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A semana na Renda Fixa (07/03 a 11/03)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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Resumo: As taxas de juros futuras subiram em todos os vértices em relação a semana anterior, movimento que reflete os choques inflacionários causados pela guerra na Ucrânia e sanções praticadas contra a Rússia. Vencimentos curtos se elevando com as expectativas de inflação pressionadas, dado aumento nas commodities e a divulgação do IPCA de fevereiro que acelerou para 10,54% no acumulado de 12 meses.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B) tiveram um movimento mais comportado na parte média e longa da curva, o que evidencia que a inflação implícita acompanhou parcialmente o aumento de juros nominais. Já os vencimentos de 2022 e 2023 tiveram forte queda no juro real devido as medidas de curto prazo de controle dos preços dos combustíveis pelo governo.

No cenário internacional, será destaque a decisão de juros do banco central dos Estados Unidos e os dados de produção industrial e vendas no varejo de fevereiro na China. Os mercados também seguem atentos aos preços de commodities. No Brasil, atenções voltadas para a decisão de juros na reunião do Copom. Entre indicadores, teremos indicadores de atividade como volume de serviços (PMS), a proxy do PIB do Banco Central (IBC-Br) e a taxa de desemprego (PNAD Contínua). Foco nas possíveis novas medidas voltadas para a redução dos preços de combustíveis no campo político.

Cenário macroeconômico

No cenário internacional, mais uma semana de volatilidade nos mercados devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. A semana iniciou com mais uma forte alta do petróleo brent, que chegou a atingir 139 dólares por barril com a notícia de que os EUA deixariam de comprar petróleo russo. Petróleo em alta pressiona preços de combustíveis no mundo. Somado a alta forte de outras commodities, como grãos e ferro, o movimento reforça o risco de estagflação global.

Nos EUA, o FED (banco central americano) o deve começar a subir suas taxas de juros nas semanas que vem em resposta à inflação elevada. O CPI (inflação ao consumidor) de fevereiro veio em linha com as expectativas, com alta de 0,8% no mês e de 7,9% em 12 meses. Esperamos que a inflação americana atinja seu pico em 12 meses em abril.

Expectativa de alta de juros também na Europa. O Banco Central Europeu anunciou redução no seu programa de compra de ativos antes do esperado, considerado o primeiro passo na direção da redução dos estímulos monetários. O próximo passo tende a ser alta de juros, que o mercado espera para o final do ano. O movimento vem em resposta a elevação da inflação, que atingiu recordes na região.

Enquanto isso, no Brasil, após a alta expressiva do preço internacional do petróleo, a defasagem da gasolina e do diesel chegou a 55%. Assim, nesta semana a Petrobras anunciou um reajuste expressivo de preços para as refinarias em 20 anos, de 18,7% para a gasolina e de 24,9% para o diesel. Mas não mudamos nossa projeção de inflação para o ano, que segue em 6,2%, porque o número já contemplava uma alta desta magnitude. A Câmara aprovou projeto que institui alíquota única de ICMS para cada tipo de combustível, tentando reduzir o impacto da alta sobre o bolso do consumidor e desonera o diesel, com retirada do PIS/Cofins.

A Inflação ao consumidor (IPCA) de fevereiro acelerou para 1,01% contra 0,54% em janeiro (XP: 0,94%; consenso: 0,95%), chegando a atingir 10,54% em 12 meses. O desvio para cima foi motivado especialmente por preços de alimentação no domicílio e itens pessoais. Confira aqui mais detalhes sobre a divulgação no IPCA.

Adicionalmente, nesta semana, foram divulgadas as pesquisas da indústria e do comércio pelo IBGE (PIM e PMC, respectivamente), assim como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), todos referentes a janeiro. Os dados indicaram bom início de ano para o mercado de trabalho, com criação de 155,2 mil ocupações formais em janeiro. As vendas no varejo vieram melhores que a expetativa, apesar da queda no mês, os resultados desagregados não são animadores, uma vez que foi observada queda em 7 dentre 10 categorias da pesquisa. Por sua vez, a produção industrial teve queda forte em janeiro, devolvendo boa parte da melhora observada no final de 2021, a retração foi disseminada entre as categorias do indicador.

Leia tudo o que aconteceu nesta semana em economia.

Juros e inflação

As taxas de juros futuras subiram em todos os vértices em relação a semana anterior, movimento que reflete os choques inflacionários causados pela guerra na Ucrânia e sanções praticadas contra a Rússia. Vencimentos curtos se elevando com as expectativas de inflação pressionadas, dado aumento nas commodities e a divulgação do IPCA de fevereiro que acelerou para 1,01%.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B) tiveram um movimento mais comportado na parte média e longa da curva, o que evidencia que a inflação implícita acompanhou parcialmente o aumento de juros nominais. Já os vencimentos de 2022 e 2023 tiveram forte queda no juro real devido as medidas de curto prazo de controle dos preços dos combustíveis pelo governo.

De acordo com os preços de mercado, é esperado uma taxa Selic de 13,81% ao final de 2022, contra a expectativa da XP de 12,75%, 12,22% em 2023 (vs. 8,25% da XP), 11,64% em 2024 e 12,00% em 2025. Para inflação, o mercado aponta estimativa de cerca de 7,2% em 2022 (vs. 6,2% da XP), e 6,7% em 2023 (vs. 3,8%). Para 2024 e 2025, o mercado espera 6,15% e 6,32%. Dessa forma, juros e inflação esperada sobem todos os quatro anos a frente.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 08/03 – NTN-B e LFT

Na terça-feira, o Tesouro Nacional (TN) ofertou 600 mil de papéis de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) e até 1 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

O TN vendeu integralmente as 600 mil NTN-Bs, papéis indexados ao IPCA em três vencimentos, e o volume financeiro foi de aproximadamente R$ 2,1 bilhões. Também vendeu integralmente a oferta de LFTs em leilão, mas divida em dois vencimentos, e o volume financeiro somou R$ 11,3 bilhões.

Leilão do dia 10/03 – LTN e NTN-F

No leilão de quinta-feira, Tesouro Nacional divulgou a realização dos leilões de vendas de 5,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e apenas 350 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F).

O TN vendeu 5.425 milhões de LTNs, quase a totalidade, e o volume financeiro somou R$ 4,08 bilhões, divididos em três vencimentos. Adicionalmente, vendeu 350 mil NTN-Fs, em dois vencimentos, e o volume financeiro foi de R$ 301 milhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Nesta semana, no mercado das séries pós-fixadas tivemos fluxo vendedor nas séries mais longas de LFTs 2027 e 2028 e uma demanda maior para os de 2034 e 2024. Nos prefixados, movimentos de compra local e estrangeira em NTN-Fs mais longas por conta da alta de juros, rolagem do vencimento curto de 2022 para 2023.

Na série indexada ao IPCA, as NTN-Bs mais curtas de 2022 e 2023 foram destaque com muito fluxo e volatilidade por conta dos impactos esperados de controle de preços de combustíveis por medidas do governo.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

A plataforma do Tesouro Direto realizou a troca de vencimentos em títulos disponíveis, alongando os prazos de compra, mas sem modificar as características de venda dos títulos anteriores. Com isso, alguns títulos novos ainda não possuem um histórico de mais de 12 meses de preços de negociação no TD. Entenda melhor aqui!

A volatilidade nas taxas gerada com os impactos da guerra na Ucrânia continuam ditando parte do movimento de alta das taxas no Tesouro (e consequente queda nos preços), como visto nos slides abaixo.

As séries de títulos pós-fixados, Tesouro Selic, possuem preços mais estáveis e menos correlacionados com mudanças de perspectivas futuras do juros e inflação, e os títulos de vencimento em 2027 renderam menos na semana porque apresentaram abertura da parcela prefixada, porém, com rentabilidade acumulada de 12 meses maior, em 7,11% (ante 6,46% para o Tesouro Selic 2025).

As séries prefixadas e indexadas à inflação (IPCA+) com vencimentos acima de dez anos mais uma vez sofrendo bastante com a alta das taxas, apresentaram desvalorização na semana de mais de 2%. O título do Tesouro IPCA+ 2045 sem pagamento de juros semestrais acumula uma queda de 28,05% nos últimos 12 meses, reforçando o ponto de cautela ao se investir em títulos longos quando existe a possibilidade de precisar resgatar antes do vencimento.

Acompanhe as taxas do títulos do Tesouro Direto disponíveis para compra e para resgate aqui!

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 727 milhões (ante R$ 678 milhões na semana anterior), R$ 524 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 342 milhões), R$ 298 milhões em CRIs (vs. R$ 563 milhões) e R$ 139 milhões em CRAs (vs. R$ 151 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures comuns da Equatorial Energia (EQTL55), a debênture de infraestrutura da Energisa (ESULA6), CRI Newport e CRA Lar (pela segunda semana seguida).

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para trazer uma aproximação do resultado em cinco dias, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Spreads de Crédito

Nesta seção, apresentamos a movimentação dos spreads de crédito consolidados, com spread médio no intervalo de duas semanas. Intercalamos dessa forma para melhor análise da movimentação dos spreads por rating e é possível conferir no relatório anterior clicando aqui. A próxima série será apresentada no dia 18/03.

O que esperar – Semana de 14/03 a 18/03

Agenda econômica

No cenário internacional, será destaque a decisão de juros do banco central dos Estados Unidos e os dados de produção industrial e vendas no varejo de fevereiro na China. Os mercados também seguem atentos aos impactos sobre o comércio global, preços de commodities e ativos financeiros.

No Brasil, atenções voltadas para a decisão de juros na reunião do Copom. Entre indicadores, teremos indicadores de atividade como volume de serviços (PMS), a proxy do PIB do Banco Central (IBC-Br) e a taxa de desemprego (PNAD Contínua). No campo político, foco nas possíveis novas medidas voltadas para a redução dos preços de combustíveis.

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

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