Live Expert Talks: CEO do BR Partners falou sobre planos de expansão após IPO e potencial aquisição

O CEO do BR Partners, Ricardo Lacerda, e o diretor de Relações com Investidores do banco, Vinicius Carmona, conversaram com a XP sobre planos de expansão após o IPO e perspectiva para o mercado de capitais como parte da série Expert Talks.


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O CEO do BR Partners, Ricardo Lacerda, e o diretor de Relações com Investidores do banco, Vinicius Carmona, conversaram com o analista do setor financeiro da XP, Marcel Campos, sobre o desempenho do banco e planos de expansão após o IPO, sobretudo no mercado de capitais e em gestão de fortunas como parte da série Expert Talks. Veja a live e confira os destaques abaixo

BR Partners sobe mais de 45% desde IPO

Em 2009, logo após a crise financeira abalar grandes bancos de investimento estrangeiros, os sócios do BR Partners viram na grande concentração do mercado financeiro local em poucos bancos uma oportunidade de crescimento para as instituições independentes, focadas na prestação de serviços financeiros. O banco abriu seu capital em junho de 2021 levantando R$ 400 milhões. Desde então, a ação do banco acumula valorização de mais de 46%, até 19 de agosto, liderando as maiores altas entre as empresas que estrearam na bolsa neste ano. Veja a lista de empresas que estrearam na bolsa que mais subiram aqui.

Com a estrutura de capital reforçada, o banco pretende expandir os negócios nas áreas em que atua, que abrangem mercado de capitais, assessoria financeira a operações de fusões e aquisições, crédito estruturado e tesouraria.

Lacerda vê grande potencial para o crescimento nas estruturações de operações no mercado de capitais, sobretudo na emissão de títulos de renda fixa como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), além de debêntures de infraestrutura. “Temos crescido no mercado de emissões de renda fixa, inclusive montando um time focado em infraestrutura”, disse Carmona.

Como parte de algumas operações de emissão de dívida no mercado local acaba ficando com os próprios estruturadores da oferta, o banco precisa de um capital mais robusto para expandir a atuação nessa área.

O BR Partners ainda pretende lançar uma plataforma digital de investimentos para distribuir os produtos de mercado de capitais como CRA, CRI e debêntures. “Devemos começar a testar a plataforma em setembro e colocar em operação no ano que vem”, disse.

Da mesma forma, o banco pretende, agora capitalizado, ampliar a atuação nas operações de tesouraria, com câmbio e juros, com os clientes, muitos deles grandes empresas, após o duplo upgrade na nota de crédito do banco pela Fitch Ratings de ‘A-‘ para ‘A+’. “Tínhamos restrição para atuar como contraparte em operações com nossos clientes, muitos deles grandes empresas, em função do nosso patrimônio. Agora temos balanço mais robusto para atuar em todas as operações”, disse Lacerda

Avaliando potencial aquisição no segmento de gestão de fortunas

Outra área que o banco pretende entrar é em gestão de fortunas. O BR Partners avalia potenciais oportunidades de aquisição de negócios nessa área, seja de uma plataforma ou de um grupo de pessoas que já tenha esse business, diz Lacerda. “Mapeamos várias alternativas para buscar essa aquisição, que acreditamos que pode trazer mais diversificação de receita”, diz Lacerda.

O objetivo do banco é oferecer um leque de produtos completo para os clientes e ampliar a geração de receita com serviços.

Hoje o banco é um  dos líderes na assessoria financeira para operações de fusões e aquisições tendo participado recentemente de operações como a compra da Hering pelo Grupo Soma, (abril de 2021), por R$ 5,1 bilhões, na qual atuou pela Hering, e também assessorou a Telefônica S.A. na compra do ativos de telefonia móvel da Oi S.A(dezembro de 2020).

Esses eventos geram liquidez para os acionistas e o BR Partners pretende continuar atendendo esses clientes após essas operações, como IPO (Oferta Pública Inicial) ou M&A, na área de gestão de fortunas.

Nos seis primeiro meses de 2021, 75% da receita do banco veio de serviços financeiros, mas o que chama a atenção é margem líquida alta, que ficou acima de 40% no 2T21, bem acima de pares internacionais, que está entre 10% e 15%, afirmou Carmona.

O pagamento de alguns executivos do banco via a distribuição de dividendos, explica parte dessa diferença, disse Campos, uma vez que lá fora os executivos têm uma participação pequena no capital.

“A posição de liderança em mercados que atuamos, como assessoria a operações de M&A, a estrutura de custo enxuta e modelo de partnership explicam nossa margem alta”, disse Lacerda.

O BR Partners reportou lucro de R$ 35 milhões no segundo trimestre (veja relatório sobre o assunto), versus R$ 31 milhões no 1T21 e R$ 24 milhões no 2T20, o que implica um Retorno Sobre Patrimônio Líquido (ROE) de 19% no trimestre (recursos do IPO já incorporados

Apesar das eleições, mercado de capitais segue robusto em 2022

O CEO do BR Partners acredita que a maior volatilidade esperada nos mercados em função do cenário eleitoral para 2022 não deve inibir as operações de mercados que devem seguir robustas , prevendo uma aceleração da desintermediação dos serviços financeiros no Brasil. “Não estamos vendo uma desaceleração do nível de atividade, mas no segundo semestre do ano que vem, talvez, teremos que reavaliar”, disse Lacerda. “Mas não estamos vislumbrando algo traumático”, disse.

Da mesma forma, apesar do aumento da taxa Selic, a taxa básica de juros permanece  em patamar ainda historicamente baixo, devendo ficar, segundo entre 7% e 8% no fim do ano, disse Lacerda.

“Vimos um recorde de IPOs neste ano e as empresas listadas são as que mais buscam serviços de bancos de investimento”, destacou Lacerda. “Estou no mercado há mais de 30 anos e nunca vi um movimento tão positivo nesse sentido”, completou.

O número de Ofertas Públicas Iniciais (IPOs, na sigla em inglês) em 2021, já superou o de 2020 e é o maior desde 2007, com 44 operações, segundo a B3.   No ano, até julho, foram levantados R$ 304 bilhões no mercado de capitais, incluindo as ofertas de ações e renda fixa, 62% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Carmona lembra que a queda da taxa Selic de 14,5%, em 2016, para 2%, em 2020, e a redução do crédito subsidiado pelos banco públicos ajudaram a fomentar as operações no mercado de capitais, possibilitando as empresas captarem recursos a um custo mais interessante com prazos maiores, e aos investidores terem acesso a produtos de renda fixa com prazos interessantes.

O executivo também vê um mercado aquecido para M&A, após as empresas levantarem recursos na bolsa recentemente. “Grande parte do capital levantado na bolsa se destina a fusões e aquisições”, disse Lacerda.

As transações de M&A neste ano, até agosto, mostram crescimento de 200% em relação ao ano passado, segundo a Dealogic, disse Carmona.

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