Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de terça-feira fechou em território levemente negativo, com o IBOV e ISE recuando 0,25% e 0,45%, respectivamente.
• No Brasil, a Anfavea decidiu não recorrer à Justiça contra a renovação das cotas de importação para veículos elétricos e levará o caso ao TCU para questionar a governança da decisão – a medida prorrogou por seis meses a isenção tarifária para veículos CKD e SKD, importados desmontados ou semidesmontados para montagem no país, reacendendo o debate sobre os impactos da política industrial para a cadeia automotiva nacional.
• No internacional, (i) a Airbus, em parceria com a alemã MTU Aero Engines, anunciou sua primeira iniciativa em motores de aeronaves movidos a hidrogênio – o projeto pretende desenvolver um sistema de propulsão a hidrogênio para equipar uma futura geração de aviões com emissão zero, reforçando a estratégia da companhia para descarbonizar o setor de aviação; e (ii) produtores de terras raras apoiados pelo governo dos EUA estão ampliando as exportações para Japão e Coreia do Sul diante da demanda doméstica ainda limitada – empresas como MP Materials, Energy Fuels e Phoenix Tailings vêm direcionando sua produção para mercados asiáticos, onde a escala de fabricação de ímãs permanece muito superior à produção ainda incipiente nos EUA.
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Brasil
Empresas
Anfavea não levará à Justiça a renovação de cotas de importação para veículos elétricos
“A Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos no Brasil, disse que não irá judicializar a medida do governo federal que renovou por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semi desmontados (SKD). A renovação, em vigor desde 23 de junho, soma nova cota de US$ 463 milhões em importação com alíquota zero. No sistema SKD, o veículo chega montado ao país e recebe acabamento final de peças, como pneus. Já no caso do CKD, kits de componentes ou peças avulsas são importados para montagem local. “Não vamos judicializar. Como é uma medida de seis meses, a eficácia de uma judicialização nesse contexto não faria sentido”, disse Igor Calvet, presidente da entidade, nesta terça-feira (7). Segundo o dirigente, o que a entidade fará é ingressar com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a Câmara de Comércio Exterior (Camex), de quem partiu a medida, para fomentar “melhorias de governança”. A medida reacendeu a disputa entre a chinesa BYD e as montadoras representadas pela Anfavea, que anteriormente disse que a decisão contrariava a política tarifária definida pelo próprio governo e gerava insegurança para investimentos baseados no cronograma anterior da entidade. “Estamos em vias de fazer representação no TCU, que não vai reverter a decisão, mas pode ajudar a melhorar a governança [do órgão]. Entendemos que não houve discussão prévia do tema e que o contraditório não aconteceu”, acrescentou o dirigente.”
Fonte: Valor Econômico; 07/07/2026
TBG e Paulínia Verde firmam contrato de transporte de gás natural para térmica em SP
“A TBG e a térmica Paulínia Verde firmaram um termo de compromisso para contratação de transporte firme de gás natural para a usina, que venceu o leilão de reserva de capacidade realizado em março, voltado para a segurança energética. Com o acordo, fica formalizado o compromisso de atendimento ao suprimento de gás natural a partir de 1º de agosto, quando começa a valer o contrato de disponibilidade da térmica. Paulínia Verde é uma joint venture entre Mercúrio Partners, Orizon VR e Gera Energia que construiu uma usina a biometano em Paulínia, São Paulo, vencedora do leilão de reserva de capacidade de 2021. No certame de 2026, a usina contratou 23,38 megawatts (MW) de disponibilidade de potência, a gás natural, que será transportado pela TBG. Segundo a TBG, o contrato representa “um avanço no atendimento às exigências regulatórias do certame e assegura maior previsibilidade quanto à disponibilidade da infraestrutura de transporte necessária para a operação do empreendimento”. Para a UTE Paulínia Verde, “a formalização do compromisso é uma etapa importante para a operação da usina e para o cumprimento dos requisitos previstos no LRCAP 2026 [leilão de capacidade], contribuindo para o cronograma de início da operação comercial.”
Fonte: Valor Econômico; 07/07/2026
Sinal verde para Amazon na OpenAI
“A Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) aprovou sem restrições a compra de ações, sem aquisição de controle, da OpenAI pela Amazon – negócio anunciado em fevereiro deste ano. Se nos próximos 15 dias nenhum concorrente ou conselheiro questionar o parecer técnico, a operação fica aprovada em definitivo no Brasil. A SG analisou sobreposições horizontais (em um mesmo segmento) e integrações verticais (em cadeia) em mercados de tecnologia da informação, em especial no segmento de inteligência artificial e verificou participações reduzidas nos mercados afetados. Por isso a aprovação sem restrições. Negócios com efeito global precisam ser submetidos a diferentes autoridades antitruste. A decisão do Cade vale apenas para o território nacional, onde o faturamento das empresas atinge o critério exigido para análise pelo órgão. Inicialmente, a operação havia sido notificada como procedimento sumário pelas empresas, o que levaria para a análise mais simples e rápida pelo órgão, aplicada aos casos de baixa complexidade. Mas em junho deste ano, considerando a existência de dúvidas quanto à participação conjunta de mercado das partes, o Cade decidiu pelo não enquadramento do caso como procedimento sumário e determinou, se necessária, a realização de instrução complementar. De acordo com o parecer, os mercados afetados pela operação possuem uma gama importante de competidores de grande porte e uma franja competitiva importante. “Ainda que não haja evidências para uma possibilidade de exercício de poder de mercado, a contestabilidade existente, o panorama de rivalidade fundamentado por grandes empresas de mercado digitais rivais e um ambiente acelerado de inovação, confere uma baixa probabilidade para eventuais exercícios de poder de mercado”, afirma, nas conclusões. Ainda segundo a SG, pela operação envolver apenas de uma composição acionária minoritária, sem qualquer direito que possa configurar controle, não existem preocupações como as que foram apresentadas em julgamento recente pelo Cade sobre análise de aquisição de empresas de IA por gigantes de tecnologia.”
Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026
Casa do Seguro conecta finanças, agro e indústria na busca de soluções para o clima
“O alcance do seguro ainda é limitado no Brasil: apenas 30% da frota de veículos, 17% das residências e 2,3% da área agrícola que recebe recursos do governo são atendidos por esse mecanismo estratégico. Além disso, não mais do que 25% das pessoas contam com planos de assistência médica e somente 10,1%* da população economicamente ativa conta com previdência privada. Essa diferença entre as perdas econômicas potenciais e o valor efetivamente coberto representa um risco significativo, tanto para as famílias quanto para as empresas e o setor público. A economia brasileira como um todo se vê enfraquecida, especialmente em um momento em que as mudanças climáticas provocam novos riscos e em escalas inéditas. Diante desse cenário, o setor financeiro, o agronegócio e a indústria vêm se mobilizando em prol de uma estratégia ampla, que conecte, estruture e dê escala a ações capazes de fortalecer a capacidade de proteção do setor produtivo, com impactos positivos para os indivíduos. Esses setores estarão juntos na Casa do Seguro, um espaço construído em Belém (PA) pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) para debates durante a COP30. Inaugurado oficialmente em 3 de novembro, e com programação prevista para os dias 10 a 15 e 17 a 21 de novembro, o local acomoda uma plenária com 100 lugares, seis salas de reunião, business lounges, estúdio para gravação de podcasts, sala de imprensa, espaço de convivência e área para exposições artísticas e apresentações culturais. A Casa do Seguro conta com o apoio dos empoderadores Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential e Tokio Marine. Como explica Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, o espaço se consolida como a embaixada do seguro na COP30 e foi idealizado como um hub estratégico de conteúdo, conexão empresarial e negócios, com o objetivo de promover soluções conjuntas do mercado segurador e outros setores da economia no debate da transição climática. “O Brasil avançou em sua agenda climática nos últimos anos. Trabalha com metas detalhadas e segue no caminho da implementação. O país faz o dever de casa, com excelência, e o setor privado vem acompanhando esse movimento”, afirma. Nesse contexto, existe atualmente, de parte das entidades e associações do setor financeiro e das organizações que reúnem as empresas do setor produtivo, um consenso em torno da redução de emissões e das pautas que promovem a circularidade de materiais. E o seguro se estabelece como um fator estruturante para garantir que as empresas alcancem os melhores resultados e se vejam protegidas em caso de incidentes. “O seguro proporciona resiliência para a economia. Com a Casa do Seguro, trazemos o tema para a pauta, na primeira COP em que o setor é oficialmente citado como parte da solução”, diz Prates.”
Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026
Governo faz ofensiva para conectar Amazônia à internet
“A poucos meses das eleições, o governo federal anunciou uma série de entregas relacionadas as infovias na região Norte para ampliar o acesso à internet de alta velocidade em áreas onde o serviço ainda é inexistente ou funciona de forma precária. Com a entrada em operação de mais uma estrutura na última semana, o programa Norte Conectado passará a contar, em julho, com seis infovias funcionando, uma delas ainda em fase de testes. Até maio, apenas três estavam em operação. O programa, que leva internet por meio de cabos de fibra óptica lançados nos leitos dos rios amazônicos, prevê a implantação de nove infovias, somando 13,2 mil quilômetros de cabos. Se todos os empreendimentos forem concluídos, o programa deverá atender 70 localidades nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, beneficiando cerca de 7,5 milhões de pessoas. Segundo o Ministério das Comunicações, mais de 6 milhões de brasileiros já são beneficiados pela infraestrutura instalada. A intenção é oferecer internet de alta velocidade, reduzir a ocorrência de falhas em regiões que já possuem rede e estimular a oferta de planos com maior velocidade e menor custo para a população. Embora os grandes centros urbanos e parte expressiva do interior do país já estejam atendidos, permanece um desafio estrutural para levar conectividade a áreas remotas e de menor viabilidade econômica. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que ainda há 925 municípios sem fibra óptica no Brasil, dos quais 683 não possuem compromissos de atendimento. Apesar de as entregas representarem um avanço, o ex-conselheiro da Anatel Moisés Moreira aponta que o projeto de instalação de infovias teve início há mais de uma década, ainda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, conduzido pelo Exército brasileiro. Em 2017, foi implantada uma nova infovia, ligando Macapá (AP) a Santarém (PA), em parceria com o Ministério das Comunicações e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Em 2021, a política foi ampliada por meio do Programa Amazônia Integrada e Sustentável, que agregou mais ativos. Moreira destaca que, ao longo dos anos, outras alternativas de financiamento para ampliar a expansão da fibra óptica também foram adotadas. Como exemplo, cita a mudança nos modelos dos leilões, que passaram a direcionar parte dos recursos que seriam destinados ao pagamento de outorgas à União para o financiamento de políticas públicas. Das nove infovias previstas no programa, sete contam com trechos financiados com recursos do leilão do 5G. A iniciativa também prevê investimentos de R$ 1,3 bilhão do Novo PAC. “Essas infovias podiam estar mais aceleradas e é importante que haja empenho para que todas sejam concluídas por várias questões, já que não existe inviabilidade técnica hoje. Existem soluções para superar qualquer obstáculo que surja no caminho. Além de atingirem localidades que jamais seriam alcançáveis sem políticas públicas, promoverão redundância na Amazônia”, disse.”
Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026
Política
PL dos minerais críticos não garante salvaguardas para direitos humanos e meio ambiente, diz Inesc
“O projeto de lei (PL) que estabelece uma política nacional de minerais críticos e estratégicos (PNMCE) está longe de estruturar condições necessárias a uma inserção menos regressiva do Brasil no atual cenário geopolítico global. E, mais longe ainda de assegurar mecanismos e processos de salvaguarda de direitos humanos, seja de trabalhadores, do meio ambiente ou das comunidades afetadas por projetos de mineração. Essa é uma das conclusões da nota técnica do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) sobre o tema. Minerais críticos são considerados estratégicos para o desenvolvimento de tecnologias e equipamentos destinados à transição energética, como sistemas de armazenamento de energia por baterias e painéis solares fotovoltaicos. O PL 2780/2024 está em tramitação no Senado, depois de aprovado na Câmara dos Deputados. Segundo o Inesc, o PL é baseado na concessão de “amplos e incondicionais” benefícios fiscais, tributários e creditícios à mineração no país, já que, segundo a entidade, abre a possibilidade de que tais incentivos possam ser aplicados a quase qualquer projeto mineral. Entre os incentivos está a ampliação da abrangência das debêntures de infraestrutura, para incluir projetos de mineração. A proposta prevê também a criação de um fundo garantidor com aporte da ordem de R$ 2 bilhões em recursos públicos, a concessão de créditos fiscais de até R$ 5 bilhões em favor do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE) e a possibilidade de alavancagem de mecanismos de financiamento. De acordo com o Inesc, essas propostas não trazem avaliação de impactos na arrecadação ou medidas de compensação, o que contraria a Constituição Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Mais ainda, o projeto não apresenta critérios e mecanismos de vinculação do acesso aos benefícios a medidas de adensamento de cadeias de valor ou de prevenção e mitigação de impactos negativos sobre o meio ambiente e comunidades afetadas pelos empreendimentos”, disse a entidade na nota técnica.”
Fonte: Valor Econômico; 07/07/2026
Ferbasa capta R$ 43,8 milhões com BNDES para nova planta de biorredutor na Bahia
“A Ferbasa (Companhia de Ferro Ligas da Bahia) celebrou nesta terça-feira (7) um contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obtenção de créditos no valor de R$ 43,8 milhões. De acordo com a companhia, esse recurso será integralmente destinado à instalação da nova planta para produção de biorredutor (material de origem vegetal para substituir o carvão mineral), com unidade de redução de emissão de gás metano, em Maracás (BA). Do valor total, 80% vêm do Fundo Clima, na modalidade “Indústria Verde”, com custo financeiro fixo de 7,88% ao ano e prazo total de 120 meses, sendo 24 meses de carência e 96 meses de amortização.”
Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026
Internacional
Empresas
Conta da IA continua a crescer com disparada dos gastos de Alphabet, Amazon e Meta
“Enquanto as preocupações com os elevados gastos em inteligência artificial pesam sobre o mercado, novas projeções do BofA Securities tendem a aumentar a ansiedade dos investidores, em vez de amenizá-la. Nesta terça-feira (7), a empresa elevou suas estimativas de gastos de capital para três das maiores “hyperscalers”: Alphabet, Amazon e Meta Platforms. Embora o termo se refira tipicamente a grandes provedores de nuvem, a Meta expandiu com força sua infraestrutura global de data centers para dar suporte aos seus próprios aplicativos, apesar de não possuir um negócio de nuvem pública. Principalmente para apoiar suas ambições em IA, projeta-se agora que a Alphabet gastará US$ 195 bilhões este ano e US$ 290 bilhões em 2027, um aumento em relação às estimativas anteriores do BofA de US$ 187 bilhões e US$ 257 bilhões, respectivamente. A perspectiva de gastos da Meta também sofreu um aumento semelhante: o BofA elevou sua estimativa para o ano corrente de US$ 130 bilhões para US$ 145 bilhões e aumentou a previsão para 2027, de US$ 157 bilhões para US$ 185 bilhões. Embora a estimativa de gastos da Amazon Web Services para 2026 permaneça inalterada em US$ 159 bilhões, o BofA aumentou sua projeção de gastos de capital para 2027, de US$ 196 bilhões para US$ 230 bilhões. A atualização coincidiu com o anúncio da Amazon, nesta terça-feira, de que planeja emitir dívida em oito séries para financiar “propósitos corporativos gerais”. A dívida totaliza pelo menos US$ 25 bilhões, segundo uma fonte a par do assunto informou ao Barron’s, acrescentando que a Amazon comunicou aos coordenadores da oferta que esta será sua última operação de dívida pública nos EUA em 2026. A empresa recorreu ao mercado de dívida em dólares americanos mais recentemente em março. Ela também tem captado recursos nos mercados globais, emitindo títulos em francos suíços, dólares canadenses e outras moedas ao longo dos últimos meses. A Amazon não está sozinha. Outras empresas de hiperescala recorreram ao mercado de dívida neste ano para financiar a expansão de seus data centers. A escala maciça desses investimentos em IA e infraestrutura superou rapidamente a capacidade de financiamento dessas empresas por meio de seu fluxo de caixa operacional regular. Como a BofA Securities observou nesta terça-feira, a alta nos custos de memória pode levar a uma escalada nos gastos. A empresa citou os preços “spot” de memórias DRAM, que sugerem um salto de 40% desde o último trimestre.”
Fonte: Valor Econômico; 07/07/2026
Empresa Rare Earths buscam migrar para a Ásia enquanto a demanda interna demora a surgir
“Terras raras dos EUA produzidas por empresas apoiadas pelo governo americano estão sendo enviadas para o Japão e a Coreia do Sul, uma vez que a demanda interna americana ainda não se concretizou, apesar dos esforços da administração Trump para desenvolver uma cadeia de suprimentos nacional. Produtos de terras raras fabricados pela MP Materials, Energy Fuels e Phoenix Tailings — empresas que, juntas, obtiveram bilhões de dólares em apoio do governo dos EUA — estão sendo vendidos para companhias na Ásia, onde a escala de fabricação de ímãs permanece muito superior à produção ainda incipiente nos EUA. O domínio da China sobre o fornecimento global de terras raras e minerais críticos tornou-se uma questão de segurança nacional para os EUA e outras nações ocidentais, desde que Pequim começou a restringir o acesso a esses recursos. Esses metais são fundamentais para a tecnologia do século XXI e utilizados na fabricação de diversos itens, desde sistemas de orientação de armas até baterias para veículos elétricos. Nick Myers, CEO da Phoenix Tailings, afirmou que clientes japoneses estão “ansiosos” para adquirir os metais de terras raras produzidos pela empresa, dada a drástica redução nas exportações desses materiais por parte da China neste ano. Os clientes da startup estão “principalmente na Coreia e no Japão”, disse ele. “Se as grandes empresas de defesa dos EUA não agirem rapidamente, meu estoque se esgotará… outras companhias estão pagando preços mais altos e com mais agilidade.” A Phoenix, apoiada pela IQT — uma empresa de capital de risco financiada pela CIA —, está ampliando sua produção, mas ainda não é uma produtora de grande porte e não divulga números de vendas. Diversas empresas americanas apresentaram planos para a extração de terras raras e a produção doméstica de ímãs, mas o setor levará tempo para se desenvolver, segundo especialistas. “Hoje, existem dois países onde ímãs de neodímio-ferro-boro são produzidos em larga escala: o Japão, país de origem da tecnologia, e a China”, afirmou Thomas Kruemmer, autor do blog Rare Earth Observer. Esses ímãs são utilizados em uma ampla gama de aplicações, desde automóveis e caças militares até a indústria de semicondutores. A MP Materials é, com ampla vantagem, a principal produtora de terras raras dos EUA. As vendas de óxido e metal de neodímio-praseodímio (NdPr) da empresa — sediada em Nevada e com essa linha representando sua maior divisão em termos de receita — foram geradas “principalmente” por meio do acordo da MP com a Sumitomo Corporation of Americas, responsável pela distribuição do material a clientes japoneses, conforme indicam os resultados trimestrais mais recentes da companhia. Parte do material também é destinada a uma empresa americana de tecnologia e indústria não revelada, sob um acordo firmado no primeiro trimestre de 2026.”
Fonte: Financial Times; 08/07/2026
Airbus fará sua primeira incursão na fabricação de motores com parceria em hidrogênio
“A Airbus fará sua primeira incursão no setor de motores de aeronaves por meio de uma joint venture com a alemã MTU Aero Engines, visando desenvolver um sistema de propulsão a hidrogênio que poderá, futuramente, equipar uma linha de aviões com emissão zero. Pelo acordo, o grupo europeu de aeroespacial e defesa e a MTU unirão seus esforços de pesquisa em uma empresa dedicada a motores com células a combustível de hidrogênio. As células a combustível de hidrogênio utilizam uma reação química para gerar energia para um motor elétrico. A joint venture “será, em termos simples, a fabricante de motores a hidrogênio”, afirmou Bruno Fichefeux, chefe de programas futuros da Airbus. O objetivo, segundo ele disse ao Financial Times, é garantir a “soberania europeia” em uma tecnologia que deverá “remodelar profundamente a aviação no futuro… da mesma forma que os veículos elétricos remodelaram a indústria automotiva”. Fichefeux observou que a Europa enfrenta concorrência de outros países, como a China, bem como de startups nos EUA. “Se quisermos manter a liderança, precisamos de escala; precisamos que os principais players unam forças”, disse ele. A meta é que a joint venture esteja operacional no início do próximo ano. A participação da Airbus na joint venture — que poderá ser avaliada em mais de € 1,2 bilhão — será de cerca de 75%, cabendo à MTU a parcela restante, segundo duas pessoas a par das negociações. Ele afirmou que o foco da Airbus está no hidrogênio e que o grupo não tem planos de desenvolver motores a combustão para as aeronaves convencionais atuais. O acordo para desenvolver um motor totalmente elétrico baseado em hidrogênio trata-se de uma “tecnologia disruptiva”, ressaltou. Apesar do foco no hidrogênio, a entrada da Airbus na fabricação de motores representa uma ruptura significativa com a prática da indústria aeroespacial de separar a construção de aeronaves da fabricação de motores. Tradicionalmente, as fabricantes de aviões dependem de especialistas em motores, como a Rolls-Royce e a GE Aerospace, para equipar aeronaves civis. As empresas tendem a sediar a joint venture na Alemanha, embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, disseram duas pessoas, acrescentando que o valor exato, a estrutura e a localização ainda estão sendo definidos. O acordo ocorre após as duas empresas terem concordado, em junho do ano passado, em colaborar na tecnologia de células a combustível de hidrogênio. O objetivo, disse Fichefeux, era criar uma entidade ágil que atuasse como um “catalisador” para a “cooperação público-privada” e garantisse “apoio em nível europeu para investir nessas tecnologias”. A MTU afirmou que o projeto representava um “marco crucial” no caminho para o “primeiro motor movido a hidrogênio, e nossa ambição é que esse motor seja europeu”. A Airbus está se unindo a empresas europeias de outros setores para enfrentar rivais dos EUA e da China. A empresa planeja fundir sua divisão espacial com as da Leonardo e da Thales para competir com rivais como a SpaceX, de Elon Musk.”
Fonte: Financial Times; 07/07/2026
Política
Japão destrava trem maglev para interligar corredor de US$ 2 trilhões
“Os planos do Japão para construir uma linha de trem de levitação magnética (maglev) ultrarrápida conectando Tóquio, Nagoia e Osaka deram um passo crucial após a aprovação de um governador local, elevando as expectativas dos setores público e privado para a criação de um gigantesco corredor econômico. O trem, batizado de Linear Chuo Shinkansen, conectará a estação de Shinagawa, em Tóquio, a Nagoia e, futuramente, a Osaka. Correndo a 500 quilômetros por hora, o sistema reduzirá drasticamente o tempo de viagem. O governador da província de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, aprovou na terça-feira (7) o início das obras no trecho sob sua jurisdição, aproximando a primeira etapa (Tóquio-Nagoia) da fase operacional. A população somada das regiões metropolitanas de Tóquio, Nagoia e Osaka/Quioto chega a 66 milhões de pessoas e responde por um PIB de 330 trilhões de ienes (cerca de US$ 2,04 trilhões) — os números representam mais da metade do total do Japão. Com a linha maglev, o governo quer criar uma “supermegarregião” para expandir o fluxo de pessoas, mercadorias e negócios. Hoje, a viagem mais rápida de Tóquio a Nagoia no trem-bala tradicional leva cerca de 90 minutos, e até Osaka, 2 horas e 20 minutos. A nova linha deve reduzir os deslocamentos para 40 e 67 minutos, respectivamente. Espera-se que a mudança facilite viagens de negócios e parcerias corporativas, impulsionando a produtividade e a inovação. Também há grande expectativa de que o projeto estimule o deslocamento diário de moradores do interior para as capitais e a migração de grandes centros para áreas menos povoadas. Em termos de segurança nacional, o maglev servirá como alternativa estratégica ao trem-bala atual no caso de um grande desastre natural. Com o acesso ao centro de Tóquio reduzido para menos de uma hora, os preços dos imóveis residenciais e comerciais perto das novas estações devem subir. Ao mesmo tempo, autoridades alertam para a necessidade de mitigar o chamado “efeito canudo” — quando a melhora no transporte acaba esvaziando cidades menores e concentrando a população nas metrópoles.”
Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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