Tudo sobre Renda Fixa no mês (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de setembro, houve a mais recente reunião do Copom, que teve como decisão a manutenção da taxa Selic em 2% ao ano. A decisão já era esperada, não tendo, portanto, efeito sobre as expectativas no mercado. O maior movimento do mês sobre as taxas futuras de juros foi a intensificação do risco fiscal no Brasil. O governo anunciou planos de lançar o Renda Cidadã, porém sem cortar gastos, o que foi muito mal recebido pelos investidores. O efeito foi de abertura da curva de juros e reflexo sobre os títulos de renda fixa, inclusive os pós-fixados. Neste ponto, a surpresa foi a desvalorização do Tesouro Selic, que vem ocorrendo desde o megaleilão do Tesouro Nacional no começo de setembro.

Para os próximos meses, o risco fiscal continuará no foco e sua redução será crucial para a mudança de direção dos investimentos pós-fixados do governo. O ambiente arriscado, de um ponto de vista do mercado, dificulta investimentos e pode atrasar captações de empresas, que poderão aguardar cenário mais favorável para virem a mercado. Continuaremos monitorando os próximos acontecimentos.

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Alocação recomendada

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Outubro é a seguinte:

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

No Radar

Destaques do mês de setembro

  1. A taxa Selic foi mantida em 2% ao ano. Continuamos esperando que não haja novos cortes em 2020.
  2. O risco fiscal ficou ainda mais forte, principalmente com temores acerca do financiamento ao programa social Renda Cidadã.
  3. Os temores levaram inclusive os títulos pós-fixados do governo, as LFTs (ou Tesouro Selic), à desvalorização (veja mais adiante).
  4. Os riscos fiscais intensificaram a inclinação da curva de juros: as expectativas de juros para o curto prazo se mantiveram, enquanto que o longo prazo apresentou elevação.
  5. Movimento semelhante na curva da NTN-B, elevando a inclinação.

Como agir?

  1. Com a taxa Selic no piso histórico, é necessário buscar boas rentabilidades através de diversificação de carteiras.
    1. Com o cenário menos incerto, abre-se espaço para maior exposição a risco (possível também na renda fixa).
    1. Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  2. No caso de investimentos de prazos mais longos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA).
  3. Para a reserva de emergência, apesar do movimento nos títulos pós-fixados, continuamos enxergando o Tesouro Selic como uma boa opção, pela segurança e rentabilidade. Fundos DI têm sofrido o mesmo efeito. Por fim, CDBs de liquidez diária, de bancos de alta qualidade de crédito e com rendimento semelhante à Selic também são boas alternativas.
    • Para quem já possui

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de setembro, a captação líquida da Poupança foi positiva, em R$ 13,3 bilhões. No ano, a Poupança apresenta captação líquida de cerca de R$ 137 bilhões.

Continuamos acreditando que o auxílio emergencial que vem sendo pago pelo governo a trabalhadores por causa da crise do covid-19 e o saque emergencial do FGTS têm inflado os dados de captação, dado que ambos são depositados em conta poupança. No entanto, a aplicação continua sendo a mais conhecida por brasileiros, o que leva à captação também de forma ativa.

Considerando a taxa Selic em sua mínima histórica e perspectiva de novo corte, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 70% desta taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em agosto (último dado disponível) houve resgate líquido de R$ 1,1 bilhão. Ressalta-se, no entanto, vencimento de R$ 1,4 bilhão em títulos indexados à inflação. Sem este efeito, o Tesouro Direto teria apresentado captação líquida de R$ 253 milhões no mês.

O principal ativo comprado por investidores continuou sendo o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado, seguido do Tesouro IPCA+ Principal.

O número de investidores cadastrados no programa continua crescendo e atingiu 8,1 milhões em agosto, evolução de 69% em relação ao mesmo mês de 2019.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de agosto, todos os títulos negociados no Tesouro Direto apresentaram desvalorização. Isso se deve principalmente à elevação nas expectativas para os juros no futuro (veja em “No Radar”) ao longo de toda a curva DI.

O grande destaque do mês foram os títulos pós-fixados, ou o Tesouro Selic, uma vez que não se espera que apresentem desvalorização. De forma resumida, os riscos fiscais no Brasil tornaram-se cada vez maiores para o mercado, que passou a pedir mais prêmio para comprar os títulos.

No caso do Tesouro Selic, que no começo de setembro pagava 100% da Selic + 0,03% ao ano, o efeito foi de elevação na parte prefixada do título, que atingiu 0,17% ao final do mês. Hoje, 5 de outubro, o prêmio já está em 0,31%.

O efeito prático sobre os preços do título é de queda: de 01/09 a 30/09, houve desvalorização de 0,43%. Isso leva a receio por parte dos investidores, que em geral aplicam sua reserva de emergência no ativo. O sentimento é compreensível, porém vale lembrar que o Tesouro Selic continua sendo a aplicação mais conservadora do mercado.

Leia sobre a desvalorização dos títulos pós-fixados

Outras opções para a reserva de emergência continuam sendo as mesmas: fundos referenciados DI (que também sofrem com o efeito descrito acima) e CDBs de bancos de boa qualidade de crédito, com liquidez diária e que tenham rentabilidade próxima à Selic.

Para quem já possui os títulos, o recomendado é não vendê-los caso não haja necessidade (seguindo o recomendado para a reserva de emergência em geral), pois o resgate antes do vencimento pode representar uma perda.

Ainda não há visibilidade acerca de prazo para fim deste movimento, que depende de sinalizações do governo de compromisso com a agenda fiscal, reduzindo assim a percepção de risco por parte dos agentes do mercado.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias apresentou evolução de 1% no mês de setembro em relação a agosto de 2020.

Os principais destaques foram o aumento em LCs, de 9,8% e em LIGs, de 3,8%. CDBs desaceleraram novamente, crescendo 1,3% no mês. No entanto, ainda é possível encontrar rentabilidades interessantes neste tipo de ativos, principalmente ao considerarmos a abertura da curva DI (prazos intermediários e longos).

Do lado negativo, o estoque de LCIs caiu novamente, porém em menor magnitude: 0,4% no mês.

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

O estoque de ativos de crédito privado apresentou crescimento de 2,8% em relação a setembro, com efeito principalmente do estoque de debêntures (+3,3%).

Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados continuam predominando no estoque e voltaram também a ser maioria nas emissões do mês.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 6,1 bilhões no mês, cerca de 45% inferior ao mês de agosto.

O prazo médio das emissões do mês voltou a subir, para 6,4 anos.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, apresentou nova queda em setembro. No mês, houve uma emissão do setor de saneamento (BRK Ambiental), de R$ 305 milhões, e quatro emissões do setor de energia elétrica (Eneva, Ômega Geração e Pampa Sul) totalizando R$ 1,5 bilhão.

Mercado secundário

Fluxo

No mês de setembro, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 19,2 bilhões (vs. R$ 16,5 bilhões em agosto). Os ativos mais negociados foram debêntures das Lojas Americanas, com vencimentos em 2026, 2023 e 2022, respectivamente. A companhia informou recentemente nova emissão de debêntures.

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 1,7 bilhão, semelhante ao mês de agosto. O principal ativo negociado foi o General Shopping S.A.

Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 2,9 bilhões, em linha com o mês de agosto. O destaque de negociação foi novamente o CRA BRF.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de setembro, são esperados R$ 2,7 bilhões em vencimentos de debêntures, mas é possível enxergar no gráfico acima que a concentração de vencimentos se dará em dezembro, com cerca de R$ 10,7 bilhões.

O principal vencimento do mês de outubro é uma debênture da Claro (BCPS15).

Spreads de crédito

Acima, podemos observar as 20 maiores aberturas e os 20 maiores fechamentos de spreads no mês de debêntures incentivadas. Ou seja, quais foram os ativos cujo prêmio de crédito mais aumentou (aberturas) ou reduziu (fechamentos) no mês.

Aberturas e fechamentos podem ocorrer em resposta à percepção de maior ou menor risco pelo mercado, respectivamente. Outros fatores também podem influenciar, como oferta e demanda ou até mesmo a expectativa de uma nova emissão por um mesmo emissor, que pode balizar os prêmios dos títulos que já estão em circulação.

No mês de setembro, as aberturas se concentraram em ativos curtos, ou seja, que irão vencer no curto prazo, ou naqueles com baixa liquidez (pouca negociação).

No caso dos fechamentos, foram maioria da movimentação de spreads do mês. Como pode ser visto na tabela, foram concentrados em ativos de vencimentos mais longos, o que pode ser reflexo do aumento de inclinação da curva. Desta forma, mantém-se a rentabilidade nominal dos ativos.

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

Note que pode ser necessário rolar a tabela para visualizar tudo.

No mês de setembro, pudemos observar mais elevações do que rebaixamentos de ratings, além de grande número também de novos ratings, assim como no mês anterior.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
S&P Global
Fitch Ratings
Moody’s
B3

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