Tudo sobre Renda Fixa em abril (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

O mês de abril, assim como março, também foi fortemente influenciado pelos efeitos do covid-19 na economia. Medidas do governo e do banco central continuaram sendo anunciadas, porém ruídos políticos e receios em relação à política fiscal começaram a ter força sobre as expectativas dos agentes do mercado. As incertezas em relação ao futuro continuaram tendo efeito sobre as decisões de investidores, que buscam ativos mais seguros e de prazos mais curtos. Os spreads de crédito, por sua vez, ainda não apresentam tendência clara e pudemos observar aberturas em ativos de baixo risco de crédito.

Para os próximos meses, continuamos em cenário de incerteza. Ainda não se sabe ao certo quando a economia voltará a funcionar normalmente, o que inclui a confiança do consumidor, que deve tomar mais tempo para retornar a patamares pré-crise. Esperamos um corte de 50 pontos percentuais na reunião do Copom a ser realizada no dia 6 de maio, porém continuamos com visão de que o investidor deve buscar decidir com cautela e gradualmente aumentar a exposição a risco.

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Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Maio é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês de abril

  1. Após expectativa de fim do ciclo de cortes da Selic, a crise gerada pelo covid-19 levou a novo corte, dessa vez de 0,5 ponto percentual, para 3,75%.
  2. Inclinação da curva DI, com expectativas de juros mais elevadas no longo prazo.

Como agir?

  1. Esperamos que o cenário de juros baixos se aprofunde e continue por mais tempo.
    1. Por isso, a recomendação é de busca por diversificação.
    2. No entanto, em contraste com nossa recomendação anterior, o cenário atual exige maior cautela em relação ao perfil de risco dos emissores.
      • Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  2. Devido à nossa visão de que futuros cortes na taxa Selic já estão refletidos na curva prefixada, retiramos essa recomendação de alocação.
  3. No caso de investimentos de prazos mais longos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA).

Veja nossa visão sobre os impactos do coronavírus na renda fixa

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de abril, a captação líquida da Poupança ficou positiva em R$ 24 bilhões. O mês de abril não costuma apresentar tendência de captação historicamente.

No ano, a a Poupança apresenta captação líquida de R$ 19,8 bilhões (até dia 27 de abril).

O cenário adverso faz com que investidores busquem ativos de menos risco e a poupança ainda é a aplicação mais conhecida pelos investidores brasileiros e preferida em momentos de incerteza, mesmo não sendo a mais segura nem a mais rentável.

Considerando a taxa Selic em sua mínima histórica, combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em março (último dado disponível) foi possível observar captação líquida negativa, em R$ 780 milhões. O resultado apresenta reversão significativa em relação ao mesmo mês de 2019.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado, embora em menor percentual do que no mês de fevereiro.

Após diversos meses de participação majoritária de ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, em março os investidores buscaram ativos de prazos mais curtos em sua maioria, entre 1 a 5 anos.

O motivo para tal mudança pode ser a busca por ativos menos arriscados, dada a incerteza maior com a crise provocada pelo covid-19.

Rentabilidade

No mês de abril, todos os títulos negociados no Tesouro Direto apresentaram valorização.

Isso se deve principalmente às menores expectativas para os juros no futuro (veja em “No Radar”) ao longo de toda a curva DI.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias apresentou evolução de 8,5% no mês de abril.

O principal destaque foi o aumento em CDBs, da ordem de 13% no mês. Podemos atribuir o crescimento à necessidade de captação dos bancos em um cenário de maior incerteza, com maior necessidade de liquidez, combinado ao interesse de investidores por ativos de menor risco.

Crédito Privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

O estoque de ativos de crédito privado se manteve novamente constante no mês de abril.

Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados continuam predominando tanto no estoque quanto em novas emissões de debêntures.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 11 bilhões no mês, sendo quase a metade do volume emitido no mês de abril de 2019.

O prazo médio das emissões do mês caiu drasticamente em abril, para 3 anos. Podemos atribuir esta mudança às emissões de empresas visando fortalecer o caixa em meio às incertezas trazidas pela crise do covid-19.

Em meio ao cenário adverso que atravessamos atualmente, o apetite ao risco se reduziu, se refletindo na redução do prazo médio aceito pelos credores.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, apresentou redução do volume emitido no mês (em março a emissão foi de R$ 1,4 bilhão em comparação com R$ 1,7 bi em fevereiro).

Além disso, pudemos também observar queda se fizermos a comparação com o mês de março de 2019.

As emissões realizadas no mês foram do setor de energia elétrica e do setor de saneamento.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, talvez com certo atraso dado o cenário atual. Apesar de nossa revisão de crescimento econômico, investimentos em infraestrutura serão importantes para a retomada da economia. Além disso, entendemos que a participação privada nos projetos reduz riscos de execução.

Mercado secundário

Fluxo

No mês de abril, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 29 bilhões (vs. R$27,8 bilhões em março). Os ativos mais negociados foram do setor elétrico.

Spreads de crédito

Com a crise instaurada pelo alastramento do covid-19, observamos um mercado muito estressado nos últimos meses. Com isso, os spreads de crédito voltaram a abrir expressivamente em março depois de um arrefecimento no começo do ano, tendo continuidade em abril

Alguns fatores ajudam a explicar este movimento:

  • Aumento do risco de crédito (embora não enxerguemos deterioração na magnitude refletida nos spreads).
  • Baixa liquidez dos mercados, principalmente nas duas primeiras semanas após o início da quarentena no Brasil.
  • Resgates de cotistas de fundos de crédito privado
    • Receio da marcação das cotas para baixo.
    • Chamadas de margem (necessidade de liquidez imediata).
    • Busca por oportunidades em ativos de maior risco.

Em abril, os spreads continuaram a abrir, com as contínuas incertezas em relação ao cenário da pandemia sendo combinadas a turbulências políticas.

De modo geral, esperamos que novas emissões de crédito privado sejam realizadas a taxas mais elevadas, mesmo para emissores de risco mais baixo (os chamados “high grade“), acompanhando o ajuste ocorrido nos últimos meses.

Ratings

No mês de abril, foram realizadas diversas ações de rebaixamento de ratings, além de colocação de ratings em perspectiva negativa, em decorrência dos desdobramentos da crise do covid-19.

Devido ao cenário, não houve elevações de ratings no mês.

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco*:

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