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Economia em destaque: Seu resumo semanal do cenário econômico internacional e doméstico

PMIs ao redor do mundo indicam recuperação em risco, e PIB do Brasil no centro das atenções dessa semana.

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Cenário Internacional

No cenário internacional, o principal destaque da semana foi a divulgação dos Índices de Gerente de Compras (PMIs) referentes a novembro das principais economias. Na China, os PMIs industrial e de serviços reforçaram o crescimento robusto no país tanto por meio da demanda doméstica quanto internacional, condizentes com o que deverá se materializar como um dos únicos resultados positivos para o ano em economias relevantes no mundo.

Já nos Estados Unidos, os resultados dos PMIs de novembro tanto para indústria quanto serviços indicaram queda em relação ao mês anterior, especialmente para o segundo, mas ainda em território de expansão. Por  outro lado, a criação de vagas de trabalho no mês veio abaixo das expectativas de mercado, mostrando tanto a fragilidade da recuperação em curso, quanto os impactos da nova onda de medidas de restrição implementadas em algumas regiões do país. Com o resultado, a taxa de desemprego caiu para 6,7% em novembro, contra 6,9% em outubro. Nesse contexto, volta a crescer a pressão sobre a aprovação de um novo pacote fiscal por parte do Congresso, mesmo durante o período conhecido como “lame duck” – a última atualização nesse sentido é a proposta de um pacote de US$ 908 bilhões.  

Enquanto isso, na Zona do Euro, os resultados já refletem um quadro um pouco mais preocupante do que nos EUA – movimento já esperado, dado a recuperação desde o início heterogênea na região, e o forte avanço da segunda onda da Covid-19, e com ela, de novas medidas de restrição de mobilidade. Os PMIs de novembro mostram que, apesar de a indústria permanecer em território de expansão, especialmente puxada por Alemanha e Reino Unido, o setor de serviços da região já apresenta substancial retração, especialmente em países que foram mais afetados pela segunda onda, como Itália e Espanha. 

Foi também destaque no palco internacional a reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) e aliados liderados pela Rússia, que acordou em um aumento modesto de produção coletiva de 500 mil barris de petróleo por dia a partir do mês que vem. O acordo encerra o impasse que vinha se arrastando há meses, diante da ainda incerta perspectiva de crescimento global e, portanto, demanda pela commodity, para os próximos meses.

Finalmente, no terreno das vacinas contra o coronavírus, Reino Unido foi o primeiro país a autorizar o uso emergencial da vacina contra a covid-19 no mundo – produzida em parceria entre a Pfizer e a BioNTech. De acordo com o Ministério da Saúde britânico, 800 mil doses da vacina serão utilizadas na primeira fase de imunização da população, que começa na semana que vem, a princípio em grupos de risco. Por outro lado, o anúncio também da Pfizer sobre o corte de 50% da produção esperada de vacinas para esse ano, diante de problemas na cadeia de suprimentos, trouxe novamente cautela aos mercados no final da semana.

Enquanto isso, no Brasil

Na seara das vacinas contra o coronavírus, segue o embate político sobre o começo da distribuição do imunizante e da vacinação em massa. O governo do estado de São Paulo pretende começar a vacinação já em janeiro, com vacinas produzidas pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã. Já o governo federal tem falado em início da campanha apenas em março ou abril do ano que vem. Vale notar que a aprovação de qualquer vacina no Brasil necessita de aprovação do órgão federal regulador do setor, a Anvisa. Já no STF, foi adiado por ora o julgamento sobre o plano de vacinação no país. 

Já em termos de indicadores econômicos, o principal destaque da semana foi a divulgação do PIB do terceiro trimestre, que apresentou crescimento de 7,7% QoQ e -3,9% YoY. O resultado veio abaixo da nossa expectativa (8,4% QoQ) e do consenso de mercado (8,7% QoQ). No entanto, na comparação anual, o resultado veio em linha com nossas expectativas (-3,8%) e abaixo das projeções de mercado (-3,5%). No lado do abastecimento, manufatura (23,7% QoQ) e varejo (15,9%) se destacaram, com a população afastando a demanda de serviços (devido à pandemia). Do lado da demanda, os destaques foram Consumo das Famílias, que apresentou crescimento sólido de 7,6% no trimestre (-11,3% no 2T20) e Investimento (11,0% no trimestre, após -16,5% no trimestre anterior). Vale ressaltar que o IBGE também revisou o crescimento do PIB de 2019 de 1,1% para 1,4%. Mantivemos a nossa projeção em -4,6% para 2020 e para +3,4% em 2021.

Nessa semana foi também divulgado o resultado da produção industrial referente a outubro, que acelerou 0,3% a/a e 1,1% m/m em outubro. O resultado veio levemente abaixo da nossa expectativa (+0,6% a/a e +1,5% m/m) e bem abaixo do consenso de mercado (+1,1% a/a e +1,5% m/m). Uma possibilidade é que a restrição de oferta tenha limitado o crescimento da indústria em outubro. Apesar de abaixo do esperado, o resultado vem em linha com a nossa expectativa de uma recuperação consistente no PIB do terceiro trimestre desse ano (nossa expectativa é de -3,8% a/a e +8,4% t/t), que será divulgado na próxima quinta-feira (3 de dezembro), e traz uma sinalização positiva para o PIB do quarto trimestre (Exp. XP: -2,7% a/a e +2,0% t/t).

Na seara fiscal, o resultado primário governo geral apresentou o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 3,0 bilhões em outubro, com o governo central registrando déficit de R$ 3,2 bilhões e estados e municípios novamente com resultado positivo – com superávit de R$ 5,2 bilhões. Já as empresas estatais também registraram superávit, de R$ 998 milhões. O resultado foi o primeiro superávit para o governo geral desde janeiro e surpreendeu as expectativas do mercado (que apontavam para um déficit de R$ 6,6 bilhões), levado por dois principais fatores: i) a expressiva recuperação da arrecadação tanto à nível federal quanto estadual – que apresentou alta de 15% em outubro em relação ao mês anterior, e agora não conta mais com as transferências emergenciais do governo federal (excetuando uma pequena parcela residual); e ii) o impacto positivo de recursos transferidos do BNDES ao Tesouro, em uma realocação para programas de crédito subsidiado a empresas.

Finalmente, o Tesouro Nacional foi bem sucedido em suas emissões de títulos tanto no mercado doméstico quanto internacional. Em sua emissão internacional, o Tesouro conseguiu captar US$ 2,5 bilhões em títulos de três vencimentos – 2025, 2030 e 20250. A demanda pelos papeis excedeu a oferta, atingindo US$ 8,5 bilhões, sinalizando a robustez das contas externas e elevado nível de reservas internacionais, e contribuiu para potenciais emissões de títulos privados, além de corresponder a aproximadamente 85% do vencimento do título Global 2021, cujo vencimento se aproxima no mês que vem.   

Já no mercado interno, o Tesouro Nacional conseguiu captar R$ 65 bilhões na semana, incluindo uma das maiores emissões com um único vencimento – NTN-B 2023. Os leilões indicaram um movimento arrefecimento do estresse no mercado de renda fixa, com prêmios reduzidos quando comparados aos observadas no início de outubro, e prazos relativamente mais longos. Com isso, o Tesouro soma a emissão de R$ 390 bilhões em títulos, já cobrindo a rolagem dos R$ 155 bilhões em títulos a vencer até fevereiro, além do déficit primário esperado para o quarto trimestre (em R$ 115 bilhões).

O que esperar?

A reunião de política monetária do Banco Central (Copom) será o principal destaque da agenda econômica da próxima semana. A nossa expectativa e o consenso de mercado são de que a Taxa Selic deve permanecer nos atuais 2,00% ao ano.

Na frente de indicadores econômicos nacionais, serão divulgados o volume do setor de serviços em outubro e o comércio varejista nesse mesmo mês, além do IPCA de novembro. No cenário internacional, o PIB da Zona do Euro e os índices de inflação (CPI e PPI) das principais economias serão as divulgações mais importantes.

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