Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de terça-feira fechou em leve queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,03% e 0,29%, respectivamente.
• No Brasil, de olho em governança corporativa, o português Manuel Lino Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie” , candidato apoiado pela Previ na eleição de hoje para a presidência do conselho da Vale, largou na frente na disputa, segundo dados apresentados pela companhia – ontem, a Vale divulgou o chamado mapa sintético consolidado para a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de hoje, que vai eleger não só o “chairman” como também um novo integrante para o colegiado da mineradora.
• No internacional, (i) o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou, nesta terça-feira, que o mundo deverá se preocupar com a segurança energética se Estados Unidos e Irã não restabelecerem em breve o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz – o estreito corresponde por ~20% das remessas mundiais de energia e está em grande parte bloqueado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro; e (ii) a China deve atingir, ainda em 2026, a meta de atingir mais de 50% de sua capacidade instalada de energia abastecida por fontes renováveis, prevista inicialmente para 2030 – dados do Monitor Global de Energia (GEM, em inglês) mapearam 1.362 GW de projetos eólicos e solares em diferentes estágios de desenvolvimento, boa parte concentrada nas regiões desérticas do norte e noroeste do país, onde Pequim desenvolve seu programa de “megabases” de energia renovável.
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Brasil
Empresas
“O custo da tecnologia empregada em sistemas de armazenamentos por baterias deve cair em ritmo menor do que o observado na primeira metade da década. De 2020 a 2025, os investimentos saíram de R$ 3,97 por watt-hora (Wh) para R$ 1,88 por Wh, uma redução de 53%. Em 2030, porém, o valor estimado é de R$ 1,34 por Wh, resultando numa queda menor, de 23%. Os valores consideram sistemas entre 500 e 1 mil kilowatts-hora (kWh) de capacidade de armazenamento. Os números são da consultoria Greener, que mapeou, também nos últimos cinco anos, a venda de 684 megawatts-hora (MWh) no país, sendo 270 MWh apenas em 2025. Só no primeiro trimestre de 2026, o montante chegou a 730. Durante evento próprio, a Greener apontou que os usos são diversos e podem se dar em soluções individualizadas de cada consumidor (antes do medidor) ou incorporadas ao sistema (na frente do medidor). O primeiro modelo tem liderado o avanço da tecnologia em território brasileiro até o momento com destaque para a adesão do agronegócio e da indústria, que poderá expandir o seu uso não só apostando em um eventual acúmulo de receitas relacionado ao uso da tecnologia junto ao sistema elétrico, mas por segurança e economia de energia. Neste contexto, os sistemas isolados, que são aqueles não conectados à rede integrada nacional, responderam no início da análise por 70% do volume de baterias no país. No ano passado, com o avanço do interesse de outros segmentos, saltou para 51%. A tendência é que mais usos avancem já que, em dezembro deste ano, o governo deve realizar o primeiro leilão para contratação de baterias para utilização no sistema nacional.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
Candidato da Previ sai na frente em eleição da Vale
“O português Manuel Lino Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, candidato apoiado pela Previ na eleição desta quarta-feira (22) para a presidência do conselho da Vale, largou na frente na disputa, segundo dados apresentados pela companhia. Ontem, a Vale divulgou o chamado mapa sintético consolidado para a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de hoje, que vai eleger não só o “chairman” como também um novo integrante para o colegiado da mineradora. O mapa mostra os votos proferidos por investidores e que foram recebidos via depositário, a B3, pelo banco escriturador das ações, o Bradesco, e pela própria empresa. São votos de brasileiros e estrangeiros, que se manifestaram usando o boletim de voto à distância (BVD), ferramenta para votar antecipadamente a uma assembleia. Segundo o mapa, houve mais de 2 bilhões de votos via BVD, o que representa 48,5% do capital votante da companhia. A Vale tem uma base acionária de 4,4 bilhões de ações, das quais cerca de 200 milhões estão em poder da tesouraria da empresa e 4,2 bilhões correspondem ao volume em livre circulação no mercado. Estima-se que a AGE tenha uma quórum de cerca de 80%. Deste total, 10% a 15% dos investidores devem se abster de votar. Isso significa que, dos cerca de 70% que vão votar, ainda faltaria receber cerca de um terço das ações. São os detentores de ADRS (American Depositary Receipts), certificados emitidos nos Estados Unidos que representam ações de empresas estrangeiras. Os votos emitidos via ADRs só devem se tornar públicos quando o banco depositário, o J.P. Morgan, apresentá-los na AGE na manhã desta quarta-feira. Até ontem, segundo o mapa, “Ollie” registrava mais de 1,29 bilhão de votos a favor da candidatura dele como “chairman”. Computava ainda 49,1 milhões de votos pela sua rejeição e 724,5 milhões de abstenções. O concorrente de “Ollie” pela cadeira de presidente do colegiado, o atual vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, registrou, por sua vez, 746,2 milhões de votos a favor de sua eleição e 889 milhões de votos contrários, enquanto 430,7 milhões se abstiveram de votar. Pelo mapa não se podia afirmar, ontem, que a eleição para “chairman” estava decidida, embora “Ollie” tenha obtido votação que pode ser difícil de ser revertida por Gasparino, a depender sobretudo da escolha de grandes investidores estrangeiros. Gestores como Capital World, com cerca de 5% da Vale, e Black Rock, com 7,1%, têm papel relevante em eleições na companhia.”
Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026
Política
Falta de clareza põe créditos de carbono na mira da reforma tributária
“O mercado de carbono brasileiro está sem definição sobre a carga tributária que vai incidir sobre a atividade a partir de 2027, quando entra em vigor uma nova etapa da reforma tributária do consumo no Brasil. O novo regime substitui cinco tributos por uma contribuição federal e um imposto estadual e municipal, com a adoção do modelo de Imposto sobre Valor Agregado. Os tributos federais PIS e Cofins serão extintos e substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) já em 2027, enquanto o ISS e o ICMS, impostos subnacionais, serão substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) a partir de 2029. A indefinição em relação ao mercado de carbono é dupla: a Lei 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), o mercado regulado de carbono do país, isentou os créditos de PIS e Cofins, mas essa isenção não foi replicada na CBS. Além disso, a reforma muda o critério do que pode ser taxado: créditos de carbono, que nunca pagaram ISS nem ICMS por não serem serviço nem mercadoria, passam a caber na base do novo IBS, que alcança qualquer direito negociado de forma onerosa. O crédito de carbono hoje é definido como um título representativo de um direito ambiental. Sem isenção, os créditos de carbono podem ser taxados já a partir de 2027 pela CBS, que deve ter uma alíquota entre 9% e 11%. Quando o sistema atingir maturidade, a carga tributária total pode alcançar entre 26,5% e 30%, a mesma de setores sem regimes diferenciados e que não se enquadram no Imposto Seletivo (o “imposto do pecado” que atinge atividades que causam dano à saúde, por exemplo). Até o fim de 2024, as vendas de créditos dentro do Brasil eram tributadas com PIS/Cofins de até 9,25%. Na prática, porém, pouca gente pagava: as exportações já eram desoneradas, como qualquer venda ao exterior, e é delas que vive o mercado brasileiro. As grandes geradoras de créditos do país vendem sobretudo a multinacionais, em especial as Big Techs como Microsoft, Google e Amazon, que compram para compensar suas emissões. As exportações seguem desoneradas com a reforma. A incerteza chega quando o país tenta tirar do papel o mercado regulado, que vai estabelecer limites de emissão para determinados setores da economia. Quem exceder o limite poderá compensar parte das emissões com a compra de créditos de carbono. O principal argumento de quem defende o tratamento diferenciado é que o crédito de carbono não é um produto para consumo, mas um instrumento criado por política pública para cumprir uma meta que o próprio Brasil assumiu no Acordo de Paris. “A lei do mercado regulado veio com essa grande notícia de isenção de PIS/Cofins, mas chegou em cima da hora. Ou seja, há um descompasso entre duas leis que pode criar problemas para um mecanismo que está nascendo. Começar assim é um sinal ruim para o mercado”, diz Vinícius Caccavali, sócio da área tributária do VBSO Advogados.”
Fonte: Capital Reset; 21/07/2026
Brasil reduz 31% a área queimada em 2025, mas Cerrado segue liderando
“Dois biomas respondem por quase tudo o que já pegou fogo no Brasil nas últimas quatro décadas. Cerrado e Amazônia juntos concentram 86% de toda a área queimada no país desde 1985, em um retrato que ajuda a explicar por que, mesmo em um ano de queda, o primeiro segue liderando. É o que revela a segunda edição do relatório anual do MapBiomas: o país queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, quase metade do registrado em 2024 e uma redução de 31% em relação à média histórica. A queda é puxada principalmente pela Amazônia, que teve a menor área queimada da série (3,1 milhões de hectares), exatamente um ano depois de bater o recorde oposto em 2024. Mas enquanto o bioma amazônico respirou, o Cerrado manteve seu posto de “mais castigado” pelo fogo. Foram 8,7 milhões de hectares queimados no ano passado, mais de dois terços de tudo que o Brasil queimou no ano. A liderança vem se repetindo todos os anos por lá: em média, são 9,6 milhões de hectares queimados anualmente, o maior volume entre os biomas brasileiros. O Pantanal foi na direção contrária e teve o resultado mais expressivo: apenas 121 mil hectares queimados no período, uma queda de 85,6% em relação à sua própria média histórica e a menor área já registrada. Já a Caatinga foi o único que fugiu à tendência de queda, queimando acima da média e somando 505 mil hectares. Além do total queimado, o relatório traz dois dados que revelam que a queda de 2025 está longe de significar que o problema esteja resolvido: a severidade do fogo sobre a vegetação e o intervalo de retorno, ou seja, quanto tempo uma mesma área leva para queimar de novo. Os números mostram que 64% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 pegou fogo mais de uma vez, e que mais da metade dessas áreas volta a queimar em até quatro anos. Na Amazônia, esse ciclo é ainda mais curto: 31,6% da área queimada no bioma volta a pegar fogo em até dois anos e o tempo é insuficiente para a floresta se recuperar. “É um bioma onde a vegetação não é adaptada ao fogo e intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação florestal e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes”, destaca Luiz Felipe Martenexen, pesquisador da equipe MapBiomas Fogo e do IPAM. No Cerrado, a dinâmica é diferente: o fogo é parte do funcionamento natural do bioma, mas a frequência também preocupa. Por lá, 66% de tudo já queimou mais de uma vez desde 1985, a maior proporção entre os biomas brasileiros.”
Fonte: Exame; 21/07/2026
Dívida com agências reguladoras aumenta e atinge R$ 135 bilhões
“As dívidas de pessoas físicas e empresas com agências reguladoras dispararam neste ano, e a intenção do governo de criar um balcão único de negociação para acelerar os pagamentos e elevar a arrecadação fracassou. Um dos motivos para a falha no modelo é a falta de consenso sobre estabelecer um novo órgão para ficar responsável pela cobrança. De acordo com dados do Balanço Geral da União, havia R$ 135,1 bilhões em créditos inscritos em dívida ativa relativos a autarquias e fundações públicas ao final de 2025, uma alta nominal de 29,6% em relação a 2024, quando o estoque era de R$ 104,2 bilhões. Os dados se referem a débitos não quitados após a fase administrativa de cobrança, a aplicação de multas ou cobrança de taxas. Por isso, são inscritos em dívida ativa, podendo ser alvo de cobrança pelos órgãos da AGU por meio de ações judiciais. O passivo só não foi maior porque o governo lançou, ao final de 2024, o Desenrola das agências reguladoras, que concedeu uma série de descontos e condições favoráveis para a quitação das dívidas. No total, R$ 4,9 bilhões foram renegociados com o programa. Já a dívida ativa tributária da União chegou a R$ 1,2 trilhão ao fim de 2025 considerando os créditos de maior classificação, de acordo com o Tesouro Nacional. O total é 7,77% superior, nominalmente, em relação a 2024, quando totalizou R$ 1,2 trilhão. No ano passado, o governo passou a elaborar um decreto que previa a criação de um balcão único de negociação de passivos com a União. A intenção seria abranger, com um único negociador, tanto dívidas não tributárias, como a das agências reguladoras, como passivos tributários.”
Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026
Governo publica portaria que viabiliza ressarcimento por cortes a geradores renováveis
“O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou na noite desta terça-feira (21) portaria que regulamenta o ressarcimento a geradores de eletricidade a partir das fontes eólica e solar que foram afetados pelos cortes por razões sistêmicas, conhecidos pelo jargão ‘curtailment’. O texto consta em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). A portaria regulamenta trecho da Lei nº 15.269, de 25 de novembro de 2025, de modernização do setor elétrico, e contempla os cortes ocorridos de 1º de setembro de 2023 e 25 de novembro de 2025, conforme previa esta legislação. A portaria traz a minuta do termo de compromisso a ser assinado pelas empresas elegíveis para que recebam os recursos. De acordo com ela, os geradores que aderirem à iniciativa renunciarão ao direito de discutir, “na via administrativa, arbitral ou judicial” compensações até a data, e devem inclusive, desistir de eventual ação judicial em curso sobre o tema. Os procedimentos para “atualização das informações necessárias à instrução dos processos, à apuração e à classificação dos cortes de geração, ao cálculo da compensação e à sua operacionalização” também foram detalhados. Segundo informou o MME, em nota, como etapa inicial, os agentes interessados deverão registrar manifestação de interesse por meio do Sistema de Registro de Interesse para Compensação pelos Cortes de Geração (Celebra), da própria pasta. “O registro permitirá a identificação dos interessados e dará início às etapas previstas”, completou.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
Organizações querem incluir revisão de subsídios do setor elétrico na agenda dos presidenciáveis
“Quatro entidades representativas de grandes consumidores e investidores do setor elétrico divulgaram nesta terça (21/7) uma carta aberta aos candidatos à Presidência da República defendendo a revisão dos subsídios do setor elétrico e a criação de uma Agenda Nacional de Competitividade Energética. O documento, assinado pela Abihv (hidrogênio verde), GRA (renováveis), Abrace (consumidores industriais) e Abiape (investidores em autoprodução), afirma que o crescimento dos encargos e a instabilidade regulatória têm elevado o custo da energia no país. As associações defendem uma revisão dos subsídios do setor elétrico, apontando a expansão da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) como um dos principais fatores de pressão sobre as tarifas. Segundo a carta, os custos da CDE saltaram de cerca de R$ 23 bilhões para mais de R$ 52 bilhões anuais entre 2022 e 2026. O documento afirma que o teto aprovado pelo Congresso Nacional para o crescimento da conta “foi um passo na direção correta, mas que não resolve o problema acumulado”, e pede uma revisão periódica dos subsídios, com maior transparência sobre seus objetivos, beneficiários e impactos tarifários Embora reconheça a importância de políticas sociais e de incentivo à transição energética, o texto defende maior transparência sobre os custos dessas iniciativas. “O ponto não é contrapor competitividade às políticas sociais, de universalização ou de transição energética, mas assegurar que seus objetivos, beneficiários, custos, fontes de custeio e resultados sejam transparentes, avaliados periodicamente e compatíveis com a competitividade da economia brasileira”, afirma o documento. O carta cita que entre 2024 e 2026, os contratos trimestrais do mercado livre subiram 121%, de R$ 143/MWh para R$ 317/MWh. Em janeiro de 2026, picos já romperam a marca de R$ 300/MWh no subsistema Sudeste. Se em 2023, “oscilações da ordem de R$ 60 a R$ 70/MWh eram comuns no mercado livre de energia”, em 2026 passaram a ser observadas variações superiores a R$ 200/MWh em curtos intervalos de tempo, dificultando o planejamento financeiro dos consumidores, calculam.”
Fonte: Eixos; 21/07/2026
Internacional
Empresas
Var Energi compra rival BlueNord por US$ 1,3 bi e cria maior petrolífera independente da Europa
“A petrolífera norueguesa Var Energi assinou um acordo para comprar a BlueNord, empresa listada na Bolsa de Oslo, em uma transação em dinheiro e ações avaliada em cerca de US$ 1,3 bilhão. A operação criará a maior produtora independente de petróleo e gás da Europa, com uma meta de produção de longo prazo de aproximadamente 450 mil barris de óleo equivalente por dia, superando a projeção anterior de mais de 400 mil barris. Pelos termos do acordo, os acionistas da BlueNord receberão 9,71 novas ações da Var Energi e 76,83 coroas norueguesas em dinheiro por papel, totalizando 248,4 milhões de novas ações emitidas e 1,96 bilhão de coroas em espécie. Com a conclusão, prevista para o final de 2026 e sujeita a aprovações regulatórias e de acionistas, os investidores da BlueNord deterão cerca de 9,05% da Var Energi, enquanto a italiana Eni permanecerá como acionista majoritária com uma participação de 57%. A aquisição adiciona ao portfólio da Var Energi os ativos da BlueNord na Plataforma Continental Dinamarquesa, parte do Consórcio Subterrâneo Dinamarquês operado pela TotalEnergies, que contribuem com cerca de 45 mil barris de óleo equivalente por dia em produção líquida e cerca de 195 milhões de barris em reservas provadas e prováveis. Segundo analistas do mercado, a integração faz sentido, gerando sinergias pós-impostos estimadas entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões no período de 2027 a 2032. Reagindo ao negócio e a um aumento de 17% na meta de dividendos para o segundo e terceiro trimestres, alcançando US$ 350 milhões, as ações da Var Energi subiram 7,09% e as da BlueNord avançaram 6,92% em Oslo. Os conselhos de administração de ambas as empresas aprovaram a união de forma unânime, destacando que a escala ampliada, a robustez do fluxo de caixa e a diversificação geográfica fortalecerão a capacidade de pagamento de dividendos e a resiliência do balanço a longo prazo.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
Microsoft vai financiar expansão da IA da francesa Mistral na Europa em acordo multibilionário
“A Microsoft concordou em investir bilhões de dólares na infraestrutura de computação da Mistral na Europa, em um acordo que também expandirá a distribuição da tecnologia da startup francesa de IA por meio da gigante norte-americana de nuvem e software, disseram as empresas nesta terça-feira. Como parte do acordo, os clientes do Microsoft Azure poderão desenvolver software usando os data centers da Mistral na França, proporcionando à Microsoft mais capacidade na Europa e oferecendo às indústrias regulamentadas uma alternativa à infraestrutura controlada pelos EUA. A Mistral, por sua vez, adicionou seus modelos de IA, chamados Medium 3.5 e OCR 4, ao criador de aplicativos da Microsoft, conhecido como Foundry. O Microsoft Copilot Studio também incorporou o Medium 3.5. Além disso, empresas com data centers independentes que acessam os serviços da Microsoft via Azure Local terão a opção de executar os modelos “abertos” da Mistral, que concedem aos clientes a licença para desenvolver IA por conta própria. O acordo sublinha o crescente interesse na Europa e em outros lugares em reduzir a dependência da tecnologia norte-americana, para que outros países possam ter maior influência em sua sociedade e economia futuras. Também pode ajudar a Microsoft a atender à crescente demanda por modelos abertos. Embora a busca por uma IA “soberana” já tenha alguns anos, a decisão dos EUA no mês passado de suspender o acesso estrangeiro a dois modelos avançados da Anthropic, empresa sediada em San Francisco, tornou a independência tecnológica uma questão mais urgente na Europa. Em entrevista conjunta à Reuters, o presidente da Microsoft, Brad Smith, e o presidente-executivo da Mistral, Arthur Mensch, afirmaram que a parceria visa garantir essa soberania, permitindo ao mesmo tempo o acesso a softwares e recursos de segurança dos EUA. “Ao colocar os modelos da Mistral no Azure Local e na capacidade computacional da Mistral, podemos combinar a tecnologia norte-americana e europeia e fazer isso de uma forma que proporcione acesso contínuo e garantido”, disse Smith.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
National Grid aproveita o boom de demanda de energia para IA nos EUA
“A National Grid intensificou sua atuação no mercado de energia dos EUA, investindo US$ 1,75 bilhão em uma desenvolvedora focada no fornecimento de energia para data centers, em um momento em que gigantes da tecnologia continuam investindo em capacidade computacional para IA. A concessionária britânica anunciou, no início deste mês, que adquiriria uma participação acionária de 35% na empresa de energia americana Joulent por meio de seu braço de investimentos. O negócio proporciona à National Grid exposição a uma das fontes de demanda por eletricidade que mais crescem, à medida que a escassez de energia se torna um grande desafio para a adoção da IA. O investimento ajudaria a obter “exposição a uma importante fonte de crescimento da demanda por eletricidade, diversificando nossa exposição regional nos EUA”, afirmou a CEO Zoë Yujnovich. A decisão marca mais um passo no envolvimento da National Grid nos EUA, onde suas operações de distribuição de eletricidade e gás em Nova York e Massachusetts geraram cerca de £ 2,5 bilhões — ou aproximadamente 45% do lucro operacional do grupo — no ano fiscal encerrado em março passado. As empresas informaram que o financiamento apoiará o principal projeto da Joulent em parceria com a Chevron, no oeste do Texas, que visa fornecer 2,67 GW de eletricidade a um data center da Microsoft até 2028. A National Grid fornecerá experiência e equipamentos para infraestrutura energética de grande porte e operações de rede, complementando a parceria que a Joulent já mantém com a Chevron e com a fabricante de turbinas a gás GE Vernova. Noelle Walsh, presidente de operações de nuvem da Microsoft, afirmou que os data centers de IA exigem cada vez mais uma “coordenação mais estreita entre energia e infraestrutura”, acrescentando que a expertise da National Grid em redes elétricas ajudaria na execução do projeto. A iniciativa ocorre em um momento em que fornecedores de energia correm para atender à demanda crescente impulsionada pela IA. No entanto, desenvolvedores têm enfrentado dificuldades para garantir conexões à rede, uma vez que o aumento dos investimentos em fontes renováveis sobrecarrega a rede de transmissão e os processos de licenciamento para novas conexões se arrastam por anos. Fundada em 2026, a Joulent é uma empresa derivada (spin-out) do fundo ativista Engine No. 1. Ela desenvolve sistemas de energia que combinam múltiplas fontes, incluindo turbinas a gás, geração renovável e armazenamento em baterias. A parceria com empresas de energia proporcionaria “acesso a equipamentos críticos de longo prazo de entrega e a cadeias de suprimentos”, afirmou a Joulent, alegando que isso permitiria fornecer energia a grandes consumidores de forma mais rápida. A alta demanda por energia fora da rede (off-grid) para data centers elevou os prazos de entrega de geradores a gás para vários anos, levando as empresas de hiperescala (hyperscalers) a buscar alternativas rapidamente, incluindo motores a gás menores e até mesmo motores a jato. O fornecimento de energia para data centers tornou-se mais complexo com o crescimento acelerado da computação voltada para IA. Os data centers de IA abrigam milhares de chips avançados que operam em picos sincronizados, gerando variações no consumo de energia muito mais acentuadas do que as observadas em instalações convencionais de computação em nuvem. Esse cenário levou operadores de data centers e de redes elétricas a buscar formas de suavizar tais flutuações e reduzir a pressão sobre a rede. Em uma entrevista anterior à Energy Source, Yujnovich afirmou que as concessionárias de energia poderiam conectar mais data centers identificando “pontos de disponibilidade” na rede e tornando mais flexíveis as cargas de energia dessas instalações. A National Grid também anunciou parcerias com a Nvidia e outras empresas para demonstrar sistemas capazes de suavizar as flutuações de energia associadas à IA, minimizando, ao mesmo tempo, o impacto no desempenho computacional.”
Fonte: Financial Times; 21/07/2026
“Uma proposta europeia que imporia novos custos de carbono a alguns voos internacionais faria com que as companhias aéreas fossem atingidas duas vezes, afirmou o presidente da Emirates na terça-feira, enquanto mais empresas aéreas manifestavam apoio a um acordo global único para conter a poluição. A Comissão Europeia publicou, na sexta-feira, propostas para começar a aplicar custos sobre as emissões de voos internacionais que partem da Europa — medidos a partir de um ponto específico na Europa Central — e aterrissam em países situados a uma distância de até 5.000 km (3.100 milhas). Embora a proposta exclua voos transatlânticos diretos para os EUA, alguns voos com destino ao Oriente Médio, à Turquia e ao Norte da África seriam afetados a partir de 2029, caso a medida seja aprovada. A proposta foi criticada pelos Estados Unidos e pela IATA (associação do setor aéreo), ao passo que a agência de aviação da ONU alertou que a medida prejudicaria o acordo global CORSIA, o qual exige que a maioria das companhias aéreas compense o aumento de suas emissões em voos internacionais. “É um golpe duplo, pois já temos o CORSIA em vigor”, disse o presidente da Emirates, Tim Clark, a jornalistas no Farnborough Air Show, na terça-feira. “Ele conta com o apoio da comunidade da aviação, que o vê como a maneira de lidar com essa questão específica.” A Emirates, sediada em Dubai, já adquiriu créditos de apoio a florestas tropicais na Guiana para ajudar a compensar suas obrigações de carbono previstas no acordo global intermediado em 2016 pela Organização da Aviação Civil Internacional. A Airlines for America, associação que representa as companhias aéreas dos EUA, declarou na segunda-feira que não apoia uma “abordagem fragmentada” para tributar as emissões da aviação internacional. “Estender o escopo para voos internacionais fora da região europeia viola acordos internacionais”, acrescentou a A4A. Um porta-voz da Comissão Europeia não quis comentar o assunto, citando um feriado na Bélgica.”
Fonte: Reuters; 21/07/2026
Política
Clima errático na Europa traz calor extremo à Espanha e França, e granizo à Croácia
“Bombeiros lutavam nesta terça-feira para conter o maior incêndio florestal do ano na Espanha, e na França dois brigadistas morreram enquanto combatiam as chamas no sudoeste do país, em meio à onda de calor na Europa. As condições climáticas estão cada vez mais voláteis neste verão no continente, envolvendo temperaturas extremas, secas e previsão de severas tempestades de granizo. As mortes no sudoeste da França ocorreram perto de um aeroporto na região da Gironda, que permanece em alerta elevado para incêndios florestais, disse o ministro do Interior, Laurent Nunez. Duas semanas atrás, um bombeiro havia morrido em outra região do país, a Savoia, nos Alpes. Na Espanha, na província de Guadalajara, no centro do país, um foco de incêndio florestal continua fora de controle pelo sexto dia, o que resultou na retirada de mais de 1.200 moradores do local afetado. As temperaturas na região chegam a superar 40ºC. O fogo em Guadalajara ocorre menos de duas semanas após a Espanha enfrentar os incêndios florestais com maior número de vítimas em décadas, que resultaram na morte de 13 pessoas perto de Bedar, na província de Almería, no sul do país. A Europa é o continente que tem se aquecido mais rapidamente e, considerando apenas este ano, já enfrentou três ondas de calor. O calor intenso também resultou em aumento no número de mortes no continente nos meses de maio e junho. No Reino Unido, restrições à disponibilidade de água devem ser impostas pela operadora do sistema hídrico aos usuários na região metropolitana de Londres, onde residem mais de 10 milhões de pessoas. A Thames Water deve recomendar a proibição de mangueiras e de outros dispositivos externos considerados não essenciais, como sprinklers de jardinagem, para preservar o fornecimento. Em julho, a Inglaterra recebeu apenas 3% do volume padrão de chuvas para a época do ano, sendo que o sul e o leste não tiveram nenhuma precipitação no mês até o momento: o intervalo mais longo sem chuvas na região desde meados dos anos 1990, apontou uma agência do governo. No sudeste da Europa, autoridades na Grécia recomendaram que os residentes fiquem em casa, com temperaturas que devem chegar a 40ºC no país. Um monitor da Reuters que disponibiliza informações em tempo real mostrou que a temperatura média na Europa Ocidental chegou a 26,3ºC nesta terça-feira, ou 2,7ºC acima das máximas médias para a estação do ano, registradas entre 1961 e 1990.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
Segurança energética global corre risco se Estreito de Ormuz seguir fechado, diz AIE
“O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou, nesta terça-feira (21), que o mundo deverá se preocupar com a segurança energética se Estados Unidos e Irã não restabelecerem em breve o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. “A segurança do abastecimento de petróleo continua sendo uma questão crítica”, disse Birol durante um evento do Council on Foreign Relations. “Devemos estar preocupados, e eu estou preocupado, se a situação não melhorar nas próximas semanas.” O Estreito de Ormuz, via marítima entre Irã e Omã por onde antes da guerra passavam cerca de 20% das remessas mundiais de energia, está em grande parte bloqueado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Apesar da forte alta dos preços da energia, Birol disse que diversos fatores moderaram essa elevação. Entre eles, estão os estoques da China, que somavam mais de 1 bilhão de barris de petróleo antes da guerra, a economia de combustível obtida com o maior uso de veículos elétricos e do transporte público, além de uma liberação coordenada pela AIE de 400 milhões de barris de petróleo. No entanto, Birol, que já classificou a guerra no Oriente Médio como o maior choque de fornecimento de energia da história, afirmou que as soluções adotadas até o momento não vão “durar para sempre”. Birol anunciou que o aumento da produção nos EUA, maior produtor mundial de petróleo e gás, também contribuiu para a situação. “É muito positivo. Os EUA podem elevar a produção em 1 milhão ou 2 milhões [de barris por dia], mas não em 10 milhões”, frisou. Segundo ele, a crise no fornecimento de petróleo e gás prejudicou economias em todo o mundo, mas de forma desigual. “Principalmente a Ásia, porque a região recebia de 80% a 90% dessa energia pelo Estreito de Ormuz”, afirmou. Japão e Coreia do Sul foram afetados, mas os países em desenvolvimento, incluindo Paquistão, Bangladesh e Índia, sofreram os impactos mais severos, acrescentou. Birol destacou os riscos potenciais à saúde para a população dos países em desenvolvimento, especialmente as mulheres, que passaram a utilizar combustíveis alternativos para cozinhar, como esterco e lenha, que geram emissões mais nocivas, à medida que os derivados de petróleo se tornaram inacessíveis devido aos preços. Os preços do petróleo caíram cerca de US$ 20 por barril após a liberação coordenada de estoques pela AIE em março, e a medida sinalizou aos mercados que a organização, que representa mais de 30 países, poderá recorrer novamente às reservas se a situação piorar.”
Fonte: Valor Econômico; 21/07/2026
Tempestades no Chile deixam mortos, desaparecidos e milhares sem energia
“As fortes chuvas que atingiram grande parte do Chile deixaram 13 mortos e sete desaparecidos, informaram as autoridades na terça-feira (21). O governo também anunciou que pretende aplicar sanções às distribuidoras de energia elétrica devido aos cortes recorrentes no fornecimento. As tempestades atingiram a região central do país e avançaram em direção ao sul, provocando alagamentos, interdições de estradas e danos a imóveis. “Os cursos d’água, córregos e margens dos rios foram enfraquecidos pelas chuvas dos últimos dias. Ainda há risco de elevação do nível da água em algumas áreas”, afirmou Alicia Cebrian, chefe do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred). Segundo Cebrian, além das vítimas fatais, 2.281 pessoas foram retiradas de suas casas, 81 imóveis foram destruídos e 2.761 sofreram danos graves. Cerca de 87 mil pessoas permaneciam sem energia elétrica.O ministro do Interior, Claudio Alvarado, disse que o governo pretende abrir processos administrativos contra as empresas de distribuição de energia por causa da demora na retomada do serviço. As aulas foram suspensas em escolas de vários municípios de quatro regiões afetadas. Embora a maior parte das operações de mineração de cobre e lítio esteja concentrada no extremo norte do país, que não foi atingido pelas chuvas, algumas atividades tiveram de reduzir temporariamente o ritmo devido às condições climáticas.”
Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026
China pode cumprir meta de renováveis cinco anos antes, mas carvão resiste
“Líder, com folga, nas instalações globais de eólica e solar, a China está a caminho de atingir, ainda em 2026, a meta de fazer com que essas fontes representem mais da metade de sua capacidade instalada para 2030. Dados do Monitor Global de Energia (GEM, em inglês) mapearam 1.362 GW de projetos eólicos e solares em diferentes estágios de desenvolvimento (664 GW de solar e 698 GW de eólica, boa parte concentrada nas regiões desérticas do norte e noroeste do país, onde Pequim desenvolve seu programa de “megabases” de energia renovável. A análise indica que a meta do Plano Quinquenal está próxima de ser cumprida, reforçando críticas em relação ao plano lançado em março deste ano e da própria ambição climática para 2035, considerados conservadores e insuficientes para reduzir a dependência do carvão no maior emissor global de gases do efeito estufa. O 15º Plano Quinquenal chegou em meio a uma nova guerra no Oriente Médio, após o ataque dos Estados Unidos ao Irã, com impactos diretos sobre o mercado de petróleo e gás na Ásia. O cenário de instabilidade no abastecimento e preços levantou temores de que a China precisasse recorrer ao carvão para geração térmica, em substituição ao gás natural importado — o que acabou se concretizando. (CNN) E o plano econômico divulgado no final do ano já mostrava que a dependência do carvão seguiria um problema. Maior consumidora do combustível fóssil mais intensivo em carbono, a China optou por omitir a menção anterior à redução gradual do seu uso. Agora, a intenção é estabilizar o consumo de carvão. Isso porque, a capacidade renovável, por si só, não garante o fornecimento estável de energia, especialmente em uma economia industrial cuja demanda está crescendo de forma acelerada. A expansão renovável chinesa é, acima de tudo, um movimento econômico. No mundo, a expansão das energias renováveis evitou custos de US$ 480 bilhões com petróleo, gás e carvão em 2025, de acordo com a Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, em inglês). A China liderou, com cerca de US$ 177 bilhões— ou aproximadamente 47% — do custo total evitado, seguida pelos Estados Unidos (US$ 35 bilhões) e o Brasil (US$ 32 bilhões). A análise mostra que eólica e solar seguem ampliando sua vantagem de custo na comparação com os combustíveis fósseis. Em 2025, a China se manteve como referência global de baixo custo para a energia eólica e entre os mercados mais competitivos para a fotovoltaica. Enquanto no mundo o custo da energia gerada por placas solares ficou na média de US$ 44 por megawatt-hora (MWh), no gigante aisático o LCOE ficou na média de 36 US$/MWh. Já na eólica, a média chinesa ficou na casa dos 27 US$/MWh para onshore e 49 US$/MWh offshore, contra a média global de US$ 33/MWh onshore e US$ 78/MWh offshore.”
Fonte: Eixos; 21/07/2026
“Aqueles que acreditam que Andy Burnham intensificará a produção de petróleo e gás no Mar do Norte — incluindo Donald Trump — podem se surpreender com sua escolha para o cargo de secretário de energia. Longe de representar uma ruptura total com Ed Miliband — cuja busca pela neutralidade de carbono (net zero) no cargo o tornou alvo de hostilidade por parte da direita —, Miatta Fahnbulleh é uma de suas aliadas intelectuais de longa data. As tentativas de Miliband de manter o Reino Unido no caminho para atingir a neutralidade de carbono foram criticadas por figuras como Kemi Badenoch, cujo Partido Conservador foi o responsável pela implementação inicial do plano. No entanto, Fahnbulleh já defendeu anteriormente que a meta fosse antecipada de forma muito mais acelerada, para a década de 2030. Em 2019, ela afirmou que deveria haver um “Green New Deal” (Novo Acordo Verde) global, com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono “em um prazo de 10 a 15 anos”. Imogen Dow, responsável pela área de energia da organização ambientalista Friends of the Earth (FoE), saudou a nomeação, destacando que Fahnbulleh sempre defendeu abertamente a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A equipe de Burnham tem alimentado especulações de que ele permitirá mais perfurações no Mar do Norte por meio de medidas como maior flexibilidade no uso de tiebacks — tecnologia que possibilita a perfuração em áreas adjacentes a locais que já possuem licenças de operação. Notícias na imprensa sobre o desejo de Burnham de expandir as perfurações agradaram a Trump, um cético em relação às mudanças climáticas; o presidente dos EUA afirmou nas redes sociais que isso transformaria a Grã-Bretanha de um “desastre assolado pela pobreza” em um país muito rico. Contudo, no fim de semana, Lucy Powell, vice-líder do Partido Trabalhista, declarou que a proibição do partido quanto a novas licenças de exploração permaneceria em vigor, descrevendo a abordagem de Burnham para a política energética como uma “mudança de ênfase” e não uma “mudança de política”. Em 2021, Fahnbulleh liderava a New Economics Foundation quando a organização produziu um relatório defendendo o fim total de novas perfurações na bacia. O think tank, em um relatório conjunto com a FoE, pediu o cancelamento de todas as futuras rodadas de licenciamento, a revogação de todas as licenças ainda não desenvolvidas e a rejeição de quaisquer pedidos de autorização para desenvolvimento. A organização também recomendou a alteração da política de planejamento para especificar que não havia necessidade de qualquer extração adicional de combustíveis fósseis. A NEF defendeu o fim de todo apoio financeiro a combustíveis fósseis — incluindo incentivos fiscais — tanto no Reino Unido quanto no exterior. A organização também recomendou o encerramento antecipado de alguns campos existentes que ainda não foram totalmente desenvolvidos. A Offshore Energies UK (OEUK), grupo de lobby que representa empresas de petróleo e gás do Mar do Norte, instou Fahnbulleh a reunir-se com representantes do setor para esclarecer que o novo governo “apoia a produção nacional de energia” em detrimento do petróleo e gás importados. A entidade afirmou ainda que o setor “precisa urgentemente” que o governo aprove os projetos Jackdaw e Rosebank — empreendimentos multibilionários situados ao largo da costa da Escócia — que têm enfrentado forte oposição de ativistas climáticos. Embora ambos os projetos tenham obtido licenças anos atrás, eles ficaram em um limbo jurídico devido a uma decisão judicial proferida no ano passado.”
Fonte: Financial Times; 21/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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