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PIB do Brasil cresce 7,7% no terceiro trimestre, mas ainda está -4,1% abaixo do nível pré-pandemia

Comércio e indústria de transformação são os destaques

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O IBGE divulgou nesta quinta-feira, o PIB do terceiro trimestre de 2020. Na comparação com ajuste sazonal, a atividade econômica cresceu 7,7% contra o 2º trimestre e recuou 3,9% contra o mesmo trimestre do ano passado.

O resultado na comparação interanual veio levemente abaixo das nossas expectativas (XP: -3,8%) e abaixo do consenso do mercado (-3,5%). Na comparação trimestral (+7,7%), o resultado veio abaixo tanto da nossa projeção quanto do consenso de mercado (8,4%). Os principais motivos para este distanciamento no dado dessazonalizado foram as tradicionais revisões que o IBGE imputa nas Contas Nacionais Trimestres referentes ao terceiro trimestre, incluindo as pesquisas estruturais definitivas de dois anos anteriores. O IBGE alterou também o crescimento da economia brasileira em 2019, de um crescimento de +1,1% para +1,4%.

Destaques setoriais

O trimestre foi marcado pela substituição do consumo de serviços por bens e produtos, comportamento característico da pandemia. Os setores que mais se beneficiaram desta dinâmica foram a Indústria de Transformação, com crescimento de 23,7%, e o Comércio, com alta de 15,9%. Outro destaque foi a Construção Civil, impulsionada pelos programas do governo durante a pandemia e pela política monetária estimulativa. com crescimento de 5,6% no trimestre.

Os destaques negativos se concentraram em poucos setores, mas com grande peso no PIB.  O item “Outros Serviços” (segmento que contempla grande parte da mão de obra brasileira) avançou 7,8% no trimestre, abaixo de nossa expectativa de 13,7% depois de ter retraído -16,9%.  A Administração Pública cresceu bem menos que o PIB, 2,5%, prejudicada pela paralisação de serviços públicos como educação infantil e cirurgias eletivas do SUS, alvo de alteração metodológica que IBGE promoveu na última leitura das Contas Nacionais.  Os dois setores combinados pesam cerca de 35,7% do PIB.

No acumulado no ano, quatro setores da economia brasileira estão superando a crise da COVID-19 com crescimento positivo. A Indústria Extrativa e a Intermediação Financeira destoam com crescimento, ambas de 4,3%, seguidos da Agropecuária (2,4%) e Serviços Imobiliários (2,2%). Por outro lado, o PIB de Outros Serviços tem queda no ano de -13,0% e os Serviços de Transportes com queda de -10,9% ocupam as últimas posições. No geral, o PIB apresenta até esta última leitura uma queda de -5,0% em 2020.

O PIB e a Pandemia

Apesar do crescimento trimestral recorde de 7,7%, o PIB segue distante do nível observado antes da crise do novo coronavírus. O 3º tri/20 está 4,1% abaixo do 4º tri/19. Se consideramos o contrafactual da atividade econômica, extrapolando a tendência anterior à pandemia, essa distância seria de 5,3%.

O olhar atento sobre o desempenho da composição do PIB nos traz algumas boas sinalizações do comportamento da atividade econômica durante a crise. O mercado de crédito não ficou disfuncional nesta crise e, portanto, pode se tornar um fator indutor de crescimento para além de 2020 e a abertura dos serviços de intermediação financeira já apontam para essa realidade. A Construção Civil que tem efeito multiplicador de renda e valor agregado na economia elevado também vem apresentando recuperação na esteira de juros baixos do país. Mas dependerá do setor de serviços a recuperação do PIB nos próximos trimestre. Abarcando grande parte da mão de obra da população brasileira, a retomada das atividades deste setor será a única forma possível de tornar sustentável a retomada do mercado de trabalho e consequentemente da demanda agregada.

Quando observamos o PIB pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias será o principal fator de recuperação da atividade a partir dos próximos trimestre. Dada a restrição fiscal do governo e a ociosidade dos fatores de produção no Brasil, o Consumo do Governo e Investimentos, não serão, respectivamente, propulsores de crescimento no curto prazo.

Tendência Prospectiva: Retomada continua, em ritmo mais lento

Para os próximos trimestres dependeremos, quase que exclusivamente, do andamento da agenda de reformas estruturais para que o ritmo de recuperação econômica seja mais forte que a atualmente precificada.

Quando comparamos a dinâmica esperada do PIB para os próximos trimestres com outras saídas outras crises (como a de 2008), provavelmente mostraremos um ritmo mais lento não apenas pelo reflexo da pandemia sobre o potencial da economia, mas também pelo risco fiscal do alto endividamento público.

Mantemos nossa projeção para a economia brasileira em -4,6% em 2020 e de +3,4% para 2021.

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