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O que esperar para a ação do Pão de Açúcar em 2022 e a explicação por trás da queda de 62% em 2021

Após perder 62% em 2021 e sem a força do Assaí, veja o que os analistas da XP Investimentos esperam para as ações do Pão de Açúcar em 2022

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Após um ano marcado por duas mudanças estruturais no Grupo Pão de Açúcar, primeiro com a cisão do Assaí do Grupo e mais tarde pela venda de ~70 lojas do Extra Hiper ao próprio Assaí, as ações de PCAR3 à primeira vista sofreram uma queda de 62% em 2021 no valor das ações.

Porém, destacamos que essa forte desvalorização aconteceu pontualmente nos primeiros minutos do primeiro pregão em que as duas companhias passaram a ser negociadas de forma separadas (PCAR3 e ASAI3), em um movimento antecipado pelos nossos analistas do time de Research da XP. Entenda mais sobre o que aconteceu a seguir:

Queda forte no papel, mas resultado consolidado para o acionista de PCAR3 e ASAI3 foi positivo

Na momento da cisão, as ações do Pão da Açúcar deixaram de negociar as operações e ativos do Assaí, um dos líderes do mercado de varejo alimentar no Brasil, que tinha 184 lojas em 23 estados brasileiros. “Na prática, a cisão das operações do Assaí de dentro do Grupo Pão de Açúcar afetou diretamente as ações de ambas as companhias, uma vez que anteriormente os investidores que se tornavam acionistas de PCAR3 estavam adquirindo uma participação tanto no Grupo Pão de Açúcar quanto no Assaí”, comenta o time de especialistas da XP.

O último dia de negociação das operações em conjunto foram em 26 de fevereiro de 2021, sendo o dia 01 de março de 2021 o primeiro em que as companhias foram negociadas de forma separada. Como explicado pelo nosso time de analistas na ocasião, por um mero ajuste contábil no leilão de abertura da B3 do dia 01 de março, as ações teriam um comportamento bastante volátil já nos primeiros minutos de negociação. Para explicar melhor essa mecânica, vamos dividir nossa resposta em 2 partes:

  • Preço inicial do leilão de abertura:

O que é leilão de abertura? Antes de abrir o mercado, são realizados leilões de pré-abertura (com uma duração de 15 minutos) onde os investidores registram suas ofertas de compra e venda de ações. Entretanto, elas só serão negociadas efetivamente quando o pregão abrir e podem não ser concluídas, uma vez que é necessário que haja o casamento entre ofertas de compra e de venda. Ou seja, o leilão de abertura auxilia na definição do valor dos ativos no período inicial.

O preço inicial do leilão para PCAR3 e ASAI3 foi definido com base no capital social de cada companhia. Em relatório publicado pelo time de especialistas da XP, os especialistas tomaram como base os números do balanço no 4T20, estimando então um preço de aproximadamente R$10,30 por ação para ASAI3 e de R$73,60 por ação para PCAR3, e destacaram que o leilão de abertura deveria ser um pouco mais longo devido à complexidade da transação.

  • Preço em que as ações começaram a ser efetivamente negociadas:

O preço de negociação foi então definido com base no valor atribuído pelos investidores a cada companhia, a partir de suas ordens de compra e venda para cada um dos papéis durante o leilão de abertura da B3.

Tomando como base o que aconteceu na prática, as ações de ASAI3 fecharam o pregão no dia 01 de março com uma valorização de ~386% em relação ao preço inicial do leilão de abertura da B3, cotadas em R$ 71,4/ação, enquanto as ações de PCAR3 tiveram uma desvalorização de ~66% em relação ao preço inicial do leilão de abertura e fecharam o pregão do dia em R$ 23,33/ação.

Por isso, é importante destacar ao investidor que essa forte volatilidade nos dois papéis refletiu apenas um ajuste de preços contábil (feita pelo capital social da companhia), para uma realidade de valor de mercado de cada uma das operações apartadas.

E como interpretar os preços de fechamento no dia 01 de março, e seu resultado para a performance do ano de cada ação? Segundo nossos analistas, a melhor forma de interpretar o novo preço de PCAR3 no fechamento do dia 01 de março, e entender o real resultado do investimento em PCAR3 (se o investidor que recebeu em igual proporção ações de ASAI3 não as vendeu no pregão do dia 01 de março) seria somar os preços de fechamento das duas ações (PCAR3 em R$ 23,33/ação e ASAI3 em R$ 71,40/ação) e comparar com o preço de fechamento do dia 26 de fevereiro (de R$83,00/ação). Fazendo esse exercício, concluímos que o resultado consolidado da reavaliação das companhias foi uma alta de ~14% no dia.

Portanto, a queda de mais de 60% – e a disparada de 386% do Assaí no dia foram apenas o resultado de um ajuste contábil feito para a abertura do leilão da B3, e a partir dali o reflexo da avaliação das companhias separadas pelos investidores. Desconsiderando esse ajuste do primeiro dia de negociação, a performance de PCAR3 foi praticamente estável, fechando o ano na casa dos R$22/ação.

O que esperar de Pão de Açúcar (PCAR3) para 2022?

Como já vem sendo comentado pelo time de especialistas da XP, o cenário macroeconômico é um fator bastante importante para a saúde da companhias de varejo, e isso não é diferente no caso de investimentos nas ações do Grupo Pão de Açúcar. “A deterioração macroeconômica impacta diretamente as ações de varejo. A combinação de inflação e taxas de juros em alta fragiliza o poder de compra dos consumidores, bem como a capacidade das empresas em repassar esses aumentos dos produtos ao consumidor final”, pontuam os analistas de Varejo do Research da XP.

Além disso, não podemos deixar de lembrar que os pontos de atenção no micro da empresa são bastante importantes: “O mercado deve acompanhar de perto o desenrolar da transação de venda das lojas do Hipermercado Extra ao Assaí, além das conversões de lojas do formato que não foram incluídas na lista de venda ao Assaí e devem ser convertidas em novas lojas da bandeira Pão de Açúcar, assim como os efeitos práticos que devem acontecer com a saída da operação do Hiper da base de lojas da companhia”, relatam.

Diante deste cenário, a preferência do time de ações permanece por nomes ligados ao varejo de alta renda, como Arezzo, Grupo Soma e Vivara, e a nomes mais resilientes, como Raia Drogasil e Assaí que, segundo os analistas, devem se beneficiar do “momento macro mais desafiador, inflação elevada e consequentemente a contínua procura dos consumidores por preços mais baixos”.

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