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A semana na Renda Fixa (03/01 a 07/01)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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Resumo: As taxas futuras de juros apresentaram alta em todos os vencimentos a partir de 2023, com aspecto linear, movimento conhecido como “flattening“. Por trás do movimento, há um mercado sensível à percepção do risco fiscal adicional, com desoneração da folha e aumento de gastos com pessoal. Vindo do exterior, o tom mais duro da ata do FED sobre o ciclo de aperto monetário (alta de juro), os dados de recuo do desemprego e alta dos salários também impactaram a expectativa de juro local.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que balizam os papeis desse indexador no mercado de renda fixa, tiveram estabilidade nos vencimentos curtos de 2022 e 2023, e alta no restante da curva, especialmente nos vencimentos de 2025 e 2035, que são vencimentos próximos das séries do leilão de NTN-Bs da próxima terça (11).

Para semana que vem, os destaques serão a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA e na China, dados de dezembro. No Brasil, contaremos com a divulgação do IPCA de dezembro e das pesquisas do comércio e de serviços de novembro.

Cenário macroeconômico

No cenário internacional, o destaque foi a divulgação da ata do FOMC, o comitê de política monetária do banco central americano, que surpreendeu os mercados com seu tom mais duro, sinalizando alta de juros mais cedo que o previsto ou em ritmo mais acelerado. Além disso, dados de emprego sinalizaram mercado de trabalho aquecido.

Publicamos o relatório Brasil Macro Mensal de janeiro incluindo projeções para 2023. Na seara de dados econômicos, a produção industrial apresentou a sexta queda mensal consecutiva. No campo político, o ano já inicia com riscos fiscais em alta.

Leia tudo o que aconteceu nesta semana em economia.

Juros e inflação

As taxas futuras de juros apresentaram alta em todos os vencimentos a partir de 2023, com aspecto linear, movimento conhecido como “flattening“. Por trás do movimento, há um mercado sensível à percepção do risco fiscal adicional, com desoneração da folha e aumento de gastos com pessoal. Vindo do exterior, o tom mais duro da ata do FED sobre o ciclo de aperto monetário (alta de juro), os dados de recuo do desemprego e alta dos salários também impactaram a expectativa de juro local.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que balizam os papeis desse indexador no mercado de renda fixa, tiveram estabilidade nos vencimentos curtos de 2022 e 2023, e alta no restante da curva, especialmente nos vencimentos de 2025 e 2035, que são vencimentos próximos das séries do leilão de NTN-Bs da próxima terça (11).

Espera-se Selic de 11,75% ao final de 2022, acima da expectativa da XP de 11%, 11,04% em 2023 e 11,01% em 2024. Já no caso da inflação, nossas estimativas estão mais próximas às do mercado, apontando para cerca de 5,84% em 2022 (vs. 5,2%). Para 2023, o mercado espera 5,84% (vs. 3,25%).

Fonte: Bloomberg. Elaboração: XP.
Fonte: Bloomberg. Elaboração: XP.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 04/01 – NTN-B e LFT

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

No primeiro leilão do Tesouro Nacional, realizado na última terça-feira (04), o TN ofertou 950 mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs) com vencimentos em 2025, 2032 e 2045 e 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), divididas entre 2025 e 2028.

As NTN-Bs foram colocadas no mercado em sua integralidade, enquanto o volume vendido de LFTs foi de 1,39 milhão de papéis. O giro financeiro da sessão foi de R$ 19,2 bilhões.

Leilão do dia 06/01 – NTN-B e LFT

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

No leilão da última quinta-feira (06), o TN ofertou 3,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,5 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F). O Tesouro vendeu a totalidade das ofertas da sessão, com volume financeiro de R$ 5,1 bilhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Nas Notas do Tesouro – Série B (NTN-Bs) a semana começou com pressão compradora na parte média e longa da curva, que sofreu ajuste gradual ao longo dos dias. Destaque para correção de inflação implícita no miolo e na parte mais longa, e fluxo comprador nos vencimentos de 2040 e 2045 mais acentuado, com perfil de alocação final.

No mercado de prefixado, tivemos alta demanda e movimentos de troca nas Letras do Tesouro Nacional (LTNs). Com o vencimento da LTN Jan-2022, ocorreu uma pressão vendedora das LTNs do ano de 2022 contra um movimento de compra nas LTNs do ano de 2023. O prêmio dos papéis foi fechando ao longo da semana.

Nas LFTs, a semana começou com maior fluxo no vencimentos de 2024 em diante e depois se inverteu para os vencimentos abaixo de 2023. Na parte longa da curva os negócios saindo próximo a marcação e destaque para a LTN Set-2023, que na quarta-feira chegou a negociar a 2 bps abaixo da marcação.

Fonte: Anbima. Elaboração: XP.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Até o horário da publicação deste relatório o Tesouro Direto ainda não havia publicado dados referentes a 2022. Retornaremos com essa seção na semana que vem.

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$322 milhões (ante R$ 950 milhões na semana anterior), R$ 280 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 370 milhões), R$ 168 milhões em CRAs (vs. R$ 128 milhões) e R$ 165 milhões em CRIs (vs. R$ 924 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram debêntures Via Varejo e Comgas, CRI Cipasa e CRA JBS.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para trazer uma aproximação do resultado em cinco dias, os dados abrangem desde a quinta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP.
Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP.
Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP.
Fonte: Anbima e Cetip. Elaboração: XP.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Fonte: Fitch Ratings e Moody’s. Elaboração: XP.

Spreads de crédito

No gráfico abaixo, apresentamos a movimentação dos spreads de crédito consolidados de debêntures com volume relevante de negociação no mercado, de forma a buscar refletir os níveis médios de spreads do mercado de crédito privado. As informações são apresentadas com base em dados da quinzena anterior, devido à data de disponibilização pela Cetip para a realização de nossa análise.

Vale notar que, dada a dinâmica do mercado secundário no Brasil, os movimentos de abertura ou fechamento de spreads não necessariamente refletem maior ou menor risco dos emissores, podendo apenas ser resultado de questões técnicas (como demanda reduzida ou elevada por papeis, por exemplo).

É possível observar que os spreads médios das debêntures incentivadas de prazo inferior a 3 anos apresentaram fechamento, com exceção dos ativos de rating AA+, que apresentaram movimento de abertura intenso. Já as debêntures de prazo superior a 4 anos não tiveram direção única, abrindo nos ratings de AAA e A+ e fechando nos ratings de AA+ e AA. Ressaltamos que estes papeis são atrelados ao IPCA.

Por fim, as debêntures tradicionais em CDI+ com prazo inferior a três anos oscilarem com menos intensidade, com movimento misto nos ratings. Utilizamos este prazo para esses papeis por concentrar o maior volume de negociação, sendo, portanto, mais representativo do movimento geral no mercado.

Fonte: CETIP. Elaboração: XP
Fonte: CETIP. Elaboração: XP
Fonte: CETIP. Elaboração: XP

O que esperar – Semana de 10/01 a 14/01

Agenda econômica

Para semana que vem, os destaques serão a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA e na China, dados de dezembro. No Brasil, contaremos com a divulgação do IPCA de dezembro e das pesquisas do comércio e de serviços de novembro.

Veja mais

Leilões do Tesouro Nacional

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: XP.

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Fonte: Anbima. Elaboração: XP.

Relatórios publicados na semana de 03/01 a 07/01

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