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A semana na Renda Fixa (14/02 a 18/02)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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Resumo: As taxas futuras de juros fecharam a semana com leve queda nos vencimentos de curto prazo e estabilidade no restante da curva, em dias de agenda doméstica esvaziada. O movimento foi atribuído por um arrefecimento das tensões da semana passada, com alívio parcial no ambiente geopolítico, melhora no câmbio devido fluxo estrangeiro e sinalizações de desistência da PEC dos Combustíveis.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B) seguiram estáveis em relação à semana anterior, com aspecto muito linear das taxas de juro real a partir do vencimento de 2024. Também teve uma leve queda de taxa no vencimento de 2023, acompanhando a curva de juros nominais.

No cenário internacional, o destaque será o deflator PCE de janeiro, medida de inflação preferida do Fed. Além disso, a semana também será marcada por dados de atividade nos EUA e pela inflação de janeiro na Zona do Euro. No Brasil, destaque para a prévia da inflação de fevereiro (IPCA-15), dados fiscais de janeiro e taxa de desemprego de dezembro. No campo político, o destaque é a possível votação de um projeto de lei que desonere o diesel.

Cenário macroeconômico

No cenário internacional, a ata da última reunião do comitê de política monetária dos Estados Unidos (FOMC) foi divulgada nesta semana e interpretada pelo mercado como mais dovish, ou seja, com tom mais leve de aperto monetário com aumentos de juros. O documento sinalizou que o banco central já está pronto para subir juros, em ritmo atrelado à resposta da inflação, e que a redução do balanço será determinada nas próximas reuniões.

O petróleo Brent recuou em relação ao início da semana, mas ainda segue acima dos 90 dólares por barril, constituindo um importante driver para a inflação global e mantendo o mercado de olho nas tensões na Ucrânia. A crise geopolítica entre Rússia e Ucrânia segue sendo pauta no noticiário e impactando as expectativas. Após encontros entre o presidente russo Vladimir Putin e outros líderes internacionais, a situação segue sem desfecho.

Enquanto isso, no Brasil, revisamos a nossa projeção de Selic em função da deterioração dos fundamentos da inflação. Elevamos a nossa projeção para a taxa Selic, que acreditamos em atingir 12,75%, após três altas: 1 pp em março, 0,75 pp em maio e 0,25 pp em junho, concluindo o ciclo de altas. A taxa deve começar a cair em dezembro, terminando o ano em 12,25% e chegar até 7,5% em 2023.

Apesar de agenda econômica mais esvaziada, temos pautas políticas importantes no radar. As votações do PLP dos Combustíveis e do PL do programa de estabilização foram adiadas para a próxima semana. O relatório apresentado esta semana exclui a desoneração do diesel, mas é esperado que o governo apresente emenda para inclui-la novamente no projeto. Caso aprovado, estimamos perda de 19 bilhões de reais por ano em arrecadação e menos 0,02 pp na inflação fechada do ano de 2021.

No Senado, foi aprovado um subsídio federal para gratuidade de idosos no transporte público. O texto fixa um teto de 5 bilhões de reais anuais para a transferência de recursos aos municípios e durará 3 anos. O custeio será feito com parte das receitas dos royalties do petróleo devidas à União.

Leia tudo o que aconteceu nesta semana em economia.

Juros e inflação

As taxas futuras de juros fecharam a semana com leve queda nos vencimentos de curto prazo e estabilidade no restante da curva, em dias de agenda doméstica esvaziada. O movimento foi atribuído por um arrefecimento das tensões da semana passada, com alívio parcial no ambiente geopolítico, melhora no câmbio devido fluxo estrangeiro e sinalizações de desistência da PEC dos Combustíveis.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B) seguiram estáveis em relação à semana anterior, com aspecto muito linear das taxas de juro real a partir do vencimento de 2024. Também teve uma leve queda de taxa no vencimento de 2023, acompanhando a curva de juros nominais.

De acordo com a precificação de mercado, é esperado uma taxa Selic de 12,641% ao final de 2022, contra a expectativa da XP de 12,25%, 10,874% em 2023 (vs. 8% da XP), 10,582% em 2024 e 11,247% em 2025. Para inflação, o mercado aponta estimativa de cerca de 5,56% em 2022 (vs. 5,2% da XP), e 5,85% em 2023 (vs. 3,25%). Para 2024 e 2025, o mercado espera 5,81% e 6,101%. Dessa forma, as inflações esperadas de curto prazo aumentam e as de médio prazo caem.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 15/02 – NTN-B e LFT

Na terça-feira, no primeiro dia do mês de fevereiro, o Tesouro Nacional (TN) ofertou 800 mil papéis de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) e até 1.250 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

O TN vendeu 692,35 mil NTN-Bs, papéis indexados ao IPCA, e o volume financeiro somou R$ 2,73 bilhões. Também vendeu integralmente a oferta de LFTs em leilão, mas somente no vencimento de 2028. O volume financeiro somou R$ 14,03 bilhões. Não foram aceitas as propostas para o vencimento em 2025.

Leilão do dia 17/02 – LTN e NTN-F

Na quinta-feira, o Tesouro Nacional divulgou a realização dos leilões de vendas de 7 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,8 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F).

O TN vendeu 6,85 milhões de LTNs e o volume financeiro foi de R$ 5,16 bilhões, divididos em três vencimentos. Adicionalmente, 2,74 milhões de NTN-Fs, num total financeiro de R$ 2,63 bilhões divididos em dois vencimentos.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Nesta semana, a série pós-fixada na taxa Selic das LFTs manteve o comportamento de alta demanda e de alongamento de vencimentos, saindo dos curtos de 2022 e 2023 para vértices mais longos como 2027 e 2028. Pouca liquidez para vendas, fazendo os prêmios fecharem um pouco.

Já no mercado de prefixados, o fluxo mais concentrado durante a semana nas LTNs de vencimento em 2022 a 2024. Porém, na séries com pagamento semestral, as NTN-Fs tiveram semana mais tímida no fluxo, com movimentação especulativa de dealers nos vencimentos de 2029 e 2033.

Por fim, na série indexada ao IPCA, as NTN-Bs mais curtas seguiram mais uma vez a tendência das semanas passadas de fluxo comprador de 2022 e 2023, players operando inflação implícita, e vencimentos mais longos, com destaque de 2050, com compras de alocador final. Na terça o mercado de NTN-B com bastante liquidez por conta do balanceamento do índice IMA-B.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Pela terceira semana seguida, os títulos de médio e longo prazo indexados à inflação desvalorizaram, acumulando uma queda nos últimos 12 meses de mais de de 10% nas séries de Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado com vencimentos superiores a cinco anos. Esse movimento de alta de taxas, e consequentemente queda nos preços, acompanhou o tendência vinda do exterior de elevação. Saiba mais como o juro americano impacta essas taxas no Brasil.

As séries de títulos pós-fixados, Tesouro Selic, possuem preços mais estáveis e menos correlacionados com mudanças de perspectivas futuras do juros e inflação, mas apresentaram fechamento suave da taxa prefixada no Tesouro Selic 2027, o que fez valorizar 0,20% contra os 0,15% do Tesouro Selic 2024.

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 844 milhões (ante R$ 823 milhões na semana anterior), R$ 447 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 454 milhões), R$ 254 milhões em CRIs (vs. R$ 113 milhões) e R$ 204 milhões em CRAs (vs. R$ 193 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures da Copel, a debêntures Centrais Elétricas, CRI XPIN e CRA do BTG Pactual Commodities em destaque com volume muito superior aos pares.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para trazer uma aproximação do resultado em cinco dias, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Spreads de Crédito

Nesta seção, apresentamos a movimentação dos spreads de crédito consolidados, com spread médio no intervalo de duas semanas. Intercalamos dessa forma para melhor análise da movimentação dos spreads por rating e é possível conferir no relatório anterior clicando aqui. A próxima série será apresentada no dia 25/02.

O que esperar – Semana de 21/02 a 25/02

Agenda econômica

No cenário internacional, o destaque será o deflator PCE de janeiro, medida de inflação preferida do Fed. Além disso, a semana também será marcada por dados de atividade nos EUA e pela inflação ao consumidor de janeiro na Zona do Euro. No Brasil, destaque para a prévia da inflação de fevereiro (IPCA-15), dados fiscais de janeiro e taxa de desemprego de dezembro.

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Na semana do dia 21 de fevereiro ao dia 25 de fevereiro, véspera de carnaval, não teremos vencimentos programados de debêntures.

Relatórios recentes em destaque

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