Tudo sobre Renda Fixa em março (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

O mês de março foi fortemente marcado pela crise provocada pelo coronavírus. Em movimento análogo ao de outros bancos centrais globais, o Banco Central do Brasil realizou novo corte na taxa Selic, de 0,50 ponto percentual, a levando a 3,75% ao ano. O mercado continua esperando novos cortes ainda este ano, uma vez que se espera recessão este ano. Vimos impacto no mercado de renda fixa, com menos emissões no mês, como já esperávamos e dificuldade de leitura dos níveis adequados de spread de crédito.

Para os próximos meses, continuamos em cenário de incerteza. Não se sabe ao certo por quanto tempo o isolamento social durará e qual será o impacto disso na economia. Seguiremos acompanhando as medidas anunciadas pelo governo federal e banco central para conter os efeitos negativos. O momento de incerteza reforça nossa visão sobre a importância da renda fixa em todas as carteiras.

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Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Abril é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês de março

  1. Após expectativa de fim do ciclo de cortes da Selic, a crise gerada pelo covid-19 levou a novo corte, dessa vez de 0,5 ponto percentual, para 3,75%.
  2. Projeções econômicas revisadas.
  3. Inclinação da curva DI, com expectativas de juros mais elevadas no longo prazo.

Como agir?

  1. Esperamos que o cenário de juros baixos se aprofunde e continue por mais tempo.
    1. Por isso, a recomendação é de busca por diversificação. No entanto, em contraste com nossa recomendação anterior, o cenário atual exige maior cautela em relação ao perfil de risco dos emissores.
    • Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  2. Indicamos o Tesouro Prefixado 2023, com base em nossa visão de oportunidades na parte intermediária da curva (cerca de três anos).
  3. No caso de investimentos acima de quatro anos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos acima do IPCA por prazos mais longos.

Veja nossa visão sobre os impactos do coronavírus na renda fixa

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de março, a captação líquida da Poupança ficou positiva em R$ 12 bilhões.

Nos últimos dois anos, março foi um mês de captação líquida. Este ano, porém, a captação foi a maior do período para o mês.

O cenário adverso faz com que investidores busquem ativos de menos risco e a poupança ainda é a aplicação mais conhecida pelos investidores brasileiros e preferida em momentos de incerteza, mesmo não sendo a mais segura nem a mais rentável.

Considerando a taxa Selic em sua mínima histórica, combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em fevereiro (último dado disponível) foi possível observar captação líquida negativa, em R$ 960 milhões. O resultado apresenta reversão significativa em relação ao mesmo mês de 2019.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado.

Os investidores continuam comprando principalmente ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, alongando o perfil de seus investimentos, possivelmente visando maior rentabilidade.

Rentabilidade

No mês de março, quase todos os títulos negociados no Tesouro Direto apresentaram desvalorização.

Isso se deve à abertura da curva DI futuro (veja em “No Radar”) nos vértices mais longos, como resultado de temores com os desdobramentos do coronavírus sobre a economia global.

O efeito é mais forte sobre os títulos mais longos. Quanto mais longo o título, maior o risco e maior a sensibilidade a variações nas expectativas de juros.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias apresentou evolução de 7% no mês de março.

Os principais destaques foram crescimento de 12% no estoque de CDBs, de 3,9% em LIGs e queda de 3,5% no estoque de LCs.

Os números fazem sentido em um momento em que investidores voltam a buscar ativos de baixo risco, principalmente os mais conhecidos, como CDBs.

Além disso, bancos buscam liquidez para atravessar os próximos meses, captando, dentre outros, através de plataformas de investimentos.

Crédito Privado

O estoque de ativos de crédito privado se manteve novamente constante no mês de março.

No segundo slide (acima), vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 3,7 bilhões no mês, muito abaixo dos R$ 10,7 bilhões no mês de março de 2019.

O prazo médio das emissões do mês subiu para 6,5 anos, em comparação aos 5,7 anos em média das emissões de março de 2019, porém apresentou certa retração em relação aos 6,7 anos em média das emissões realizadas em fevereiro.

Acreditamos que, em meio ao cenário adverso que atravessamos atualmente e às incertezas acerca dos próximos meses, o apetite para novas emissões reduza, especialmente para prazos mais longos.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, mostra tendência de crescimento no ano (em janeiro foram emitidos R$ 300 milhões vs R$ 1,7 bi em fevereiro).

Apesar do crescimento mês a mês, observamos queda de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As emissões realizadas no mês foram do setor de energia elétrica e do setor de transporte e logística. É interessante observar o aumento em emissões de transporte/logística nos últimos meses. Esperamos que essa tendência continue em 2020.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar. Apesar de nossa revisão de crescimento econômico, investimentos em infraestrutura serão importantes para a retomada da economia. Além disso, entendemos que a participação privada nos projetos reduz riscos de execução.

Spreads de crédito

Conforme apresentamos em nossos relatórios mensais mais recentes, os últimos meses de 2019 foram marcados por abertura dos spreads de crédito (aumento dos prêmios de risco).

Após aquele período, desde dezembro pudemos enxergar movimento de consolidação de novos patamares, indicando estabilização dos spreads e possível fim desse ciclo de ajuste técnico.

No entanto, com a crise instaurada pelo alastramento do covid-19, observamos um mercado muito estressado durante o mês de março. Com isso, os spreads de crédito voltaram a abrir expressivamente.

Alguns fatores ajudam a explicar este movimento:

  • Aumento do risco de crédito (embora não enxerguemos deterioração na magnitude refletida nos spreads).
  • Baixa liquidez dos mercados, principalmente nas duas primeiras semanas após o início da quarentena no Brasil.
  • Resgates de cotistas de fundos de crédito privado
    • Receio da marcação das cotas para baixo.
    • Chamadas de margem (necessidade de liquidez imediata).
    • Busca por oportunidades em ativos de maior risco.

De modo geral, esperamos que novas emissões de crédito privado sejam realizadas a taxas mais elevadas, acompanhando o ajuste ocorrido nos últimos meses.

Ratings

No mês de março, foram realizadas diversas ações de rebaixamento de ratings, em decorrência dos desdobramentos da crise do covid-19 sobre as empresas e expectativas desses efeitos no futuro.

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco*:

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