ser observado no mercado de renda fixa como um todo e é explicado pela busca por maiores retornos através de riscos mais elevados.

Rentabilidade

Ao longo do mês de outubro, foi possível observar escalada nos preços dos títulos públicos. Isso se deve à continuidade de fechamento da curva DI futuro (veja em “No Radar”).

O efeito é mais forte sobre os títulos mais longos. Quanto mais longo o título, maior o risco e maior a sensibilidade a variações nas expectativas de juros.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Em outubro, o estoque de emissões bancárias permaneceu praticamente constante em relação a setembro (+0,8%). Os principais destaques foram crescimento de 4% no estoque de LFs e queda de 2% em LCAs.

Por outro lado, os estoques dos outros ativos permaneceram praticamente inalterados.

Crédito Privado

O estoque de ativos de crédito privado manteve a tendência observada no ano, que é de crescimento. Nos 10M19, já são 7,8% acima do estoque do ano cheio de 2018.

Ao longo do mês, houve aumento de cerca de 1% nos estoques de debêntures, CRAs e CRIs. O crescimento do estoque de CRIs continua sendo o mais tímido. No entanto, já é maior do que no mês anterior (+0,7% contra +0,3% em setembro).

No segundo slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$141 bilhões nos 10M19. Isso representa crescimento de 17,5% em relação ao mesmo período no ano anterior.

No período, pôde-se também observar contínuo aumento do prazo médio das emissões de debêntures em comparação com 2018. Prazos mais longos representam risco mais alto, o que se traduz em taxas de emissão mais elevadas (e portanto mais atraentes aos investidores).

Atenção: A Anbima divulga as informações sobre debêntures incentivadas com atraso. Por isso, os dados mais recentes aqui apresentados são de agosto de 2019.

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, mostra tendência de crescimento.

Nos primeiros oito meses de 2019, foram emitidos R$17 bilhões desse tipo de instrumento. O setor de energia elétrica representa a maior parte das emissões.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, em linha com expectativa de crescimento econômico, incentivo do governo em novos projetos e redução da participação do BNDES em investimentos de infraestrutura.

Abertura spreads de crédito

Durante o mês de outubro, os spreads de crédito abriram significativamente. Porém, como a próxima seção deste relatório pode demonstrar, a qualidade de crédito dos emissores de forma geral não piorou (muito pelo contrário).

O movimento de abertura tem sido resultado de um ajuste natural do mercado. De forma resumida, o fechamento da curva de juros nos últimos meses gerou boas oportunidades para emissores acessarem o mercado, o que elevou o volume de novas emissões.

Esse efeito levou novas emissões a saírem com taxas mais atraentes do que aquelas que já eram negociadas, levando a um movimento de vendas no mercado secundário e de fundos de crédito privado para compra no primário. O resultado disso foi de ajuste de preços no mercado secundário.

No entanto, como comentamos, quando as taxas aumentam, os preços dos ativos caem. Isso gera, em nossa visão, uma oportunidade de compra de ativos de crédito privado, que apresentam risco de crédito relativamente baixos no cenário atual e preços atraentes pela abertura de taxas.

Ratings

Durante o mês de outubro, essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco:

Chama a atenção o fato de somente terem ocorrido elevações de ratings no período. Isso reforça a tendência de melhora na qualidade de crédito dos emissores, de modo geral.

Veja mais

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