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Tudo sobre Renda Fixa em Janeiro 2022 (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.

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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de janeiro, a curva de juros futuros apresentou abertura nos vencimentos curtos (2022 e 2023) e nos vencimentos de longo prazo, a partir de 2026. Esse movimento refletiu a expectativa de maiores altas na taxa Selic do que era esperado anteriormente devido à inflação persistente, combinado a uma influência da alta de juros de longo prazo dos títulos soberanos internacionais. Essa dinâmica de juros impactou negativamente os títulos prefixados e IPCA+ do Tesouro. Além disso, provocou rolagens de vencimentos mais curtos para longos.

Continuamos enxergando baixo volume de emissões bancárias, uma vez que a necessidade de captação pelas instituições continua baixa. O volume de emissões de debêntures incentivadas também diminuiu no mês. Adicionalmente, os volumes negociados de debêntures, CRIs e CRAs reduziu em relação ao mês anterior. Nas ações de ratings, sinais equilibrados de elevações e rebaixamentos, mas com destaque para a ausência de perspectiva negativa para novos emissores analisados.

Para os próximos meses, as sinalizações de política monetária devem se concretizar em mais altas de juros no Brasil, Estados Unidos e Europa. No cenário doméstico, as eleições e debates políticos devem cada vez mais influenciar as expectativas do mercado sobre as variáveis macroeconômicas e, consequentemente, os ativos de renda fixa. Nossos economistas estimam Selic a 11,75% ao final do ciclo de alta, em março, e de 11,25% ao final do ano. As classes de ativos de crédito privado e títulos públicos, de curto e médio prazo, devem predominar a liquidez do mercado de renda fixa à espera das definições sobre o rumo fiscal que seguiremos.

No Radar

Destaques do mês de janeiro:

  1. A curva de juros refletiu expectativas mais altas de juros no curto prazo, indicando Selic esperada mais alta na próxima reunião. Na parte longa da curva, os juros esperados também subiram, efeito de movimentos externos de juros.
    • Com isso, os títulos de renda fixa desses prazos tendem a desvalorizar, pela relação inversa entre taxa e preço.
  2. Já na primeira semana de fevereiro, o Copom elevou a Selic em 1,5 ponto percentual, para 10,75%.
  3. Como reflexo da desaceleração da atividade econômica e inflação persistente, nosso time de Economia da XP revisou suas projeções para os indicadores em 2022 e 2023. Esperamos:
    • Selic em 11,25% em 2022 e 7,5% 2023.
    • IPCA de de 5,2% em 2022 e 3,25% em 2023.
    • Crescimento do PIB de 0,0% em 2022 e 1,2% em 2023

Como agir?

  1. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic.
  2. Recomendamos também uma pequena parcela de ativos prefixados de prazos curtos, que podem se beneficiar de redução nos juros e inflação esperados em relação à precificação atual na curva, porém exigem maior cautela.
  3. No caso de investimentos de prazos mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA), principalmente frente ao cenário atual de alta dos preços.
  4. Trazemos indicações de alocação em nosso relatório Investindo em Fevereiro 2022: Renda Fixa (exclusivo para assinantes Expert Pass).

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de janeiro, a Poupança apresentou captação líquida negativa de R$ 19,7 bilhões. Esse resultado se deu pela soma de depósitos no valor de R$ 260 bilhões contra pedidos de resgates de R$ 280 bilhões, reflexo do aperto de poder de compra com a inflação mais alta e a contração de renda que acompanhamos desde o ano de 2021.

Considerando a taxa Selic em 10,75%, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 0,5% ao mês, essa aplicação é pouco atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em dezembro (último dado disponível) houve captação líquida de R$ 1,8 bilhão. No mês, o principal ativo comprado por investidores foi Tesouro Selic, com cerca de 57% das vendas, seguido de Tesouro IPCA+.

O número de investidores cadastrados no programa teve acréscimo de 881 mil novos entrantes, ultrapassando 16 milhões no total em dezembro, evolução de 77% em relação ao mesmo mês de 2020. O número de mulheres representou 29,5% do total de investidores no mês.

Desde janeiro de 2022, a taxa de custódia dos títulos passou de 0,25% para 0,20% ao ano, fator positivo para os investidores.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de janeiro, os títulos do Tesouro Direto encerraram em campo negativo para as séries prefixadas e indexadas à inflação (IPCA+), em todos os vencimentos disponíveis, devido a elevação das taxas de juros desses títulos. Os títulos pós-fixados, Tesouro Selic, com vencimentos em 2024 e 2027, encerraram com valorização de aproximadamente 0,83% e 0,87%, respectivamente.

Quando ocorrem valorizações nos títulos, enxergamos que podem representar oportunidades de ganhos de capital para quem já possui os ativos, uma vez os preços dos títulos subiram. No entanto, vale ponderar se a realização dos ganhos é necessária neste momento ou quais as alternativas de alocação deste montante.

Por outro lado, desvalorizações podem representar oportunidade de compra de títulos a taxas mais elevadas, desde que faça sentido para a composição da carteira do investidor.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Em janeiro, observamos o mesmo ritmo de aceleração de dezembro no volume de LCIs e LCAs dentre o estoque de emissões bancárias. O avanço ocorre em um momento de tendência de alta na taxa básica de juros, a Selic, e o aumento no interesse pela renda fixa pelos investidores, principalmente por ativos mais conhecidos (como emissões bancárias).

É interessante destacar o estoque de CDBs, que permaneceu praticamente estável há alguns meses, e começa a reduzir em janeiro. Em nossa visão, isso é justificado pela menor necessidade de novas captações pelos bancos no momento e constante vencimento dos títulos mais antigos.

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA) e emissão de debêntures

O estoque de ativos de crédito privado cresceu em janeiro em todos os ativos novamente. Vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 3,8 bilhões no mês, redução relevante frente ao mês de dezembro, em que tivemos cerca de R$ 22 bilhões. O prazo médio das emissões subiu de 5,5 anos em dezembro, para 6,8 anos em janeiro.

Em nossa visão, o formato flat (plano) da curva de juros nos vencimentos mais longos traz incentivos ao alongamento de dívida por parte dos emissores, uma vez que, por taxas semelhantes àquelas de prazos intermediários, é possível emitir para prazos mais longos. Uma elevação das taxas de longo prazo nos meses à frente, tanto no Brasil como no exterior, pode reduzir esse apetite à captação mais longa.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 127 milhões em janeiro, sendo apenas duas emissões do setor de energia, EUBE11 e MEZU12, das empresas Engie e Mez, respectivamente.

Mercado secundário

Fluxo

No mês de janeiro, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 22,3 bilhões (vs. R$ 26,4 bilhões em dezembro), sendo R$ 14,1 bilhões em não incentivadas e R$ 8 bilhões em incentivadas. O principal destaque em debêntures não-incentivadas foi a debênture da Magazine Luiza (MGLUA0) e em incentivadas, novamente a debênture da Comgas (GASP29) que teve o primeiro lugar em dezembro e janeiro.

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 6,4 bilhões (vs. R$ 9,6 bilhões em dezembro), com destaque para o GTIS Partners. Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 3,4 bilhões (vs. R$ 3,5 bilhões), próximo do volume do mês anterior, sendo o principal ativo negociado um CRA da JBS.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Leia mais aqui.

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

No mês de janeiro, o volume de ações de ratings foi maior do que em dezembro, com mais rebaixamentos do que elevações nos emissores. Porém, nos novos ratings de emissores, nenhum saiu com perspectiva negativa.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de fevereiro, são esperados R$ 3,3 bilhões em vencimentos de debêntures. O principal vencimento do mês é uma debênture da Telefônica Brasil (Vivo).

É interessante também observar o volume de emissões a vencer nos próximos três a quatro meses. As empresas emissoras podem optar por refinanciar suas dívidas, ou seja, realizar novas emissões para pagar as vincendas. Sendo assim, pode-se esperar que parte do volume a vencer nos próximos meses voltará ao mercado na forma de novas emissões.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
Fitch Ratings
Moody’s
B3

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