A semana na Renda Fixa (26/07 a 30/07)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.


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Resumo: As taxas futuras de juros encerraram a semana em alta, em virtude da piora nos cenários de inflação, preocupações com o cenário fiscal e expectativas da decisão do Copom na próxima quarta-feira. Como consequência, a curva de juros futuros apresentou ganho de inclinação. O viés mais pessimista para o cenário local também resultou na alta das taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que representam as expectativas para o juro real.

Pela quarta semana consecutiva, os títulos do Tesouro Direto registraram desvalorização, com exceção do Tesouro Selic (ativo de menor risco e menos sensível às oscilações de mercado). As curvas das debêntures classificadas com ratings “AAA”, “AA” e “A” também repetiram o movimento da semana anterior e apresentaram fechamento de spreads.

Para a próxima semana, o principal destaque no Brasil ficará para a decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na quarta-feira. Do lado internacional, atenção para dados de atividade e inflação, com divulgação de PMIs nas principais economias do mundo, além de inflação ao produtor na Zona do Euro, balança comercial e dados de mercado de trabalho nos EUA, e setor externo na China.

Cenário macroeconômico

Elaborado pelo time de Economia da XP

Leia tudo o que aconteceu na semana em economia.

Juros

As taxas futuras de juros encerraram a semana em alta, em virtude da piora nos cenários de inflação, preocupações com o cenário fiscal e expectativas da decisão do Copom na próxima quarta-feira. Como consequência, a curva de juros futuros apresentou ganho de inclinação (steepening).

O viés mais pessimista para o cenário local também resultou na alta das taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que representam as expectativas para o juro real.

O mercado espera Selic ao fim do período de 7,61% em 2021, 8,00% em 2022, 9,33% em 2023 e 9,49% em 2024. Para a inflação, a expectativa é de 7,56% em 2021, 4,38% em 2022, 4,79% em 2023 e 4,98% em 2024.

Fonte: Bloomberg, XP.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 27/07 – NTN-B

O Tesouro ofertou 1,8 milhão de Notas do Tesouro – Série B (NTN-Bs) no leilão da última terça feira, ante 1,55 milhão na semana anterior. Ao contrário das últimas duas semanas, a maior parte da oferta foi concentrada no vencimento mais longo (2055), dada a maior demanda por papéis longos em virtude da abertura da curva, em linha com a estratégia do Tesouro Nacional de desindexar e alongar a dívida.

A instituição vendeu a totalidade dos lotes mais curtos e mais longos. O leilão movimentou R$ 7,8 bilhões, ante R$ 6,3 bilhões na semana anterior.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Leilão do dia 29/07 – LTN, NTN-F e LFT

No leilão realizado na última quinta-feira (29), o TN reduziu a oferta de Letras do Tesouro Nacional (LTN) ante o leilão da quinta-feira passada, de 10 milhões para 8,5 milhões e de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), de 1,25 milhão para 1 milhão. Enquanto isso, a oferta de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) aumentou de 450 mil para 1,3 milhão.

O Tesouro vendeu integralmente os lotes de LTNs e LFTs. O giro financeiro somou R$ 18,7 bilhões, patamar semelhante ao da última semana.

Destacamos que o TN emitiu títulos com prêmio abaixo do consenso de mercado, o que contribui com o fechamento da curva de juros futuros na quinta-feira.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

As LTNs e NTN-Fs são ofertadas em lotes individuais, enquanto as LFTs são ofertadas em leilão híbrido, com vencimentos em lotes agrupados (ou seja, soma-se o volume colocado nos dois vértices ofertados de LFT). Entenda mais sobre o funcionamento dos leiloes de títulos públicos.

Mercado Secundário

Nas NTN-Bs, observamos quatro movimentos na semana: (i) operações de inflação implícita na parte curta da curva; (ii) venda por parte de fundos IMA (em razão dos resgates na semana) no miolo da curva; (ii) compra direcionada por emissões de crédito privado também na parte intermediária; e (iv) alocação nos vencimentos de longo prazo em virtude dos maiores prêmios embutidos.

Do lado de LFTs, a demanda pelos vencimentos mais curtos observados nas sessões anteriores foi substituída pela procura por papéis de duration maior. Dado o stress no mercado da semana, o volume de negócios nos títulos públicos foi inferior à média.

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Fonte: Economatica. Elaboração: XP.

Tesouro Direto

Pela quarta semana consecutiva, os títulos do Tesouro Direto registraram desvalorização, com exceção do Tesouro Selic (ativo de menor risco e menos sensível às oscilações de mercado).

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 514 milhões (ante R$ 741 milhões na semana anterior), R$ 415 milhões em debêntures incentivadas (vs. 327 milhões), R$ 180 milhões em CRAs (vs. 266 milhões) e R$ 333 milhões em CRIs (vs. 109 milhões).

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados da sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para facilitar a análise do fluxo, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram debêntures Concessionária do Sistema Anhanguera-Bandeirantes e Brisanet Telecomunicações, CRI Green Towers e CRA Minerva.

Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP.

Spreads de crédito

As curvas das debêntures classificadas com ratings “AAA”, “AA” e “A” repetiram o movimento da semana anterior e apresentaram fechamento de spreads na semana.

Assim como nos dados de fluxo, os números da sexta-feira para os spreads de crédito também não são considerados e podem alterar o apresentado.

As curvas são extraídas a partir de debêntures precificadas diariamente pela ANBIMA (DI Percentual, DI+spread e IPCA+spread) e refletem estruturas de spread zero-cupom sobre a curva soberana para diferentes níveis de risco.

Fonte: Anbima. Elaboração: XP.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Fonte: Fitch Ratings e Moody’s. Elaboração: XP.

Para os relatórios publicados durante a semana, dirija-se ao final do relatório.

O que esperar – Semana de 02/08 a 06/08

Agenda econômica

Do lado internacional, o destaque fica para a divulgação de dados de atividade e inflação, com divulgação de PMIs (índices de gerentes de compras) nas principais economias do mundo, além de inflação ao produtor na Zona do Euro, balança comercial e dados de mercado de trabalho nos EUA, e setor externo na China.

No Brasil, o principal destaque ficará para a decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na quarta-feira. A semana contará também dados de produção industrial de junho. Do lado político-econômico, a Reforma Tributária deve seguir no foco dos debates no retorno do recesso do Congresso, com a apresentação de substitutivo esperado pelo relator Celso Sabino.

Acesse aqui o Boletim Focus do dia 30/07 (disponível a partir de segunda-feira)

Leilões do Tesouro Nacional

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Fonte: Anbima. Elaboração: XP.

Relatórios publicados na semana de 26/07 a 30/07

Renda Fixa

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