Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de segunda-feira fechou em leve queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,2% e 0,57%, respectivamente.
• Do lado das empresas, segundo um novo relatório do CDP, companhias de médio e grande porte economizaram entre US$ 80 bilhões e US$ 94 bilhões com iniciativas de redução de emissões desde 2024 – a análise, que reúne informações de mais de 11,2 mil empresas, trouxe que a cada US$ 1 destinado a medidas para enfrentar riscos climáticos físicos extremos (secas, enchentes ou ondas de calor que afetam operações e cadeias de suprimento) gera, em média, um retorno de até US$ 10.
• Na política, (i) o Ministério da Fazenda e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) criaram um grupo de trabalho para discutir diretrizes e condições para o desenvolvimento de projetos de créditos de carbono em terras públicas federais, como unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos rurais e florestas públicas ainda não destinadas – segundo a Fazenda, tais créditos representam uma oportunidade para o país, embora haja uma série de desafios a serem endereçados; e (ii) a Comissão Europeia orientou os governos dos Estados-membros da UE a suspenderem, por três anos, a aplicação de penalidades a empresas de petróleo e gás que não cumpram a regulamentação sobre emissões de metano, após pressões do governo dos EUA por maior flexibilização das regras – em contexto, a legislação previa que empresas em descumprimento das metas poderiam ser multadas em até 20% de seu faturamento anual, tornando essa uma das medidas regulatórias mais rigorosas para o setor.
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Brasil
Empresas
Preço do etanol cai em 17 estados e é mais competitivo em oito e DF
“Os preços médios do etanol hidratado caíram em 17 estados, subiram em seis estados e no Distrito Federal (DF) e ficaram estáveis em outros dois na semana passada. No Amapá, onde a cotação ficou em R$ 5,81 o litro, não havia dado da semana anterior para comparação. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol ficou estável, a R$ 4,06 o litro. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço caiu 0,26%, para R$ 3,77 o litro. A maior alta porcentual foi registrada no Acre, onde o litro do etanol avançou 25%, para R$ 6,39. A maior queda ocorreu no Pará, com recuo de 2,07%, para R$ 4,74 o litro. O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 2,94 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,59 o litro, foi observado em Pernambuco. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,75 o litro, foi registrado em Mato Grosso, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 6,59 o litro. O etanol era mais competitivo em relação à gasolina em oito estados e no Distrito Federal na semana passada. Na média dos postos pesquisados no país, o etanol tinha paridade de 61,70% ante a gasolina, portanto favorável em comparação com o derivado do petróleo. Os dados se referem ao período de 12 a 18 de julho. A paridade era de 68,88% na Bahia; 63,92% no Distrito Federal; 64,51% em Goiás; 55,15% em Mato Grosso; 60,78% em Mato Grosso do Sul; 64,96% em Minas Gerais; 62,93% no Paraná; 69,34% em Santa Catarina e 58,63% em São Paulo. Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade superior a 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado. “
Fonte: Eixos; 20/07/2026
CEO da USA Rare Earth, Humpton, vai se aposentar; Moraitis, da Serra Verde, será o sucessor
“A USA Rare Earth (USAR.O) anunciou na segunda-feira que Barbara Humpton deixará os cargos de CEO e membro do conselho de administração a partir de 1º de outubro, sendo sucedida por Thras Moraitis, atual CEO da Serra Verde. A mineradora brasileira de terras raras Serra Verde havia concordado, em abril, em se fundir com a empresa americana, visando criar uma plataforma que sustentasse a primeira cadeia de suprimentos ocidental totalmente integrada, abrangendo desde a mineração até a produção de ímãs. Sob a liderança de Humpton, a USA Rare Earth afirmou ter firmado parcerias público-privadas estratégicas e estabelecido uma presença global que engloba capacidades críticas de processamento, produção de metais e fabricação de ímãs. Moraitis ocupa o cargo de CEO da Serra Verde desde janeiro de 2023; nesse período, a mineradora tornou-se a única produtora em larga escala, fora da Ásia, dos quatro elementos de terras raras críticos para ímãs, segundo a USA Rare Earth. Antes de ingressar na Serra Verde, Moraitis integrou o Comitê Executivo da mineradora Xstrata durante o período em que a empresa cresceu até atingir um valor de mercado de US$ 65 bilhões. A Xstrata fundiu-se com a Glencore em 2013. Michael Blitzer, atual presidente do conselho da USA Rare Earth, foi eleito presidente executivo do conselho, com efeito imediato, informou a empresa.”
Fonte: Reuters; 20/07/2026
Política
Rio acelera plano contra El Niño e destaca R$ 1 bilhão em obras de prevenção a enchentes
“A Prefeitura do Rio antecipou nesta segunda-feira (20) a mobilização do plano de prevenção aos efeitos do El Niño, diante da previsão de um fenômeno mais intenso entre a primavera e o verão. Além de colocar em alerta máximo os órgãos responsáveis pelo monitoramento e resposta a eventos climáticos, o município destacou cerca de R$ 1 bilhão, em investimentos em obras de controle de enchentes e infraestrutura, para reduzir os impactos de chuvas extremas e ondas de calor. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a prefeitura decidiu antecipar protocolos que tradicionalmente são colocados em prática, às vésperas do verão, porque os efeitos do El Niño podem começar a ser sentidos ainda no fim do inverno. “O que a gente está fazendo é antecipando os protocolos do plano verão”, afirmou em coletiva de imprensa. “Estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão.” Entre os investimentos apresentados estão as obras do PAC em Realengo, Acari, Jardim Maravilha, Maré e Rocinha, além de intervenções de drenagem, contenção de encostas e ampliação de parques urbanos. Apenas as obras de controle de enchentes somam aproximadamente R$ 1 bilhão, enquanto o programa Bairro Maravilha reúne R$ 1,1 bilhão em 28 obras, das quais 14 devem ser concluídas até o próximo verão. Também foram destacados R$ 300 milhões para obras de contenção de encostas e cerca de R$ 1 bilhão em projetos de infraestrutura já anunciados em áreas consideradas mais vulneráveis. A meteorologista do Centro de Operações Rio (COR), Juliana Hermsdorf, afirmou que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir forte intensidade entre o fim da primavera e o início do verão, elevando as temperaturas médias e favorecendo a ocorrência de tempestades mais intensas. Para enfrentar esse cenário, a cidade manterá monitoramento 24 horas, com 116 pluviômetros, dois radares meteorológicos, 165 sirenes em comunidades vulneráveis e protocolos específicos para calor extremo, incluindo a abertura de 270 pontos de resfriamento quando necessário. Cavaliere ressaltou que os investimentos reduzem os impactos, mas não eliminam os riscos. “Tudo o que a gente faz aqui é prevenção. Tudo o que a gente faz aqui é para se adaptar. Tudo o que a gente faz aqui é para ficar mais resiliente diante desses eventos extremos”, disse.”
Fonte: Valor Econômico; 20/07/2026
Regulação de créditos de carbono dá novo passo e pode gerar R$ 5 bi em cinco anos
“O governo deu mais um passo na criação do mercado de carbono regulado no Brasil. Está em consulta pública uma proposta de resolução sobre como deve funcionar a autorização a créditos de carbono que podem ser exportados dentro das regras do Acordo de Paris. Os ITMOs, como são batizados pela sigla em inglês, podem estimular a inovação, ajudar setores de maior custo a reduzir emissões e atrair investimentos externos para projetos de descarbonização. Se o Brasil conseguir reduzir 50 milhões de toneladas de CO2 ao preço conservador de US$ 20 a tonelada de carbono, o investimento seria da ordem de R$ 5 bilhões em projetos de nova economia no país entre 2031 a 2035. O objetivo do governo é reduzir emissões em 100 milhões de toneladas de CO2 no período. “Um crédito de carbono é uma tonelada de CO2 que, devido à implementação de um projeto, foi removida da atmosfera. Um ITMO – sigla em inglês para Resultado de Mitigação Transferido Internacionalmente – é um crédito de carbono que recebeu autorização do país para ser transferido internacionalmente dentro das regras do Acordo de Paris, especificamente do Artigo 6”, explica José Pedro Bastos Neves, secretário-adjunto da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda. A principal demanda hoje é para o mercado de emissões de empresas de aviação e países muito tecnológicos, como Japão, Cingapura e Suíça, com dificuldades de reduzir sua pegada de carbono. Há poucos dias, o Ministério do Meio Ambiente lançou consulta pública sobre uma proposta de resolução para os ITMOs. A ideia é construir a política pública do mecanismo observando princípios de integridade ambiental, evitar dupla contagem das emissões (pelo país que vende os créditos e pelo país que os compra), promover desenvolvimento sustentável e transição justa.”
Fonte: Valor Econômico; 20/07/2026
Governo prepara diretrizes para créditos de carbono em terras públicas
“O Ministério da Fazenda e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) criaram um grupo de trabalho para discutir diretrizes e condições para o desenvolvimento de projetos de créditos de carbono em terras públicas federais, como unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos rurais e florestas públicas ainda não destinadas. O foco do grupo é propor caminhos para solucionar gargalos jurídicos, fundiários, ambientais e institucionais. Isso inclui buscar segurança jurídica sobre a propriedade das áreas e garantir os direitos de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, um passo prévio para que a União possa efetivamente desenvolver projetos em suas terras. O grupo trabalha no levantamento de normas, procedimentos e bases de dados públicos sobre terras federais, além de consolidar informações sobre experiências e instrumentos de gestão territorial já existentes na administração pública. “A Fazenda entende que créditos de carbono em terras públicas representam uma oportunidade para o país, mas há uma série de desafios a serem endereçados para que haja segurança jurídica em matéria fundiária e a garantia de direitos de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares”, informou a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, do Ministério da Fazenda, em resposta ao Reset. O grupo reúne representantes dos ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; e dos Povos Indígenas, além do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Advocacia-Geral da União. Há também instituições convidadas, como o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a Funai, o ICMBio e o BNDES. Ao final de suas atividades, o grupo prevê publicar em 9 de setembro um relatório com diretrizes, ações e medidas necessárias para orientar futuras decisões institucionais. Cada órgão que administra terras federais é responsável por definir processos próprios de anuência e acompanhamento dos projetos, mas um dos propósitos do grupo é permitir que esses normativos sejam harmoniosos entre si. A fase atual dos trabalhos é de consolidação de informações sobre experiências existentes, instrumentos de gestão territorial e iniciativas já desenvolvidas pelos diversos órgãos federais, segundo o MMA. Depois, serão avaliadas as oportunidades e possíveis recomendações para fortalecer a segurança jurídica, a integridade socioambiental e a transparência das iniciativas de carbono em terras públicas federais. Uma das experiências mapeadas é a concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, leiloada em março para a Re.green. Foi o primeiro leilão de terras da União que permitiu ao concessionário gerar receitas majoritariamente com a venda de créditos de carbono. O BNDES foi responsável pelo contrato de concessão.”
Fonte: Capital Reset; 20/07/2026
Infraestrutura energética e segurança global
“Nos últimos quatro anos, um novo arcabouço global de segurança surgiu em três fases interconectadas, cada uma remodelando as prioridades de governos, corporações e capital. A primeira fase foi uma ruptura na estrutura de alianças globais, desencadeando um aumento histórico nos gastos com defesa da Otan e além. A segunda veio em 2025, quando a corrida para construir sistemas de inteligência artificial (IA) revelou algo que os mercados ainda não haviam precificado totalmente: o poder computacional não é um recurso virtual. É dependente do uso intensivo de infraestrutura física industrial e energética. O ecossistema de IA exige grandes volumes de semicondutores, memória, data centers e eletricidade, mudando a forma como formuladores de políticas e investidores pensam sobre minerais críticos e demanda por energia. Agora, uma terceira fase está tomando forma. O conflito no Oriente Médio este ano acelerou uma corrida global para construir uma infraestrutura energética soberana. Esses choques não são eventos separados. Eles estão interconectados e se reforçam mutuamente. Os investimentos em defesa dependem de muitos dos mesmos materiais críticos necessários para computação avançada. A infraestrutura de IA compete por esses mesmos insumos. E à medida que a IA deixa o treinamento de modelos para trás e entra em inferência e “edge deployment”, sua pegada energética se expande por toda a economia. O resultado é uma nova forma de competição estratégica, que conecta prontidão para defesa, capacidade digital e resiliência energética em um único sistema. Por isso, a segurança energética não pode mais ser entendida como uma questão puramente de commodities. Não se trata mais apenas de acesso a petróleo, gás ou geração renovável. Trata-se de saber se as nações conseguem construir um sistema energético resiliente o suficiente para resistir a choques geopolíticos, flexível o bastante para integrar diversas fontes de energia e robusto o bastante para apoiar simultaneamente a liderança em defesa, indústria e tecnologia. A segurança energética não é primariamente um problema de geração. É um problema de distribuição, globalmente. Os países podem adicionar energia solar, eólica, nuclear ou gás natural ao seu portfólio. Mas sem os sistemas de transmissão, interconexão, armazenamento e controle necessários para mover eletricidade de forma confiável em escala, a geração sozinha não cria segurança. Uma rede elétrica fragmentada ou frágil transforma abundância em vulnerabilidade.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
Internacional
Empresas
GE Aerospace revela avanço inédito em voo híbrido-elétrico em Farnborough
“A GE Aerospace realizou o primeiro voo em grande altitude do mundo assistido por propulsão híbrido-elétrica, informou a empresa nesta segunda-feira (20), como parte de um conjunto de tecnologias para futuros motores a jato que está sendo apresentado na edição deste ano do Farnborough Airshow. O voo acima de 30 mil pés foi realizado por uma aeronave Saab 340 que vinha conduzindo discretamente testes semelhantes desde maio, incluindo uma viagem pioneira através do Atlântico com escalas, culminando em sua estreia no evento aeroespacial. A pesquisa está sendo realizada em cooperação com a agência aeroespacial dos Estados Unidos, a Nasa, e a empresa de tecnologia aeroespacial elétrica Beta Technologies, e ocorre em um momento em que fabricantes de motores desenvolvem os blocos fundamentais para motores destinados a equipar potenciais sucessores do Boeing 737 e do Airbus A320neo. Defensores da tecnologia afirmam que a combinação entre propulsão tradicional e elétrica pode ser utilizada quando necessário para ajudar as aeronaves a atingir maiores altitudes mais rapidamente, além de contribuir para ambiciosas metas de redução do consumo de combustível e das emissões. “Isso leva ao próximo passo na propulsão aeronáutica”, disse o diretor-presidente da Beta, Kyle Clark, em uma coletiva de imprensa. A hibridização é uma das quatro principais áreas de pesquisa do conceito de motor Rise, que está sendo testado pela CFM, fabricante de motores controlada conjuntamente pela GE e pela francesa Safran. O projeto também inclui um design radical de motor de rotor aberto (“open fan”), embora a empresa também esteja trabalhando em uma alternativa tradicional com carenagem, chamada AD-L ou ADNB, informou anteriormente a Reuters. Após anos de ilustrações conceituais e imagens computadorizadas em eventos desse tipo, os fabricantes de motores competem para demonstrar avanços rumo às economias de combustível e à durabilidade exigidas para a próxima geração de motores, prevista para o fim da próxima década. “As simulações deram lugar à inovação no mundo real” afirmou Mohamed Ali, diretor-presidente da divisão de motores comerciais da GE Aerospace.”
Fonte: Valor Econômico; 20/07/2026
Empresas economizaram até US$ 94 bilhões com medidas para reduzir emissões, aponta CDP
“Empresas de médio e grande porte economizaram entre US$ 80 bilhões e US$ 94 bilhões com iniciativas de redução de emissões desde 2024, segundo o relatório Disclosure Dividend 2026, divulgado pelo CDP, organização internacional responsável por uma das principais plataformas globais de reporte ambiental corporativo. O levantamento reforça um argumento cada vez mais utilizado por investidores e instituições financeiras, de que a agenda climática deixou de ser tratada apenas como uma obrigação regulatória ou reputacional e passou a ser vista como uma estratégia de geração de valor e de proteção financeira. A análise reúne informações reportadas em 2025 por mais de 11,2 mil empresas de médio e grande porte, responsáveis por cerca de dois terços da capitalização de mercado global. Segundo o CDP, os resultados indicam que companhias que investem para reduzir sua exposição aos riscos ambientais conseguem diminuir custos operacionais, aumentar a eficiência e evitar perdas financeiras associadas às mudanças climáticas. De acordo com o relatório, cada US$ 1 destinado a medidas para enfrentar riscos climáticos físicos — como eventos extremos, secas, enchentes ou ondas de calor que afetam operações e cadeias de suprimento — gera, em média, um retorno de até US$ 10. O indicador representa um aumento de 25% em relação ao estudo anterior, divulgado em 2025. No setor financeiro, o retorno potencial é ainda maior e pode chegar a US$ 64 para cada dólar investido. Segundo o CDP, os ganhos financeiros observados não decorrem apenas da redução das emissões de gases de efeito estufa, mas principalmente dos ganhos de eficiência associados às medidas adotadas pelas empresas. As economias entre US$ 80 bilhões e US$ 94 bilhões vieram, sobretudo, de iniciativas para reduzir desperdícios, reaproveitar materiais e melhorar a eficiência energética dos processos produtivos. Na prática, essas ações diminuem despesas com aquisição de matérias-primas, consumo de energia, combustíveis e custos relacionados ao descarte de resíduos. Além da redução de custos operacionais, o CDP afirma que as empresas também evitaram gastos futuros ligados à transição para uma economia de baixo carbono. Entre eles estão possíveis tributações sobre emissões de carbono, penalidades regulatórias, necessidade de adaptação a novas exigências ambientais e perdas de valor de ativos expostos aos efeitos das mudanças climáticas.”
Fonte: Valor Econômico; 20/07/2026
US$ 388 bilhões em ativos de data centers estão expostos a riscos climáticos
“Mais de um terço do valor patrimonial global dos bens físicos de data centers, US$ 388 bilhões, representam uma exposição climática não precificada, aponta o estudo da Schneider Electric divulgado nesta segunda-feira (20/7). De acordo com o documento, mundialmente, 1,8% dos ativos financeiros estão em risco. As infraestruturas de data center se sobressaem devido à alta exposição a custos de energia, concentração da cadeia de suprimentos e requisitos de atividade. O material considera cinco principais canais de risco ambiental: refrigeração, interrupção dos negócios, danos físicos, impactos do calor sobre a produtividade e custos de carbono. O menor risco de perda de valor está concentrado nos Estados Unidos e na região Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África (Apmea), de 28%, e os maiores na China (56%) e Europa (53%). Segundo o estudo, a intensidade do risco não depende da escala do empreendimento, mas de vulnerabilidades locais, estresse térmico, características energéticas e da rede elétrica, assim como a forma que as interrupções se propagam por fornecedores da cadeia de suprimentos. O documento mostra também que o risco físico por gigawatt é 2,6 vezes maior em novas instalações da era da inteligência artificial do que na base instalada existente, influenciado pelo maior impacto financeiro de interrupções operacionais em larga escala. Em um cenário de crescimento da IA, os riscos relacionados ao clima podem saltar de US$ 388 bilhões para entre US$ 1 trilhão e US$ 3,7 trilhões. Segundo a pesquisa, a solução pode ser o investimento em resiliência climática, com potencial de preservar US$ 150 bilhões em patrimônio. “Não é possível precificar o risco climático sem medi-lo no nível de cada instalação”, explica o vice-presidente Executivo de Energy Management da Schneider Electric, Frédéric Godemel. “As instalações mais resilientes serão aquelas equipadas com tecnologia energética e inteligência capazes de antecipar, adaptar-se e responder aos riscos climáticos”, completa.”
Fonte: Eixos; 20/07/2026
Adnoc investirá US$ 6,2 bilhões em projetos de gás natural enquanto os EAU buscam a autossuficiência
“A Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) investirá US$ 6,2 bilhões no desenvolvimento de um projeto de gás natural, como parte de seu esforço para expandir massivamente a produção doméstica e atender à crescente demanda local e global. O financiamento foi assegurado para desenvolver uma camada de gás natural situada sobre o campo de Umm Shaif — seu campo de petróleo e gás offshore em operação há mais tempo —, informou a Adnoc em comunicado. A empresa estatal investirá no projeto em parceria com a TotalEnergies, a Eni e a China National Petroleum Corporation; a iniciativa produzirá mais de 600 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia. Atualmente, a Adnoc tem capacidade para extrair até 11,5 bilhões de pés cúbicos diários. A Adnoc está acelerando sua estratégia para o setor de gás em resposta à crescente demanda global por gás natural liquefeito (GNL), afirmou o CEO Sultan al-Jaber, acrescentando que a estratégia visa “reforçar a posição da Adnoc como um fornecedor confiável de gás”. Simultaneamente, a Adnoc corre contra o tempo para acompanhar a demanda interna de gás dos Emirados Árabes Unidos, que cresce rapidamente. Cerca de um terço das necessidades de gás do país é suprido por importações via gasoduto provenientes do Catar, mas o acordo expira em 2032, e existem tensões políticas entre as duas nações. Os Emirados Árabes Unidos buscam alcançar a autossuficiência até o final da década para evitar desabastecimento caso o fluxo de gás pelo gasoduto Dolphin, vindo do Catar, seja interrompido abruptamente. O projeto de desenvolvimento da camada de gás de Umm Shaif entrará em operação em 2030, segundo o comunicado. Quanto às exportações, a Adnoc está construindo uma instalação em Ruwais — com capacidade de 9,6 milhões de toneladas por ano — que quase triplicará sua capacidade de gás natural liquefeito até 2028; as obras já estão em andamento. Há relatos de que a empresa também estuda construir outra unidade de GNL em Fujairah, no outro extremo dos Emirados Árabes Unidos; essa instalação seria menos suscetível a interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz do que suas unidades situadas no Golfo. A empresa não quis comentar sobre esses possíveis planos. O projeto de Umm Shaif marca a primeira vez que a Adnoc investe no desenvolvimento de uma de suas chamadas “camadas de gás” (gas caps). A companhia também planeja desenvolver o projeto Bab Gas Cap — de maior porte, com capacidade de 1,5 bilhão de pés cúbicos por dia — em parceria com seis grandes empresas do setor de petróleo, incluindo TotalEnergies e BP, mas ainda não fechou um acordo de financiamento para essa iniciativa. A maior parte do gás da Adnoc é produzida juntamente com o petróleo e tem um custo de produção relativamente baixo; no entanto, à medida que as ambições da empresa cresceram, ela passou a explorar fontes de gás progressivamente mais caras. Uma pequena quantidade de petróleo também será produzida a partir da capa de gás de Umm Shaif. Desde que os Emirados Árabes Unidos deixaram a Opep em maio, a Adnoc não precisa mais limitar sua produção de petróleo e pode investir na expansão de suas operações sem receio de ser impedida de aproveitar plenamente seus investimentos. Por outro lado, as empresas de petróleo frequentemente evitam explorar capas de gás até uma fase mais avançada da vida útil do campo, uma vez que a extração de gás pode reduzir a pressão do reservatório e, consequentemente, diminuir a produção de petróleo. “Existem medidas que podem ajudar a mitigar a perda de pressão, mas [desenvolver uma capa de gás] não é algo que se costuma fazer no início da vida útil de um campo”, afirmou Fraser McKay, chefe de análise de upstream da Wood Mackenzie.”
Fonte: Financial Times; 21/07/2026
Política
“Os Estados Unidos estão “profundamente preocupados” com os planos da União Europeia de impor custos relacionados ao carbono sobre alguns voos internacionais, disse à Reuters nesta segunda-feira um porta-voz do Departamento de Transportes do país. “Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com qualquer expansão do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia”, afirmou o porta-voz. “Estamos analisando a proposta da Comissão Europeia e tomaremos as medidas apropriadas, conforme necessário, para proteger os consumidores e as empresas americanas”, acrescentou o porta-voz.”
Fonte: Valor Econômico; 20/07/2026
China aumenta 40 vezes o armazenamento em baterias e domina 90% do mercado dos EUA
“Em cinco anos, a China construiu capacidade de armazenamento de energia suficiente para abastecer Texas e Califórnia em um dia de pico de verão. A aposta? Uma tecnologia que é hoje considerada peça-chave para viabilizar a transição energética em larga escala. Há cinco anos, as baterias chinesas somavam menos de 4 gigawatts em armazenamento energético, um número ainda irrelevante diante do tamanho de sua rede elétrica. No primeiro trimestre deste ano, esse volume saltou para cerca de 155 gigawatts e representou um salto de quase 40 vezes em meia década. E o gigante asiático já anunciou a meta seguinte: chegar a 300 gigawatts até 2030. As baterias resolvem um problema estrutural da expansão de renováveis: energia solar e eólica não geram eletricidade 24 horas por dia. Aí elas entram para absorver a geração nos dias de sol e ventos fortes e devolvem essa energia à rede quando a demanda aumenta. Somada ao armazenamento, a fonte solar e eólica já responde por 22% do fornecimento elétrico chinês, embora o carvão continue representando mais da metade da eletricidade do país. O boom do armazenamento chinês também está ligado à alta do uso de data centers e inteligência artificial, que demandam um alto consumo de energia e pressionam a rede elétrica por mais estabilidade. O governo exige que todo novo data center obtenha ao menos 80% de sua energia de fontes limpas, e a meta é tornar a geração não fóssil a principal fonte elétrica do país até 2030. No fim da década de 2010, governos locais chineses passaram a exigir que geradoras de energia renovável combinassem seus projetos com sistemas de armazenamento. A regra atraiu milhares de empresas para o setor, reduziu custos, mas também levou parte delas à falência. Na época, analistas do setor caracterizaram o momento como um “retrato da hipercompetição” e um dos fatores por trás dos desequilíbrios da economia chinesa. Robin Zeng, fundador da Contemporary Amperex Technology (CATL), maior fabricante de baterias do mundo, criticou publicamente o que chamou de concorrência de preços abusiva, afirmando que fornecedores pressionados pela guerra de preços estariam comprometendo a qualidade dos produtos.”
Fonte: Exame 20/07/2026
Preços da gasolina nos EUA voltam a superar US$ 4 com a intensificação da guerra envolvendo o Irã
“Os preços da gasolina nos EUA voltaram a superar a marca de US$ 4 o galão, à medida que o ressurgimento do conflito no Oriente Médio repercute na maior economia do mundo, pressionando os motoristas americanos e alimentando a frustração dos eleitores com Donald Trump. Os preços nas bombas ultrapassaram esse patamar importante na segunda-feira, segundo dados da associação automobilística AAA, após subirem de forma constante nas últimas semanas com a escalada de ataques recíprocos entre os EUA e o Irã. O aumento dos custos para os motoristas evidencia o impacto contínuo da guerra sobre os americanos, depois que estatísticas oficiais da semana passada mostraram um alívio nas pressões sobre os preços em junho, durante um período de distensão no conflito. Os preços mais altos representam um problema crescente para o presidente antes das eleições de meio de mandato em novembro, à medida que aumenta o desgaste dos eleitores em relação ao conflito, com muitos culpando-o pela escalada da situação. Desde o seu início, no final de fevereiro, a guerra provocou forte turbulência nos mercados globais de energia, elevando os preços do petróleo bruto para bem acima de US$ 100 o barril em abril e maio, uma vez que o Irã bloqueou em grande parte os embarques através do Estreito de Ormuz, uma via navegável crucial para o transporte de petróleo. Os preços da gasolina chegaram a atingir US$ 4,56 o galão em maio, antes de caírem para US$ 3,79 no início deste mês, depois que Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento prorrogando um frágil acordo de cessar-fogo firmado em abril. Isso ajudou a conter a inflação nos EUA em junho, levando-a a uma taxa anual de 3,5%, uma queda em relação ao pico de três anos de 4,2% registrado em maio.”
Fonte: Financial Times; 20/07/2026
UE isenta de penalidades empresas de petróleo e gás que descumprirem lei sobre metano
“A Comissão Europeia instruiu os governos da UE a suspenderem, por três anos, a aplicação de penalidades a empresas de petróleo e gás que descumpram a legislação sobre emissões de metano, após pressões do governo dos EUA para flexibilizar as regras. Os EUA, o Catar, grupos do setor de petróleo e gás e a maioria dos Estados-membros da UE exigiram alterações na lei nos últimos meses, alertando que ela poderia prejudicar a capacidade da Europa de garantir o abastecimento de combustíveis, uma vez que, a partir de janeiro de 2027, exigiria que o gás importado cumprisse regras de monitoramento de emissões equivalentes às europeias. A Comissão afirmou na segunda-feira que os países da UE não devem aplicar penalidades a empresas que descumpram a lei do metano em 2027, 2028 e 2029, a fim de “evitar interrupções no abastecimento”. A lei havia sido elaborada de modo que as empresas que não a cumprissem poderiam enfrentar multas de até 20% de seu faturamento anual. A Comissão declarou que as mudanças se justificavam “em um contexto de restrição nos mercados globais de energia causada pelo atual bloqueio do Estreito de Ormuz”, que interrompeu a rota de trânsito de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A alteração enfraqueceria a política climática da UE — pioneira no mundo —, concebida para combater vazamentos de metano, um potente gás de efeito estufa e a segunda maior causa das mudanças climáticas, atrás apenas das emissões de CO2. No entanto, a medida não chega tão longe quanto os críticos da lei gostariam, pois não altera a legislação em si, apenas suspende temporariamente as penalidades por seu descumprimento. Um grupo de 17 dos 27 Estados-membros da UE, incluindo Alemanha e República Tcheca, solicitou ao bloco o adiamento da lei. Analistas apresentaram avaliações divergentes sobre se as regras restringiriam a quantidade de petróleo e gás que a UE pode obter nos mercados globais. A “recomendação” da Comissão sobre a suspensão de penalidades instrui os países a aplicarem a legislação da UE de determinada maneira, mas não é vinculativa. Contudo, um representante da Comissão afirmou na segunda-feira que os tribunais nacionais são obrigados a levar em conta a recomendação — o que ajudaria as empresas a contestar eventuais alegações de que deveriam sofrer penalidades por descumprir a lei.”
Fonte: Reuters; 20/07/2026
Investidores veem lado positivo em relação à poluição na reformulação do sistema de carbono da UE
“Um plano da União Europeia para condicionar a concessão de licenças gratuitas de poluição a investimentos em descarbonização poderia aumentar a responsabilidade corporativa, segundo investidores, apesar de preocupações de que uma reformulação mais ampla do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) possa enfraquecer os incentivos para a redução de emissões. Na última sexta-feira, a Comissão Europeia propôs uma revisão do ETS, reduzindo o ritmo de corte de emissões exigido e aliviando a pressão sobre setores como o siderúrgico e o de cimento ao prorrogar a concessão de licenças gratuitas até 2038. No entanto, a partir de 2031, essas licenças gratuitas ficarão disponíveis apenas para empresas que se comprometerem a investir em descarbonização na Europa — uma mudança significativa em um sistema que, há anos, é criticado por ambientalistas por permitir que indústrias poluam sem exigir nada em contrapartida. Emine Isciel, chefe da área de clima da Storebrand Asset Management — gestora de cerca de 125 bilhões de euros (143 bilhões de dólares) —, classificou a proposta como uma “ferramenta poderosa para os investidores”. “As licenças gratuitas passarão a funcionar como um contrato de conformidade rigoroso”, afirmou ela, acrescentando que os investidores poderão, agora, solicitar informações específicas sobre os planos de investimento das empresas em descarbonização, bem como sobre os riscos financeiros para seus balanços caso percam o direito às licenças gratuitas de emissão de CO2. Pela proposta, as empresas receberiam 80% das licenças de emissão gratuitas caso apresentassem planos de investimento em descarbonização na Europa, com o restante sendo liberado mediante a efetivação do investimento. A não elaboração de um plano crível ou o descumprimento de etapas do investimento poderiam resultar na revogação das licenças. Isciel afirmou que a exigência poderia substituir a dependência de “divulgações de ESG vagas e voluntárias” por planos de descarbonização padronizados, vinculativos e auditados, oferecendo aos investidores uma visão mais clara sobre se as empresas estão realmente investindo em uma economia de baixo carbono. Nick Gaskell, gerente sênior de investimentos sustentáveis da Aberdeen Investments — que administra cerca de 384 bilhões de libras (516 bilhões de dólares) —, disse que a política equilibra a manutenção de incentivos baseados na precificação de carbono com o atendimento às necessidades de investimento de setores de difícil descarbonização.”
Fonte: Reuters; 21/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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