Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) nunca foram tão conhecidos e falados no mercado financeiro como hoje. Antes, eram colocados um pouco de lado por não serem tão acessíveis e terem pouca liquidez (isto é, com baixa procura pela negociação desses papéis).
No entanto, desde 2020, com a liberação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do acesso a esse tipo de investimento para todos os investidores brasileiros, eles vêm ganhando cada vez mais espaço nas carteiras, inclusive do Ibovespa. Em setembro de 2026, a B3 informou que, a partir de 2027, o universo elegível do principal índice da Bolsa brasileira passará a contemplar BDRs de companhias brasileiras.
Conheça mais sobre os BDRs a seguir e saiba exatamente como investir no exterior, sempre respeitando o seu perfil de investidor e consultando o seu assessor antes de tomar qualquer decisão de investimentos.
O que são e como funcionam os BDRs?
“Os Brazilian Depositary Receipts Patrocinados (BDR) são valores mobiliários emitidos no Brasil, que possuem como lastro ativos, geralmente ações, emitidos no Exterior”: essa é a definição oficial da B3.
Em outras palavras, esses ativos funcionam como espelhos das ações de Bolsas internacionais. É, basicamente, um instrumento financeiro disponível na Bolsa brasileira que acessa ações oficiais de empresas negociadas no exterior de forma indireta, diretamente no Brasil.
Portanto, você pode comprar BDRs das principais empresas do mundo. Porém, é importante lembrar que, diferentemente das ações, ao investir nos BDRs, você não se torna sócio das companhias. O investimento contempla somente a movimentação, ou seja, acompanha a valorização ou desvalorização do ativo oficial.
Os BDRs são uma das formas de empresas estrangeiras expandirem seus horizontes e conseguir que mais investidores tenham acesso, mesmo que indiretamente, aos seus papéis.
Além disso, para os investidores brasileiros interessados em aportar dinheiro nessas companhias, esse instrumento da Bolsa brasileira pode ser uma boa opção, considerando que existem barreiras ao investir diretamente lá fora. Negociações mais complexas, custos maiores, funcionamentos diferentes dos pregões, das corretoras e das regulações de mercado, além do idioma, são alguns exemplos.
Entenda a emissão dos BDRs
Para um BDR existir na Bolsa brasileira, é preciso que uma instituição financeira, neste caso chamada de custodiante ou depositária, se encarregue de emitir esse instrumento. O emissor é a ponte que permite a criação dos BDRs para os investidores brasileiros terem acesso às ações das companhias listadas nos mercados internacionais.
A instituição depositária emite, estrutura e coordena o lançamento dos BDRs na Bolsa brasileira, obtendo os registros de programa de BDRs e emissor estrangeiro (quando necessário) perante a CVM. Outras funções dos emissores de BDRs são: coordenar a distribuição no mercado brasileiro de proventos a quem investiu no papel lastreado, como, dividendos, bonificações, direitos de subscrição e outros e, também, divulgar informações sobre as ações da companhia lá fora.
Conheça os tipos de BDR
Atualmente, há dois grupos de BDR na Bolsa brasileira. As diferenças entre eles influenciam para os investidores. Você pode se deparar ou com BDRs patrocinados, que são subdivididos em níveis I, II e III, e BDRs não patrocinados.
Nível I
Esse tipo de BDR não precisa do registro na CVM da companhia que tem as ações no exterior. Além disso, os BDRs Nível I só podem ser negociados em mercados de balcão e em segmentos bastante específicos. Nesse caso, a instituição depositária deve replicar para os investidores do Brasil todas as informações que a empresa que detém as ações na bolsa internacional divulgar no país de origem.
Níveis II e III
Nesses dois tipos de BDRs, a empresa emissora das ações no exterior precisa ser registrada na CVM. Além disso, os papéis que atendem esses níveis são menos restritos, negociados no pregão habitual da Bolsa brasileira ou em balcão.
Assim como as maiores empresas da Bolsa brasileira, que estão no Novo Mercado (categoria mais alta do mercado acionário nacional), esses BDRs precisam seguir as mesmas regras.
A diferença entre os níveis II e III é a seguinte: no Nível II, os BDRs só são emitidos por meio de ofertas públicas do tipo “esforços restritos” e os ativos de Nível III não têm essa restrição.
Não Patrocinados
Os BDRs Não Patrocinados são aqueles em que a iniciativa de criar esse instrumento não parte das empresas estrangeiras. A importância de saber essa diferença é que a maioria dos BDRs na Bolsa são desse tipo.
Nesse caso, a instituição financeira habilitada a criar um BDR tem como principal objetivo ampliar o leque de investimentos aos seus clientes, sem qualquer acordo com a empresa listada lá fora, mas com a premissa de que todas as informações relevantes da companhia sejam devidamente divulgadas.
Conheça os BDRs de ETFs disponíveis na Bolsa brasileira
Com a liberação dos BDRs para todos os investidores brasileiros, tivemos uma explosão na oferta de ativos internacionais negociados na B3.
Essa abertura também permitiu o investimento em BDRs de ETFs estrangeiros. Os ETFs (Exchange Traded Funds), também conhecidos como fundos de índice, replicam o desempenho de grandes índices disponíveis fora do Brasil. Mas é importante lembrar que os índices não são exclusivamente de ações, listando também ativos de renda fixa e commodities, como ouro e prata.
Esses instrumentos permitem montar estratégias baseadas em diversificação e proteção portfólio via exposição aos principais índices globais.
Atualmente, são mais de 300 opções de BDRs de ETFs listados na Bolsa, com exposição a diversos setores e geografias. Por exemplo, é possível ter o rendimento de empresas de infraestrutura (iShares Global Infrastructure ETF), da prata (iShares Silver Trust) ou até das principais empresas japonesas (iShares MSCI Japan ETF).
Vantagens do BDR
- Praticidade: se antes era necessário abrir conta em uma corretora estrangeira para investir em ações internacionais, os BDRs permitem que você faça isso diretamente do Brasil. Basta abrir seu homebroker e comprar como uma ação comum. O mais interessante é que você investe nos ativos em reais, sem necessidade de câmbio para a transação.
- Dividendos: você terá os mesmos direitos econômicos que um acionista direto. Ou seja, receberá dividendos – já descontado de taxas e impostos – da empresa.
- Diversificação: o mercado global abre grandes possibilidades. Além da diversificação natural, há abertura para novos setores e empresas não disponíveis no Brasil.
Desvantagens do BDR
- Câmbio: ao comprar um BDR, você usa a moeda real para um ativo cotado em dólar. Desta forma, seu investimento será influenciado pela valorização e desvalorização do real em relação ao dólar. Apesar de poder representar um retorno positivo, você não se protege do risco cambial.
- Impostos: os BDRs não escapam da tributação. Neste caso, mesmo não havendo necessidade de remessa internacional, é cobrado do investidor 15% do ganho de capital com esses investimentos. Além disso, os dividendos pagos por esses instrumentos podem estar sujeitos a imposto com base na tabela progressiva, com alíquotas que podem chegar a 27,5%.
Ativos estrangeiros além dos BDRs
Além do BDR, existem outras formas de investir em ativos estrangeiros no Brasil e ter maior diversificação na sua carteira de investimentos. Dessa forma, você pode buscar rentabilidades maiores pensando no longo prazo. Conheça alguns ativos e aumente sua prateleira de opções:
ETFs
Assim como os BDRS, os ETF são acessados diretamente pelo home broker. Em suma, são cotas de fundos que replicam índices, como o Nasdaq 100 por exemplo.
Fundos internacionais
Os fundos internacionais oferecem exposição ao exterior via ações, títulos públicos e moedas. Como qualquer fundo, são compostos por uma série de ativos, e o investidor pode acessá-los pelas cotas. Cada fundo é administrado por um gestor, que gerenciará o seu capital.
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Como investir em BDRs? Saiba o passo a passo
Vimos as diferenças entre os tipos de BDRs. Para investir, também existem essas distinções. Para a identificação dos BDRs é preciso saber quasi são os tickers, isto é, códigos de negociação de cada um. Eles variam conforme o tipo. Veja o modelo abaixo:
XXXXYY
XXXX = 04 letras maiúsculas que representam o nome da empresa
YY = número que representa o BDR P Nível I
XXXX32
XXXX = 04 letras maiúsculas que representam o nome da empresa
32 = número que representa o BDR P Nível II
XXXX33
XXXX = 04 letras maiúsculas que representam o nome da empresa
33 = número que representa o BDR P Nível III
Para BDRs de ETFs, o número final é outro, o 39. Veja:
XXXX39
XXXX = 04 letras maiúsculas que representam o nome da empresa
39 = número que representa o BDR de ETF
Agora que você já reconheceu o ticker do BDR que você quer investir, é hora de saber o passo a passo que você deve seguir.
1) Abra uma conta em uma corretora
Primeiramente, para investir em BDRs você deve ter uma conta em uma corretora. No caso, vamos explicar como funciona com a plataforma da XP. Se você ainda não tem conta na XP, abra a sua aqui.
2) Entre na sua conta
Entre na sua conta da XP e acesse o home broker, a plataforma utilizada para fazer operações na Bolsa. Para acessar, é preciso estar na área logada, portanto, insira seu login e senha. Ao fazer isso, é possível ir direto para o home broker se você quiser. Mas, antes disso, faça uma transferência para a conta na corretora para investir nos produtos.
3) Acesse o home broker na área logada
É possível acessar o home broker por meio da área logada, caso você não opte por ir da forma direta. Assim que você entra na conta, aparece a página inicial de sua carteira de investimentos. Clique na aba do home broker. Em seguida, surgirá a página da plataforma de negociação.
4) Escolha o BDR que você quer comprar ou vender
Chegou a hora de escolher o BDR que você pretende comprar ou vender.
Você pode fazer qualquer ordem básica (compra ou venda). Para escolher a ação, insira o ticker do BDR no campo “Ativo”.
5) Insira a quantidade
O próximo passo é definir a quantidade de compra ou venda. Os BDRs costumavam negociar suas ações por lotes-padrão, que eram pacotes contendo 100 ou 10 títulos, a depender do ativo. Para fomentar o investimento e atrair mais investidores, a B3 resolveu não trabalhar com um lote, mas sim com a unidade. Ou seja, você pode investir, por exemplo, em 80 unidades de um BDR escolhido, não precisando mais adquirir um pacote fechado preestabelecido de 100 ou 10, como antes.
Fique atento aos custos de corretagem e operacionais. Verifique com o seu assessor ou leia no regulamento da corretora para saber mais informações. E sempre tenha a diversificação de ativos como um de seus princípios básicos para tentar minimizar os riscos.
6) Confirme sua assinatura eletrônica para enviar a ordem
O último passo, por fim, é inserir a sua assinatura eletrônica para enviar a ordem e confirmar a transação.
Como investir diretamente no exterior?
É possível ainda investir diretamente no exterior. No entanto, há uma série de burocracias e exigências a seguir. O principal limitante é que algumas corretoras não abrem contas para não residentes. Caso encontre uma que faça, você precisará ter alguns papéis em mãos:
- Cópia do CPF;
- Declaração do Imposto de Renda;
- Informações sobre empregador ou comprovantes de renda;
- Cópia do passaporte;
- Comprovante de residência;
- W-8 BEN: documento que isenta de pagar imposto no país da corretora.
Ao escolher a sua corretora, é necessário se atentar também aos registros em órgãos reguladores. Os principais são:
- Securities and Exchange Comission (SEC);
- Financial Industry Regulatory Authority (Finra);
- Securities Investor Protection Corporation (SIPC).
Basta enviar depois o dinheiro para sua conta no exterior, mas tenha consciência de que você será tributado, seja por IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) ou Remessa Internacional.
Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!