Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

Inflação e ruídos políticos agitam os mercados


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Resumo

No cenário internacional a semana foi marcada pela reunião da OPEP, que em meio a impasses deve manter os preços do petróleo em patamares elevados. A ata da última reunião do FOMC, também muito esperada, deu mais sinais de que o tapering (processo de retirada de estímulos da economia) deve começar em breve. Na Zona do Euro, também aconteceram mudanças na política monetária.

No Brasil, o cenário político permaneceu em evidência com os desdobramentos da CPI da Pandemia e alegações de envolvimento do presidente em esquema de ”rachadinhas”. O governo editou, conforme esperado, medidas para viabilizar a prorrogação do auxílio emergencial, e a reforma tributária também continuou ocupando um espaço importante dos debates. Na seara dos indicadores, tivemos a divulgação do IPCA de junho, que elevou o patamar da taxa da inflação em doze meses para o maior nível desde 2016. Tivemos também publicação do IGP-DI e da Pesquisa Mensal do Comércio.

Para semana que vem o destaque internacional será a inflação nos EUA e na Zona do Euro. No Brasil, o palco político deve seguir impactando a precificação de ativos domésticos. Entre os indicadores, destaque para a divulgação da pesquisa mensal de serviços de maio, e do indicador de atividade do Banco Central (IBC-Br) do mesmo período.

Atualizações Covid-19

Diante de preocupações com o avanço da variante Delta do coronavírus no mundo, EUA e Europa não indicam considerar novas medidas de restrição (e sim, contar com o fortalecimento de campanhas de vacinação). Já o Japão se prepara para declarar estado de emergência em Tóquio por causa do coronavírus, reduzindo as possibilidades de plateias nas Olimpíadas.

Já no Brasil, destaque para indícios de transmissão comunitária da variante Delta na cidade de São Paulo, com a confirmação de um caso sem vigem fora do país registrada. Do lado positivo, seguimos com queda no número de hospitalizações e óbitos no país, e ritmo de vacinação em torno de 1,2 milhão de doses aplicadas por dia.

Cenário internacional

A semana contou com reunião do cartel de países exportadores de petróleo e aliados, OPEP +. Os membros desistiram de tentar superar um impasse com os Emirados Árabes Unidos, que não concordaram com os planos do grupo para aumentar sua produção entre agosto e dezembro. O impasse, além de perspectivas de demanda elevada e baixos estoques nos EUA, devem manter os preços em patamar elevado.

Estados Unidos

Nos EUA, o destaque ficou para a divulgação da ata da última reunião do FOMC. O documento mostrou algumas divergências nas avaliações dos seus membros sobre o quadro inflacionário na economia americana e o início do processo de redução de compras de ativos. Enquanto alguns dirigentes declaram que as condições para o tapering podem vir antes do originalmente previsto, outros defendem paciência e cautela, e esperam a divulgação de um conjunto maior de indicadores para qualquer tomada de decisão – visão que deve ser prevalecente no comitê. Dados do mercado de trabalho serão fundamentais para a definição dos próximos passos, e maior clareza sobre o processo deve vir do encontro em Jackson Hole, em agosto.

Do lado da atividade, o Índice de Gerente de Compras (PMI) de serviços decepcionou as expectativas em junho. Embora mantenha-se em território de expansão (acima de 50), a desaceleração no ritmo de crescimento foi destaque negativo nos mercados, ao indicar também a escassez de mão de obra como barreira para o setor, além de preços em patamar elevado.

Zona do Euro

A política monetária também foi o destaque da semana na Zona do Euro. O Banco Central Europeu (BCE) anunciou a primeira revisão de estratégia de política monetária em 20 anos, adorando uma meta explícita de inflação de 2% (versus a meta atual de “abaixo, porém próximo a 2% no médio prazo”). A nova estratégia é vista como uma permissão para o ECB deixar a inflação ultrapassar a meta de 2% quando achar necessário, em um movimento dovish. A autoridade monetária também passa a incorporar objetivos de mudanças climáticas em seu arcabouço, penalizando empresas com altas emissões de carbono.

Ainda na região, indicadores de atividade e índices de gerente de compras (PMI) reforçam uma recuperação com fragilidades, mas que se solidifica nesse trimestre. Enquanto as vendas do varejo subiram mais do que o esperado em maio (4,6% m/m em maio e 9,0% a/a) após uma queda em abril no bloco, a produção industrial alemã caiu abaixo do esperado no mesmo período.

Já em dados mais recentes, o Markit Eurozone Composite ficou um pouco acima das expectativas em sua leitura final, enquanto o sentimento dos investidores medido pela pesquisa ZEW permaneceu em um nível bastante alto na Alemanha em julho, apesar de uma queda maior que esperada no mês.

Ásia

Já na China, o PMI medido pela Caixin reforçou a sinalização do dado oficial divulgado na semana passada. O índice veio bem abaixo das expectativas, e reforça a visão de que a economia chinesa está desacelerando. Não obstante, o movimento pode ser visto como positivo, diante do ritmo ainda de expansão porém mais moderado, o que pode arrefecer a pressão sobre o preço das commodities – embora por ora siga bastante limitado.

Enquanto isso, no Brasil

Cenário político econômico

O cenário político ganhou boa parte dos holofotes nessa semana mais curta, com bolsas fechadas na sexta-feira.

O ambiente político se torna mais carregado com os desdobramentos da CPI da Pandemia no Congresso, além de alegações de envolvimento de Bolsonaro com suposto esquema de “rachadinhas” durante seu mandato como deputado federal. Embora não vemos avanço na direção de um impeachment diante dos elementos colocados até então, os ruídos já impactam a percepção de risco sobre os ativos brasileiros, com câmbio, curva DI e bolsa sofrendo ao longo da semana. Mais informações no material do time de XP Política.

Auxílio Emergencial e Bolsa Família

Conforme esperado, o governo editou as medidas que viabilizam a prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses  – foram publicados um decreto estendendo o benefício nos mesmos moldes do atual até outubro e uma medida provisória abrindo crédito extraordinário de R$ 20,2 bilhões para operacionalização e pagamento do benefício. Será usada ainda sobra de cerca de R$ 7 bilhões dos R$ 44 bilhões reservados para a rodada atual. O benefício deve vigorar até a implementação do novo programa de transferência de renda, a partir de novembro, segundo o ministro João Roma.

O adicional já era considerado em nossa projeção de déficit primário e dívida para o ano, assim como de muitos principais agentes de mercado. Não obstante, discussões sobre o aumento do Bolsa Família e outros potenciais gastos, que pressionarão também o orçamento no ano que vem, impactam a percepção de risco fiscal.

Reforma Tributária

No tocante à reforma tributária, em meio às diversas pressões e discussões sobre o relatório do deputado Celso Sabino (relator da proposta), o presidente Arthur Lira deu importante sinal ontem ao afirmar que o projeto não será votado enquanto não estiver maduro, o que vai confirmando tendência de que não haverá votação antes do prazo para início do recesso na semana que vem.

Indicadores

Inflação

A inflação medida pelo IPCA registrou alta de 0,53% no mês, levando o acumulado em doze meses para 8,35% – o maior nível desde setembro de 2016. O resultado mensal veio levemente abaixo do esperado, especialmente devido a uma alta menor do que a esperada em combustíveis e veículos. Dito isso, a pressão sobre os preços correntes deve seguir pelos próximos meses, puxado por energia, combustíveis e alimentos. Mantemos nossa projeção para o ano em 6,4%.

Tivemos também divulgação do IGP-DI de junho, que mostrou desaceleração para 0,11%. O resultado veio abaixo das expectativas, puxado especialmente pelo recuo de algumas commodities, como soja, milho e minério de ferro – que tem peso relevante no índices de preço no atacado (IPA). Não obstante, o repasse de custos ao consumidor ainda deve continuar, mesmo que em menor escala.

Varejo

A divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) registrou crescimento de 3,8% do varejo em maio (na compação mensal), o que sinaliza retomada do setor após contração gerada pela crise sanitária no início do ano, com alta em praticamente todos os segmentos.  O setor deve continuar em trajetória altista ao longo do 2º semestre, conforme o avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19 permita a normalização da atividade. No entanto, acreditamos que o ritmo de crescimento será mais moderado, uma vez que maior proporção do consumo das famílias deverá ser direcionado ao setor de serviços.

O que esperar?

No cenário internacional, o destaque da semana que vem ficará para a inflação, com divulgação de indicadores de preços ao consumidor e ao produtor nos EUA e Zona do Euro. A semana conta também com dados de varejo nos EUA e produção industrial europeia. Na China, haverá divulgação do PIB do segundo trimestre, além de desemprego de junho.

No Brasil, o palco político deve seguir impactando a precificação de ativos domésticos, com desdobramentos da CPI da Pandemia no Senado e Reforma Tributária no centro do debate. Na seara de indicadores, destaque para a divulgação da pesquisa mensal de serviços de maio, e do indicador de atividade do Banco Central (IBC-Br) do mesmo período.

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