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A semana na Renda Fixa (04/04 a 08/04)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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Resumo: Os juros futuros tiveram semana de abertura nas taxas, se aproximando das taxas negociadas um mês atrás. O movimento de precificação mais elevada nos juros nominais ganhou força após a divulgação do dado de inflação (IPCA) de março superar as estimativas e possivelmente ocasionar em um período mais longo de aperto monetário pelo Banco Central.

A curva de juro real, na qual expressa as taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), teve menos variação que os juros nominais, mas seguindo o movimento de elevação nas taxas de todos os prazos de vencimento, com abertura mais acentuada na parte curta da curva.

Para semana que vem, o destaque internacional será a reunião do Banco Central Europeu e as principais divulgações serão a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA de março, que devem refletir pressões de preços decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia, além de dados de atividade da China. No Brasil, o destaque entre dados econômicos será a atividade econômica referentes a fevereiro. A greve no Banco Central torna incerta a divulgação de indicadores como a pesquisa Focus e dados de crédito.

Cenário macroeconômico

No cenário internacional, a Rússia continua bombardeando o sul da Ucrânia e as autoridades dos EUA alertaram que a guerra pode durar meses ou até anos e o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia pediu ajuda militar urgente. A guerra tem impacto direto nos preços das commodities, principalmente de energia (petróleo, gás natural) e agrícolas – a região do conflito é uma importante produtora de grãos e fertilizantes.

Na China, novo lockdown é ameaça para inflação global. A cidade de Xangai está sob lockdown após aumento dos casos de Covid-19 na região, que atingiram recordes diários. Os números, ainda que menores do que os registrados em outras partes do mundo, é significativo para a China. As mediadas restritivas representam risco inflacionário para o mundo, pois tende a intensificar os problemas nas cadeias globais de produção.

O Banco Central americano sinaliza aceleração na alta de juros, divulgando nesta semana a ata de sua última reunião, na qual elevou juros em 0,25 p.p. para o intervalo entre 0,25-0,50% a.a. Segundo o documento, muitos membros da instituição tinham preferência pelo aumento da taxa de juros de referência em 0,50 p.p. em março, mas, à luz das maiores incertezas de curto prazo associadas ao conflito militar na Ucrânia, a decisão de alta de 0,25 p.p. acabou sendo julgada como a mais apropriada.

Muitos dirigentes do Fed acreditam que aumentos de 0,50 p.p. podem ser adequados nas próximas reuniões. Além disso, o banco central indicou o plano de, a partir de maio, reduzir suas posições em títulos públicos (em até US$ 60 bilhões/mês) e títulos garantidos por hipotecas (em até US$ 35 bilhões/mês), com os montantes (limites). A sinalização de política monetária mais apertada nos EUA aumentam o risco de recessão no país, e tende a gerar volatilidade nos mercados financeiros globais.  

Enquanto isso, no Brasil, consideramos no novo cenário as surpresas recentes do IPCA, efeitos persistentes da guerra na Ucrânia e melhora recente da taxa de câmbio. A inflação de março surpreende com alta puxada por combustíveis e alimentação, o IPCA subiu 1,62% em relação ao mês anterior, e 11,30% em 12 meses (contra 10,54% no mês anterior). No ano, o IPCA já acumula alta de 3,20%, enquanto a meta do banco central para o ano é de 3,5%.

A surpresa se concentrou nos grupos de alimentação em casa e combustíveis, refletindo efeitos da guerra na Ucrânia, que pressionou preços de commodities agrícolas e energéticas, aumentando o risco inflacionário em todo o mundo. O resultado da divulgação do IPCA de março adiciona riscos de alta às nossas projeções, mesmo com o anúncio recente de recuo na energia elétrica (que já tínhamos na conta). Por ora, mantemos nossa projeção para o final de 2022 em 7,0%.

A Reforma Tributária deixada de lado e o orçamento de 2023 entra no radar. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco declarou que a reforma tributária não deve mais ser discutida neste ano, pela ausência de consenso e pelas perdas que pode causar. O ministro Paulo Guedes por sua vez declarou que o governo pretende aumentar a redução de tributos, em especial IPI, mas com possibilidade de correção da tabela do IRPF (promessa de campanha do presidente Bolsonaro) e redução do IRPJ. Na próxima semana será enviado o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023.

Leia tudo o que aconteceu nesta semana em economia.

Juros e inflação

Os juros futuros tiveram semana de abertura nas taxas, se aproximando das taxas negociadas um mês atrás. O movimento de precificação mais elevada nos juros nominais ganhou força após a divulgação do dado de inflação (IPCA) de março superar as estimativas e possivelmente ocasionar em um período mais longo de aperto monetário pelo Banco Central.

A curva de juro real, na qual expressa as taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), teve menos variação que os juros nominais, mas seguindo o movimento de elevação nas taxas de todos os prazos de vencimento, com abertura mais acentuada na parte curta da curva.

De acordo com os preços de mercado, é esperado uma taxa Selic de 13,24% ao final de 2022, contra a expectativa da XP de 12,75%, 11,20% em 2023 (vs. 8,25% da XP), 10,85% em 2024 e 11,09% em 2025. Para inflação, o mercado aponta estimativa de cerca de 7,97% em 2022 (vs. 7,0% da XP), e 6,5% em 2023 (vs. 4,0%). Para 2024 e 2025, o mercado espera 6,05% e 6,03%.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 05/04 – NTN-B e LFT

Na terça-feira, o Tesouro Nacional (TN) ofertou 950 mil de papéis de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) e até 1 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

O TN vendeu integralmente as 937.100 NTN-Bs, papéis indexados ao IPCA em três vencimentos, e o volume financeiro foi de aproximadamente R$ 3,835 bilhões. Também vendeu integralmente a oferta de LFT, apenas do vencimento de 2028, e o volume financeiro foi de 7,454 bilhões.

Leilão do dia 07/04 – LTN e NTN-F

No leilão de quinta-feira, Tesouro Nacional divulgou a realização dos leilões de vendas de 14 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e apenas 450 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F).

O TN vendeu integralmente a oferta de 18 milhões de LTNs e o volume financeiro somou R$ 13,3 bilhões, divididos em três vencimentos. Adicionalmente, também vendeu 50 mil NTN-Fs, no vencimento de 2033, e o volume financeiro foi de R$ 46,87 milhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Nesta semana, no mercado das séries pós-fixada e prefixada, tivemos mercado menos liquidez do que nas semanas passadas. Fluxo vendedor nas LFTs e LTNs nos vencimentos de 2024 e 2025. Nos prefixados com cupom semestral, as NTN-Fs tiveram pressão vendedora e baixa liquidez.

Na série indexada ao IPCA, as NTN-Bs , a semana começou com fluxo mais vendedor e inverteu nos vencimentos de 2022 e 2023, após mudanças nas expectativas de inflação de curto prazo para cima.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Nessa semana, as séries de títulos pós-fixados (Tesouro Selic) foram os únicos com rentabilidade positiva na variação de preço da semana, devido o carrego da taxa Selic e pouca influência da parcela prefixada.

Já as séries prefixadas e indexadas à inflação (IPCA+) sofreram o efeito da pressão altista nas taxas de juros futuros esperados pelo mercado. Assim como nas primeiras semanas do ano, as elevações nas taxas negociadas desvalorizaram os títulos. O tesouro prefixado e tesouro IPCA+ de vencimentos acima de 10 anos já acumulam mais de 10% de desvalorização nos preços.

Acompanhe as taxas do títulos do Tesouro Direto disponíveis para compra e para resgate aqui!

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 1,29 bilhão (ante R$ 1,66 bilhão na semana anterior), R$ 608 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 699 milhões), R$ 237 milhões em CRIs (vs. R$ 1,06 bilhão) e R$ 271 milhões em CRAs (vs. R$ 229 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures incentivadas da Holding da Araguaia (HARG11), a debênture comum da Eletrobras (ELET22), CRI da Almeida Jr e CRA Moreno.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para trazer uma aproximação do resultado em cinco dias, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Spreads de Crédito

Nesta seção, apresentamos a movimentação dos spreads de crédito consolidados, com spread médio no intervalo de semanas. Intercalamos dessa forma para melhor análise da movimentação dos spreads por rating e é possível conferir no relatório anterior clicando aqui. A próxima série será apresentada no dia 15/04.

O que esperar – Semana de 11/04 a 15/04

Agenda econômica

Para semana que vem, o destaque internacional será a reunião do Banco Central Europeu. Entre os dados econômicos, as principais divulgações serão a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA referentes ao mês de março, que devem refletir pressões de preços decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia, além de dados de atividade da China referentes a março.

No Brasil, o destaque entre dados econômicos será a atividade econômica referentes a fevereiro, com a volume de serviços e vendas no varejo. A greve no Banco Central torna incerta a divulgação de indicadores como a pesquisa Focus e dados de crédito.

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Relatórios recentes em destaque

Renda Fixa

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