IBOVESPA +0,31% | 175.135 Pontos
CÂMBIO +0,21% | 5,16/USD
O que pode impactar o mercado hoje
Ibovespa
O Ibovespa encerrou o pregão de quinta-feira (27) em alta de 0,31%, aos 175.135 pontos, no sétimo dia consecutivo de ganhos. A alta foi concentrada nos papéis exportadores, com destaque para a Petrobras, enquanto o segmento doméstico pesou sobre o índice.
Na ponta positiva, Totvs (TOTS3, +6,41%) registrou o maior ganho percentual do pregão, acompanhando o rali global das empresas de software.
Na ponta negativa, Vivo (VIVT3, -2,23%) e TIM (TIMS3, -2,19%) seguiram pressionadas, em meio a preocupações com o ambiente mais competitivo no setor de telecomunicações apontado desde os balanços do segundo trimestre.
Renda Fixa
Os juros futuros encerraram a quinta-feira com direções mistas. Nos EUA, o avanço do petróleo e declarações de dirigentes do Federal Reserve (banco central americano) defendendo uma postura mais restritiva mantiveram a cautela dos investidores às vésperas do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, levando a curva a encerrar com a T-note de dois anos a 4,23% (+1bp), a T-note de 10 anos a 4,67% (+2bps) e o T-bond de 30 anos a 5,19% (+2bps). No Brasil, a combinação entre a recepção integral do leilão de títulos prefixados do Tesouro, a deflação do IPCA-15 de agosto observada ontem e sinais de retorno do fluxo estrangeiro à Bolsa favoreceu o fechamento das taxas. A curva DI encerrou com o DI jan/27 a 13,63% (-4bps), o DI jan/29 a 14,08% (-3bps) e o DI jan/31 a 14,36% (+2bps). A NTN-B encerrou com a B29 a 7,99% (vs. 8,11%), a B35 a 7,88% (vs. 7,92%) e a B50 a 7,48% (vs. 7,49%).
Mercados globais
Nesta sexta-feira (28), os futuros nos EUA operam em leve queda (S&P 500: -0,1%; Nasdaq 100: -0,3%), com os investidores em compasso de espera pelo discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole. Na Europa, o Stoxx 600 opera em alta de 0,7%, impulsionado principalmente pelos setores de automóveis, utilities, e pelas ações ligadas à cadeia de tecnologia. Na Ásia, os mercados fecharam mistos: o Nikkei 225 (Japão) subiu 0,6%, o Kospi (Coreia) recuou 1,8%, pressionado pelas ações de semicondutores, enquanto na China o CSI 300 perdeu 0,5% e o Hang Seng avançou 0,1%.
O mercado acompanha a fala de Warsh em busca de sinais sobre a trajetória dos juros americanos, depois que o índice de preços PCE de julho subiu 3,7% em 12 meses, acima do consenso de 3,6%, enquanto o núcleo avançou 3,3%, em linha com as projeções; o rendimento do Treasury de 10 anos segue próximo de 4,68%. No petróleo, o Brent recua 0,5%, para próximo de US$ 88/barril, ainda em patamar elevado diante da indefinição em torno da reabertura do Estreito de Ormuz. Os investidores direcionam o foco para os desdobramentos da temporada de resultados e o fechamento semanal, com os três principais índices americanos caminhando para encerrar a semana em alta, além do balanço da Broadcom, previsto para 2 de setembro.
IFIX
O Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) encerrou o pregão desta quinta-feira em alta de 0,56%, aos 3.718,47 pontos.
Os ganhos foram disseminados entre os principais segmentos do mercado. Os fundos híbridos lideraram as altas do dia, com valorização de 1,95%, seguidos por lajes corporativas (+0,98%). Os fundos de tijolo avançaram 0,40%, impulsionados principalmente pelos fundos de shoppings (+0,41%) e ativos logísticos (+0,26%). Os fundos de recebíveis também encerraram a sessão no campo positivo (+0,26%), enquanto o segmento de multiestratégia/FOFs registrou alta de 0,29%.
Entre os destaques positivos do pregão, sobressaíram TRBL11 (+8,7%), TRXF11 (+8,2%) e ITRI11 (+2,9%). No campo negativo, as maiores quedas foram registradas por MFII11 (-5,1%), PSEC11 (-2,6%) e BCRI11 (-1,8%).
Economia
As atenções do mercado estarão voltadas para o discurso do presidente do banco central americano, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole, em busca de sinais sobre a visão da instituição acerca da inflação e dos rumos da política monetária. O tom do discurso pode impactar diretamente o mercado de ações e títulos. Ainda na agenda do dia, destaque para o PIB do Canadá, as expectativas da Universidade de Michigan e a revisão anual do relatório de empregos Nonfarm Payrolls nos Estados Unidos. No Brasil, serão divulgados o IGP-M, o Caged e as estatísticas de crédito.
O mercado de trabalho dos EUA segue estável, com pedidos de auxílio-desemprego em níveis baixos, enquanto o déficit comercial de bens voltou a se ampliar com o forte crescimento das importações ligadas ao ciclo de investimentos em inteligência artificial. No mercado de petróleo, o impasse entre Estados Unidos e Irã e a intensificação das tensões entre Rússia e Ucrânia voltaram a elevar o prêmio de risco.
No Brasil, a taxa de desemprego recuou para 5,3% e a renda real continuou avançando, reforçando a resiliência do mercado de trabalho. O governo central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, enquanto o déficit em conta corrente se ampliou para US$ 8,1 bilhões, embora continue confortavelmente financiado pelos ingressos de investimento direto.
Veja todos os detalhes
Economia
Discurso de Warsh no radar enquanto mercado de trabalho dos EUA segue estável e Brasil combina emprego robusto e melhora fiscal
- O presidente do banco central americano (Federal Reserve), Kevin Warsh, discursa nesta sexta-feira no simpósio anual em Jackson Hole, em Wyoming. Investidores de todo o mundo acompanham de perto, na expectativa de que ele ofereça mais detalhes sobre a economia americana, a recente volatilidade no mercado de títulos e os riscos que cercam as perspectivas dos EUA e da economia global. O impacto no mercado de ações e títulos dependerá do tom e sinalizações de seu discurso;
- O índice de sentimento econômico da zona do euro, que mede a confiança de setores corporativos e dos consumidores, subiu pelo quarto mês consecutivo para 98,4 pontos em agosto, ante 97,1 pontos em julho, superando as expectativas de mercado que apontavam para 97,5. É a leitura mais elevada desde janeiro. A confiança do consumidor aumentou de -15,9 pontos em julho para -15,5 pontos em agosto, confirmando a leitura preliminar. Já a confiança do setor industrial subiu de -6,1 para -5,3 pontos. A do setor de serviços, por sua vez, avançou de 4,7 para 5,8 pontos no mesmo período;
- Nos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram para 203 mil, abaixo da expectativa de 208 mil e na segunda queda consecutiva. Os pedidos continuados também caíram, para 1,778 milhão, menor nível em um mês. O quadro segue consistente com um mercado de trabalho de poucas demissões e ritmo moderado de contratações, dando ao Fed (banco central) espaço para manter o foco sobre a inflação. Ao mesmo tempo, o déficit comercial de bens aumentou de US$ 101,4 bilhões para US$ 118,8 bilhões em julho, maior desde março de 2025. As exportações recuaram 2,9%, enquanto as importações avançaram 3,7%, com alta de 11,3% nas compras de bens de capital, impulsionadas pelo ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. O setor externo, portanto, deve voltar a contribuir negativamente para o crescimento do PIB no terceiro trimestre;
- O preço do petróleo voltou a subir após três sessões de queda, diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e da persistência de restrições no Estreito de Ormuz. O WTI avançou 1,58%, para US$ 83,53 por barril, enquanto o Brent subiu 1,82%, para US$ 88,52 por barril. O fluxo pela rota aumentou para algo entre 6 e 8 milhões de barris por dia, mas permanece distante da normalidade. Além disso, Washington voltou a ameaçar sanções contra bancos chineses ligados ao Irã, enquanto a intensificação das tensões entre Rússia e Ucrânia e os recentes ataques à infraestrutura energética russa adicionaram riscos de oferta;
- No Brasil, a taxa de desemprego recuou de 5,4% para 5,3% no trimestre móvel até julho, exatamente em linha com nossas expectativas. Em nossa estimativa mensal dessazonalizada, a taxa caiu de 5,50% para 5,41%, permanecendo próxima das mínimas históricas. O emprego aumentou pelo nono mês consecutivo e a renda real continuou avançando, embora em ritmo mais moderado: a massa de renda real cresceu 0,4% no mês e acumula alta de 5,7% em 12 meses. Os dados reforçam que o mercado de trabalho continua robusto e não parece ser a principal fonte de risco para a atividade. Projetamos desemprego de 5,6% no fim de 2026 e 6,5% em 2027, com crescimento do PIB de 2,0% e 1,0%, respectivamente, e riscos de baixa concentrados sobretudo no mercado de crédito;
- O governo central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, frente a déficit de R$ 59,1 bilhões no mesmo mês do ano passado. Em 12 meses, o déficit acumulado recuou para R$ 72,7 bilhões, ou aproximadamente 0,6% do PIB. As receitas líquidas cresceram 7,7% a/a, com destaque para rendimentos do trabalho e do capital, contribuições previdenciárias e receitas relacionadas ao petróleo. As despesas, por sua vez, caíram 20,7% a/a, embora parte relevante da retração reflita diferenças no calendário de pagamento de precatórios. Os créditos extraordinários para subsídios de combustíveis somaram R$ 4,8 bilhões e permanecem como principal risco ao resultado primário. Projetamos déficit de R$ 40,4 bilhões, ou 0,3% do PIB, em 2026, equivalente a superávit de R$ 19,5 bilhões excluindo despesas fora da meta;
- Ainda na seara fiscal, o Gecex-Camex prorrogou por mais 60 dias a alíquota de 12% do Imposto de Exportação sobre petróleo bruto, embora uma liminar da Justiça Federal do Distrito Federal tenha suspendido a cobrança. A equipe econômica avalia que há boas possibilidades de reversão da decisão. O tributo arrecadou R$ 7,982 bilhões entre janeiro e julho, sendo R$ 3,161 bilhões somente em julho, reforçando a importância das receitas relacionadas ao petróleo para o desempenho fiscal recente. Paralelamente, o MDIC retomará na próxima segunda-feira as negociações tarifárias com os EUA e vem aprofundando a aproximação comercial com a Índia, onde as exportações brasileiras cresceram 84% no primeiro semestre;
- Nas contas externas, a conta corrente registrou déficit de US$ 8,1 bilhões em julho, acima da nossa projeção e do consenso de US$ 6,7 bilhões. Em 12 meses, o déficit alcançou US$ 62,9 bilhões, ou 2,49% do PIB, pressionado principalmente pela conta de renda primária e pelos pagamentos sazonais de juros. O Investimento Direto no País somou US$ 7,5 bilhões, ligeiramente abaixo do esperado, mas sua composição permaneceu saudável. Em 12 meses, os ingressos de IDP alcançaram US$ 88,4 bilhões, ou 3,50% do PIB, mantendo o financiamento externo em posição confortável. Projetamos déficit em conta corrente de US$ 67,6 bilhões em 2026, equivalente a 2,5% do PIB, e IDP de US$ 85,0 bilhões;
- Na agenda internacional, serão divulgados o PIB do Canadá, as expectativas da Universidade de Michigan nos EUA e a revisão anual do Nonfarm Payrolls, importante para reavaliar a trajetória recente do mercado de trabalho americano. No Brasil, teremos o IGP-M, para o qual esperamos queda de 0,23% M/M e alta de 2,15% A/A; o Caged, com expectativa de criação líquida de 90.775 vagas; e as estatísticas de crédito.
Empresas
Frasle Mobility (FRAS3): preparando-se para o próximo ciclo
- A Frasle Mobility realizou seu Investor Day 2026 (“Universo Frasle”), no qual a gestão detalhou as prioridades para seu próximo ciclo de crescimento;
- Saímos do evento com uma visão construtiva sobre a execução da companhia, com as sinergias da Dacomsa avançando acima do esperado, rápida desalavancagem e um roteiro claro para crescimento orgânico e inorgânico;
- As iniciativas orgânicas devem combinar ganhos de participação de mercado, expansão de portfólio e entrada em novas geografias, com México e EUA se destacando como as principais oportunidades de crescimento;
- A dívida líquida/EBITDA deve se aproximar de 1,0x até o fim do ano, criando espaço para um potencial novo ciclo de M&A a partir de 2027-28E, ao mesmo tempo em que preserva um payout elevado;
- Por outro lado, a gestão reconheceu um ambiente de receitas mais desafiador, reforçando expectativas de receitas mais próximas da faixa inferior do guidance;
- No geral, vemos progresso relevante na estratégia de longo prazo da companhia, embora o momentum de receitas de curto prazo permaneça um ponto de atenção, sustentando nossa recomendação Neutra;
- Clique aqui para acessar o relatório completo.
Telecom: como o debate dos investidores mudou
- Neste relatório, analisamos como os debates dos investidores sobre Vivo e TIM evoluíram ao longo das últimas oito teleconferências de resultados e como as prioridades do mercado mudaram nesse período;
- Competição e crescimento móvel passaram a liderar a agenda dos investidores, enquanto CapEx e geração de caixa perderam relevância relativa;
- A estratégia da Vivo permaneceu amplamente inalterada, sustentada por convergência, baixo churn e um ecossistema mais amplo de monetização da base de clientes;
- Já a narrativa da TIM passou por mudanças mais significativas, com banda larga, B2B e parcerias ganhando maior importância à medida que o crescimento do negócio móvel desacelerou;
- Em nossa visão, a estratégia mais estável da Vivo reforça seu melhor posicionamento competitivo relativo, enquanto a agenda de crescimento mais diversificada da TIM cria novas oportunidades, mas também reflete a crescente necessidade de encontrar vetores de expansão além do negócio móvel tradicional;
- Clique aqui para acessar o relatório completo.
Renda fixa
De Olho na Renda Fixa: principais notícias de crédito privado, mercados e renda fixa
- Na Minerva, a palavra da vez é desalavancar. As aquisições ficam para depois (Bloomberg Línea);
- Venda da Origem Energia avança com quatro interessados (Pipeline Valor);
- Negociação de debêntures incentivadas cresce 24% no ano (Valor Investe);
- Oferta pelas ações da Oncoclínicas pode chegar a R$ 14 bi (Valor Econômico).
- Clique aqui para acessar o clipping.
Alocação & Fundos
Principais notícias
- Fundos imobiliários (FIIs): confira as principais notícias
- VISC11: XP avalia como positivo o aumento de participação em shopping (FIIs);
- IFIX avança 0,56%; TRXF11 dispara 8,24% após desistir de negócio bilionário (Suno Notícias);
- Patria planeja consolidar FIIs de IPCA e, depois, criar veículo híbrido e de CDI (InfoMoney);
- Clique aqui para acessar o relatório.
ESG
CVM autoriza empresas que aderiram ao IFRS S1 e S2 a desistirem sem cumprir prazo mínimo | Café com ESG, 28/08
- O pregão de quinta-feira fechou em território misto, com o IBOV avançando 0,31%, enquanto o ISE recuou 0,19%.
- No Brasil, (i) a CVM determinou que companhias abertas que aderiram voluntariamente ao padrão internacional de divulgação de informações financeiras de sustentabilidade (IFRS S1 e S2) antes da mudança das regras, em maio, poderão desistir da publicação, sem cumprir o período mínimo de três exercícios estabelecido pela nova regulamentação – segundo a autarquia, a adesão feita sob as regras anteriores não obriga a empresa a manter a divulgação nos exercícios seguintes, mesmo que o compromisso já tenha sido comunicado ao mercado; e (ii) a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estima que 12 operadores aéreos terão a obrigação de usar o combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2027 – segundo Marcelo Bernardes, superintendente de governança e meio ambiente da Anac, não serão apenas companhias “conhecidas”, como Gol, Latam e Azul mas também empresas de carga aérea e de táxi aéreo.
- No internacional, segundo a Wood Mackenzie, o mercado de armazenamento de energia da América Latina deve crescer 13 vezes até 2035, com a capacidade saindo de 2,5 gigawatts (GW), em 2025, para 34 GW – de acordo com a instituição, o crescimento será impulsionado principalmente pela aceleração nas licitações, além do aumento dos cortes de geração (curtailment).
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