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A semana na Renda Fixa (16/01 a 20/01)

O que aconteceu nesta semana na renda fixa? Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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O que aconteceu nesta semana na renda fixa?
Em um movimento de aversão a risco, as taxas de juros fecharam a semana em alta por toda a extensão da curva, com os vértices no longo prazo se afastando da casa dos 12% – marca registrada na semana anterior. As diretrizes de mercado nos últimos dias se devem a componentes internos e externos. 

Outro fator que contribui para a abertura da curva é o aguardo, por parte dos investidores, de uma nova rodada de deterioração das expectativas no Boletim Focus, na próxima segunda-feira (22). O Focus desta semana trouxe alta da mediana projetada para o IPCA. Para 2023, o indicador saiu de 5,36% para 5,39%, 2024 de 3,50% para 3,70%, e 2025 de 3,30% para 3,50%. 

No mercado externo, as taxas também apresentaram alta devido aos discursos de austeridade monetária defendidos pelos dirigentes do Fed, que buscam levar a inflação norte-americana para a meta. Segundo Patrick Harker, o objetivo é desacelerar “modestamente” a economia, alinhando oferta e demanda, sem provocar recessão.

O que esperar para a próxima semana?
No cenário internacional, serão publicadas as prévias dos PMIs de Alemanha, Zona do Euro, China e EUA de janeiro. No caso do último, destaque também para o PIB do 4º tri, o deflator do PCE e os dados de gasto, consumo e renda pessoal. No Brasil, o foco será na divulgação do IPCA-15 de janeiro, além de números de crédito, arrecadação federal, setor externo e criação de vagas formais (CAGED) em dezembro.

Para facilitar a navegação pelo conteúdo, utilize o índice à esquerda da página.

Cenário macroeconômico

No campo doméstico, há novas sinalizações de política econômica para 2023. Em comentários feitos no Fórum Econômico Mundial, Haddad prometeu o envio do novo arcabouço fiscal até abril. Além disso, ao tratar da reforma do imposto de renda, afirmou a intenção de enviar a proposta ainda no segundo semestre.

Acerca do salário-mínimo, há divergências nos discursos dos ministros Haddad e Tebet. Em entrevista para o jornal O Globo, a Ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou ‘não haver espaço’ para reajuste do salário-mínimo para R$ 1.320. Por outro lado, o ministro Fernando Haddad disse que a decisão será tomada após negociação com centrais sindicais.

Na seara internacional, destaca-se o crescimento da economia chinesa acima das projeções. No último trimestre de 2022, a economia da China cresceu 2,9% em relação ao mesmo período de 2021, bem acima do consenso (1,8%), mas com claro efeito da política de zero-Covid. Com a suspensão das medidas de restrição à mobilidade no país, estimamos crescimento de 5,0% em 2023, com viés baixista no curto prazo por conta do aumento recente das infecções por Covid.

No continente europeu, a taxa anual do índice de preços ao consumidor na Zona do Euro desacelerou para 9,2% a/a e -0,4% m/m em dezembro, ante 10,1% em novembro. Após atingir a máxima histórica de 10,6% em outubro, o indicador apresentou números em linha com as projeções.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Federal Reserve (o banco central norte-americano), indica estagnação e desinflação da economia americana. Em comunicações recentes, alguns diretores do FED indicam que a autoridade monetária deve subir ainda mais os níveis correntes de juro em vista a deter a inflação, ao redor de 5% por um período mais prolongado.

Leia o resumo completo de economia da semana

Juros e inflação

Em um movimento de aversão a risco, as taxas de juros fecharam a semana em alta por toda a extensão da curva, com os vértices no longo prazo se afastando da casa dos 12% – marca registrada na semana anterior. As diretrizes de mercado nos últimos dias se deve a componentes internos e externos.

No campo doméstico, parte relevante do movimento está atrelado às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à independência do Banco Central e à atual meta de inflação, a última muito baixa de acordo com a sua avaliação. O discurso do atual presidente foi visto como “populistas” e na contramão da sinalização de austeridade fiscal do Ministro da Fazenda.

Na seara internacional, dados fracos da economia norte-americana e o discurso “hawkish” (contracionista) do presidente do Federal Reserve complementaram o cenário de aversão ao risco.

Outro componente que contribui para a abertura da curva é o aguardo, por parte dos investidores, de uma nova rodada de deterioração das expectativas no Boletim Focus, na próxima segunda-feira (22). O Focus desta semana trouxe alta da mediana projetada para o IPCA. Para 2023, o indicador saiu de 5,36% para 5,39%, 2024 de 3,50% para 3,70%, e 2025 de 3,30% para 3,50%.

No mercado externo, as taxas também apresentaram alta devido aos discursos de austeridade monetária defendidos pelos dirigentes do Fed, que buscam levar a inflação norte-americana para a meta. Segundo Patrick Harker, o objetivo é desacelerar “modestamente” a economia, alinhando oferta e demanda, sem provocar recessão.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), de hoje até uma determinada data futura, a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Enquanto isso, a Taxa Selic Esperada é a rentabilidade da taxa básica de juros esperada no final de cada período. Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Para o ano de 2023, o Tesouro Nacional incluiu novos títulos: NTN-B 2023 e NTN-B 2050, LFT 2026 e LTN 2025.

Leilão do dia 17/01 – NTN-B e LFT

Na terça-feira, o Tesouro Nacional (TN) ofertou 1,05 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B). Além disso, ofertou 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), aumentando a oferta para a primeira categoria e reduzindo para a segunda.

As NTN-Bs ofertadas foram parcialmente absorvidas e apenas o vencimento de 2026 obteve demanda para a totalidade dos títulos. Nos três vencimentos, as taxas ficaram acima de 6,0% a.a. e o volume financeiro foi de, aproximadamente, R$ 3,7 bilhões.

O TN obteve performance semelhante com as LFTs, uma vez que a demanda foi abaixo da oferta. No vencimentos, o volume financeiro somado foi cerca de R$ 4,5 bilhões.

Leilão do dia 19/01 – LTN e NTN-F

No leilão de quinta-feira, houve oferta de 450 mil Letras do Tesouro Nacional (LTN), com vencimentos para os próximos três anos, e 100 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), divididas em duas séries de vencimentos em 2029 e 2033. Para ambos os títulos, houve redução da oferta.

O TN não obteve demanda para o vencimento em 2024 para as LTNs. Em contrapartida, os vencimentos em 2025 e 2026 foram totalmente colocados, conseguindo atingir um volume financeiro de R$ 215 milhões.

As NTN-Fs, por sua vez, também foram totalmente colocadas. Nos dois vencimentos, as taxas ficaram abaixo de 12,8% a.a. e o volume financeiro foi de R$ 87 milhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F).

Ambos são calculados pela Anbima e podem sofrer variações devido à dinâmica de oferta e demanda de títulos no mercado, reflexo das movimentações no cenário econômico.

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Em um movimento de aversão a risco, as taxas de juros fecharam a semana em alta por toda a extensão da curva, com os vértices no longo prazo se afastando da casa dos 12% – marca registrada na semana anterior. As diretrizes de mercado nos últimos dias se deve a componentes internos e externos – vide seção “Juros e Inflação” para mais detalhes. Com isso, a maioria dos títulos públicos federais apresentaram desvalorização. Além disso, as taxas de títulos mais longos de inflação se afastaramdo patamar de IPCA + 6,3% e os prefixados de longo prazo ficou acima dos 13%.

Acompanhe as taxas do títulos do Tesouro Direto disponíveis para compra e para resgate

Crédito Privado

Fluxo

Nesta seção, analisamos os dados da Anbima de negociações definitivas de crédito privado, realizando um filtro cujo spread (diferença) entre os preços máximo e mínimo negociados representam mais do que 0,01% do volume negociado no dia, com o intuito de descartar o que acreditamos serem as operações diretas dentro de instituições.

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 719 milhões (ante R$ 1001 milhões na semana anterior), R$ 292 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 585 milhões), R$ 106 milhões em CRIs (vs. 170 milhões) e R$ 194 milhões em CRAs (vs. R$ 298 milhões).

Os papéis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures da Tupy (TUPY14), a debênture incentivada da Eneva (ENEV39), CRI da GTIS e, por fim, CRA da BRF.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

O que esperar – Semana de 23/01 a 27/01

Agenda econômica

No cenário internacional, serão publicadas as prévias dos PMIs de Alemanha, Zona do Euro, China e EUA de janeiro. No caso do último, destaque também para o PIB do 4º tri, o deflator do PCE e os dados de gasto, consumo e renda pessoal. No Brasil, o foco será na divulgação do IPCA-15 de janeiro, além de números de crédito, arrecadação federal, setor externo e criação de vagas formais (CAGED) em dezembro.

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

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Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.

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