Reforma da Previdência: Entenda o impacto dela nos seus investimentos

Reforma é de suma importância não só para uma classe específica, mas para todos os brasileiros. Afinal, já é uma das grandes responsáveis pela mudança recente no cenário econômico.

access_time 23/10/2019 - 07:56
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Os tempos realmente são outros, em vários sentidos. Assunto de complexidade elevada discutido há anos por economistas, políticos e profissionais do mercado financeiro de alto escalão, a reforma da Previdência, aprovada pelo Senado nesta terça-feira, está mais do que nunca na boca do povo.

A medida do Governo Federal, que busca estabelecer o reequilíbrio das contas públicas a longo prazo, estampa as capas dos jornais de todo o país e os noticiários mais populares da TV. Hoje, ela é de suma importância não só para uma classe específica, mas para todos os brasileiros. Afinal, já é uma das grandes responsáveis pela mudança recente no cenário econômico brasileiro.

Mas você pode estar se perguntando: “O que isso tem a ver comigo?”. Veja bem, se você se classifica como um investidor, mesmo que ainda esteja só começando, acredite: a aprovação da reforma da Previdência tem tudo a ver com os seus investimentos. Por isso, caso queira entender como isso vai impactar as suas aplicações, continue a leitura!

A reforma da Previdência faz parte de um pacote de medidas que visa o reequilíbrio fiscal do governo brasileiro

Qual a importância da reforma da Previdência?

Com a aprovação da reforma da Previdência, o governo reduziu significativamente um dos principais riscos enfrentados pelo país: a insolvência fiscal.

Mas o que isso significa? Basicamente, um país insolvente na parte fiscal é aquele que não consegue arcar com os gastos da máquina pública, impactando principalmente a percepção de segurança institucional e de ambiente de negócios.

Sem reforma X com reforma

Entenda neste gráfico a relação entre a dívida pública brasileira, o PIB e a aprovação da reforma da Previdência
Em 2030, caso não houvesse uma reforma da Previdência, a dívida bruta do Governo Federal seria quase equivalente ao PIB brasileiro

A trajetória dos gastos previdenciários era um dos principais pontos que poderiam, até então, levar o país a um problema de insolvência fiscal num curto prazo.

Sem a reforma da Previdência, a dívida bruta do Governo Federal seguiria em rota crescente, com a possibilidade de atingir 100% do PIB em alguns anos. Essa situação hipotética pode ser vista no gráfico acima.

No entanto, com a reforma recém-aprovada pelo Senado, as finanças públicas passam a ser mais benignas a partir do próximo ano. Juntamente com o esforço fiscal em curso, é possível que o governo passe a gastar menos do que arrecada entre 2021 e 2022 e volte a estabilizar a razão dívida/PIB.

Portanto, a reforma da Previdência deve beneficiar três quesitos essenciais para os próximos anos:

#1: Solvência fiscal.

#2: Melhora do ambiente econômico e manutenção dos juros baixos.

#3: Maior confiança dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil.

Como a reforma impacta nos seus investimentos?

Em meio a esse novo cenário econômico, a reforma da Previdência é a responsável por encabeçar o pacote de medidas estruturais que visam melhorar o ambiente doméstico e, consequentemente, trazer mais investidores ao Brasil.

Mesmo antes de a reforma ser aprovada, a confiança no Brasil começou a melhorar aos poucos. E isso é nítido por causa de um novo patamar que o país alcançou neste ano em um campo específico: os juros baixos. Esse é o fenômeno que impactará diretamente os investimentos dos brasileiros. Mas por quê?

A influência da Taxa Selic

A taxa Selic é considerada uma base de referência para os juros brasileiros. A cada 45 dias, o Conselho de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, decide qual será o valor dela.

A partir disso, praticamente todas as outras taxas de juros, como as bancárias (cartão de crédito e cheque especial), os financiamentos e parte dos investimentos são corrigidos respeitando a deliberação do COPOM.

Na verdade, o mecanismo da Selic e suas variações são usados pelo governo para controlar a inflação e estimular ou desestimular a economia. Depende muito do momento econômico.

Entre 2015 e 2016, os brasileiros já estavam acostumados com um ambiente de juros altos. Vimos uma taxa Selic atingir um pico de 14,25%. Isso significava que o governo estava tentando, basicamente, desestimular a economia, deixando em alerta os gastos e o consumo da população em geral.

Mas, se por um lado essa medida estampava o auge de uma crise econômica, por outro transformava o universo dos investimentos em uma oportunidade fácil de multiplicar dinheiro. Essa relação entre Selic e investimentos é direta porque algumas aplicações, sobretudo as conservadoras, adotam a taxa básica como referência para as suas rentabilidades.

Ou seja, até mesmo quem investiu na poupança estava se dando bem na tarefa de acumular mais dinheiro – realidade muito diferente da atual. Nesse sentido, os tempos também são outros.

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Era dos juros baixos

Hoje, a Selic está em seu patamar mais baixo, 5,5%. E não é à toa. Os esforços para melhorar o ambiente econômico brasileiro, passando principalmente pela reforma da Previdência, foram propícios para chegar a esse nível.

Sendo assim, juros baixos significam menores rentabilidades para os investimentos conservadores. É aí que você entra na história. Esqueça aquele Tesouro Direto rendendo mais de 1% ao mês, como rendia quando a Selic tinha mais de dois dígitos. A hora é de reavaliar os investimentos e buscar novas oportunidades.

Portanto, fique tranquilo, não culpe a Selic por estar baixa. Veja esse momento como uma oportunidade. Dessa forma, a Selic estimula o crescimento econômico por várias frentes. Torna o crédito mais barato e tende a gerar mais empregos.

A Selic em baixa é um bom sinal de que a economia está tomando rumos mais saudáveis. Em síntese, ela é reduzida somente quando a inflação está sob controle, o que remonta aos tempos atuais.

Guia rápido: onde investir após a reforma da Previdência

Enfim, agora que você sabe em qual cenário econômico estamos e como os investimentos foram afetados pela Era dos juros baixos, é hora de conhecer as melhores oportunidades em algumas classes de ativos que recomendamos.

A Renda Fixa não morreu

Ao contrário do que muita gente pensa, não é recomendado sair correndo da renda fixa. Se você se considera um investidor conservador, avesso a riscos, então nem se preocupe em se mexer tanto. Mas talvez seja a hora de repensar se você não quer arriscar um pouco mais para obter melhores rentabilidades. Se você já é um veterano no mundo dos investimentos e já tem exposição em ativos de maior risco, também é recomendado destinar parte da sua carteira à renda fixa, por fins de diversificação.

Mesmo no Tesouro Direto, considerada a aplicação mais conservadora, há boas opções. Prefira, nesse contexto e caso se enquadre em seus objetivos, títulos com prazos mais longos, pois tendem a ter taxas de retorno mais altas, como o Tesouro IPCA+.

Além disso, com a melhora do ambiente econômico, novos emissores de títulos privados, como bancos, financeiras e empresas passam a acessar o mercado e aqueles que já estavam começam a alongar prazos. Isso leva emissores a oferecer condições atraentes para captar cada vez mais dinheiro.

É o caso de bancos de médio e pequeno porte, com perfil mais arriscado e que, consequentemente, conseguem ofertar rentabilidades maiores, chegando a mais de 100% do CDI.

As empresas também podem emitir debêntures, CRIs e CRAs com prazos maiores e, consequentemente, taxas mais atraentes, aproveitando o bom momento econômico.

Busque aplicações isentas de IR

Uma outra dica valiosa para ter rentabilidades maiores na renda fixa é avaliar o investimento em LCIs, LCAs, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, aplicações conhecidas pela isenção de Imposto de Renda (IR).

Dessa forma, você terá uma margem de lucro maior por não ter parte do seu dinheiro abocanhado pela Receita Federal.

Renda Variável

A realidade é que a grande expectativa do mercado em relação aos juros baixos está em cima dos investimentos em Renda Variável. Essa categoria é considerada mais arriscada, mas, por outro lado, reúne as maiores oportunidades de investimento no cenário atual.

Ações

Em alta, a Bolsa de Valores é o ambiente mais recomendado para quem realmente quer maximizar as chances de ganhos. Ou seja, aqueles que, de fato, são fora da curva.

Como a tendência é de migração de mais investidores para a Bolsa, por causa da rentabilidade menos atrativa da Renda Fixa, esse mercado ficará mais aquecido. Isso porque haverá maiores volumes de negociação, o que estimulará ainda mais as empresas a atingir bons resultados.

ETFs

Caso investir em ações seja muito agressivo para o seu perfil, há outras boas opções em Renda Variável. Os ETFs, por exemplo, são fundos de investimento negociados na Bolsa e tendem a superar os ganhos da renda fixa.

Esses papéis, em suma, replicam índices que são referência do mercado. O maior exemplo é o Ibovespa. Com os ETFs, você não precisa conhecer e estudar cada ação. A carteira já vem montada exatamente para acompanhar os ganhos de determinados índices.

Fundos Imobiliários

Os Fundos Imobiliários também estão inseridos no mercado de Renda Variável. Assim como em outros mercados, o imobiliário se ambienta muito bem na Era de juros baixos. O que ajuda também é a inflação a níveis baixos e controlada.

Quando há indícios de desenvolvimento econômico positivo, a tendência é o aquecimento do mercado. Isso ocorre por algumas variáveis, mas principalmente pelo barateamento e fácil acesso do crédito imobiliário.

Essa categoria de fundos tem duas particularidades muito atrativas. 1) isenção de IR sobre os rendimentos e 2) distribuição de dividendos.

Contudo, tenha em mente que os ativos de Renda Variável têm maior risco de perda. Por isso, é preciso alinhar esse tipo de investimento com o seu perfil para não haver frustrações.

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