Tudo sobre Renda Fixa em fevereiro 2020 (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de fevereiro, houve novo corte na taxa Selic, de 0,25 ponto percentual, a levando a 4,25% ao ano. Naquele momento, o sentimento e o tom do nosso Banco Central era de que o ciclo de cortes havia chegado ao fim. No entanto, o surto do coronavírus trouxe diversas incertezas, o que fez com que expectativas passassem a ser revisadas. O mês foi mais curto para o mercado em decorrência do feriado de Carnaval, fazendo com que o mercado ficasse menos aquecido para novas emissões. Por fim, pudemos observar tendência de fechamento de spreads de crédito.

Ao final de fevereiro, incertezas tomaram conta dos mercados globais e no Brasil não foi diferente. Esperamos agora novo corte na taxa Selic de 0,5 ponto percentual já em março, a levando a 3,75%. Apesar dos juros mais baixos, aversão a risco dos investidores pode limitar ou postergar novas emissões de empresas não recorrentes ou alongamento de dívidas, que vinham ocorrendo recentemente. No entanto, os efeitos negativos sobre ativos de risco reforçam a importância da renda fixa em todas as carteiras. Continuaremos monitorando os mercados para avaliar os impactos sobre a renda fixa.

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Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Março é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês de fevereiro/começo de março

  1. Ciclo de corte de juros parecia ter chegado ao fim com Selic a 4,25% ao ano.
  2. Projeções econômicas revisadas.

Como agir?

  1. Esperamos que o cenário de juros baixos se aprofunde e continue por mais tempo. Por isso, a recomendação é de busca por diversificação e ativos mais arriscados.
    • Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  2. Indicamos o Tesouro Prefixado 2023, com base em nossa visão de oportunidades na parte intermediária da curva (cerca de três anos).
  3. No caso de investimentos acima de quatro anos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos acima do IPCA por prazos mais longos.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de fevereiro, a captação líquida da Poupança ficou negativa em R$ 1,3 bilhão.

Nos últimos quatro anos, fevereiro foi um mês de resgates líquidos, o que pode ser justificado por ser um mês de despesas mais altas da população. Este ano, porém, o resgate foi o maior do período para o mês.

Considerando a taxa Selic em sua mínima histórica, combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente e faz sentido esperar constantes reduções na captação líquida.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em janeiro (último dado disponível) foi possível observar captação líquida negativa, em R$ 958 milhões. O mês costuma apresentar resgates maiores historicamente pelo fato de haver maiores despesas no começo do ano.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado.

Os investidores continuam comprando principalmente ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, alongando o perfil de seus investimentos, possivelmente visando maior rentabilidade.

Rentabilidade

No mês de fevereiro, quase todos os títulos negociados no Tesouro Direto apresentaram desvalorização.

Isso se deve à abertura da curva DI futuro (veja em “No Radar”) nos vértices mais longos, como resultado de temores com os desdobramentos do coronavírus sobre a economia global.

O efeito é mais forte sobre os títulos mais longos. Quanto mais longo o título, maior o risco e maior a sensibilidade a variações nas expectativas de juros.

Além disso, em fevereiro o Tesouro Nacional lançou novos títulos do mercado e descontinuou a compra de alguns títulos. Basicamente, os novos títulos apresentam vencimento semelhante aos descontinuados, porém são um pouco mais longos, possibilitando rentabilidades melhores.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias permaneceu praticamente constante em fevereiro em relação a janeiro.

Os principais destaques foram crescimento de 3,0% no estoque de LIGs e de queda de 2,4% no estoque de LFs.

Crédito Privado

O estoque de ativos de crédito privado se manteve novamente constante no mês de fevereiro.

No segundo slide (acima), vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 3 bilhões no mês, em linha com o mesmo período de 2019, porém abaixo dos R$ 5 bilhões no mês de janeiro de 2020.

O prazo médio das emissões do mês subiu para 6,7 anos, em comparação aos 5,1 anos em média das emissões de fevereiro de 2019.

Apesar que continuarmos esperando que empresas aproveitem o cenário de juros baixos para refinanciar suas dívidas e alongar seus prazos, iremos monitorar o apetite dos investidores no contexto atual de aversão a risco global.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, mostra tendência de crescimento.

Em janeiro de 2020 (último dado disponível), foram emitidos R$ 300 milhões desse tipo de instrumento (+34% vs. janeiro de 2019).

A única emissão no mês foi do setor de energia elétrica. O setor vem representando a maior parte das emissões, mas é interessante observar o aumento em emissões de transporte/logística nos últimos meses. Esperamos que essa tendência continue em 2020.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, em linha com expectativa de crescimento econômico, incentivo do governo em novos projetos e redução da participação do BNDES em investimentos de infraestrutura.

Spreads de crédito

Conforme apresentamos em nossos relatórios mensais mais recentes, os últimos meses de 2019 foram marcados por abertura dos spreads de crédito (aumento dos prêmios de risco).

No entanto, desde dezembro podemos enxergar movimento de consolidação desses novos patamares, indicando estabilização dos spreads e possível fim desse ciclo de ajuste técnico.

De modo geral, esperamos que novas emissões de crédito privado sejam realizadas a taxas mais elevadas, acompanhando o ajuste ocorrido nos últimos meses.

Ratings

Durante o mês de fevereiro, essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco*:

No mês, foram poucas as ações de ratings realizadas. Por outro lado, houve algumas mudanças de perspectiva, sem tendência dominante.

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