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Avanço da eletrificação global: Crescimento estrutural, ritmo mais moderado

Acesse aqui para os destaques do relatório Electric Vehicle Outlook 2026

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Principais destaques do relatório da BloombergNEF sobre veículos elétricos

A demanda está deixando de ser impulsionada por subsídios e passando a ser cada vez mais guiada pelo consumidor. Subsídios e incentivos foram cruciais nos estágios iniciais da eletrificação dos veículos, ajudando a acelerar a adoção inicial. À medida que o mercado amadurece, no entanto, as medidas de incentivo estão sendo gradualmente retiradas, com o crescimento sendo cada vez mais sustentado por três fatores: (i) a queda nos custos das baterias de íon-lítio; (ii) uma oferta mais ampla de modelos acessíveis de carros elétricos; e (iii) a aceleração da adoção em mercados emergentes. Nesse contexto, a eletrificação está gradualmente superando sua fase dependente de políticas públicas em direção a um mercado mais impulsionado pela demanda orgânica do lado do consumidor. Olhando adiante, a BNEF estima que os veículos elétricos a bateria (BEVs) e híbridos plug-in devam representar cerca de 27% das vendas globais de carros em 2026, um aumento em relação aos cerca de 9% de cinco anos atrás.

As vendas globais de veículos elétricos continuam crescendo, mas em um ritmo mais lento. A eletrificação permanece uma tendência estrutural, mas o crescimento está mais moderado em relação à rápida expansão observada nos anos anteriores. A BNEF prevê ~23 milhões veículos elétricos vendidos em 2026, um aumento de 11% em relação ao ano anterior (vs. 21% A/A em 2025). No geral, essa desaceleração reflete principalmente: (i) um mercado chinês em amadurecimento, onde a penetração de veículos elétricos já atingiu 64% das vendas de carros novos, tornando mais difícil alcançar ganhos incrementais; e (ii) uma demanda mais fraca nos EUA após a redução de incentivos, incluindo a diminuição das metas de economia de combustível e o recuo, ainda que parcial, da Lei de Redução da Inflação.

As diferenças regionais vêm se consolidando como uma característica central dessa transição. Sob uma perspectiva por país, o crescimento está cada vez mais desigual entre as regiões. A China continua sendo o maior mercado, representando 63% das vendas globais em 2025, mas o crescimento está desacelerando à medida que a penetração aumenta e a concorrência se intensifica. Nos EUA, espera-se que as vendas de veículos elétricos caiam cerca de 19% em relação ao ano anterior em 2026, após a retirada do apoio federal, enquanto na Europa, os incentivos políticos continuam impulsionando a adoção, embora preço siga sendo uma limitação relevante. Por fim, o mercado de elétricos dentre os países emergentes está crescendo rapidamente, impulsionado tanto pela produção doméstica quanto pela expansão das montadoras chinesas. O Brasil se destaca como um mercado de rápido crescimento, apoiado por modelos chineses com preços competitivos (com as marcas chinesas representando 96% de todos os veículos elétricos vendidos no país em 2025).

A eletrificação dos veículos seguirá sendo um processo gradual. Apesar do forte crescimento nas vendas de veículos elétricos, não se espera que os mesmos superem os carros com motor de combustão interna globalmente até pelo menos 2047, de acordo com a BNEF. As baixas taxas de renovação de frota em muitos mercados indicam que os veículos com motor de combustão seguirão predominando na frota global nos próximos anos, tornando a transição da base instalada um processo gradual no curto e médio prazo.

A China continua ditando a referência de custo do setor. As baterias continuam sendo o principal componente de custo dos veículos elétricos, e a China mantém uma vantagem significativa nessa frente, sustentada por escala, integração vertical e menores custos de insumos. Embora os esforços de produção local estejam avançando nos EUA e na Europa, reduzir a diferença de custo de fabricação segue sendo um desafio, com pouca perspectiva de convergência no curto e médio prazo.

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