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Tudo sobre Renda Fixa em novembro (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.

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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de novembro, a percepção de risco fiscal que havia se intensificado em outubro se reduziu, levando ao fechamento na curva de juros, principalmente nas taxas longas. Já as expectativas de curto prazo permaneceram elevadas em virtude da inflação e a curva de juros passou a ficar invertida como resultado. A redução nas expectativas levou a valorização dos ativos de renda fixa pela primeira vez em meses, como por exemplo os títulos públicos. As emissões de debêntures continuam apresentando prazo médio elevado, o que esperamos que continue nos próximos meses. Continuamos também a observar boa qualidade de crédito de emissores corporativos, com maior número de ações positivas pelas agências de ratings do que negativas.

Para os próximos meses, continua no radar a evolução da inflação, apesar de indícios de desaceleração econômica, além de preocupações fiscais. Além disso, nos aproximamos do ano de eleições presidenciais no Brasil, o que deve contribuir ainda mais para a volatilidade relevante nas expectativas de juros, impactando os preços dos ativos de renda fixa. A nossa expectativa (XP) é de que a Selic atinja 11,5% no começo de 2022, com mais uma alta de 1,5 pp em fevereiro seguida de 0,75pp em março. Esperamos ainda que encerre 2022 em 11%.

No Radar

Destaques do mês de novembro:

  1. A curva de juros apresentou fechamento em quase toda a sua estrutura, principalmente nos vencimentos mais longos, refletindo redução na percepção de risco fiscal com andamento da PEC dos Precatórios.
    • Com isso, os títulos de renda fixa tendem a valorizar, pela relação inversa entre taxa e preço.
    • De fato, observamos ganhos na renda fixa ao longo do mês.
  2. Como reflexo das contínuas preocupações com o cenário fiscal e indicações de desaceleração da atividade econômica, nosso time de Economia da XP revisou suas projeções para os indicadores em 2021 e 2022. Esperamos:
    • Selic em 9,25% em 2021 e 11% 2022
    • IPCA de 10,2% em 2021 e de 5,2% em 2022.
    • PIB de 4,5% em 2021 e 0,0% em 2022.

Como agir?

  1. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic.
  2. Recomendamos também uma pequena parcela de ativos prefixados de prazos curtos, que podem se beneficiar de redução nos juros e inflação esperados em relação à precificação atual na curva.
  3. No caso de investimentos de prazos mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA), principalmente frente ao cenário atual de alta dos preços.
  4. Trazemos indicações de alocação em nosso relatório Investindo em Dezembro 2021: Renda Fixa (exclusivo para assinantes Expert Pass).

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de novembro, a Poupança apresentou resgates líquidos de R$ 12,4 bilhões, o maior volume de resgates da história para o mês. Nossa visão para este movimento continua sendo a mesma dos últimos meses, ou seja, que uma combinação entre atividade reprimida e inflação elevada comprimiu o poder de compra da população, levando mais pessoas a sacarem recursos da poupança, contrabalanceando os depósitos do auxílio emergencial. Em linha com as expectativas econômicas para os próximos meses, espera-se que os resgates continuem.

Considerando a taxa Selic em 9,25%, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 0,5% ao mês, essa aplicação é pouco atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em outubro (último dado disponível) houve captação líquida de R$ 1,9 bilhão. No mês, o principal ativo comprado por investidores foi Tesouro IPCA+, o que pode novamente ter sido reflexo das maiores preocupações de investidores com relação à inflação.

O número de investidores cadastrados no programa continua crescendo e atingiu 14,2 milhões em setembro, evolução de 64% em relação ao mesmo mês de 2020. O número de mulheres representou 33,2% do total de investidores.

Como atualização do programa, foi anunciado que, a partir de janeiro de 2022, a taxa de custódia dos títulos reduzirá de 0,25% para 0,20% ao ano, fator positivo para os investidores.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de novembro, todos os títulos do Tesouro Direto apresentaram valorização, como reflexo principalmente da marcação a mercado causada pelo fechamento da curva de juros, por sua vez causado pela menor percepção de risco fiscal.

Quando ocorrem valorizações nos títulos, enxergamos que podem representar oportunidades de ganhos de capital para quem já possui os ativos, uma vez os preços dos títulos subiram. No entanto, vale ponderar se a realização dos ganhos é necessária neste momento ou quais as alternativas de alocação deste montante.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

Em novembro, o destaque foi nova aceleração no volume de LCAs dentre o estoque de emissões bancárias. O avanço ocorre em um momento de tendência de alta na taxa básica de juros, a Selic, e o aumento no interesse pela renda fixa pelos investidores, principalmente por ativos mais conhecidos (como emissões bancárias).

Vale também notar que o estoque de CDBs permanece praticamente estável há alguns meses. Em nossa visão, isso é justificado pela forte captação realizada por bancos em 2020 para se protegerem da incerteza relacionada à covid-19. Isto, somado à lentidão na recuperação da tomada de crédito no país, resulta em forte capitalização das instituições financeiras e, consequentemente, menor necessidade de novas captações.

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

O estoque de ativos de crédito privado cresceu em novembro em todos os ativos novamente. Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados (que inclui ativos em CDI+) continuam predominando no estoque e foram maioria também em termos de novas debêntures emitidas. Logo em seguida, novamente pudemos observar a participação de títulos atrelados à inflação.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 16,9 bilhões no mês, retração em relação a outubro. O prazo médio das emissões segue elevado, em 6,4 anos.

Em nossa visão, o formato flat (plano) da curva de juros nos vencimentos mais longos traz incentivos ao alongamento de dívida por parte dos emissores, uma vez que, por taxas semelhantes àquelas de prazos intermediários, é possível emitir para prazos mais longos. É possível, portanto, vermos emissões mais longas nos próximos meses.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 940 milhões em novembro, sendo três emissões do setor de energia (Sonora Estancia, Solaris Transmissão de Energia e Usina Cerradão) e três emissões de transporte/logística (Terminal Santa Catarina e Terminal de Vila Velha).

Recentemente, publicamos relatório setorial sobre rodovias, abordando as novas concessões que ocorrerão até o final de 2022 o que deverá também aquecer as emissões de debêntures incentivadas.

Mercado secundário

Fluxo

No mês de novembro, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 27,8 bilhões (vs. R$ 26,4 bilhões em outubro), sendo R$ 19,3 bilhões em não incentivadas e R$ 8,4 bilhões em incentivadas. O principal destaque em debêntures não-incentivadas foi a debênture participativa da Nova Transportadora do Sudeste (NTSD12) e em incentivadas, uma debênture da UTE GNA I (UNEG11).

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 7,7 bilhões (vs. R$ 6,7 bilhões em outubro), com destaque para CRI Villa XP. Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 2,6 bilhões (vs. R$ 3,7 bilhões em outubro), sendo o principal ativo negociado um CRA da BRF.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

Note que pode ser necessário rolar a tabela para visualizar tudo.

No mês de novembro, continuamos a enxergar tendência positiva nos ratings, com maior número de elevações em relação aos rebaixamentos. Além disso, o número de novos ratings continua elevado, indicando que o volume de novas emissões deve continuar aquecido nos próximos meses.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de dezembro, são esperados R$ 2,4 bilhões em vencimentos de debêntures. O principal vencimento do mês é uma debênture da Via Varejo.

É interessante também observar o volume de emissões a vencer nos próximos três a quatro meses. As empresas emissoras podem optar por refinanciar suas dívidas, ou seja, realizar novas emissões para pagar as vincendas. Sendo assim, pode-se esperar que parte do volume a vencer nos próximos meses voltará ao mercado em novas emissões.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
Fitch Ratings
Moody’s
B3

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