VIVA3

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Vivara e o COVID-19

Impacto: Médio-Alto

Esperamos um impacto negativo importante no resultado da companhia no curto prazo, em função do fechamento de 100% das suas lojas desde o dia 21 de março por tempo indeterminado, e também por um ambiente de consumo mais restritivo, com consumidores priorizando o consumo básico (alimentos e medicamentos). De maneira geral, dentro do varejo, os segmentos de turismo, vestuário, joias, eletrodomésticos, eletrônicos e móveis são os que mais têm sofrido durante a crise.

Além disso, apesar de a desaceleração ser parcialmente compensada pela continuidade das vendas no canal online, a companhia ainda apresenta uma participação de vendas no e-commerce ainda relativamente pequena (~7,5% em 2019).

Entretanto, a companhia está capitalizada (R$ 165 milhões de caixa líquido ao final de 2019), e, portanto, tem os recursos para atravessar os períodos mais críticos da crise e continuar ganhando participação de mercado, possivelmente até por aquisições. Além disso, os estoques da companhia são atemporais (não dependem da sazonalidade) e o ouro dos produtos acabados pode ser reaproveitado futuramente, uma vez retomadas as atividades..

Riscos: Queda de vendas mais prolongada. A crise desencadeada pelo COVID-19 pode impor um período de desaceleração de vendas mais prolongado, a depender da evolução de indicadores relacionados à confiança do consumidor e ao mercado de trabalho.

Para mais detalhes, acesse nossos relatórios: "Varejo e o COVID-19: Entendendo a queda das ações; 4 principais pontos" e "Os impactos do coronavírus para as empresas".

Tese de Investimento

#1. Crescimento acelerado - Por mais tempo

Uma das principais fontes de crescimento da companhia é o plano de expansão de lojas. Serão ~510 lojas adicionais até 2024-25, com destaque para as ~230 da marca Vivara e ~220 da Life by Vivara.

A crise desencadeada pelo COVID-19 fez com que a companhia postergasse parte das ~50 aberturas planejadas para 2020. Entretanto, temos confiança de que a companhia conseguirá retomar o plano, uma vez normalizadas as atividades.

Esperamos que a expansão sustente um crescimento médio anual de +19% nas vendas e + 22% de EBITDA ao longo dos próximos três anos (2019-2022).

#2. Manutenção da rentabilidade, mesmo com alta do preço do ouro

Maior poder de precificação de empresas verticalizadas. A maior parte do processo de produção da Vivara é verticalizado. Portanto, a empresa compra insumos de maneira constante para recompor os seus estoques. Com isso, apesar do custo de reposição da companhia ser semelhante ao do mercado, o aumento do preço do metal tem um impacto mais gradual no custo médio do estoque da companhia em relação aos seus competidores. Isso permite que a Vivara repasse os preços de forma mais gradual, se tornando mais competitiva.

Além disso, a verticalização permite à Vivara atualizar seu portfólio de produtos com mais frequência (cerca de 30 coleções por ano). Isso permite que a empresa repasse com mais facilidade um potencial aumento de custos para os consumidores, através da chegada recorrente de produtos de novas coleções nas lojas.

Flexibilidade na mudança do mix de vendas. Os produtos de prata têm margens mais altas em relação aos de ouro (margens brutas de ~82% contra ~65%, respectivamente). Dessa forma, nos períodos em que os preços do ouro estão subindo, a empresa tem a capacidade de mudar seu mix de vendas, focando nos produtos de margens mais altas como a prata, em um esforço para preservar a rentabilidade da empresa.

#3. Assimetria favorável

Após a queda brusca das ações em meio às preocupações em relação à crise e ao aumento do preço do ouro, hoje (30 de março) vemos as ações negociando em níveis muito atrativos.

O patamar atual desconta excessivamente as dificuldades que a empresa deve enfrentar em função do COVID-19. Dessa forma, acreditamos que esse seja um ponto de entrada atrativo para as ações da Vivara, especialmente tendo em vista a solidez financeira e o alto crescimento esperado para os próximos anos.

Principais Riscos

#1. Riscos de execução, principalmente atrelados ao ambicioso plano de expansão de lojas.

#2. Impacto mais profundo no ambiente de consumo, em meio à crise. A crise atual pode se provar mais longa e profunda do que nós esperamos.

O que é a Vivara

A Vivara é a maior joalheria do Brasil, com vendas anuais de R$ 1,4 bilhões (2018). A companhia vende produtos de ouro e prata (81% das vendas), relógios (17%) e acessórios (2%) através de 240 lojas e plataforma de ecommerce (com penetração de 6,5% nas vendas).

As principais marcas da companhia são a Vivara (focada na venda de joias de ouro) e a Life by Vivara (produtos de prata para uma base de clientes mais jovem).

A Vivara concluiu seu processo de oferta primária de ações (IPO) em 8 de outubro de 2019. O preço definido foi de R$ 24/ação e movimentou mais de R$ 2,0 bilhões. Desse montante, R$ 454 milhões foram recursos primários, ou seja, aqueles direcionados à própria empresa.

Para mais detalhes, acesse nosso relatório de início de cobertura Vivara: A Joia da Bolsa; Iniciamos com Compra.

https://youtu.be/EWxW8DvZbJo

Como chegamos ao preço-alvo de Vivara?

Nosso preço-alvo para VIVA3 deriva da combinação dos métodos de fluxo de caixa descontado e múltiplo (cada um com peso de 50%).

  • Fluxo de Caixa descontado. Baseado em um Fluxo de Caixa para a firma (FCFF) de 10 anos, utilizando um custo de capital ponderado de 10,2% e uma taxa de crescimento de longo prazo de 6,0%.
  • Múltiplos. Com base em um múltiplo de P/L de 25,0x para 12 meses, aplicado à nossa estimativa de lucro líquido para 2021.

Avaliação

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