O ouro é considerado por muitos o “porto seguro” do mercado financeiro mundial. Em momentos de crise, volatilidade e alta da inflação, a procura por ele acaba crescendo bastante como reserva de valor e opção para proteger o patrimônio.
Mas será que é o momento para comprar ouro? Para explicar essa e outras dúvidas, detalhamos a seguir as principais formas de ter uma exposição ao metal na carteira.
Por que comprar ouro?
Pela natureza de sua escassez e facilidade de negociação, o ouro é a mais tradicional reserva de valor e foi, durante muito tempo, usado como lastro para as moedas.
Usado como moeda de troca internacional desde aproximadamente 1.500 a.C, o ouro é conhecido como um símbolo de proteção contra crises financeiras e usado em momentos de inflação alta. É o que o mercado financeiro conhece como hedge ou proteção.
Em 2025, os contratos futuros do metal precioso, negociados em Nova York, ultrapassaram a marca histórica dos US$ 4 mil a onça-troy, dando sequência à forte valorização dos últimos anos.
O ouro avançou mais de 60% no ano em meio a um cenário caracterizado por elevadas incertezas, principalmente no que diz respeito à economia americana.
As políticas econômicas do novo governo Trump e seus efeitos iniciais com tarifas recíprocas a dezenas de parceiros comerciais levantaram preocupações em relação à pressão que essas medidas teriam sobre a inflação global.
As tarifas também fizeram parte dos investidores questionar sua exposição a ativos americanos. Com isso, ganhou força um movimento de rotação de capital para fora dos Estados Unidos. Os investimentos foram redirecionados e as nações emergentes, que enfrentaram grandes saídas em 2024, foram os principais beneficiados da recente mudança estrutural dos mercados.
Para completar, o governo dos Estados Unidos entrou em shutdown, o mais prolongado da história do país, após impasse no Congresso sobre o orçamento para o ano fiscal de 2026. Com isso, parte dos serviços do país ficou paralisado, gerando atrasos na divulgação de dados econômicos oficiais (limitando a visibilidade dos mercados e do Federal Reserve, o banco central do país) e impactos potenciais em diversos setores.
Tensões geopolíticas, uma inflação elevada persistente pelo mundo e apostas sobre os cortes nas taxas de juros dos Estados Unidos deram ainda mais fôlego para a subida do metal.
Ouro x dólar
Outro fator por trás da escalada dos preços do ouro em 2025 é a depreciação do dólar.
Historicamente, o movimento do ouro é inverso ao da moeda. Isso porque o ouro é precificado em dólares. Quando o dólar sobe, o ouro torna-se menos acessível pelo seu valor, principalmente para investidores que realizam operações com outras moedas, levando a uma restrição da demanda.
Já um dólar mais fraco abre caminho para que mais investidores realizem compras do metal, estimulando a demanda desse mercado.
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Ouro em alta: compra do metal por bancos centrais continua aquecida
A demanda por ouro não vem só dos investidores; os bancos centrais também têm um papel relevante para o mercado. As reservas internacionais de muitos deles estão aplicadas no metal e em dólar.
Em outubro de 2025, os bancos centrais adicionaram 53 toneladas às reservas de ouro globais, segundo informações do World Gold Council com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos próprios BCs. O volume representa um aumento de 36% em relação ao mês anterior.
As aquisições continuaram concentradas em um número pequeno de bancos centrais, com a Polônia liderando em outubro.
O Banco Central do Brasil comprou ouro pelo segundo mês consecutivo, adicionando 16 toneladas no período e totalizando reservas de 161 toneladas (6% do seu total).
Segundo o World Gold Council, o acumulado de 2025 (até outubro) totalizou um volume adquirido de 254 toneladas do metal – uma desaceleração no ritmo em relação aos três anos anteriores, provavelmente reflexo do impacto do aumento dos preços.
Como investir em ouro
Apesar de o ouro ser visto como um investimento seguro em diversos cenários, por se tratar de uma aplicação cuja variação de preço acontece diariamente e em todo o mundo, é importante conhecer o mercado e suas nuances.
A mesma lógica vale para você que está pensando em vender ouro. Observe o cenário geopolítico e econômico mundial e como está a tendência da cotação antes de decidir pela venda ou não do metal precioso.
Existem diversas formas de investir em ouro. Veja a seguir algumas:
Ouro em barra
Para compra de ouro físico em barra ou lâminas, existe uma série de corretoras especializadas em negociar o metal, sendo possível comprar a partir de 1g.
Nesse caso, é preciso procurar uma corretora autorizada pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Evite comprar em lojas de rua e, por segurança, só compre as barras vendidas lacradas pelas distribuidoras.
Essa opção, no entanto, envolve o risco de liquidez, pois é mais fácil você vender o ativo negociado no mercado financeiro do que o metal físico. Além disso, tem a questão da segurança.
Investir em ouro físico não é necessariamente o mais prático. Você precisa armazenar esse ouro, o que, em geral, custa caro para fazer a custódia. Na prática, você tem yield negativo, o tal “custo de carregar ouro”.
Manter algumas barras de ouro embaixo da sua cama não parece a decisão mais segura.
Por outro lado, em caso de eventos extremos de cauda, é essa modalidade que de fato te protege.
Contratos futuros na bolsa
Essa é uma das alternativas para quem tem receio de manter o ouro em casa e prefere comprar ativos negociados na B3.
Lançados em julho de 2025, os contratos futuros de ouro (GLD) apresentam cotação em dólares e podem ser negociados por meio de lote fracionário de aproximadamente 32 gramas, representando 1 onça, com vencimento em data futura. A margem mínima é de R$ 50 por contrato.
Para mais detalhes sobre o contrato futuro de ouro da B3, acesse o site.
O valor do contrato oscila como o de uma ação, uma vez que é determinado pelas negociações na Bolsa e também pela cotação internacional do ativo.
O alerta aqui fica para o fato de que contratos menores são menos negociados, então têm menos liquidez.
Além disso, é preciso pagar mais pelo ouro futuro do que pelo spot (outra opção), pois sua contraparte precisa “carregar” esse ouro até a data futura para te entregar, repassando os custos de armazenagem para você.
Fundos de investimento
A terceira opção da lista são os fundos lastreados em contratos financeiros de ouro, que contam com gestão de um profissional.
São mais acessíveis à maioria dos investidores, já que não é preciso se preocupar com burocracias para comprar o ouro em espécie nem com os detalhes do mercado futuro.
A XP, por exemplo, oferece o fundo Trend Ouro FIM, que tem exposição ao ouro a partir do investimento em contratos futuros de ouro, com aplicação mínima de R$ 100 e taxa de administração de 0,50% ao ano.
Também é possível investir nos Exchange Traded Funds, ou ETFs, como o GLDX11 e o GOLD11 no Brasil ou o GLD e o IAU, nos EUA.
Mas fique atento aos custos de armazenagem, apesar de a escala barateá-los na margem: você ainda tem o custo de administração do ETF em si.
Ações
Outra forma de investir em ouro é comprando ações de mineradoras. Aqui, você conta com uma vantagem, que são os dividendos pagos pela empresa.
No Brasil, a Aura Minerals (AURA33), listada na Bolsa do Canadá, foi a primeira mineradora de ouro a listar seus recibos de ações estrangeiras na B3 (Brazilian Depositary Receipts, BDR) em 2020.
A Aura Minerals foi escolhida para fazer parte do índice MVIS Global Junior Gold Miners Index, que inclui as mineradoras de pequeno porte (small caps) com ações mais líquidas ao redor do mundo.
Os analistas da XP reiteraram visão positiva para a companhia após o Investor Day 2025, onde ela trouxe uma perspectiva atualizada para seus principais ativos e projetos, além de uma mudança no guidance de longo prazo. Desafios macro impulsionam os preços do ouro, ao mesmo tempo que a Aura conta com uma forte história bottom-up e está negociando em níveis de valuation atrativo. Os analistas têm recomendação de compra para o papel.
Quais os riscos relacionados ao ouro?
Os riscos do metal têm relação com a oferta e demanda no mundo e com o valor da moeda nacional em relação ao dólar.
Além disso, é preciso observar as políticas monetárias dos países, os fluxos de importação e exportação do metal, os períodos de sazonalidade e fatores naturais que possam afetar a extração do ouro.
Em relação à compra ou venda do ouro, há também a preocupação quanto ao armazenamento com segurança (no caso do metal físico) ou na gestão dos ativos negociados via Bolsa de Valores ou corretora de valores (caso de ações e fundos).
Qual a tributação dos investimentos em ouro?
O ouro adquirido de instituições financeiras no Brasil e definido como ativo financeiro está sujeito à tributação incidente sobre a renda variável. Nesse caso, o investidor conta com isenção do Imposto de Renda sobre os ganhos de capital auferidos em aplicações de renda variável no valor de até R$ 20 mil no mês. Acima disso, ele paga uma alíquota de 15%. Nas operações de day trade (compra e venda no mesmo dia), a alíquota é de 20% sobre o ganho.
No caso do ETF de ouro, a tributação é de 15% sobre o ganho de capital, e no caso do fundo multimercado Trend Ouro Dólar, a tributação segue uma alíquota regressiva de imposto de 22,5% a 15,0%, dependendo do prazo do investimento, incidida sobre o lucro obtido no momento do resgate.
O ouro acaba sendo uma boa reserva de valor e tende a ser uma opção para preservar o capital e diversificar sua carteira de investimentos.
Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!