IBOVESPA +0,54% | 186.502 Pontos
CÂMBIO -0,40% | 5,14/USD
O que pode impactar o mercado hoje
Ibovespa
O Ibovespa encerrou a terça-feira em alta de 0,5%, aos 186.503 pontos, impulsionado pela alta do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O avanço ocorreu apesar da queda das bolsas americanas e da alta dos juros das Treasuries, enquanto os investidores também seguiram acompanhando o cenário político doméstico.
Na ponta positiva, Petrobras (PETR3, +3,6%; PETR4, +3,1%), Vibra (VBBR3, +2,8%) e PRIO (PRIO3, +2,8%) acompanharam o movimento favorável às ações ligadas ao petróleo. Na ponta negativa, Azzas 2154 (AZZA3, -3,0%) foi a maior queda do dia entre os componentes do índice.
Renda Fixa
Os juros futuros encerraram ontem em alta. Nos EUA, a T-note de 2 anos avançou para 4,67% (+1 bp), a T-note de 10 anos para 5,00% (+1 bp) e o T-bond de 30 anos para 5,37% (+2 bps).
No Brasil, os vértices curtos permaneceram praticamente estáveis, enquanto os prazos intermediários e longos incorporaram prêmio de risco adicional, em meio ao aumento de tensões institucionais. O DI jan/27 encerrou a 13,58% (-1 bp), o DI jan/29 avançou para 13,94% (+2 bps) e o DI jan/31 subiu para 14,23% (+9 bps). A NTN-Bs avançou, com a B29 a 7,54% (vs. 7,52%), a B35 a 7,70% (vs. 7,62%) e a B50 a 7,42% (vs. 7,39%).
Mercados globais
Nesta quarta-feira, os futuros nos EUA operam em leve alta (S&P 500: +0,2%; Nasdaq 100: +0,4%), com os investidores cautelosos às vésperas da decisão de juros do Federal Reserve, que os mercados futuros precificam com cerca de 92,5% de probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica ao intervalo de 3,75% a 4,00%. Na Europa, o Stoxx 600 opera em alta de 0,4%, impulsionado principalmente pelos setores de petróleo e gás e de bancos. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta: o Kospi (Coreia) avançou 1,4%, o Nikkei 225 (Japão) subiu 0,9%, enquanto na China, o CSI 300 ganhou 0,7% e o Hang Seng avançou 0,2%.
O mercado acompanha a decisão do Fed nesta tarde, possível início de um novo ciclo de aperto após leituras de inflação acima do esperado, cabendo ao presidente Kevin Warsh sinalizar firmeza sem contrariar a Casa Branca, que pressiona publicamente por juros mais baixos. O pano de fundo é o mercado de Treasuries: o rendimento do título de dez anos recua para próximo de 4,98%, depois de tocar 5,04% na terça-feira, maior nível desde julho de 2007.
Em relação ao petróleo, o Brent recua 1,1%, para próximo de US$ 108/barril, devolvendo parte da alta provocada pelo fechamento, pela Arábia Saudita, de um oleoduto que contorna o Estreito de Ormuz e por novos ataques houthis em território saudita. Os investidores seguem monitorando o comunicado e a entrevista de Warsh, em busca de pistas sobre outubro e dezembro, reuniões para as quais o mercado atribui cerca de 43% e 30% de chance de novas altas.
IFIX
O Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) encerrou o pregão de terça-feira em alta de 0,36%, aos 3.744,89 pontos.
Os ganhos foram disseminados entre os principais segmentos do mercado. Os fundos híbridos lideraram as altas do dia, com valorização de 0,90%, seguidos pelas lajes corporativas (+0,53%) e pelos fundos de shoppings (+0,51%). Os fundos de recebíveis avançaram 0,26%, mesma variação observada nos fundos de tijolo no agregado, enquanto o segmento de multiestratégia/FOFs registrou alta de 0,35%. Na contramão, os ativos logísticos apresentaram leve recuo de 0,09%.
Entre os destaques positivos do pregão, sobressaíram MFII11 (+3,3%), GZIT11 (+2,8%) e VCJR11 (+1,9%). No campo negativo, as maiores quedas foram registradas por BTCI11 (-2,7%), KORE11 (-1,3%) e ICRI11 (-1,3%).
Economia
Além dos destaques globais mencionados acima, na China, a produção industrial surpreendeu positivamente, mas consumo e investimento permaneceram fracos.
No Brasil, as vendas no varejo restrito recuaram 0,8% m/m em julho, bem abaixo do esperado, reforçando os sinais de desaceleração da demanda doméstica.
Na agenda, o Fomc (comitê de mercado aberto) nos Estados Unidos e o Copom (comitê de política monetária) no Brasil irão tomar a decisão sobre as taxas de juros dos dois países no mesmo dia. Os mercados esperam aperto monetário pelo Fed, enquanto esperamos que o Copom siga na direção oposta, com novo corte de 0,25 p.p. na Selic.
Veja todos os detalhes
Economia
Superquarta: Fomc e Copom decidem juros em meio a pressões globais e desaceleração doméstica
- Os juros soberanos globais atingiram os maiores níveis desde a crise financeira de 2008, refletindo a combinação entre endividamento público elevado, atividade econômica ainda resiliente e maior pressão inflacionária decorrente do choque de energia. O rendimento da Treasury de 10 anos superou 5%, enquanto a média dos yields de 10 anos das economias do G7 alcançou 4,285%, cerca de 1 p.p. acima do nível anterior ao início da guerra no Irã. A alta dos custos de financiamento também amplia a pressão sobre as contas públicas, uma vez que maiores despesas com juros restringem o espaço para outras despesas e alimentam preocupações com a trajetória das dívidas;
- O petróleo do tipo Brent fechou em alta de 2,9%, a US$ 108,75 por barril, enquanto o WTI (futuros) avançou 4,38%, para 105,83 dólares por barril, com o mercado aumentando o prêmio de risco associado à oferta do Oriente Médio. Os ataques à infraestrutura energética saudita deixaram o oleoduto Leste-Oeste fora de operação, comprometendo uma rota utilizada para contornar o Estreito de Ormuz e ameaçando até 4% da oferta global de petróleo. Ao mesmo tempo, segundo dados preliminares da Kpler, o tráfego de navios de commodities por Ormuz caiu para apenas quatro embarcações, ante dez no dia anterior. O choque simultâneo sobre o estreito e sobre uma das principais rotas alternativas de escoamento amplia os riscos de interrupções mais persistentes;
- Na China, a produção industrial cresceu 5,2% a/a em agosto, acelerando frente aos 4,5% de julho e superando a expectativa de 4,9%. A melhora da indústria, contudo, contrastou com a fraqueza persistente da demanda doméstica. As vendas no varejo avançaram apenas 0,4% a/a, abaixo dos 0,7% esperados, enquanto os investimentos em ativos fixos acumularam queda de 7,2% entre janeiro e agosto. A composição continua mostrando uma economia desigual, com maior dinamismo do setor produtivo sem recuperação equivalente do consumo e dos investimentos;
- No Brasil, o varejo restrito recuou 0,8% m/m em julho, significativamente abaixo da nossa projeção de estabilidade e do consenso de -0,3%. Na comparação anual, houve alta de apenas 1,2%, também abaixo da nossa expectativa de 2,5%. A fraqueza foi disseminada: quatro dos oito segmentos do varejo restrito já apresentam contração em termos anuais. As atividades mais sensíveis ao crédito recuaram 0,5% m/m e entram no 3T26 com carrego estatístico de -1,0% t/t, consistente com os efeitos defasados da política monetária restritiva sobre as compras financiadas. O varejo ampliado apresentou desempenho melhor, com alta de 0,4% m/m, puxado principalmente por veículos, mas também entra no trimestre com carrego negativo, de -0,4%. Após os dados, nosso tracking para o PIB do 3T26 está em -0,02% t/t (1,54% a/a). Mantemos crescimento de 1,7% para 2026, enquanto nossa projeção de 1,0% para 2027 apresenta viés baixista;
- Na agenda de indicadores, será divulgado o número relacionado ao volume das vendas no varejo dos Estados Unidos. No Brasil, teremos o IGP-10, para o qual esperamos alta de 1,50% m/m e 3,32% a/a, e o IBC-Br de julho, com expectativa de retração de 0,2% m/m e crescimento de 1,1% a/a. Para o IBC-Br, uma leitura em linha com nossa projeção deixaria carrego estatístico de aproximadamente -0,7% t/t para o 3T26, reforçando os sinais recentes de perda de força da atividade;
- Por fim, as atenções estarão voltadas para uma superquarta de política monetária, com decisões do Fed e do Copom no mesmo dia. Nos Estados Unidos, o mercado espera que o Federal Reserve eleve os juros pela primeira vez desde 2023, em meio à persistência da inflação, ao preço elevado do petróleo e à resiliência da atividade, apesar das pressões públicas de Donald Trump por taxas mais baixas. No Brasil, seguimos na direção oposta: esperamos que o Copom anuncie novo corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, diante das evidências adicionais de desaceleração da atividade doméstica e desinflação, ainda que o cenário externo recomende cautela. Para mais detalhes sobre nossa visão para a decisão do Copom, acesse: Esquenta do Copom: Fatores domésticos devem permitir a continuação do ciclo – XP Investimentos.
Empresas
Sanepar (SAPR11) | A lacuna de incentivos: por que o status quo prevalece
- Atualizando nossas estimativas, rebaixando para neutro e revisitando o debate sobre a privatização
- Estamos atualizando nossas estimativas para a SAPR e rolando nosso preço-alvo para o final de 2027, que agora é de R$45,8/ação;
- Também estamos rebaixando a SAPR para Neutro;
- Embora vejamos a SAPR negociando a uma TIR real razoável de 14,2%, acreditamos que a ausência de gatilhos nos próximos 6-12 meses torna o papel uma alternativa menos atraente em comparação com outras empresas que negociam a TIRs reais muito atrativas em termos absolutos;
- Nossa recomendação anterior de Compra se baseava na expectativa de que: i) as chances de privatização ainda eram razoáveis; e ii) a SAPR conseguiria reter 25% dos R$4 bilhões em créditos tributários obtidos pela companhia, o que poderia resultar em dividend yields atrativos em 2026-2027, que deveriam remunerar o carrego enquanto o potencial de valorização decorrente da privatização ainda não estivesse totalmente claro;
- O debate sobre os 25% agora parece representar um cenário otimista, em vez de um cenário-base, enquanto não vemos a configuração adequada para que um processo de privatização ganhe tração no curto prazo;
- Clique aqui para acessar o relatório.
Mineração e Siderurgia: alta dos fretes pressiona a oferta de minério de ferro de alto custo
- Os fretes elevados continuam pressionando os produtores brasileiros de minério de ferro de maior custo, comprimindo as realizações FOB e levando a ajustes de produção na mina de Samambaia, da Usiminas, e na Itaminas;
- Além disso, os preços do minério de ferro recuaram -6% S/S, embora a queda pareça estar perdendo momentum, com os produtos de alto teor começando a apresentar desempenho superior após seis sessões consecutivas de queda;
- Apesar dos indicadores mais fracos de demanda por aço e da oferta restrita de coque, a redução das perdas relacionadas à manutenção sugere que a atividade dos altos-fornos está se estabilizando, sustentando um período de consolidação dos preços do minério de ferro em níveis baixos;
- Os preços do ouro também recuaram -1% S/S, uma vez que os preços mais altos do petróleo reforçaram as preocupações inflacionárias, aumentando as expectativas de uma alta de juros pelo Fed e elevando os yields dos títulos do Tesouro dos EUA, apesar das entradas em ETFs de +9 toneladas;
- Também observamos que os preços do HRC e do vergalhão permaneceram estáveis S/S no Brasil, com a paridade de importação do aço plano em +18% (estável S/S) e a do aço longo em -9% (-1p.p. S/S), enquanto as importações de aço do Egito (isentas de tarifas) sugerem uma paridade de +2%;
- Clique aqui para acessar o relatório completo.
Saúde | Feedback do roadshow: SP/RJ
- Nas últimas duas semanas, nos reunimos com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro para discutir o setor de saúde;
- Em comparação a alguns meses atrás, o sentimento dos investidores passou de amplamente positivo para neutro/levemente negativo;
- A Rede D’Or permaneceu como a companhia mais discutida e continua sendo a maior posição do setor, embora sua participação nos portfólios pareça ter diminuído, de aproximadamente 5% para 3%, em média;
- Bradesco Saúde e Hypera foram discutidas em praticamente todas as reuniões, com os investidores concentrados na execução e nos resultados de curto prazo;
- O Fleury se destacou como uma tese vista de forma positiva, impulsionada pelo forte ritmo de crescimento da receita, apesar do múltiplo elevado, de 13x P/L 2027, e do posicionamento ainda limitado dos fundos locais;
- Embora o interesse por companhias como Dasa, Qualicorp, Mater Dei e Blau tenha aumentado, o número de investidores realizando análises mais aprofundadas permanece relativamente limitado.
- Clique aqui para acessar nosso relatório.
Educação | Feedback do roadshow: SP/RJ
- Após a publicação de nosso relatório de início de cobertura (ver: Relação risco-retorno atrativa apesar das incertezas regulatórias), passamos as últimas duas semanas nos reunindo com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro para discutir o setor de educação;
- Embora o engajamento dos investidores permaneça relativamente limitado, o sentimento se tornou construtivo, especialmente em relação à perspectiva de maiores níveis de payout no 2S26, com Cogna e Vitru vistas como as principais beneficiárias;
- Os investidores acreditam que a adoção de uma política de dividendos com payout mais próximo de 50% poderia aumentar a visibilidade sobre os dividendos e sustentar uma reprecificação do setor, potencialmente elevando os múltiplos de valuation dos atuais 4x-5x P/L 2027 para 7x-8x, o que representaria um potencial de valorização de aproximadamente 40%;
- Essa reprecificação implicaria uma normalização dos FCF yields dos atuais cerca de 20% para uma faixa mais sustentável de 10% a 15%;
- As companhias mais discutidas foram Cogna, Yduqs e Vitru.
- Clique aqui para acessar nosso relatório.
Estratégia
Factor Pulse: Valor lidera agosto, Baixo Risco estende a liderança no ano
- Valor foi o fator de melhor desempenho em agosto (+5,6%), à medida que ações de baixo valor caíram 5,3%, enquanto nomes de alto valor apresentaram leve alta, levando o fator a +21,7% no ano;
- Baixo Risco subiu 4,2% em agosto e permanece como o fator de melhor desempenho no ano (+42,1%), à frente de Qualidade (+27,5%);
- Short Interest (-3,0%) e Revisões do Sell-side (-1,7%) foram os únicos estilos negativos em agosto, enquanto a alta de setembro até o momento favoreceu ações de beta elevado, pressionando Momentum (-4,9%) e Qualidade (-3,7%);
- Tema especial: analisamos o payout yield como fator individual, comparando-o com nossos fatores estabelecidos e em diferentes regimes de juros.
- Clique aqui para acessar o relatório completo.
Alocação & Fundos
Principais notícias
- Fundos Imobiliários (FIIs): confira as principais notícias
- Calendário de Dividendos dos Fundos Imobiliários (Research XP);
- IFIX avança 0,36% e fecha pregão de terça-feira aos 3.744,89 pontos (Suno Notícias);
- Fundos imobiliários (FIIs) reduzem endividamento em 2026, mas um segmento foge à regra (Money Times);
- Clique aqui para acessar o relatório.
ESG
MME abre consulta pública para metas decenais de CBIOs | Café com ESG, 16/09
- O pregão de terça-feira fechou em território positivo, com o IBOV e o ISE avançando 0,54% e 0,2%, respectivamente.
- No Brasil, (i) o Ministério de Minas e Energia (MME) abriu a consulta pública sobre as metas decenais de Créditos de Descarbonização (CBIOs) a serem adquiridos por distribuidoras de combustíveis de 2027 a 2036, totalizando 665,11 milhões de créditos no período – ao longo dos anos, há um aumento no total de CBIOs exigidos, chegando a 73,54 milhões de créditos em 2036, quando é projetada uma redução de 1,12% nas emissões do segmento; e (ii) o presidente Lula sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o chamado Redata, aprovado pelo Senado há duas semanas – a medida cria incentivos fiscais para empresas que instalarem ou ampliarem os centros de processamento de dados no país, reduzindo a cobrança de impostos sobre equipamentos usados na instalação e na expansão de data centers.
- No internacional, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) revogou os limites de emissões de gases de efeito estufa de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis do país, a segunda maior fonte de emissões no país, atrás somente do setor de transportes – a ação inclui ainda a proposta de anular a determinação federal que define os gases de efeito estufa como uma fonte significativa de poluição do ar.
- Clique aqui para acessar o relatório completo.

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!