Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

Decisão de juros nos EUA e bateria de dados no Brasil concentraram atenções do mercado


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No cenário internacional, o destaque foi a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que deixou a taxa básica de juros e o ritmo de compra de ativos inalterados. Também nos Estados Unidos, tivemos a divulgação do deflator PCE, cujo resultado fortaleceu o argumento do Fed sobre a transitoriedade da pressão inflacionária atual. Riscos regulatórios na China e resultados de PIB na Europa também marcaram o final de julho.

No cenário doméstico, observamos a publicação de diversos indicadores, incluindo estatísticas do mercado de trabalho, inflação e contas públicas, que confirmaram a retomada da economia doméstica, pressão nos preços correntes e alívios de curto prazo no lado fiscal (mas riscos ainda relevantes em horizonte de tempo mais longo). A Reforma Tributária segue com negociações entre governo e partes afetadas, e pode ser votada na semana que vem, com o fim do recesso parlamentar.

Ainda na agenda da próxima semana, destaque no Brasil para a reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). No cenário internacional, destaque para a publicação de dados do mercado de trabalho americano e dos PMIs (Índices de Gerentes de Compras) de muitas economias desenvolvidas.

Atualizações Covid-19

No cenário internacional, continuam as preocupações sobre o contágio pela variante Delta, especialmente nos EUA, Europa e Japão. Entretanto, poucos governos (à nível federal e regional) reverteram substancialmente planos de abertura da atividade até então.  

Já no Brasil, a média móvel de óbitos segue recuando, tendo atingindo o menor número desde 26 de fevereiro: 1.153 óbitos/dia. Na mesma direção, a média de novos diagnósticos recuou para o patamar do início de janeiro, antes do espraiamento da variante gama pelo território nacional. Atingimos também o melhor ritmo de vacinação no país, aplicando em média 1,43 milhão de doses de vacinas por dia. No total, cerca de 130,1 milhões de vacinas foram aplicadas no país, das quais 93,5 milhões são primeiras doses e 36,6 milhões com segundas doses ou doses da vacina de dose única (Janssen).

Cenário Internacional

Nesta semana tivemos como destaque a reunião do Comitê de Política Monetária (FOMC) nos Estados Unidos e o subsequente comunicado dos dirigentes do Fed. Na China, discussões sobre riscos regulatórios acenderam os alertas dos investidores.

Estados Unidos

Como amplamente esperado, o comitê de política monetária do Fed manteve a taxa de juros e a política de compra de ativos inalteradas. De acordo com o Comitê, enquanto a economia dos EUA continuou a progredir em direção às metas estabelecidas para diminuir os estímulos, a pressão inflacionária corrente segue sendo vista como temporária. Nesse sentido, o comitê sinalizou que deverá aguardar setembro para anunciar o cronograma e o tamanho do processo de redução gradual das políticas expansionistas. Acreditamos que o processo deverá começar em dezembro de 2021, com a redução de 10 bilhões por mês de compra de ativos. Ainda projetamos que a primeira alta da taxa de juros ocorrerá apenas no terceiro trimestre de 2023.

Ainda na seara de política monetária e inflação, a inflação ao consumidor medida pelo deflator do consumo das famílias (PCE deflator) teve alta no núcleo de 0,4% em junho e de 3,5% no comparativo anual. O resultado veio melhor que o consenso de mercado (0,5% m/m), fortalecendo o argumento do FED sobre pressões temporárias sobre os preços.

Já a primeira leitura do PIB americano no segundo trimestre registrou alta de 6,5% em termos anualizados, consolidando a superação do nível pré-pandemia. O resultado veio abaixo do consenso de mercado, influenciado especialmente pela baixa no componente de estoques. A demanda final, por outro lado, veio mais forte do que o esperado, enquanto os investimentos em ativos fixos também tiveram boa performance. O resultado vai em linha de nossa projeção para crescimento de 5,7% nesse ano.

Do lado político, o pacote de infraestrutura ganhou novo ímpeto após sucesso na primeira votação protocolar no Senado, já permitindo início dos trabalhos formais. No entanto, ainda existem divergências a serem discutidas entre os parlamentares. Republicanos mais à direita devem continuar pressionando moderados a abandonarem o projeto, enquanto democratas mais à esquerda devem pressionar pelo andamento do Plano das Famílias Americanas, cujo valor tem sido fonte de tensões entre correligionários. Devido os diversos entraves esperados no processo, é provável que o recesso parlamentar, previsto para a segunda semana de agosto, seja postergado.

Zona do Euro

A Zona do Euro também contou com a divulgação de resultados do PIB do segundo trimestre. O PIB nos principais países do bloco veio relativamente em linha com o esperado, reforçando a tendência de retomada na região sugerida por indicadores de alta frequência. Na Alemanha, o crescimento registrado no 2T foi de 1,5% trimestre a trimestre, abaixo das expectativas (2,0%), mas em linha com o esperado na comparação anual, em 9,6%. Na França, o PIB do 2T cresceu 0,9%, conforme esperado.

Quando ao período mais recente, a semana incluiu a divulgação de índices de confiança na região – que refletem preocupações ainda presentes sobre gargalos na oferta de matéria prima industrial, e começam a sinalizar receios sobre o avanço da variante Delta. Enquanto o índice de confiança econômica da União Europeia subiu acima das expectativas em julho, sugerindo a continuação da recuperação no início do terceiro trimestre, o índice de clima de negócios IFO da Alemanha registrou queda no período.

Ásia

Na China, o destaque ficou para novas pressões regulatórias sob empresas de educação e tecnologia. Após impactos negativos no mercado acionário no país e empresas chinesas no mundo, o governo se reuniu bancos com intuito de reduzir incertezas e acalmar o mercado. As autoridades teriam afirmado que as medidas seriam pontuais para o setor e não afetariam outras áreas da economia.

Desde o ano passado temos acompanhado a crescente intervenção regulatória do governo chinês sobre as suas empresas, o que vem causando um desconforto nos mercados e reduzido a exposição de investimentos à região em função do maior risco político. Para mais detalhes sobre esse processo e o que esperamos pela frente, clique aqui.

Enquanto isso, no Brasil

A semana também contou com a divulgação de uma série de indicadores macroeconômicos, incluindo mercado de trabalho, inflação, contas públicas, crédito e setor externo. Enquanto isso, o cenário político trouxe discussões sobre a extensão do Bolsa Família e questões fiscais, que abordamos em mais detalhes em artigo aqui, e reforma tributária.

Cenário Político econômico

No cenário político – econômico, destaque para a nomeação de Ciro Nogueira para a Casa Civil. Senador e presidente do PP, Ciro melhora o ambiente da Presidência com o Congresso e quer autonomia para conseguir debelar a crise pela qual passa Bolsonaro no Senado, com a CPI da Pandemia em curso e a agenda bloqueada para as propostas do governo. Uma das principais missões é garantir o andamento da reforma tributária no Senado, depois de sua aprovação pelos deputados.

A semana contou também com discussões sobre a Reforma Tributária. O deputado Arthur Lira, presidente da Câmara, reafirmou que pretende votar a proposta sobre imposto de renda já na semana que vem, a primeira depois do retorno do recesso legislativo. O relator, Celso Sabino, segue em negociações com o time econômico e com os setores da economia e ontem anunciou a isenção na distribuição de dividendos para empresas do Simples e disse que há possibilidade de ampliar a faixa de isenção na distribuição, hoje prevista em R$ 20 mil.

Indicadores

Mercado de Trabalho

Conforme divulgado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o mercado de trabalho formal registrou criação líquida de 309,1 mil vagas em junho, resultado acima da nossa expectativa e do consenso de mercado (285 mil e 270 mil, respectivamente). O indicador apresentou forte expansão nos últimos meses, com destaque para o setor de serviços, além de resultados também animadores vindos do comércio.

Tivemos também divulgação da taxa de desemprego de maio com a publicação da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios). A taxa atingiu 14,6%, levemente acima de nossas expectativas e do consenso (14,5%) no trimestre encerrado em maio, mantendo-se estável em 14,3% considerando o ajuste sazonal.

Olhando para frente, a taxa de desemprego deve seguir em compasso de recuperação gradual ao longo dos próximos meses, diante da normalização da atividade, dos impactos do programa de suporte ao emprego formal (BEm) e da retomada da confiança de empresários. Não obstante, a taxa de desemprego deve retomar o nível pré pandemia apenas na segunda metade do ano que vem.

Contas públicas

Do lado fiscal, o governo central registrou déficit primário de R$ 73,55 bilhões em junho, levando o acumulado em doze meses para um déficit de 4,7% do PIB (frente 6,3% no ano passado). Apesar de um pouco pior que o esperado – com despesas elevadas pela antecipação de benefícios sociais – o resultado vem em linha com uma perspectiva de melhora nas contas públicas de curto prazo. Por um lado, a receita deve permanecer forte ao longo do ano (embora com menos surpresas positivas), enquanto, por outro, os gastos devem seguir um pouco mais baixos do que o esperado, dado o atraso aprovação do orçamento deste ano e a gestão eficaz do orçamento por parte do Tesouro.

Na mesma linha, o déficit primário do setor público consolidado atingiu 3,8% do PIB em doze meses, levando a dívida bruta a 84,0% do PIB –  caindo 0,6 pp em relação ao mês anterior. A dívida líquida, por sua vez, foi para 69,9% do PIB, subindo 1 pp devido à apreciação do real.

O risco, agora, reside na possibilidade de que que esse alívio fiscal aberto no curto prazo abra as portas para uma piora fiscal estrutural, na esteira de discussões para o orçamento do ano que vem e acerca do aumento do programa Bolsa Família. Detalhamos aqui nossa visão sobre riscos fiscais no horizonte.

Inflação

O Cenário de inflação no Brasil segue complexo, com riscos de oferta (falta de insumos, energia, geadas) e de demanda (reabertura da economia). Nossa projeção do IPCA para este ano está em 6,7%, com viés ainda de alta. Para mais detalhes, confira artigo completo aqui.

Ainda em inflação, o índice IGP-M de julho divulgado nessa semana registrou alta de 0,78%, levando a inflação medida pelo indicador no acumulado em 12 meses a 33,8%. O IGP-M é uma mistura de inflação de preços no atacado (60%), inflação de preços ao consumidor (30%) e inflação do setor de construção (10%). O resultado reforça que a pressão de custos deve continuar nos próximos meses.

Crédito e contas externas

De acordo com dados do Banco Central, o saldo real de crédito manteve aceleração em junho, especialmente para pessoa física, onde consolida-se também a tendência de juros e inadimplência em queda. O crédito às empresas, por sua vez, vem diminuindo o ritmo de crescimento do saldo, na esteira da redução dos programas de estímulo e do nível elevado de alavancagem das empresas após concessões do ano passado.    

Já nas contas externas, o saldo da conta corrente veio abaixo das expectativas, com superávit de US$ 2,8 bilhões em junho; ainda assim, representando o maior resultado da série histórica. O resultado levou o acumulado em doze meses a um déficit de 1,27% do PIB – saldo que é mais do que coberto pelo fluxo de investimento direto no país (IDP), que registrou 3% do PIB no mesmo período.

O que esperar?

Do lado internacional, o destaque fica para a divulgação de dados de atividade e inflação, com divulgação de PMIs (índices de gerentes de compras) nas principais economias do mundo, além de inflação ao produtor na Zona do Euro, balança comercial e dados de mercado de trabalho nos EUA, e setor externo na China.

No Brasil, o principal destaque ficará para a decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na quarta-feira. A semana contará também dados de produção industrial de junho. Do lado político-econômico, a Reforma Tributária deve seguir no foco dos debates no retorno do recesso do Congresso, com a apresentação de substitutivo esperado pelo relator Celso Sabino.

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