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Ministério da Fazenda abre primeira consulta pública para regulamentação do mercado regulado de carbono | Café com ESG, 29/07

Avanços para um mercado regulado de créditos de carbono

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de terça-feira fechou em território positivo, com o IBOV e o ISE avançando 0,7% e 0,45%, respectivamente.

• No Brasil, (i) o Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente à ação civil pública que busca suspender a Resolução CVM 244, responsável por substituir a obrigatoriedade de reporte financeiro de informações de sustentabilidade, nos padrões IFRS S1 e S2, por um regime voluntário – segundo especialistas do mercado, com o ingresso do MPF, a ação ganha peso institucional; e (ii) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a abertura de consultas públicas para discutir os editais do primeiro leilão de baterias do país, previsto para dezembro, com o objetivo de contratar sistemas de armazenamento de energia para atender momentos de demanda elevada – o certame será realizado em duas etapas, nos dias 2 e 4 de dezembro, com contratos de potência de reserva de capacidade por 15 anos e início do suprimento em agosto de 2028.

• Ainda no país, o Ministério da Fazenda abriu a primeira consulta pública para regulamentar o mercado regulado de carbono brasileiro, com uma proposta que define o cronograma e os setores sujeitos às obrigações de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) de emissões no âmbito do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) – as obrigações começam em 2027 para empresas com emissões superiores a 10 mil toneladas de carbono equivalente (tCO2e) por ano, enquanto aquelas acima de 25 mil tCO2e também estarão sujeitas a limites de emissão e obrigações de conformidade, com implementação gradual prevista entre 2027 e 2031.

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Brasil

Grupo Olfar e Echoenergia fecham acordo de autoprodução de energia solar para produção de biodiesel

“O Grupo Olfar, produtor de biodiesel, e a Echoenergia, do Grupo Equatorial, fecharam uma parceria de autoprodução de energia solar em três usinas de Barreiras (BA), que garantirão acesso a até 27 megawatt (MW) médios de energia. O Grupo Olfar adquiriu 48,60% do capital social dos ativos, que somam cerca de 192,50 MWp de capacidade instalada. O acordo é no modelo de autoprodução por equiparação, no qual o consumidor se torna sócio da empresa geradora. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já aprovou a operação. “Esse modelo (autoprodução) permite às empresas realizar uma melhor gestão de custos, adquirir maior eficiência energética, e avançar em suas estratégias de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que impulsiona a expansão da geração limpa no país”, afirmou o gerente comercial da Echoenergia, André Breviglieri, em nota. Já o diretor industrial do Grupo Olfar, Mateus Andrich, considera que a parceria fortalece a competitividade do grupo e contribui para a estratégia de descarbonização. “Esta parceria proporciona maior previsibilidade de custos, eficiência energética e segurança para as nossas operações, além de ampliar o uso de fontes renováveis em nossa matriz”, disse, em nota.”

Fonte: Eixos; 28/07/2026

Aneel aprova consulta pública de editais dos primeiros leilões de armazenamento de energia

“A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (28/7) a abertura de consultas públicas, a partir da quinta-feira (30/7), para análise das prévias de dois editais para contratação de baterias de alta potência. As licitações serão realizadas pela Aneel e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nos dias 2 e 4 de dezembro. O primeiro, será destinado a sistemas de armazenamento em bateria (BESS) que tenham o mínimo de conteúdo local estabelecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O segundo certame, no dia 4 de dezembro, será aberto a todos os projetos de sistemas de armazenamento. Os dois leilões visam a aquisição de disponibilidade de potência de energia a partir de Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica (SAEs) autônomos com uso de baterias. Os contratos preveem suprimento por 15 anos, a partir de 1º de agosto de 2028. Os sistemas de armazenamento deverão ter potência de 30 megawatts (MW) ou mais e estar sempre preparados para o despacho centralizado do Operador Nacional do Sistema (ONS), com duração de quatro horas. Por dia, os sistemas poderão ser demandados duas vezes, tendo seis horas para recuperar a carga total. O pagamento do serviço será realizado por meio de receita fixa em 12 parcelas mensais. Essas condições foram estabelecidas na Portaria Normativa GM/MME nº 136/2026, emitida pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo informações da Aneel, os projetos de armazenamento poderão se inscrever para os leilões por meio de cadastramento na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), até sexta-feira 30/7 às 12h. Já as contribuições para as Consultas Públicas n° 22/2026 (Leilão nº 05/2026-ANEEL) e n° 23/2026 (Leilão nº 06/2026-ANEEL) poderão ser enviadas de 30 de julho a 14 de setembro, respectivamente pelos e-mails cp022_2026@aneel.gov.br e cp023_2026@aneel.gov.br. Os documentos disponíveis sobre o tema serão publicados no dia 30/7 na área de Consultas Públicas no portal da Aneel. Além do período de contribuição das duas consultas, a Aneel realizará audiência pública presencial no dia 1/9, às 14h30, na sua sede em Brasília, com transmissão ao vivo no canal da agência reguladora no YouTube.”

Fonte: Eixos; 28/07/2026

Mercado regulado de carbono vai alcançar 2,2 mil empresas na largada

“O Ministério da Fazenda abriu nesta terça-feira (28) a primeira consulta pública para a regulamentação do mercado regulado de carbono brasilero. A proposta é para definir o cronograma e os setores que terão obrigações de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) de suas emissões. O MRV é uma etapa importante para a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Ele estabelece como as empresas deverão medir, reportar e ter verificadas suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Com esse sistema, o governo terá uma base oficial de dados para implementar o mercado regulado de carbono. Pela lei do SBCE, as obrigações de monitoramento começam no ano que vem para empresas com emissões superiores a 10 mil toneladas de carbono equivalente (tCO2e) por ano. Empresas com emissões anuais acima de 25 mil tCO2e serão sujeitas também a limites de emissão e obrigações de conformidade. Nessa primeira etapa, a Fazenda estima que 2.188 operadores com emissões superiores a 10 mil tCO2e podem ser alcançados. Esse número cai para 693 operadores quando consideradas as emissões acima de 25 mil tCO2e. Os dados são da Análise de Impacto Regulatório (AIR), que acompanha a minuta e justifica tecnicamente o que está sendo proposto. A proposta da Fazenda estabelece um ciclo de implementação para cada setor, dividido em três etapas entre 2027 e 2031. A primeira etapa, com início em 2027, prevê monitoramento de emissões para os setores de papel e celulose; ferro e aço (usinas integradas); cimento; alumínio primário (incluindo alumina); exploração e produção de petróleo e gás natural; refino de petróleo; e transporte aéreo. Essa etapa deve abranger até 400 empresas acima de 10 mil tCO2e e 200 empresas acima de 25 mil tCO2e, segundo a Fazenda. A segunda etapa, prevista para começar em 2029, inclui mineração; alumínio secundário; setor elétrico; vidro; alimentos e bebidas; indústria química; cerâmica; resíduos; esgoto; e ferro e aço (usinas semi-integradas). Por fim, em 2031, a terceira etapa contempla transporte rodoviário, aquaviário e ferroviário. O documento em consulta pública prevê uma implementação gradual: o primeiro ano será dedicado apenas ao plano de monitoramento, seguido por um ano de coleta de dados. Só no terceiro ano as empresas entregam seu primeiro relatório verificado.”

Fonte: Capital Reset; 28/07/2026

Eco Invest Brasil promove quinto leilão para financiar inovação

“O Ministério da Fazenda publicou nesta terça-feira (28) o Manual Operacional do Quinto Leilão do Eco Invest Brasil, documento que reúne as regras para participação das instituições financeiras na nova rodada do programa. O edital é voltado ao financiamento de projetos de inovação tecnológica em setores considerados estratégicos para a transição ecológica e o desenvolvimento industrial do país. O manual complementa as diretrizes estabelecidas pela Portaria 1.782 da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda, de 17 de junho. A portaria detalha os critérios de habilitação, os procedimentos para envio de propostas, as condições de utilização dos recursos e as responsabilidades das instituições participantes. A quinta edição do leilão contempla projetos voltados à inovação em seis cadeias estratégicas da economia brasileira: fertilizantes verdes; combustíveis verdes avançados; automação e inteligência artificial aplicadas aos processos produtivos; beneficiamento de minerais críticos; sistemas de baterias e armazenamento de energia; química verde, biomateriais e circularidade de resíduos minerais. Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é ampliar os investimentos em tecnologias capazes de impulsionar a descarbonização da economia e aumentar a competitividade da indústria nacional. A rodada prevê a criação de três instrumentos financeiros para atender projetos em diferentes níveis de maturidade tecnológica e aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores. Os mecanismos incluem: criação de fundos de inovação especializados por cadeia produtiva; financiamento via crédito corporativo para projetos com maior maturidade comercial; recursos não reembolsáveis destinados à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica. O manual também estabelece como será feito o acompanhamento das operações e a prestação de informações sobre os projetos contemplados.”

Fonte: Capital Reset; 28/07/2026

Ministério Público entra na ofensiva contra recuo da CVM em reporte ESG

“O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou de forma favorável à ação civil pública que busca suspender a norma da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que derrubou a obrigatoriedade do reporte financeiro de informações de sustentabilidade pelas empresas de capital aberto. O órgão também pediu para atuar como coautor da ação, ao lado do Instituto de Direito Coletivo (IDC) e da associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), que ingressaram com o pedido na Justiça Federal do Rio de Janeiro no início de junho. Dessa forma, o MPF não atuaria apenas como fiscal da lei (custos legis). Com o ingresso do MPF, a ação ganha peso institucional: um órgão constitucionalmente incumbido de defender interesses difusos e coletivos passa a defender a tese da ação de que o recuo da CVM configura retrocesso ambiental inconstitucional. A decisão do MPF não foi tomada de forma individual. O procurador da República Renato de Freitas Souza Machado, responsável pelo caso na Procuradoria da República no Rio de Janeiro, submeteu a questão à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, que trata de meio ambiente e patrimônio cultural. O órgão colegiado orientou expressamente o ingresso como autor, citando a “acentuada relevância socioambiental” do tema e a magnitude dos interesses em jogo. A Resolução CVM 244, de maio de 2026, substituiu a exigência de relato obrigatório nos padrões IFRS S1 e S2 por um regime voluntário de “relate ou explique”, no qual companhias podem simplesmente justificar a não adoção das práticas. A regra havia sido instituída pela Resolução CVM 193, de 2023. Na manifestação protocolada na sexta-feira (24), o MPF reforça os fundamentos apresentados pelas entidades autoras da ação. O primeiro se refere a vícios procedimentais, uma vez que a resolução foi editada sem Análise de Impacto Regulatório (AIR) e sem consulta pública, em desacordo com a legislação. Outro vício apontado é o de competência e governança, pois a deliberação ocorreu em reunião extraordinária, sob composição atípica do colegiado da CVM, com membros interinos e substitutos, sem seguir o rito normativo da autarquia. O terceiro fundamento citado é o de ruptura de segurança jurídica. A mudança da norma contrariou a manifestação da área técnica da própria CVM, que havia rejeitado o pleito da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) pelo fim da obrigatoriedade. Por fim, o MPF reforçou o argumento da ação que aponta descumprimento de obrigações assumidas pelo Brasil em compromissos internacionais, entre eles no Acordo de Paris, no Acordo de Escazú e no Acordo Mercosul-União Europeia.”

Fonte: Capital Reset; 28/07/2026

Aneel adia novamente decisão sobre regras para definir ordem de cortes na geração de energia

“A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou mais uma vez a definição das regras que irão orientar a ordem dos cortes de geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). O julgamento do processo foi interrompido por um pedido de vista do diretor Gentil Nogueira, que levantou questionamentos sobre o voto-vista apresentado pelo diretor Fernando Mosna nesta terça-feira (28). O processo tem como relatora a diretora Agnes da Costa, que não participou da reunião desta terça-feira. O voto original foi apresentado em 22 de junho, mas a análise foi interrompida por um pedido de vista de Mosna. Nesta terça-feira, o diretor apresentou seu voto, apesar da ausência da relatora, sob o argumento de que esta foi sua penúltima reunião como integrante da diretoria da Aneel, já que seu mandato se encerra no próximo mês. Em seu voto, Mosna acompanha alguns aspectos da proposta da relatora Agnes da Costa, mas diverge justamente na forma de implementação da metodologia de ressarcimento, propondo uma solução mais conservadora e gradual. Mosna propõe que a Aneel aprove apenas um modelo transitório para o ressarcimento dos cortes de geração, prevendo que, antes da definição do modelo definitivo, seja realizada uma nova etapa da discussão regulatória, precedida de uma nova consulta pública. A proposta prevê uma implementação gradual da regulamentação, com a aplicação de algumas regras durante um “período sombra”, uma espécie de fase de testes da proposta. O período transitório teria duração de 15 meses. O diretor defende que, nesse período, a agência mantenha o rateio dos cortes separado por fonte de geração. Assim, os cortes seriam compartilhados apenas entre os empreendimentos da mesma fonte, como eólicas com eólicas e solares com solares. Os testes para a divisão conjunta dos impactos, envolvendo eólicas, solares e hidrelétricas, seriam realizados durante o período sombra. O diretor já havia defendido, em junho, que a implementação de um rateio definitivo entre todas as fontes necessitava de maior aprofundamento regulatório. Segundo ele, são necessários mais dados sobre a geração hidrelétrica com energia vertida turbinável (EVT), ou seja, a água que poderia ter gerado energia, mas foi vertida pela hidrelétrica em razão dos cortes de geração. “Trata-se de variável que julgo ainda em processo de maturação operacional e metodológica, cujos efeitos sobre o rateio entre fontes distintas somente poderão ser adequadamente avaliados a partir de apurações oficiais, transparentes e replicáveis, realizadas em período de operação sombra.”

Fonte: Valor Econômico; 28/07/2026

Biometano: a oportunidade de transformar resíduos em competitividade

“Neste ano, a transição energética brasileira deu um mais um passo capaz de acelerar a descarbonização da indústria sem abrir mão da segurança do abastecimento. A Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) estabeleceu o mandato do biometano e criou metas graduais para a redução das emissões de gases de efeito estufa por parte de produtores e importadores de gás natural, com piso inicial de 1% e limite de até 10%. A regulação atribui ao CNPE a competência para fixar essas metas anuais e para, excepcionalmente, defini-las abaixo do piso de 1% em casos de interesse público justificado ou de oferta insuficiente de biometano. Foi com base nessa prerrogativa que o CNPE fixou a meta inicial em 0,5%, conforme a Resolução CNPE 04/2026. O valor definido representa metade do piso previsto originalmente na lei e reflete, sobretudo, o estágio ainda inicial da oferta de biometano no país. Ainda assim, a regulamentação representa um importante sinal econômico. O biometano é um combustível renovável. Ele é produzido a partir do aproveitamento do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos. Esses resíduos incluem materiais de aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto, resíduos agroindustriais e dejetos da pecuária. Após passar por um processo de purificação, ele alcança intercambiabilidade com o gás natural fóssil, conforme previsto pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Assim, pode ser utilizado nas mesmas aplicações industriais, comerciais e veiculares, sem necessidade de adaptações significativas na infraestrutura existente. O Brasil reúne condições particularmente favoráveis para liderar esse mercado. Poucos países concentram uma produção agropecuária tão robusta, um parque sucroenergético consolidado e uma geração expressiva de resíduos orgânicos. Trata-se de uma matéria-prima abundante que, até pouco tempo, era subaproveitada. Agora, pode se transformar em combustível renovável, reduzir de emissões, gerar renda e, assim, contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país. O mandato previsto na Lei do Combustível do Futuro busca criar exatamente o elemento que faltava para acelerar essa transformação: um mercado consumidor garantido. Projetos que antes enfrentavam maior dificuldade para viabilizar investimentos passam a contar com uma perspectiva concreta de demanda de longo prazo, condição fundamental para atrair capital e ampliar a oferta do combustível. A legislação também trouxe flexibilidade para o cumprimento das metas. As empresas poderão reduzir suas emissões de duas formas: a primeira consiste na substituição direta do gás natural pelo biometano em suas operações. A segunda ocorre por meio da aquisição dos Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOB), mecanismo que permite comprovar a descarbonização mesmo quando não há consumo físico do combustível.”

Fonte: Eixos; 28/07/2026

Aneel aprova consulta pública para primeiro leilão de baterias do país

“A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (28), a abertura de consultas públicas para discutir os editais do primeiro leilão de baterias do país, previsto para ser realizado em dezembro. O objetivo do certame será contratar sistemas de baterias de armazenamento de energia para momentos de demanda elevada. Durante a análise dos processos, diretores defenderam a necessidade de maior segurança jurídica para o modelo de custeio das contratações de baterias. O relator, diretor Gentil Nogueira, classificou o tema como “a matéria mais controversa ainda em disputa” no modelo do leilão. Embora a legislação já determine que os custos da contratação sejam arcados por encargos a serem pagos pelos geradores de energia, ainda não há definição de como esses custos serão divididos exatamente entre os agentes, o que afeta as propostas a serem apresentadas. Caberá à Aneel regulamentar como se dará o rateio. “Conhecer previamente quem arcará com o custeio do encargo é relevante para os proponentes, na medida em que permite dimensionar o risco de inadimplência associado à contratação e, por consequência, precificá-lo na formulação de suas propostas”, afirmou o diretor. Diante das incertezas, a proposta da Aneel considera a indefinição sobre o custeio um risco do negócio a ser assumido pelos participantes do certame. A minuta do contrato, inclusive, prevê cláusula que atribui esse risco ao vencedor. O tema gerou amplo debate no colegiado. O relator sinalizou que o rateio poderia ser discutido no âmbito das consultas públicas dos editais. A avaliação é que antecipar isso poderia dar celeridade à discussão. O diretor apontou que o assunto está em debate na área técnica da Aneel, mas reconheceu que será “difícil” a conclusão antes da publicação dos editais para o certame. A sinalização contou com apoio do diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa. Contudo, o diretor Fernando Mosna defendeu que a agência discuta o modelo de divisão dos pagamentos pelas baterias em um processo próprio, com consulta pública específica sobre o tema. Mosna, então, propôs que a discussão avançasse em paralelo, com o sorteio antecipado de um relator. Apesar de não incluir a sugestão em seu voto, o relator encaminhou, separadamente, um despacho para que o diretor-geral da agência analise a proposta de antecipar o sorteio. Após o encaminhamento, o colegiado aprovou, por unanimidade, a abertura das consultas públicas entre esta quinta-feira (30) e 14 de setembro. O Ministério de Minas e Energia (MME) já definiu que o leilão será realizado em duas etapas. A primeira, prevista para 2 de dezembro, será voltada para contratação de projetos com conteúdo nacional. Já no dia 4, todos os empreendimentos poderão participar. Em ambos certames, os contratos terão prazo de 15 anos, com início do suprimento previsto para agosto de 2028. A contratação será feita por contratos de potência de reserva de capacidade, com remuneração por receita fixa, a ser paga em 12 parcelas, com possibilidade de redução desse valor a depender do desempenho do sistema. Na prática, essas baterias deverão ser usadas sob comando do Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS), a quem caberá ordenar quando armazenar e quando descarregar as baterias. A proposta em consulta pública trouxe algumas divergências em relação às recomendações dos técnicos da agência. Enquanto técnicos sugeriram usar como referência um investimento estimado de R$ 10 milhões por megawatt (MW), o relator avaliou que esse parâmetro supera o teto estimado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pode elevar barreiras à entrada de novos investidores e reduzir a competição. Por isso, defendeu uma base de R$ 9,8 milhões por MW.”

Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026

O Brasil que planeja e cuida, cresce

“Nós, brasileiros, temos o que o mundo está procurando. Energia limpa que cai do céu e brota dos nossos rios. Solo que produz comida para mais de 800 milhões de pessoas. Uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta. Florestas, cerrados e outros biomas que regulam a chuva no campo e o clima nas cidades. Uma das maiores reservas mundiais de terras raras está sob os nossos pés e somos líderes globais em biocombustíveis há décadas. A nossa natureza é a nossa maior infraestrutura econômica. E o mundo está disposto a pagar caro por ela. Não por acaso, em 2025, as economias globais investiram US$ 2,2 trilhões em tecnologias de energia limpa, o dobro do que destinaram ao petróleo, gás e carvão, segundo o relatório World Energy Investment. Exportar para a Europa já exige comprovar carbono. Investidores institucionais redirecionam capital para ativos descarbonizados. A COP30, sediada aqui, deixou uma expectativa concreta: agora é hora de implementação. Durante muito tempo, tratamos os ativos ambientais como se fossem permanentes, como se produzissem riqueza sozinhos. Mas nenhuma vantagem competitiva se sustenta sem planejamento. Os países que lideram os grandes ciclos de desenvolvimento transformam seus recursos em estratégia, criam segurança para quem investe e constroem políticas que atravessam governos. O Brasil não precisa descobrir uma nova vocação. Precisa organizar os recursos já disponíveis em um modelo catalisador que transforme riqueza natural em prosperidade duradoura. É com essa visão que, há mais de uma década, nós, no CEBDS, contribuímos com recomendações para os planos de governo dos candidatos à Presidência da República. Agora, mais uma vez, ao lado de nossas mais de 110 empresas associadas, responsáveis por cerca de um terço do PIB nacional, apresentamos um novo conjunto de propostas para contribuir com o debate eleitoral e a construção de uma agenda de desenvolvimento para o país. Essa é uma entrega concreta do setor produtivo, construída por quem já vive, na prática, o que significa competir numa economia que está mudando de regras. Mais do que uma lista de recomendações, ela representa a convergência de empresas de diferentes setores em torno de uma mesma visão: competitividade, proteção da natureza e segurança jurídica deixaram de ser agendas separadas. São vetores estruturantes para que o Brasil cresça de forma consistente nas próximas décadas. É esse projeto que começamos agora a levar à mesa de cada candidato e a ampliar, até o dia em que todos nós vamos às urnas, com a adesão de outras vozes do setor produtivo, para que chegue como um projeto de país, e não como a pauta de um setor, de um partido ou de um mandato. Poucas nações reúnem tantas vantagens para responder a esse momento quanto o Brasil. Mas nenhuma vantagem se transforma, sozinha, em desenvolvimento. Ainda operamos, em muitos aspectos, num modelo que entrega resultado no curto prazo e fragilidade no longo prazo. Quando a floresta queima, o ar piora nas cidades. Quando o rio seca, a indústria sente e o emprego some. Em 2024, a estiagem na Amazônia elevou a conta de luz para todo brasileiro. As enchentes no Rio Grande do Sul pressionaram o preço do arroz; a quebra de safra no Cerrado, o preço do café. A crise climática deixou de ser um tema distante: ela já chega na conta do mês, no prato e no aluguel.”

Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026

Efeitos do ‘El Niño’ entram no radar das campanhas

“Com as previsões iniciais sobre o “super El Niño” se confirmando, os possíveis impactos do fenômeno na vida dos brasileiros e na economia entraram no radar dos candidatos à Presidência da República, que incluíram o fenômeno em seus planos de governo e listam uma série de medidas que pretendem adotar para enfrentar as mudanças climáticas. O Valor entrou em contato com as campanhas dos cinco principais postulantes ao Palácio do Planalto, a fim de questionar como pretendem agir em relação ao problema, já que o presidente eleito em outubro terá de lidar com o risco de enchentes, ondas de calor, desabastecimento e alta da inflação, principalmente no preço dos alimentos. As campanhas dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) enviaram respostas ao Valor. O coordenador do programa de governo de Ronaldo Caiado (PSD), o ex-deputado Roberto Brant, confirmou que ações para enfrentar a realidade das mudanças climáticas estarão no documento, mas que não poderia adiantá-las porque esse capítulo ainda estava em elaboração. Por fim, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a demanda, mas não retornou. A coordenação da campanha de Flávio, capitaneada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), confirmou que ações relacionadas ao El Niño e às mudanças climáticas estarão no programa de governo, “com foco em prevenção, planejamento de longo prazo e integração entre monitoramento climático, defesa civil, infraestrutura hídrica, seguro rural e proteção das áreas urbanas mais vulneráveis”. Em resposta encaminhada por escrito, o candidato do PL afirmou que o Brasil “precisa deixar de agir apenas depois das tragédias e adotar uma política permanente de cidades resilientes, proteção da produção e segurança para a população”. Para isso, alega que não basta anunciar recursos extraordinários para as situações de calamidades, sendo necessário “planejamento, transparência e capacidade de executar os investimentos”. O candidato do Novo e ex-governador de Minas Gerais vai na mesma linha do adversário do PL, alertando que as tragédias climáticas se tornaram um padrão, e é preciso “deixar de tratá-las como acidente para enfrentá-las com planejamento”. Nesse contexto, Zema defende um “ajuste fiscal imediato”, para que o governo tenha flexibilidade para responder às emergências climáticas, “sem recorrer a mais endividamento, e elevação do risco-país e dos juros”. As respostas também foram enviadas por escrito pela coordenação da campanha. Em paralelo, o candidato a vice-presidente na chapa de Renan Santos, do Missão, o tenente-coronel Aroldo Medina, disse ao Valor, por meio da assessoria, que enfrentou, na linha de frente, vários desastres climáticos como chefe da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, entre 2003 e 2006. Ele confirmou a expectativa de “super intensidade” do El Niño deste ano, com grande volume de chuvas, e apontou o despreparo dos governos federal e estaduais para enfrentá-lo.”

Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026

Internacional

Nvidia tem contratos de US$ 50 bi para um data center no Texas

“A Nvidia assinou contratos de arrendamento no valor de até US$ 50 bilhões para um enorme data center no Texas, um compromisso até então não divulgado que lança nova luz sobre o papel crescente do grupo de semicondutores no financiamento da inteligência artificial. A empresa, avaliada em quase US$ 5 trilhões, está arrendando toda a instalação de 1 gigawatt que a desenvolvedora Hut 8 está construindo, a qual abrigará centenas de milhares de unidades de processamento gráfico (GPU) da Nvidia, disseram cinco pessoas familiarizadas com o negócio. Essa medida é o exemplo mais recente do executivo-chefe (CEO) da Nvidia, Jensen Huang, utilizando agressivamente a força financeira da empresa para mantê-la no centro do mercado de rápido crescimento de poder computacional para IA. Esses esforços incluíram o investimento de bilhões de dólares para fomentar uma nova geração de provedores de infraestrutura de IA, como a CoreWeave, para comprar e operar suas GPUs. O contrato de arrendamento no Texas vai além, colocando a Nvidia por trás das instalações que abrigarão seus chips. A unidade do Texas garantiu acesso à eletricidade, algo cada vez mais raro, visto que as empresas desenvolvedoras competem pela energia da rede elétrica. A Nvidia usou seu poderio financeiro para assegurar a localização para a produção de seus próprios chips, afirmou um executivo familiarizado com o acordo. “Eles têm o balanço patrimonial necessário para adquirir energia e, ao fazer isso, garantir que seu produto seja implementado”, disse a pessoa, pedindo para não ser identificada. Uma vez concluída a instalação, a Nvidia poderia sublocar capacidade para seus parceiros “neocloud” que compram suas GPUs e vendem computação em nuvem com IA, disse a fonte. O acordo intensificará as preocupações com o financiamento circular, uma vez que o grupo de semicondutores passa a garantir uma parcela maior do mercado de seus chips. A Nvidia também está em negociações para fornecer um aporte de US$ 250 bilhões à OpenAI para ajudá-la a alugar um data center de 10 GW que o SoftBank está construindo em Ohio, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Detalhes sobre o envolvimento da Nvidia no projeto de Ohio foram divulgados inicialmente pelo The Information e pelo The Wall Street Journal.”

Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026

Maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo volta-se para IA, redes elétricas e navios

“Em um enorme galpão industrial em Xiamen, no sudeste da China, encontram-se os restos carbonizados e derretidos de um contêiner repleto de células de bateria, submetido a uma descarga elétrica massiva para simular a queda de um raio. Esse teste de alta tensão é apenas um dos muitos realizados em novos sistemas de bateria da chinesa CATL, projetados para alimentar centros de dados de IA e servir de reserva para redes elétricas. Ao contrário das baterias automotivas que a CATL fabrica há anos, esses sistemas precisam operar 24 horas por dia, 7 dias por semana, sob as mais variadas condições — daí a simulação de raios. Chen Xiaobo, chefe do centro de pesquisa, disse ao Financial Times que, após “muitos anos” desenvolvendo células de lítio para automóveis, a empresa acredita que suas baterias agora podem ser integradas a “sistemas de escala muito maior”. A instalação da CATL em Xiamen simboliza a ambição do grupo chinês de ir além da fabricação de baterias de lítio de baixo custo, um mercado que domina globalmente. “A motivação original para investir neste laboratório surgiu da própria evolução do armazenamento de energia: a transição dos atuais sistemas distribuídos de baixa tensão para aplicações de armazenamento de energia de maior tensão voltadas para a rede elétrica”, afirmou Chen. Para Robin Zeng, o especialista em química que fundou a CATL após fabricar baterias para os primeiros celulares da Nokia e da Motorola, investimentos como o centro de Xiamen também fazem parte de um esforço de longa data para fomentar — e dominar — novas indústrias baseadas em baterias. O grupo chinês controla cerca de 40% do mercado de baterias para veículos elétricos, segmento que respondeu por cerca de três quartos de suas vendas de US$ 61,4 bilhões no ano passado. Vários investimentos destacam como a CATL está se posicionando para conquistar espaço em novos setores impulsionados por megatendências como a IA, a substituição de petróleo, gás e carvão por energias renováveis ​​e a eletrificação dos sistemas globais de transporte e indústria pesada. “Nossa ambição não se limita a ser apenas uma fornecedora de baterias para [montadoras]… nós nos vemos como uma empresa de alta tecnologia para o setor de energia renovável”, disse Oscar Luo, chefe de investimentos internacionais da CATL, ao Financial Times em junho, quando a empresa anunciou a implementação de estações de troca de baterias para caminhões elétricos na Europa. A CATL realizou investimentos diretos em 152 entidades, bem como investimentos indiretos — por meio de suas subsidiárias e fundos — em mais de 9.900 empresas, segundo dados da Tianyancha, um serviço chinês de informações corporativas. Esse cenário é favorável quando comparado aos 109 investimentos diretos e 2.856 indiretos realizados pela rival BYD.”

Fonte: Financial Times; 28/07/2026

Tesla firma acordo para comprar energia de usina solar

“A Tesla firmou um acordo de longo prazo para comprar eletricidade da ContourGlobal, uma usina solar e de baterias no Arizona apoiada pela KKR, segundo comunicado à imprensa. A ContourGlobal fornecerá à Tesla cerca de um terawatt-hora de energia por ano da usina no Arizona, aproximadamente 90% de sua produção anual total. Chamado de Projeto Sterling, o empreendimento inclui 509 megawatts de capacidade solar de pico e armazenamento em baterias suficiente para operar em plena capacidade por pouco menos de quatro horas, de acordo com o comunicado. Os termos do acordo não foram divulgados. As ações da Tesla operavam praticamente estáveis por volta do meio-dia desta terça-feira (28). Os papéis continuaram em queda após recuarem 14,5% na última quinta-feira (23), um dia após a divulgação dos resultados mais recentes da empresa. A Tesla eliminou os ganhos acumulados nos últimos 12 meses e registra queda superior a 30% em 2026. Gigantes da tecnologia têm corrido para garantir energia suficiente para operar seus centros de dados. O acordo é um tanto incomum para a Tesla, que até agora não havia firmado tantos contratos desse tipo quanto outras gigantes de IA, como Alphabet, Meta e Microsoft. O momento do acordo não é totalmente surpreendente. A Tesla já havia alertado os investidores de que faria grandes investimentos para sustentar suas ambições em inteligência artificial, que incluem robotáxis, robôs Optimus e o aperfeiçoamento de seu software de direção autônoma. Além disso, a oferta de energia é escassa, à medida que empresas de IA disputam o fornecimento necessário para manter seus sistemas em funcionamento. “A demanda por capacidade computacional para IA é tão alta que até mesmo os chamados ‘hyperscalers’ [grandes empresas de computação em nuvem] estão tendo dificuldade para ativar sua infraestrutura de IA e encontrar energia”, disse o diretor-presidente da Tesla, Elon Musk, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre na semana passada. Na mesma conferência, Musk explicou que um dos desafios enfrentados pelas empresas de tecnologia são as enormes oscilações no consumo de energia — que às vezes “caem 70% por 100 milissegundos” — durante os processos de treinamento de modelos de IA. “É por isso que a SpaceX comprou tantos Megapacks para os centros de dados”, afirmou, referindo-se às baterias industriais da própria Tesla. “Na verdade, elas servem principalmente para estabilizar o fornecimento de energia durante os treinamentos. Mas também serão úteis para permitir um maior uso da energia da rede elétrica […]. Se você disser às concessionárias que não precisará de energia durante as piores horas dos piores dias do ano porque as baterias podem suprir essa demanda, então fica muito mais fácil para elas fornecerem energia.” O acordo também chama atenção porque a Tesla está comprando, e não vendendo, capacidade de armazenamento em baterias. A empresa mantém uma divisão de armazenamento de energia desde 2015, que atualmente gera US$ 3,1 bilhões em receita, com margens em torno de 20%.”

Fonte: Valor Econômico; 28/07/2026

Eni fará parceria com TotalEnergies em campo de gás no Chipre, em impulso à energia europeia

“A italiana Eni e a francesa TotalEnergies planejam desenvolver um campo de gás no Chipre, avançando com o projeto offshore no momento em que o conflito no Oriente Médio leva companhias a explorar outras oportunidades. As empresas informaram nesta terça-feira que tomaram a decisão final de investimento no projeto de águas profundas no campo de Cronos. A primeira extração de gás está prevista para 2028. O recurso destina-se primariamente à Europa, que passou a buscar fontes alternativas de suprimento nos últimos anos após reduzir gradualmente sua dependência do gás russo na sequência da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. O conflito no Oriente Médio, que fechou o Estreito de Ormuz, voltou a evidenciar a vulnerabilidade do continente em relação à energia importada. O campo possui mais de 3 trilhões de pés cúbicos de gás originalmente em reservatório, com a produção projetada para atingir um platô de 500 milhões de pés cúbicos padrão por dia. O gás será transportado para o Egito antes de ser liquefeito na usina de GNL de Damieta, localizada na costa mediterrânea do país.”

Fonte: Valor Econômico; 28/07/2026

EUA avançam em testes de microrreator nuclear: “cabe num caminhão”

“Reatores atômicos que caberão na caçamba de um caminhão e poderão gerar energia em qualquer lugar. A ambiciosa promessa da nova geração de equipamentos nucleares está mais perto de sair do papel nos Estados Unidos. O Presidente Trump cercou-se de auxiliares e empresários do setor na Casa Branca na semana passada para anunciar que um quarto projeto de microrreator no país avançou para sua fase crítica de testes – ultrapassando a meta de um programa do Governo americano de ter três empreendimentos nesse estágio até 4 de julho. A Aalo, que levantou mais de US$ 300 milhões em venture capital para sua fábrica em Austin, no Texas, foi a última empresa a concluir o chamado teste de criticidade com combustível em potência zero. Isso significa que foi possível gerar uma reação em cadeia de fissão nuclear auto-sustentada, embora ainda sem produção relevante de eletricidade. A empresa agora promete entregar um microrreator de 10 megawatts diretamente ligado a um data center já em 2027, enquanto outra das participantes do programa, a Deployable Energy, prevê operação comercial em 2028. A MIT Technology Review disse que a velocidade com que as empresas atingiram esse marco crítico é “impressionante, especialmente em uma indústria conhecida por projetos massivos que frequentemente ultrapassam cronogramas e orçamentos.” Mas a revista acrescentou que o avanço nos EUA não necessariamente significa que os projetos estão perto de operar. Alguns dos microrreatores ainda precisam passar por “grandes desafios técnicos, e em alguns casos adicionar equipamentos importantes, como sistemas de resfriamento”, segundo a publicação. “Atingir a criticidade e operar um reator capaz de produzir eletricidade são duas coisas totalmente diferentes.” O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, mostrou um otimismo bem maior, classificando o anúncio como “parte de um muito esperado renascimento nuclear americano.” Trump, com sua tradicional modéstia, disse que os EUA “estão liderando o mundo como pioneiros na próxima geração de tecnologia nuclear, e não há ninguém nem perto.” A Rússia e a China iniciaram na frente na corrida pela diminuição dos reatores atômicos, implementando os primeiros equipamentos de menor porte já operacionais do mundo – embora estes ainda sejam bem maiores que as tecnologias sendo atualmente desenvolvidas. O projeto russo, da Rosatom, é de uma usina flutuante, instalada em um grande navio, e o chinês ocupa um prédio em um instituto estatal – enormes perto dos últimos protótipos das empresas americanas.”

Fonte: Brazil Journal; 28/07/2026

França e Espanha avançam no combate a incêndios; nova onda de calor se aproxima da Europa

“Bombeiros correram contra o tempo nesta terça-feira para controlar grandes incêndios florestais que provocaram evacuações sem precedentes de dezenas de milhares de pessoas na França e na Espanha, enquanto a Europa Ocidental se prepara para enfrentar uma nova onda de calor. Os incêndios devastaram uma região que já vinha sendo castigada por um verão excepcionalmente quente e seco. As equipes de combate tentavam aproveitar as condições climáticas mais favoráveis antes da chegada de uma nova elevação das temperaturas, prevista para quarta-feira. Na França, o clima era de consternação após os incêndios devastarem a península de Cap Ferret, na costa atlântica, um destino turístico popular, e se espalharem nos últimos dias por áreas ao redor da região de Bordeaux. O presidente Emmanuel Macron afirmou que o país pode estar enfrentando sua mais grave crise de incêndios florestais desde a Segunda Guerra Mundial. As autoridades regionais de Nouvelle-Aquitaine e da Gironda, onde fica Bordeaux, informaram na rede social X que o incêndio havia sido contido nesta terça-feira, apesar de alguns focos de reignição, mas alertaram que a previsão do tempo continua desfavorável. Na Espanha, as autoridades ampliaram nesta terça-feira a redução das medidas de emergência relacionadas aos incêndios, autorizando o retorno de moradores a 13 municípios e outras áreas afetadas na região de Madri e na província de Ávila. “Estamos começando a enxergar uma luz no fim do túnel no combate a esses incêndios”, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a jornalistas. Uma mulher que estava internada em estado crítico após sofrer queimaduras graves em um incêndio florestal próximo a Almería, no sul da Espanha, em 9 de julho, morreu, informaram autoridades de saúde. Com isso, o número de mortos nesse incêndio subiu para 14. A Europa, o continente que mais aquece no mundo, enfrentou neste ano ondas de calor recordes. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas provocadas pela atividade humana intensificam o calor e a seca, criando condições para que incêndios florestais se espalhem mais rapidamente, durem mais tempo e sejam mais destrutivos. Sánchez afirmou que ignorar essa realidade torna a população ainda mais vulnerável aos seus efeitos.”

Fonte: Valor Econômico; 28/07/2026

Irã diz ter perdido 230 milhões de metros cúbicos de capacidade de produção de gás com guerra

“O governo do Irã afirmou, nesta terça-feira (28/7), que o país perdeu cerca de 230 milhões de metros cúbicos de capacidade de produção de gás em consequência dos ataques sofridos durante a guerra contra os Estados Unidos. A informação foi divulgada pela porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, que também pediu à população que reduza o consumo de energia diante dos impactos sobre o abastecimento. Segundo Fatemeh, a queda na produção reduz tanto o fornecimento de gás às refinarias quanto o combustível destinado às usinas de geração de energia, razão pela qual o governo solicita economia de energia à população. “O próprio presidente tem dado o exemplo”, disse. A porta-voz afirmou ainda que o governo havia elaborado planos de contingência antes mesmo da posse do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que, em 13 de junho, delegou poderes especiais a grupos de trabalho, ministros e governadores para enfrentar a crise. Segundo Fatemeh, uma das prioridades do governo é preservar o emprego por meio de pacotes de apoio às empresas, embora tenha reconhecido que as medidas “não atendem necessariamente a todas as necessidades”. Ela acrescentou que o governo também busca garantir o abastecimento de bens essenciais, fortalecer a rede de proteção social e ampliar a resiliência econômica e social do país. Em outra declaração, a porta-voz afirmou que o governo continuará fortalecendo as forças armadas “por todos os meios que considerar necessários”. Ela elogiou os militares iranianos pela atuação durante o conflito e declarou que, apesar dos danos sofridos, “é absolutamente impossível que o Irã seja derrubado”.”

Fonte: Eixos; 28/07/2026

A ofensiva de Trump contra a diversidade repercute nas salas de conselho dos EUA

“À medida que o presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica sua campanha contra programas de diversidade, as nomeações de mulheres e minorias raciais para conselhos de administração de empresas do índice S&P 500 caíram para o nível mais baixo em mais de uma década, ameaçando reverter anos de avanços na diversidade corporativa de alto escalão. Essa mudança fica evidente em novas pesquisas de empresas de recrutamento especializadas em diversidade na liderança e em entrevistas da Reuters com mais de uma dúzia de recrutadores de conselheiros, investidores e analistas de recursos humanos. O cenário ocorre após uma série de ações do governo Trump contra iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (conhecidas pela sigla DEI). No mundo corporativo americano, grandes investidores que antes pressionavam as empresas a diversificar seus conselhos recuaram, enquanto contestações jurídicas abalaram as políticas de DEI nos últimos anos. Novos dados divulgados na terça-feira pela Spencer Stuart, empresa global de busca de executivos, mostram que a diversidade nas nomeações para conselhos vem caindo continuamente desde o pico de 72% registrado em 2021 e 2022. Dos 364 novos conselheiros independentes nomeados para conselhos do S&P 500 no período encerrado em 30 de abril, 40% eram mulheres ou pertenciam a minorias raciais — o menor índice desde 2014, quando 39% dos novos conselheiros eram de grupos diversos, segundo a consultoria. Atualmente, conselheiros de grupos diversos ocupam 49,3% das cadeiras nos conselhos do S&P 500, uma leve queda em relação ao recorde de 49,6% registrado em 2024 e 2025, conforme a Spencer Stuart. Recrutadores e analistas entrevistados pela Reuters afirmam que aqueles índices elevados refletiam anos de nomeações impulsionadas pelos movimentos #MeToo e Black Lives Matter. No entanto, embora a diversidade nos conselhos permaneça próxima de um patamar histórico, o perfil dos novos conselheiros está se tornando visivelmente menos diverso; isso sugere que tais avanços podem ser difíceis de manter caso os padrões atuais de contratação persistam e uma parcela maior das novas vagas nos conselhos seja ocupada por homens brancos, segundo os recrutadores e analistas do setor. George Anderson, codiretor da área de consultoria para conselhos da Spencer Stuart na América do Norte, afirmou que os conselhos estão reagindo a pressões jurídicas, regulatórias e políticas em transformação. Ele apontou que um dos fatores para a queda nas nomeações de perfis diversos é a mudança em direção ao recrutamento de CEOs atuais e ex-CEOs, que representaram 37% dos novos conselheiros neste ano — o maior índice em 15 anos. As empresas consideram esses executivos bem preparados para lidar com a complexidade, mas o contingente de talentos para o cargo de CEO é menos diverso, disse ele.”

Fonte: Reuters; 28/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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