Tudo sobre Renda Fixa em janeiro (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de janeiro, houve a primeira reunião do Copom de 2021. Como esperado, a Selic foi mantida em 2% ao ano, porém o Banco Central decidiu retirar o forward guidance, indicando que o período de elevação da taxa básica de juros pode se iniciar antes do que o previamente esperado. Em nosso cenário base, a subida de juros pode começar em maio. A curva de juros abriu durante o mês, refletindo o ainda elevado risco fiscal, o alto volume de casos de covid-19 no Brasil e as incertezas antes da eleição à Câmara e ao Senado, que em fevereiro deram vitória aos candidatos do Planalto. O movimento nas curvas levou à desvalorização dos títulos do Tesouro Direto

Para os próximos meses, continuaremos acompanhando a evolução da vacinação no Brasil e seu impacto sobre a contenção das contaminações, além dos efeitos sobre a atividade econômica. Neste sentido, vale monitorar as movimentações do governo em torno da extensão do auxílio emergencial, que poderia pressionar ainda mais o cenário de risco fiscal. Do lado positivo, a definição das presidências das casas legislativas tem o potencial de destravar agendas importantes de reformas, o que pode mitigar o risco fiscal no país. Com evoluções importantes e redução de incertezas, é possível que o volume de emissões volte a crescer, à medida em que mais empresas sintam confiança para voltar a realizar investimentos.

No Radar

Destaques do mês de janeiro

  1. O risco fiscal segue elevado, ainda que a dinâmica da inflação ajude no cumprimento do teto de gastos em 2022.
  2. Copom manteve Selic a 2%, mas retirou forward guidance. Ciclo de alta deve começar em maio, antes do esperado anteriormente.
  3. Riscos: (i) Fim dos programas emergenciais; e (ii) A pressão por gastos fiscais deve continuar elevada em 2021.

Como agir?

  1. Trazemos indicações em nosso relatório Investindo em Fevereiro 2021: Renda Fixa
  2. É necessário buscar a diversificação de carteiras para alcançar melhores rentabilidades.
    1. Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  3. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic.
  4. No caso de investimentos de prazos mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA).

Alocação recomendada

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor para o mês de janeiro é a seguinte:

Conforme destacado no relatório 5 anos em 5 minutos, em janeiro os mercados ao redor do mundo passaram por uma alta moderada, com investidores animados com o andamento das campanhas de vacinação e as discussões acerca de um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos.

Ainda de acordo com o relatório, o Brasil foi muito prejudicado pela demora no início das campanhas de vacinação e incertezas sobre o novo formato do Congresso, que só foi definido em fevereiro.

A principal mudança na recomendação de alocação foi no peso de ativos atrelados à inflação, que foi reduzido para dar espaço a outras classes de ativo de risco.

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de janeiro, a Poupança apresentou resgates líquidos recorde R$ 18 bilhões. Historicamente, o primeiro mês do ano apresenta resgates líquidos, uma vez que é mês de forte concentração de despesas familiares, mas chama a atenção a magnitude.

No início de 2021, o auxílio emergencial em virtude da pandemia da covid-19 deixou de ser pago pelo governo. Enxergamos este pagamento como um dos fatores que impulsionou a captação líquida recorde da Poupança em 2020, a levando a ultrapassar o estoque de R$ 1 trilhão. Com o fim do auxílio, espera-se que a captação seja mais fraca ao longo de 2021, principalmente ao se considerar que muitos poupadores utilizarão seus recursos para fazer frente às despesas essenciais.

Considerando a taxa Selicem sua mínima histórica, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 70% desta taxa, essa aplicação continua pouco atraente. Apesar disso, o produto continua sendo o investimento preferido dos brasileiros. No entanto, sua participação na carteira vem caindo: Em 2018, representava 88% dos investimentos realizados; em 2019, já era 84%, segundo a publicação Raio X do Investidor, da Anbima.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em dezembro (último dado disponível) houve resgate líquido de R$ 70 milhões, contrastando com a captação líquida de R$ 28 milhões no mês de novembro.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado. Em termos de captação líquida, o ativo que se destacou positivamente foi o Tesouro IPCA+ com juros semestrais. Já o mais resgatado, em termos líquidos, foi o Tesouro IPCA+ Principal.

O número de investidores cadastrados no programa continua crescendo e atingiu 9,2 milhões em dezembro, evolução de 64% em relação ao mesmo mês de 2019. O número de mulheres alcançou 32,6% do total de investidores.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de dezembro, todos os títulos negociados no Tesouro Direto, com exceção do Tesouro Selic, apresentaram desvalorização, seguindo a abertura na curva de juros observada ao longo do mês, em resposta à elevação na percepção de risco.

Em nosso relatório mensal de investimentos em renda fixa, que passou a ser publicado neste mês, destacamos dois ativos do Tesouro Direto: Tesouro Selic e Tesouro Prefixado 2023.

Escolhemos o Tesouro Selic para gestão de caixa e reserva de emergência. Já o Tesouro Prefixado demonstra ser uma opção interessante para investidores que buscam este tipo de remuneração, uma vez que o mercado parece precificar alta de juros mais elevada do que esperamos que ocorra de fato. Com isso, caso nosso cenário base se concretize, existe a possibilidade de ganhos de capital no curto prazo.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

O estoque de emissões bancárias permaneceu praticamente inalterado em janeiro, com destaque principalmente no crescimento do estoque de LIGs. Os outros ativos não apresentaram variação relevante no mês contra mês.

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

O estoque de ativos de crédito privado permaneceu estável em janeiro em relação a dezembro.

Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados continuam predominando no estoque e foram maioria também em termos de novos ativos emitidos.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 4,7 bilhões no mês. O prazo médio das emissões subiu em relação à média de 2020, indo para 6,2 anos.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 145 milhões em janeiro. No mês de dezembro, houve uma emissão do setor de transportes (Eixo SP Concessionária de Rodovias S.A.).

Mercado secundário

Fluxo

No mês de janeiro, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 14,2 bilhões (vs. R$ 18,7 bilhões em dezembro).

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 1,4 bilhão, cerca de metade do observado em dezembro. Para CRAs, o volume negociado foi também de R$ 1,2 bilhão, com destaque novamente para o CRA JBS com vencimento em 2030.

Em nosso relatório mensal de investimentos em renda fixa, destacamos dois ativos de crédito privado indexados à inflação (IPCA), que enxergamos ter boa relação risco-retorno: Debênture Petrobras Set/2034 (PETR27) e Debênture Rota das Bandeiras Jul/2034 (CBAN12).

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de fevereiro, é esperado R$ 1,7 bilhão em vencimentos de debêntures, sendo que a maior concentração do semestre se dará em junho. O principal vencimento do mês é uma debênture da Cemig-D (CMDT23).

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

Note que pode ser necessário rolar a tabela para visualizar tudo.

No mês de janeiro, pudemos novamente observar mais elevações do que rebaixamentos de ratings, além de diversos novos ratings de emissão. Por fim, também houve diversos movimentos de mudança de perspectiva indicando potencial de elevação de ratings.

Esses movimentos indicam cenário melhor sob o ponto de vista as agências e novos ratings antecipam novas emissões, o que também pode indicar recuperação de certa forma.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
S&P Global
Fitch Ratings
Moody’s
B3

Avaliação

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