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Como a agenda ESG marcou presença na Expert XP 2026?

ESG: da intenção à execução

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Evento reforça a evolução da agenda ESG, passando da intenção à execução 

A geopolítica tornou-se uma variável indispensável na tomada de decisão de investimentos. Os participantes reforçaram que o cenário geopolítico global passa por uma transformação estrutural, com implicações que vão muito além do comércio internacional. Segundo Bruno Cordeiro (gestor na Kapitalo), embora a geopolítica tenha tido um peso menor na tomada de alocação de capital nas últimas duas décadas, ela agora se consolida como um fator determinante para investimentos de longo prazo. A própria transição energética está sendo moldada por essa nova realidade, evoluindo de uma agenda focada em descarbonização para uma centrada em competitividade industrial, resiliência das cadeias de suprimentos e segurança energética nacional. Os minerais críticos são um exemplo claro dessa mudança. Ricardo Grossi (presidente e COO da Serra Verde) argumentou que o domínio da China em toda a cadeia de valor das terras raras expôs vulnerabilidades estruturais nas cadeias de suprimentos globais, levando países a acelerar seus esforços de diversificação.

O Brasil está bem posicionado para se beneficiar da transição energética. As discussões enfatizaram que o Brasil está entre os mercados com melhor posicionamento para capturar as oportunidades de longo prazo da transição energética. O país combina recursos renováveis abundantes, uma matriz elétrica relativamente limpa, um mercado de finanças sustentáveis em expansão e uma relevância estratégica crescente em biocombustíveis e minerais críticos – áreas que ganham ainda mais importância à medida que a competição geopolítica se intensifica. No entanto, essas vantagens estruturais só se traduzirão em oportunidades concretas de investimento se vierem acompanhadas de um marco regulatório estável e de uma execução eficaz.

O arcabouço regulatório é um catalisador fundamental para a agenda ESG. Segundo os palestrantes, as normas regulatórias sustentam cada vez mais a agenda ESG, desde exigências de divulgação de informações até políticas setoriais que moldam as decisões de investimento das empresas. Como exemplo, William Nozaki (Diretor de Transição Energética da Petrobras) ressaltou que a Lei do Combustível do Futuro oferece, ao mesmo tempo, suporte para a estratégia de longo prazo da Petrobras em biocombustíveis e maior previsibilidade regulatória para a alocação de capital. De modo geral, os participantes concordaram que uma regulamentação clara e previsível é essencial para destravar investimentos de longo prazo, ao mesmo tempo em que a incerteza regulatória permanece como um dos principais entraves à alocação de capital.

A integração de critérios ESG está entrando em uma fase de maior maturidade no Brasil. Um tema recorrente nos painéis foi a evolução contínua da integração ESG nos investimentos, tendo a gestão de riscos como principal impulsionador dessa adoção. Nesse sentido, o foco mudou, passando de se vale a pena integrar os critérios ESG, para como implementá-los de forma eficaz. Segundo Amanda Burlamaqui (Especialista em Sustentabilidade da Anbima), 78% das gestoras de recursos brasileiras já incorporam fatores ESG em seus processos de investimento, e um terço delas prevê lançar ou gerir fundos de investimento sustentável nos próximos 12 meses. Na mesma linha, Jessica Rosani (Gerente de Sustentabilidade da B3) confirmou que a B3 está finalizando aprimoramentos metodológicos em seu principal índice de sustentabilidade (ISE B3), com a metodologia revisada prevista para as próximas semanas. 

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