XP Expert

ANP aprova consulta pública para discutir biodiesel e diesel verde no transporte marítimo | Café com ESG, 27/07

ANP aprova regulação nacional a normas internacionais para combustíveis aquaviários

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no X
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail
MY Banner Intratexto2semestreMid Year 2026 Hellobar mobile

Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O mercado encerrou a semana passada em território misto, com o Ibovespa avançando 0,18% e o ISE recuando 1,62%. Já o pregão de sexta-feira fechou em queda, com o IBOV e o ISE caindo 1,52% e 1,64%, respectivamente.

• No Brasil, a diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou na última sexta a abertura de consulta pública para alinhar a regulação nacional a normas internacionais para combustíveis aquaviários – a  proposta é facilitar o uso de biodiesel e diesel verde como alternativas ao bunker derivado de petróleo nas embarcações.

• No internacional, (i) a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), o principal programa de infraestrutura internacional de Xi Jinping (Presidente da China), elevou seu financiamento de energia verde ao recorde de US$ 20,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, à medida que a guerra dos EUA no Irã impulsiona a demanda por energia renovável mais barata – o valor dos acordos de energia verde da BRI chinesa nos primeiros seis meses de 2026 já superaram o total registrado em todo o ano de 2025, segundo pesquisas da Universidade de Queensland (Austrália) e do Green Finance & Development Center (Xangai); e (ii) um iminente “super” El Niño deve causar um impacto financeiro combinado de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões aos países africanos afetados e desencadeará migrações em massa a partir das áreas mais atingidas, afirmou o Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD) – meteorologistas alertam que o fenômeno El Niño pode se tornar um dos mais intensos já registrados caso as atuais tendências de aquecimento do Oceano Pacífico persistam.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

Financiamento sustentável ganha força no agronegócio

“A chamada “ressaca ESG” observada em parte do mercado financeiro internacional não freou o avanço do financiamento ao agronegócio sustentável brasileiro. Enquanto o debate perdeu força em alguns mercados, o capital continuou chegando por aqui. Desde sua criação, em 2024, o Programa Eco Invest Brasil já mobilizou mais de R$ 140 bilhões entre recursos públicos e privados, dos quais cerca de R$ 63 bilhões deverão ser provenientes de investidores internacionais. No Banco do Brasil, a carteira de crédito sustentável do agronegócio alcançou R$ 175,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, crescimento de 41% em relação a 2022. A continuidade desse movimento revela uma mudança mais profunda do que a simples expansão das linhas de crédito. “A sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda ambiental para ser uma resposta econômica e de gestão de risco”, afirma José Ricardo Sasseron, vice-presidente de negócios governo e sustentabilidade empresarial do Banco do Brasil. Em vez de um compromisso associado principalmente à agenda ambiental, práticas como recuperação de pastagens, agricultura regenerativa, sistemas integrados de produção, irrigação eficiente e bioinsumos são vistas também como instrumentos capazes de reduzir riscos climáticos e de elevar a produtividade. Ele considera que a maior frequência de secas, ondas de calor e irregularidade das chuvas elevou a procura por tecnologias que aumentem simultaneamente a resiliência e a eficiência. A percepção da importância econômica das práticas sustentáveis foi se tornando clara ao longo da última década, impulsionada por políticas públicas como o Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e, posteriormente, o RenovAgro, principal linha do Plano Safra voltada à produção sustentável, além da evolução tecnológica e da crescente pressão dos mercados internacionais por rastreabilidade e redução das emissões. Para Leandro Gilio, pesquisador e professor do Insper Agro Global, o Brasil reúne uma vantagem competitiva rara nesse cenário. “Muitas das práticas capazes de aumentar a ecoeficiência da produção já existem e são utilizadas, mas ainda podem ser ampliadas”, afirma. Na carteira do BB, são R$ 175,6 bilhões destinados ao agro sustentável, sendo R$ 60,8 bilhões para agricultura de baixo carbono e R$ 70,5 bilhões para a agricultura familiar. As operações do RenovAgro, por sua vez, cresceram 50% entre 2022 e 2025.”

Fonte: Valor Econômico; 27/07/2026

Créditos de carbono abrem nova frente de receita para produtores rurais

“O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, ainda engatinha na implementação de projetos de carbono nas lavouras e na produção animal. A agropecuária brasileira havia emitido, até abril, apenas 2% do total global de créditos de carbono em projetos de mitigação climática do setor, segundo o Berkeley Carbon Trading Project, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos). “O principal gargalo atual não é identificar práticas com potencial climático, mas medir seus resultados com precisão e baixo custo”, afirma Laura Antoniazzi, sócia e pesquisadora sênior da Agroicone. Segundo ela, até a década passada, as metodologias para mensurar estoques de carbono no solo eram predominantemente desenvolvidas para as regiões temperadas. A adaptação de novas tecnologias para os trópicos (envolvendo sensoriamento remoto, espectroscopia, inteligência artificial e modelos biogeoquímicos) nos últimos cinco a dez anos tornou as medições mais precisas e baratas. “Integrar as medições com modelagem e monitoramento remoto é fundamental para viabilizar projetos em milhões de hectares”, diz a especialista. Novas oportunidades para a venda de créditos gerados na agropecuária poderão surgir com o funcionamento do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, e o mercado regulado global, que será administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com base na regulamentação do artigo 6.4 do Acordo de Paris. A regulamentação do SBCE também pode abrir espaço para o uso de créditos do mercado voluntário no mercado regulado. Assim, ganhariam escala diferentes modelos de negócio. A climatech anglo-brasileira NaturAll Carbon tornou-se em maio de 2025 a primeira empresa das Américas e a segunda no mundo a emitir créditos referentes à remoção de CO2 da atmosfera em uma área de agricultura regenerativa. A climatech assinou contratos com cinco fazendas, incluindo a Carolinas, propriedade da Amaggi em Corumbiara (RO). O objetivo da startup é emitir nova leva de créditos até dezembro, numa área de pelo menos 50 mil hectares, e chegar a 1 milhão de créditos até 2030, em 500 mil hectares. O crédito tem alcançado preços de US$ 10 a US$ 100 por tonelada de CO2 equivalente no mercado voluntário e consegue um prêmio quando gerado em projetos de agricultura regenerativa, afirma Alexandre Leite, CEO e cofundador da NaturAll Carbon e ex-executivo da Cargill, Copersucar e Petrobras. A aposta no mercado voluntário impulsiona também a MyCarbon, criada pela Minerva Foods em 2021 para desenvolver projetos de carbono com produtores rurais e apoiar a descarbonização da cadeia da companhia-mãe. Possui três projetos em processo de validação na certificadora Verra. O principal, o BRA-3C, reúne iniciativas de agricultura regenerativa em dez Estados e no Distrito Federal, no bioma Cerrado. As práticas incluem rotação de culturas, plantas de cobertura, bioinsumos e sistemas integrados voltados a ampliar o estoque de carbono no solo.”

Fonte: Valor Econômico; 27/07/2026

Competitividade exige novos investimentos na indústria florestal

“A indústria brasileira de papel e celulose fechou 2025 com números superiores às expectativas. A produção de celulose alcançou 29,4 milhões de toneladas, alta de 6,9% em relação a 2024, enquanto as exportações registraram 20,7 milhões de toneladas, crescimento de 11,6%. Os resultados consolidam o Brasil como maior exportador de celulose. Já o papel manteve a produção em 11,3 milhões de toneladas e viu as remessas para o mercado externo subirem 4,8%. Apesar dos números positivos, não dá para baixar a guarda. E a razão é simples: a expansão da capacidade produtiva, a instabilidade comercial e o avanço da produção integrada na China pressionam o mercado global, provocam a baixa dos preços e estreitam as margens. A posição de destaque do Brasil em celulose foi alcançada graças às condições climáticas e de solo favoráveis para o crescimento rápido das florestas, aliadas a investimentos em práticas sustentáveis. “O Brasil passou de importador de papel e celulose para ser o segundo maior produtor do mundo, atrás dos Estados Unidos e à frente da China”, afirma Robinson Cannaval, diretor-executivo do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef). “Quando se fala em floresta plantada, temos os melhores índices de produtividade, graças aos altos investimentos em ciência e tecnologia”. Relatório divulgado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) revela que a área de floresta plantada para silvicultura no Brasil chegou a 10,5 milhões de hectares em 2024 (último levantamento), com receita bruta de cerca de R$ 240 bilhões. O ciclo curto de produção do eucalipto no país, na faixa de sete anos — em outras regiões pode passar de 15 —, continua sendo um importante diferencial da indústria brasileira, mas é preciso ir além. A vantagem de contar com custos inferiores em relação a outros países está se reduzindo. “Isso tem muito a ver com aumento de custo de mão de obra e mudanças climáticas, que fazem com que as florestas estejam em ambiente de menor pluviosidade e aumento da temperatura”, diz Cannaval. No cenário atual, advertem os especialistas, a vantagem competitiva depende da integração logística, relação afinada com fornecedores locais, disponibilidade energética, digitalização da cadeia produtiva, redução de perdas e aumento da produtividade florestal. Darlon Orlamünder de Souza, diretor de sustentabilidade, P&D+I e estratégia & mercado da Klabin, considera que é necessário continuar aumentando a eficiência das operações. É essa uma das frentes de trabalho da companhia, que aposta na resiliência florestal e no melhoramento genético das espécies cultivadas para ganhar produtividade e adaptar as florestas às condições climáticas futuras. “Um dos destaques é o trabalho com embriogênese somática de pínus, tecnologia que permite ganhos significativos de produtividade, uniformidade e qualidade genética”, diz Souza. “Atuamos ainda com tecnologias florestais para o desenvolvimento de mudas mais resilientes às condições climáticas adversas e pesquisas aplicadas ao controle de pragas e melhoria na qualidade da matéria-prima e de propriedades da madeira.” O resultado, segundo o executivo, foi o incremento médio anual de produtividade superior a 54 metros cúbicos/hectare/ano para eucalipto e 39 metros cúbicos/hectare/ano para pínus.”

Fonte: Valor Econômico; 27/07/2026

Fruticultura entra na era do carbono

“Principal polo fruticultor exportador do Brasil, responsável por cerca de 90% das exportações brasileiras de manga e 98% das exportações de uva fresca, o Vale do São Francisco está se preparando para se tornar carbono neutro, inaugurando uma tendência que deve se espalhar também entre produtores de outras regiões do Brasil. A Embrapa Semiárido, sediada em Petrolina (PE), está concluindo a primeira pesquisa sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEE) da produção de uva de mesa na região, iniciada em 2023, o que deve dar as bases para a criação de uma calculadora de carbono voltada aos produtores. No início de julho, os estudos entraram em uma nova fase, para abarcar outras três culturas: lima ácida (comercializada como limão-taiti), melão e castanha de caju. Diana Signor, pesquisadora da Embrapa Semiárido à frente do projeto, explica que os produtores começaram a se interessar por padrões ligados a impactos ambientais motivados por demandas dos compradores, especialmente de países da União Europeia — a expectativa é que a baixa emissão se torne um requisito para as exportações. Os dados da pesquisa envolvendo a pegada de carbono da produção de uvas estão sendo finalizados, mas a pesquisadora adianta que os resultados são animadores e apontam para números melhores que os estipulados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos achados diz respeito às emissões de óxido nitroso (N2O), um dos GEEs mais potentes, com um potencial de aquecimento global cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2). Signor diz que a adubação parcelada — várias aplicações de fertilizantes ao longo do ciclo da planta — tem contribuído para o menor escape do gás na atmosfera. O IPCC postula um fator de emissão de 1% para solos agrícolas. São três culturas importantes para a região Nordeste, além da uva do Vale do São Francisco: o caju e o melão, cuja produção está concentrada no Ceará e Rio Grande do Norte, e a lima ácida, na região do Recôncavo baiano. Num futuro breve, os resultados dos estudos da Embrapa Semiárido devem embasar a criação de um selo de baixa emissão de carbono, a exemplo do que já acontece no Brasil para carne e leite e está em andamento para a soja — será um diferencial competitivo para acessar mercados mais exigentes. Um exemplo desse movimento é a Fazenda Lina Frutas, localizada em Santa Maria da Boa Vista (PE), uma das pioneiras no Vale do São Francisco na medição dos GEEs, a partir de um protocolo para a Caatinga desenvolvido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A produtora concluiu seu primeiro inventário de emissões, referente a 2023, mapeando as fontes de carbono associadas à operação. O levantamento contabilizou 104,8 mil toneladas de CO2 equivalente (tCO2e). O diagnóstico evidenciou a capacidade da fazenda de remover carbono da atmosfera. Além dos 110 hectares de cultivo de uva e manga, a propriedade mantém 487,3 hectares de vegetação nativa, que corresponde à reserva legal e áreas de preservação permanente, cujas plantas e solos também funcionam como reservatórios de carbono. Somados, esses estoques resultaram em um balanço líquido negativo de aproximadamente 4 mil tCO2e.”

Fonte: Valor Econômico; 27/07/2026

Eneva recebe R$ 340 milhões da Vale por encerramento antecipado de contrato de GNL

“A Eneva fechou um acordo com a Vale e recebeu R$ 340 milhões pelo encerramento antecipado do contrato de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) à usina de pelotização de São Luís (MA). Em março, a mineradora decidiu suspender temporariamente a produção na usina, em função do cenário atual de demanda por pelotas de minério de ferro. Com o fim do contrato com a Vale, a Eneva informou que uma capacidade de liquefação de até 250 mil m³/dia no Complexo Parnaíba (MA) fica disponível para nova contratação. Todas as obrigações das partes relacionadas ao suprimento de GNL ficam encerradas com efeitos a partir de 31 de maio de 2026, com a solução consensual. A Vale era, ao lado da Suzano, as clientes âncoras do projeto de distribuição de GNL em pequena escala (small scale) da Eneva no Complexo Parnaíba. A empresa colocou o pé no negócio de GNL small scale no fim de 2024, por meio da GNL Brasil (Eneva/Virtu GNL). Inaugurada naquele ano, a planta de liquefação da Eneva na Bacia do Parnaíba passou a abastecer a Vale e Suzano no Maranhão; e o projeto da Virtu GNL para disseminação do transporte de cargas com caminhões a gás no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Em 2025, a Eneva deu um segundo passo e iniciou as obras de ampliação da planta de liquefação, dos atuais 600 mil m³/dia para 900 mil m³/dia, ancorada na demanda crescente da Virtu GNL.”

Fonte: Eixos; 24/07/2026

Projeto pioneiro no Tocantins usa energia solar e amplia em 25% a produção de alimentos

“Em Miracema do Tocantins, a produção de hortaliças que chega às famílias atendidas pela Associação Aliança para um Futuro Melhor (Aliar) começa em uma horta que depende de energia elétrica para funcionar. Bombas, sistemas de refrigeração, iluminação e irrigação precisam operar continuamente e o custo é alto para a comunidade que está em situação de vulnerabilidade. Foi para driblar esse desafio que a organização passou a contar com um sistema de geração de energia solar instalado em seu viveiro de mudas. O projeto Sonho, Luz e Raiz, desenvolvido pela EDP em parceria com a Revolusolar, foi inaugurado este mês e prevê ampliar em até 25% a produção de hortaliças a partir da redução dos gastos com eletricidade. Com oito placas solares, o sistema tem capacidade instalada de 4,92 kWp e pode gerar cerca de 400 kWh por mês. Na prática, a redução dos custos vai liberar recursos para fortalecer as atividades mantidas pela Aliar. Atualmente, a horta hidropônica produz mais de 20 mil mudas anuais de hortaliças, como alface, rúcula e coentro. Parte da produção é destinada às famílias atendidas e o excedente é comercializado na região. A renda obtida com as vendas também traz impacto social: os recursos são utilizados para a compra de cestas básicas destinadas às mulheres responsáveis pelo cultivo e manutenção da horta. O projeto combina geração de energia renovável e produção agrícola em uma solução conhecida como agrivoltaica: o modelo integra sistemas fotovoltaicos e atividades de cultivo. Além da instalação dos equipamentos, a iniciativa prevê a capacitação de lideranças locais para operação e manutenção do sistema, com o objetivo de ampliar a autonomia local. Para a EDP, a experiência em Miracema faz parte de uma agenda de iniciativas voltadas à transição energética com impacto social. A empresa e a Revolusolar pretendem acompanhar indicadores como economia de energia, aumento da produção agrícola, redução de custos operacionais, emissões evitadas de carbono, melhoria do microclima e uso do espaço. Segundo os idealizadores, a expectativa é que os resultados do piloto possam contribuir para o desenvolvimento de modelos semelhantes em outras comunidades. “

Fonte: Exame; 24/07/2026

Ameaça no horizonte: o custo do afrouxamento ambiental

“Entre os dias 19 e 21 de maio, a Câmara dos Deputados dedicou três sessões a projetos de lei que afrouxam a legislação ambiental. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) chamou a iniciativa de “Dia do Agro”, enquanto cientistas, organizações ambientais e parte do setor produtivo a descreveram como um retrocesso sem precedentes no arcabouço de proteção construído nas últimas décadas. Foram 12 propostas levadas ao plenário, parte de uma lista que passava de 30, em uma articulação da FPA com a presidência da Câmara. O afrouxamento cria uma ameaça. A lavoura e a pecuária dependem de serviços que ecossistemas íntegros e áreas verdes prestam naturalmente: manutenção do ciclo de chuvas, regulação térmica, proteção de nascentes, abrigo para polinizadores e garantia da biodiversidade que contém o avanço de pragas, entre outros. Flexibilizar as regras que protegem ecossistemas e áreas verdes coloca pressão sobre esses serviços. “O maior risco para o agronegócio brasileiro não é a política climática, mas sim a própria mudança do clima”, afirma Guarany Osório, doutor em administração pública e governo, professor da FGV Eaesp e coordenador do Programa de Política e Economia Ambiental do Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces). Para Osório, mudar a legislação para colher resultados rápidos ignora que “os impactos da mudança do clima podem gerar prejuízos econômicos muito superiores aos ganhos de curto prazo”. Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC), ex-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e enviado especial à COP30, faz a mesma leitura. Para ele, o pacote tenta “derrubar pilar a pilar de qualquer restrição ou de qualquer obrigação que traga deveres”. Entre os projetos aprovados, o de maior alcance pode deixar sem proteção cerca de 48 milhões de hectares de campos nativos. O PL 364/2019 começou tratando dos campos de altitude da Mata Atlântica, mas teve o escopo ampliado pela Comissão de Constituição e Justiça para formações não florestais de todos os biomas. O número, calculado pela SOS Mata Atlântica, equivale à metade do Pantanal, a um terço do Pampa, a 7% do Cerrado e a quase 15 milhões de hectares na Amazônia. Os outros projetos de maior peso seguem na mesma direção. O PL 2.486/2026 reduz a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, de mais de 1,3 milhão para 814,7 mil hectares. Uma nota técnica das organizações Instituto Socioambiental (ISA) e WWF-Brasil registra que 86,6 mil hectares já foram desmatados de forma ilegal dentro da unidade desde 2006 e cita um estudo do Imazon segundo o qual o desmatamento em áreas recategorizadas foi 1.116% maior do que nas que seguiram protegidas. O PL 2.564/2025 passa a exigir notificação prévia antes de embargos baseados em imagens de satélite, como as do sistema Prodes. Para a relatora, a deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), a proposta impede “que medidas cautelares sejam utilizadas como punição antecipada”. O PL 5.900/2025 exige manifestação técnica prévia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para normas que afetem espécies de interesse produtivo e desloca o poder do Ministério do Meio Ambiente para o Mapa.”

Fonte: Valor Econômico; 27/07/2026

B100 para navios, E32 na berlinda e as novas regras do ETS europeu

“A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta sexta (24/7) a abertura de consulta pública para alinhar a regulação nacional a normas internacionais para combustíveis aquaviários. A proposta é facilitar o uso de biodiesel e diesel verde como alternativas ao bunker derivado de petróleo nas embarcações. De acordo com o relator, o diretor Pietro Mendes, a demanda por alternativas está crescendo por iniciativa das próprias transportadoras. Parte desse impulso vem do cenário internacional: a Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) tenta avançar com um mecanismo para precificar as emissões do setor, que responde por cerca de 3% dos gases de efeito estufa lançados na atmosfera. Por aqui, iniciativas do setor privado já começaram a realizar abastecimentos pontuais com etanol e biodiesel. “Esse mercado está vindo em uma velocidade muito mais rápida do que se imaginava”, afirmou Pietro. “A ideia [da proposta de revisão] seria a gente entrar nesse vagão o quanto antes”, defendeu na reunião da diretoria desta manhã. Entre as principais mudanças estão o reconhecimento do biodiesel puro (B100) como uso marítimo regular (e não como exceção) e o tratamento de diesel verde e GTL (do inglês Gas-to-Liquids, ou gás para líquidos) como drop-in. Atualmente, as empresas precisam pedir autorização para a agência para uso de biocombustíveis. Com a revisão, grupos logísticos não precisarão mais de anuência da ANP, apenas comunicá-la do uso. Etanol, metanol, amônia e hidrogênio seguem com tratamento como combustíveis alternativos, dependendo de autorização da ANP. Já o gás natural liquefeito (GNL) precisaria de autorização, mas sem caráter experimental como os outros. A minuta de resolução que ficará em consulta pelo prazo de 45 dias também autoriza a venda direta de biodiesel puro (B100) para uso em navios. A venda deve ser exclusiva para o usuário final.”

Fonte: Eixos; 24/07/2026

Coalizão Clima, Florestas e Agricultura apresenta oito propostas centrais aos presidenciáveis

“A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura está apresentando aos presidenciáveis nas eleições de 2026 um conjunto de oito propostas consideradas centrais na agenda de desenvolvimento. Defende-se, por exemplo, que a criação e o aperfeiçoamento de instrumentos financeiros para o setor agropecuário, precisam estar condicionados à implementação do Código Florestal e ao estímulo de práticas produtivas sustentáveis. “Ao ampliar linhas de financiamento sustentáveis e inclusivas, é possível reconhecer produtores que cumprem a legislação ou que avançam na regularização ambiental e fundiária”, diz o grupo. Há ainda preocupação significativa e crescente com os eventos climáticos extremos e a repercussão disso para o setor agrícola — especialmente no endividamento e na inadimplência de produtores rurais. O coordenador de Advocacy da Coalizão, Iuri Cardoso, defende como uma das soluções o fortalecimento do seguro rural. A entidade, com 10 anos de atuação, conta com mais de 400 representantes do setor privado, do setor financeiro, da academia e da sociedade civil. O foco é apresentar as proposições para os três mais bem colocados nas pesquisas: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). Já houve um encontro com a campanha do presidente Lula. Na semana que vem, há perspectiva de encontro com os outros presidenciáveis ou seus representantes. A ideia, neste momento, é apresentar os temas de forma geral e, após a eleição, buscar a construção de uma agenda detalhada. A Coalizão defende, especificamente, o avanço no processo de destinação das florestas públicas e na regularização fundiária. Essas seriam medidas tidas como decisivas para reduzir conflitos, ampliar a segurança jurídica e destravar investimentos no campo. “Esse processo, aliado à demarcação de terras indígenas e amparado por um efetivo cadastro territorial rural, gera ganhos econômicos e produtivos, facilita o acesso ao crédito e ao comércio e reforça a posição do Brasil como potência agrícola e florestal”, analisa o relatório da coalizão. O grupo também defende que os biocombustíveis devem permanecer “no centro da estratégia nacional” nas próximas gestões, com ampliação de investimentos em inovação, pesquisa e no desenvolvimento de novas rotas. São mencionados, como prioridade, o biodiesel e os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), além da diversificação de matérias-primas, como a macaúba. “O país deve também investir em gerar derivados da biomassa que substituam derivados da indústria petroquímica, como solventes, fertilizantes, polímeros, entre outros, ajudando assim a acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis”, avalia a Coalizão. Neste momento, uma série de representantes do setor privado e/ou entidade sem fins lucrativos está apresentando propostas aos presidenciáveis.”

Fonte: Eixos; 24/07/2026

Desmatamento cai na Amazônia e 588 áreas protegidas ficam intactas no semestre

“Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Das 721 áreas monitoradas entre janeiro e junho, 588 permaneceram intactas, o equivalente a 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação. O resultado acompanha a menor área de floresta derrubada no primeiro semestre dos últimos oito anos. No período, as áreas protegidas responderam por apenas 97,37 quilômetros quadrados (km²) de desmatamento, o que representa 8% de toda a devastação registrada na Amazônia. Desse total, 9,38 km² ocorreram em terras indígenas e 87,99 km² em unidades de conservação. Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, apenas uma terra indígena e sete unidades de conservação tiveram mais de 1 km² de floresta derrubada entre janeiro e junho. O principal foco de desmatamento em áreas protegidas foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, responsável sozinha por 47,85 km² de floresta derrubada no semestre — cerca de metade de todo o desmatamento registrado nessas áreas. Segundo o Imazon, a perda equivale a quase 5 mil campos de futebol, ou uma média de 25 campos desmatados por dia. Também figuram entre as áreas mais afetadas a Floresta Nacional (Flona) de Altamira, com 12,51 km² desmatados, a APA do Tapajós (4,01 km²), a Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt (3,47 km²) e a Flona do Jamanxim (3,45 km²). A Flona do Jamanxim ganhou destaque nas últimas semanas após o Senado aprovar um projeto de lei que reduz sua área. “A aprovação desse projeto mostra que o Congresso Nacional está legislando para favorecer um pequeno grupo de pessoas que invadiu ilegalmente essa unidade de conservação após sua criação, em 2006”, afirmou Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon. “As unidades de conservação são importantíssimas para conter o desmatamento e combater a crise climática. Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência.”

Fonte: Exame; 24/07/2026

Internacional

BP está perto de fechar acordo para vender a empresa de energia solar Lightsource a um grupo apoiado pelo Kuwait

“A BP está em negociações avançadas para vender sua divisão de energia solar, a Lightsource, a um consórcio apoiado pelo fundo soberano do Kuwait, à medida que a gigante do petróleo recua no setor de renováveis ​​após abandonar uma iniciativa de energia verde que durou anos. A Qualitas Energy, uma empresa de private equity focada em energia verde, e a Wren House, braço de infraestrutura da Kuwait Investment Authority, uniram-se para apresentar uma proposta pela Lightsource, segundo várias pessoas a par do assunto. Analistas afirmaram que o principal atrativo do negócio para a BP era livrar-se das dívidas bilionárias da unidade, e que o preço de venda provavelmente não seria significativo para o grupo. A venda da Lightsource — que era a maior desenvolvedora de projetos solares da Europa quando a BP investiu nela pela primeira vez, em 2017 — faz parte de um esforço da BP para vender ativos, visando reduzir dívidas e voltar a focar em petróleo e gás após uma incursão mal-sucedida na energia verde, estratégia abandonada no ano passado. Embora o consórcio tenha surgido como o licitante final no processo de venda da Lightsource e um acordo seja esperado em breve, as fontes alertaram que a transação ainda não foi confirmada e pode não se concretizar. O negócio ampliaria o portfólio da Wren House, que investiu em ativos como a Associated British Ports e o London City Airport desde sua criação pelo Kuwait, em 2013, como um investidor em infraestrutura focado na Europa. A venda representaria um impulso para a nova CEO da BP, Meg O’Neill, que enfrentou um início de gestão conturbado, incluindo a demissão do presidente do conselho, Albert Manifold, devido a “sérias preocupações” com seu comportamento. A demissão gerou uma reação pública do executivo irlandês, que negou má conduta, e causou mais instabilidade na BP enquanto O’Neill tenta estabilizar a empresa após uma série de mudanças estratégicas e de liderança nesta década. A Lightsource possui 4 gigawatts de capacidade em energia solar, eólica e baterias em operação em 15 países, volume suficiente para abastecer até 4 milhões de residências. A BP buscava anteriormente um novo parceiro para o negócio antes de decidir colocar a empresa inteira à venda. É provável que o acordo envolva o compromisso do comprador de assumir vários bilhões de dólares em dívidas da Lightsource. Há dois anos, a BP pagou mais de US$ 500 milhões para adquirir a participação de 50% de seu antigo sócio, em uma transação que envolveu a assunção de US$ 2,8 bilhões em dívidas. Em fevereiro, analistas questionaram executivos sobre a venda, com um deles indagando se havia algum “valor patrimonial” na unidade. No ano passado, a BP informou que baixaria contabilisticamente mais de US$ 4 bilhões em valor atribuído à Lightsource e à sua empresa de biogás, a Archaea, e sinalizou uma nova perda por redução ao valor recuperável (impairment) de US$ 1 bilhão relacionada a ativos de energia renovável, a ser registrada nos resultados do segundo trimestre, no próximo mês. A decisão da BP de colocar a Lightsource à venda ocorre no momento em que O’Neill tenta fortalecer o balanço da gigante petrolífera britânica e enxugar as operações para concentrar-se na produção, no refino e na comercialização de petróleo e gás. A BP possui uma dívida líquida de cerca de US$ 23 bilhões e visa reduzi-la para, no máximo, US$ 18 bilhões até o final do próximo ano. A empresa suspendeu a recompra de ações e afirmou que os recursos provenientes de seu programa de desinvestimento seriam destinados à redução do endividamento. A alta nos preços do petróleo decorrente do conflito envolvendo o Irã também favoreceu a situação de sua dívida. Atualmente, a Qualitas opera ativos de energia solar, eólica, hidrelétrica e de armazenamento em baterias totalizando 11 GW de capacidade, distribuídos pela Espanha, Alemanha, Reino Unido, Polônia, Chile e Estados Unidos.”

Fonte: Financial Times; 24/07/2026

TotalEnergies recorrerá de decisão de tribunal francês que determinou a adaptação de suas atividades às mudanças climáticas

“A gigante francesa do setor de petróleo TotalEnergies recorrerá de uma decisão de um tribunal de Paris que determinou que a empresa alinhe suas operações às metas de combate às mudanças climáticas. Essa decisão inédita na França concluiu que a Total era responsável pelas emissões que contribuem para o aquecimento global — geradas quando clientes utilizam seus combustíveis — com base na lei francesa de dever de vigilância corporativa; o veredito foi visto como uma vitória para os ativistas climáticos que moveram a ação. Litígios climáticos contra grandes empresas de petróleo têm apresentado resultados variados nos últimos anos. Uma decisão histórica na Holanda, que ordenava à Shell reduzir suas emissões, foi posteriormente anulada em grau de recurso e está sendo analisada pela Suprema Corte holandesa. “A empresa considera — em consonância com a posição adotada pelo Ministério Público nestes autos — que as mudanças climáticas, enquanto fenômeno global, não se enquadram no escopo da lei de dever de vigilância”, afirmou a TotalEnergies em comunicado. “Impor a empresas dos setores de energia, defesa, aeronáutica ou automotivo o controle de riscos decorrentes do uso de seus produtos pelos clientes não parece condizente com os objetivos da lei, nem com os princípios de segurança jurídica e liberdade de exercer atividades econômicas”, acrescentou a companhia. Após a formalização do recurso, a TotalEnergies apresentará seus argumentos perante o Tribunal de Apelação de Paris.”

Fonte: Reuters; 27/07/2026

China investe pesado em acordos de energia verde enquanto guerra envolvendo o Irã afeta a demanda por petróleo

“A Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) — o principal programa de infraestrutura internacional de Xi Jinping — elevou seu financiamento para energia verde ao recorde de US$ 20,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, à medida que a guerra dos EUA no Irã impulsiona a demanda por energia renovável mais barata. O valor dos acordos de energia verde da BRI chinesa nos primeiros seis meses deste ano superou o total registrado em todo o ano de 2025, segundo pesquisas da Universidade de Queensland (Austrália) e do Green Finance & Development Center (Xangai). O montante incluiu US$ 11,8 bilhões em projetos de construção e US$ 8,3 bilhões em investimentos. “O menor custo da energia verde tem impulsionado consistentemente o investimento chinês, apesar da guerra comercial; agora, países que colaboram com a China nessa área podem se beneficiar de uma menor volatilidade nos preços da energia, causada pela guerra no Irã”, afirmou Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e finanças da China na universidade e autor do estudo. O total de acordos da BRI atingiu o recorde de US$ 126,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento em relação aos US$ 123,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O valor de 2026 foi composto por US$ 49,8 bilhões em investimentos e US$ 76,5 bilhões em projetos de construção. Além do maior apoio ao setor energético, houve também um aumento no financiamento para manufatura e tecnologia, bem como para os setores de metais e mineração. Os investimentos da BRI aceleraram à medida que ataques americanos e israelenses ao Irã faziam disparar os preços do petróleo e do gás, enquanto o mundo corria para ampliar a infraestrutura de eletricidade e centros de dados para atender à demanda por IA. Dados alfandegários oficiais de Pequim mostram um aumento acentuado nas exportações de tecnologias limpas (cleantech) nos últimos meses. A BRI foi lançada meses após Xi assumir o poder, em 2012, e é amplamente considerada o pilar fundamental do líder chinês para aprofundar a influência econômica e os laços comerciais de Pequim com o mundo em desenvolvimento. Na semana passada, ele delineou as ambições da China de rivalizar com os EUA como líder global em IA, anunciando uma nova coalizão que visa ampliar o controle de Pequim sobre o desenvolvimento dessa tecnologia. Especialistas afirmaram que os dados mais recentes destacam como a BRI passou a ser impulsionada principalmente por empresas privadas, em vez de empresas estatais chinesas. Segundo dados da Universidade de Queensland, a participação do setor privado — em contraposição às empresas estatais — no engajamento com a iniciativa atingiu 48% no primeiro semestre, ante 13% em 2022. “O que diferencia esta onda [da BRI] da anterior é que as decisões de investimento baseiam-se cada vez mais em critérios comerciais, e não em diretrizes estatais”, afirmou Li Shuo, diretor do China Climate Hub no Asia Society Policy Institute. Li acrescentou que o aumento dos investimentos do setor privado também evidenciou a competitividade global da indústria chinesa de tecnologias limpas e a crescente maturidade de suas tecnologias. A BRI tem sido alvo de críticas devido a uma série de questões, incluindo a criação de obrigações de dívida insustentáveis ​​— especialmente na África e em outras regiões do mundo em desenvolvimento —, bem como preocupações com termos de crédito e empréstimo pouco transparentes e a falta de acesso recíproco aos mercados para os parceiros da China.”

Fonte: Financial Times; 26/07/2026

Tempestade mortal no Chile interrompe operações em minas de cobre e gera preocupações com o fornecimento de IA

“Uma tempestade mortal no Chile ameaça a produção de cobre e intensificou as preocupações sobre a capacidade do setor de fornecer o metal, que é crucial para o boom da inteligência artificial. O grupo canadense de metais básicos Lundin Mining suspendeu, na semana passada, as atividades em sua operação de cobre e molibdênio de Caserones, na região chilena do Atacama, onde fortes nevascas interromperam o fornecimento de energia; simultaneamente, a mineradora de cobre Antofagasta paralisou a extração e o processamento por vários dias em sua unidade Minera Los Pelambres. A Barrick Mining informou no sábado que havia transferido com segurança, via helicóptero, trabalhadores de um acampamento no norte do Chile, após “dias difíceis devido às condições climáticas extraordinárias”. O clima extremo provocou inundações repentinas e fortes nevascas em altitudes elevadas, onde estão localizadas algumas das principais minas de cobre. A tempestade deixou pelo menos 13 mortos, segundo autoridades. A neve também afetou algumas operações da Codelco, mineradora estatal de cobre, levando à paralisação temporária das atividades em grandes minas, incluindo El Teniente. Executivos de grandes empresas, como Anglo American e BHP, também acompanham a situação de perto e mantêm contato com as autoridades chilenas. O cobre é essencial para a expansão das redes elétricas, para a energia renovável e para os centros de dados que sustentarão a inteligência artificial. No entanto, especialistas preveem um déficit crescente do “metal vermelho” nas próximas décadas, com a probabilidade de que choques na oferta se tornem mais frequentes à medida que as mudanças climáticas se aceleram e intensificam eventos meteorológicos extremos. Com os estoques de cobre na rede global de armazéns da Bolsa de Metais de Londres (LME) já em declínio, “riscos adicionais de abastecimento, como o caso do Chile, apenas elevam a volatilidade dos preços do cobre”, afirmou Natalie Scott-Gray, analista da StoneX. Em um contexto mais amplo, investidores do setor de mineração “tentam compreender cada vez mais como o risco físico [climático] se traduz em interrupções na produção, fluxo de caixa, custos de seguro e avaliação de ativos”, disse Giuseppe Amitrano, fundador do grupo de análise de riscos WieldMore Investment Management. Em um país minerador como o Chile, “mesmo uma interrupção temporária pode ter impacto significativo nos mercados de commodities”, observou ele.”

Fonte: Financial Times; 26/07/2026

África enfrentará prejuízo econômico de US$ 10 a US$ 20 bilhões devido ao “super” El Niño, alerta chefe de clima do BAD

“Um iminente “super” El Niño provavelmente causará um impacto financeiro combinado de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões aos países africanos afetados e desencadeará migrações em massa a partir das áreas mais atingidas, afirmou à Reuters o principal especialista em clima do Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD). Meteorologistas alertam que o fenômeno El Niño — que frequentemente provoca secas severas, inundações e tempestades na África — pode se tornar um dos mais intensos já registrados caso as atuais tendências de aquecimento do Oceano Pacífico persistam. Além da ameaça à segurança alimentar e hídrica, as finanças governamentais e os setores bancários também poderiam ser prejudicados se desastres danificassem a infraestrutura e deixassem países com recursos limitados em dificuldades para pagar empréstimos relacionados. “Somente este evento reduzirá o PIB dos países fortemente afetados em 1% a 2%, em média, o que representa cerca de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões em todo o continente”, disse Anthony Nyong, diretor de mudanças climáticas e crescimento verde do BAfD, em entrevista. As previsões mais recentes do BAfD, feitas em maio, indicavam que a África como um todo registraria um crescimento econômico de 4,2% este ano, subindo para 4,4% em 2027, assumindo que as tensões do conflito entre EUA/Israel e Irã diminuíssem. No entanto, isso foi antes das previsões sobre um “super” El Niño — ou “Godzilla” El Niño — serem divulgadas. A estimativa de Nyong sobre o provável impacto de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões é a primeira apresentada por um grande banco multilateral de desenvolvimento em relação ao El Niño. Ele não forneceu um detalhamento país a país da estimativa, mas alertou que é improvável que esse seja um evento isolado. As condições de seca, que têm afetado grande parte da região do Sahel nos últimos anos, podem persistir, enquanto a experiência de Moçambique após o Ciclone Idai, em 2019, demonstra que a recuperação de grandes tempestades pode levar anos. Os governos também estão sendo enredados no que Nyong descreveu como a “armadilha do financiamento climático”: a situação em que faltam recursos para responder a crises e os países são forçados a recorrer a orçamentos de saúde, educação ou infraestrutura para arcar com os custos. O evento do El Niño de 2023-2024 causou seca severa na África Austral e chuvas intensas e inundações na África Oriental. Essas condições levaram a quebras generalizadas de safra, à disparada dos preços dos alimentos e a elevações recordes do nível do mar ao longo da costa do continente. O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima que os agricultores africanos já enfrentam uma perda de renda de quase US$ 330 milhões este ano, enquanto o setor pesqueiro também pode ser duramente atingido devido ao aumento das temperaturas do mar e às tempestades. “Quando esses choques ocorrem, os países dão dois passos atrás”, disse Nyong. “Não queremos que nossos países caiam na pobreza.”

Fonte: Reuters; 26/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
.


Ainda não tem conta na XP? Clique aqui e abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.